Advogado dá palestra sobre Política e Psicanálise ao atender pedido do Quero na Escola em Curitiba

Em fevereiro deste ano, o advogado Alexandre de Salles Gonçalves nos enviou um email: “O que os alunos querem na escola aqui em Curitiba eu não posso oferecer (Yoga, programação e fotografia). Mas gostaria de me voluntariar para colaborar da forma como for possível. Minhas áreas de interesse seriam em palestras/cursos sobre noções de direito, contratos, direito do consumidor, direito de família, direito constitucional, direitos humanos, filosofia e psicanálise”.

Em julho, a estudante Ana Paula de Carvalho, que já tinha sido atendida com duas palestras sobre Fotografia (veja aqui e aqui) pediu um debate sobre Política. O Alexandre se inscreveu para atender, mas tivemos que esperar as férias escolares e a licença do diretor Dario, nosso parceiro na organização das atividades do Quero na Escola, acabarem. Em setembro começamos a organizar o evento, mas, como já estávamos muito perto das eleições municipais, a gestão da escola achou melhor esperar o momento passar.

E assim, em novembro, o Alexandre visitou a escola para falar sobre Política e a realação com a Psicanálise. Membro da Associação Psicanalítica de Curitiba e advogado há 15 anos, Alexandre estuda o tema há três anos e mostrou como a política permeia a vida dos estudantes. “Comecei a abordagem falando sobre a origem da palavra na Grécia e mostrando que o cidadão é um sujeito político. Introduzi um pouco sobre a psicanalise dizendo que o que comanda a vontade do sujeito dentro da pólis e as relações dele são reflexo das relações que ele tem com o seu interior. O dentro é formado pelo inconsciente, que comanda a nossa razão, e a razão é usada para justificar o nosso desejo”, contou Alexandre.

Para Ana Paula, a palestra mostrou como a política está relacionada à vida dos estudantes. “Ele falou sobre as ocupações e mostrou que a política se estende até nas simples ações”, resumiu a aluna que se forma este ano e teve seus pedidos atendidos cinco vezes pelo Quero na Escola este ano.

Alexandre lembrou os estudantes que o orçamento da escola pública é público e que eles poderiam usar a internet para acompanhar e conseguir verba para melhorias e projetos do interesse deles. “Me preocupei em fazer acender algumas luzes, fazer eles se questionarem”, disse.

 

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Vocação para algo é muita vontade de fazer algo, define ator a alunos

Ator para conversar com os alunos sobre teatro”. Este foi o convite que bastou para levar Caio Marinho, ator e cenógrafo, a conversar com estudantes de 7º ano da Escola Estadual Anne Frank, em São Miguel Paulista, em outubro. As perguntas mais inocentes foram as primeiras: você pode chorar sem estar triste? O beijo é de verdade? Tem que ser “sem vergonha” (desinibido) para ser ator?

Caio explicou com exemplos e comparações. “Saber chorar eu sei, mas fazemos isso dentro da necessidade, como um médico faz a cirurgia, é da profissão e tem um propósito”, respondeu à primeira pergunta. Depois perguntou se eles considerariam beijo de verdade, mesmo com todas as câmeras e o fato dos atores estarem preocupados com várias outras coisas durante, como a posição em relação à plateia ou à câmera, o texto seguinte e como exatamente é para fazer o beijo. “Se for alguém que você realmente queria beijar, vai ter de tentar depois.”

Caio chegando a EE Anne Frank, em São Miguel Paulista
Caio chegando a EE Anne Frank, em São Miguel Paulista

Já sobre alguém tímido poder ser ator, a resposta foi mais complexa. Caio contou que é tímido e que, ao entrar ali na escola, por exemplo, sentiu timidez, mas quando está no palco ou diante das câmeras, é trabalho. “É um trabalho que me ajudou a vencer a timidez também e me colocar para diversas situações importantes”, completou e contou que, quando adolescente, teve a mesma dúvida e foi influenciado por um professor.

Eu tinha muita vontade desde sempre de ser ator, mas me perguntava se tinha vocação e e ele me falou uma coisa que me marcou muito e digo a vocês: estas palavras são uma só, vocação é vontade. Se você tem muita vontade, vai se dedicar e vai ser bom naquilo.” Caio acabou fazendo curso técnico na área, se formou pelo Teatro Macunaíma e em Licenciatura em Arte-Teatro na Unesp. Hoje atua em teatro com A Próxima Companhia e também participou do longa “O Rei das Manhãs”, previsto para estrear em 2017. 

A visita foi um pedido do professor de Língua Portuguesa, Mario Rocha, durante o Quero na Escola – Especial Professor, ação em parceria com a Fundação SM, em que os professores puderam pedir visitas. “Meus alunos são ótimos e queria que eles tivessem acesso a alguém que falasse de um ponto de vista diferente do que estão acostumados”, comentou.

Caio falou com duas salas diferentes e a maioria dos estudantes de cerca de 13 anos nunca havia ido ao Teatro. Os que foram, tinha sido levados pela família a peças no Centro de São Paulo. Caio listou teatros na zona leste e até mesmo centro culturais com cursos para estudantes como os da Fábrica de Cultura. “Fiquei muito feliz. Recebemos uma visita ilustre na escola, tenho certeza que plantou novas ideias na cabeça dos alunos”, comentou Mario.

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Fotógrafo de celebridades fala de padrões de beleza a estudantes da Etec Jaraguá

“Eu tiro foto para guardar o sentimento daquele momento”. A frase de um estudante foi uma das respostas à provocação feita pelo fotógrafo Gil Inoue, que foi a Etec Jaraguá, na zona norte de São Paulo, atender a um pedido por Fotografia feito no Quero na Escola. Mais que na técnica, focou principalmente na troca de ideias sobre a expressão da fotografia e o conceito de beleza por trás das fotos de celebridades e das redes sociais.

“As pessoas estão querendo passar uma imagem de algo que elas não são”, disse levantando logo de cara a questão dos padrões estéticos valorizado pelas revistas. E disso ele pode falar à vontade, já que boa parte de seu portfólio é composto por fotos de grandes artistas – como a capa do álbum do cantor Criolo – e capas de grandes publicações da moda – como a Vogue e a Elle ou a Glamour deste mês, com Bruna Marquezine.

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Capa de disco do Criolo com foto de Gil

Depois da pergunta inicial para entender qual era a relação dos alunos com a fotografia, ele contou um pouco de sua trajetória. Também estudou em escola pública e começou a carreira como assistente de fotógrafos que admirava – inicialmente com funções básicas -, mas com o tempo foi aprendendo e se aperfeiçoando. Se mudou para Nova York em 2004, onde consolidou sua trajetória e viveu por 12 anos.

“É engraçado que alguns americanos e europeus quando visitam São Paulo comentam o quanto veem beleza em nossas ruas pichadas”, contou Gil sobre a experiência de voltar para a cidade natal mais de uma década depois com novos olhos. “Eu precisei desse tempo fora para voltar e perceber o que é belo aqui”, completou, estimulando os alunos a ficarem abertos a belezas em seus cotidianos.

Gil mostrou um pouco de seu trabalho, que inclui diversas capas, de revista a capa de disco, e comentou a que fez para o cantor Criolo: “Demoramos mais de meia hora para tirar essa foto dele com os olhos fechados. Na hora de fotografar é preciso criar uma atmosfera. Colocamos uma música clássica para tocar, fomos experimentando até sair essa”. E admite: “Fiquei tanto tempo fora que nem sabia da importância dele! Cheguei a perguntar se ele cantava MPB”, contou rindo.

O fotógrafo mostrou algumas possibilidades de experimentação com as imagens. Fotos que são “remixadas” para passar uma mensagem, como essa releitura da famosa foto de um manifestante diante de uma coluna de tanques, ícone do massacre da Paz Celestial na China em 1989. “É legal isso de poder recriar em cima de algo que já existe. Você não precisa tirar a foto propriamente para produzir material visual”, explicou.

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Exemplo de “remixagem” feita por softwares de edição de imagens

E para não dizer que não falou das técnicas, Gil também mostrou um pouco da origem das dos ajustes gráficos que hoje são facilmente aplicados – às vezes de forma exagerada – com ajuda de softwares como o Photoshop, mas antigamente precisavam ser feitos com máscaras e aplicação de luz para corrigir o brilho, contraste ou cor da imagem feita.

Durante toda a conversa os alunos participaram colocando suas opiniões e citando casos próximos de pessoas que dão muita importâncias às fotos das redes sociais. “Eu curti, achei diferente, a gente não tem nada assim aqui na escola”, contou Amanda Santos, autora do pedido no Quero na Escola, que esperou quase um ano até que o voluntário aparecesse e vários obstáculos da agenda da escola fossem superados, para haver o encontro. “Gosto de fotografia só como hobby, tenho uma câmera mas nem uso muito. Fiz esse e outros pedidos porque acho legal, é um diferencial que a escola pode agregar”, diz ela, referindo-se à possibilidade de inserir aulas diferentes por meio do site.

E seu pedido realmente somou para seus colegas: “Achei interessante pra a gente abrir os olhos para o que a gente vai querer fazer”, compartilhou Paloma Moreira, aluna do primeiro ano do Ensino Médio. E para o fotógrafo a experiência foi inédita e enriquecedora: “Foi a primeira vez que participei de um projeto desse. Os alunos foram muito acolhedores e se envolveram bastante na conversa, que acabou assumindo outros caminhos, não só de fotografia. Conversamos sobre estética e sobre os padrões de beleza impostos pela moda no mundo de hoje. Adorei a experiência e estou animado para a próxima!”.

O encontro também rendeu um novo pedido para a unidade, dessa vez para falar sobre outra arte visual: o Cinema. Dá uma olhada na página da Etec Jaraguá no Quero na Escola, quem sabe tem um pedido que você pode atender.

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Grafiteiros levam arte urbana para os corredores de escola pública no Ipiranga

Quem mora em São Paulo está acostumado a ver muros grafitados por toda a cidade. Pensando no interesse que os jovens têm por essa arte, a coordenadora da Escola Estadual Antônio Alcântara Machado, Laura do Amaral, resolveu levá-la para dentro da escola, pedindo ajuda de grafiteiros voluntários através do Quero na Escola – Especial Professor.

O pedido foi logo atendido por dois artistas de lados diferentes da cidade, o Vitones Gomes, vindo de Pirituba, e o Cayque Torres, que mora mais próximo, na Vila Ema. Os dois começaram com uma visita à escola para bater um papo com Laura e definir quais portas seriam pintadas. No encontro seguinte, no dia 10 de outubro, foi dia de colocar a mão-na-massa.

Vitones foi o primeiro a colocar os sprays de tinta para funcionar e desenhar seu personagem, o One, em uma das portas. Ele conta que começou a desenvolver o menino, que aparece na maioria de suas obras, depois de um trabalho com crianças na Baixada do Glicério, bairro do centro de São Paulo: “Eu adorava ver elas fazendo os bonecos-palito. Elas achavam que desenhavam mal, mas eu achava demais”. 

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Vitones finalizando o cenário do personagem One

Depois foi a vez do Cayque colorir o corredor. Ele explicou que nem todos os grafiteiros usam apenas spray em seus trabalhos, alguns utilizam tinta e pincel, principalmente para detalhes. Em seu caso, a tinta látex e os pincéis são as principais ferramentas, usando as paredes e muros como telas. Depois de um período pintando águas-vivas pela cidade, sua nova marca registrada é a coruja, que ainda não recebeu um nome.

“Foi super nostálgico pintar numa escola, é uma situação que eu não imaginava passar”, compartilhou o artista, que também contou ter sido marcante pintar ao som do sinal da escola, que tocava de tempos em tempos. “É um lugar que forma as pessoas e até coloca as pessoas dentro de uma forma, e eu exercendo uma atividade fora da caixinha: achei subversivo”, ele diz.

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Cayque trabalhando nos detalhes de sua coruja

Cayque contou também que não teve esse tipo de contato com a arte dentro da escola: “A gente tá dando uma oportunidade dos jovens alcançarem essa nova filosofia de rua, da arte, do pincel na lata. Eu como artista tive que procurar isso na rua e hoje pude dar a chance dessas crianças terem contato com isso a partir da escola, é muito gratificante”.

E não foi à toa que a coordenadora fez esse pedido: “Aqui tem essa coisa do desenho, os alunos gostam muito de desenhar e o graffiti pode ser um jeito de evitar a pichação. Alguns podem até querer seguir nessa área, é uma forma de a gente entender e valorizar o trabalho deles”, diz Laura, alinhada aos pensamentos de Cayque. 

Depois destes encontros, os artistas não querem parar nas portas e já sonham em um evento para grafitar também o pátio e o muro da escola. Para isso, Vitones sugeriu que os alunos poderiam participar dessa produção definindo os temas para guiar as obras.

A boa notícia é que a coordenadora já pensava em um show de talentos na escola, envolvendo toda a comunidade escolar: “Daí a ideia de vir os grafiteiros, para também ensinar os alunos e grafitar o pátio. Também temos um pessoal que corta cabelo, o pessoal do skate… nesse dia poderia ter um trabalho na quadra com quem anda de skate”, conta Laura, exaltando as aptidões de seus alunos.

A coordenadora Laura soube do Quero na Escol depois do pedido de uma aluna, que começará a ser atendido nesta semana. Na próxima quinta-feira, a atriz Luci Savassa inicia uma oficina de teatro com os estudantes da escola, que ocorrerá semanalmente até o fim do ano letivo. 

O Quero na Escola Professor é uma parceria com a Fundação SM.

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Estudante de Astronomia dá palestra em escola pública de Diadema

Você já deve ter ouvido falar que o Sol vai acabar daqui alguns milhares de anos, né? Também deve ter acompanhado quando Plutão perdeu sua categoria de planeta. Atendendo ao pedido do aluno Aderson Silva no Quero na Escola, a Escola Estadual Anecondes Alves Ferreira recebeu o Lucas Moda, estudante de Astronomia na USP, para falar dessas e outras questões curiosas.

Lucas desmistificou algumas ideias em torno dos astros. “Sei que é sem graça, mas a maior parte do Universo não tem nada”, disse logo no início. “Mas como não é muito legal ficar falando sobre nada, vou falar sobre o que existe”, continuou, e aproveitou para deixar clara a diferença entre Astronomia e Astrologia. Para ele, a crença que os astros definiriam características e comportamentos não é apoiada em nenhum estudo científico.

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Ele seguiu com outras curiosidades, explicando como surgem e morrem as estrelas, por exemplo. “Sem querer desanimar, gente, mas as estrelas são, basicamente, um acúmulo de gases”, conta. Os alunos também aprenderam como se dá o ciclo de vida dessas estrelas até sua “morte”, fenômeno que justifica a extinção do Sol, sobre a qual ouvimos tanto falar.

São essas “estrelas mortas” que dão origem a outro conhecido fenômeno: o buraco negro. “Neles a gravidade é tão alta que supera a velocidade da luz, por isso são chamados assim”, ele explica. A palestra passou de maneira superficial por diversos outros conceitos e termos da Astronomia, dando referências para aqueles que se interessam pesquisar mais sobre o assunto.

Como é o caso do Aderson: “Gostei da experiência. Não vou cursar a área porque não tenho habilidade em Matemática, mas sempre gostei de Astronomia”. Ele conta que escolheu seguir a área da Neurociência e que fez o pedido pensando mais nos colegas que em si mesmo: “Pedi para eles conhecerem mesmo. É algo popular, mas ninguém conhece nada. Todo mundo conhece uma estrela, mas ninguém sabe o que É uma estrela”.

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O professor de Matemática Rodrigo Mioto também acompanhou a palestra e se esforçou para conseguir um microfone para facilitar a palestra. “Foi uma pena que precisei sair algumas vezes para arrumar isso, porque eu gosto muito de Astronomia, gostaria de ter mais tempo para estudar o tema”.

Para Lucas, a experiência também foi enriquecedora: “Quis ir para me desafiar, quebrar alguns preconceitos e paradigmas que a gente cria vivendo na bolha da sociedade elitista padrão”, ele conta, reconhecendo o privilégio de estudar em uma faculdade pública renomada. “Acho que a gente sempre tem que acreditar, enquanto tiver alguma coisa que você possa fazer, alguma semente que consiga plantar, tudo é válido”, e completa dizendo que está a postos caso chegue mais pedidos sobre o tema.

A Escola Estadual Anecondes Alves Ferreira já recebeu diversas atividades do Quero na Escola, principalmente ligadas ao tema dos direitos humanos, a próxima será sobre Feminismo. Para ver todos os pedidos da escola, clique aqui, pode ser que você consiga atender algum.

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Texto e fotos: Sabrina Coutinho

 

Tema da Redação do Enem foi pedido atendido pelo Quero na Escola em duas escolas do Rio

Pelo segundo ano consecutivo, o tema da Redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) coincidiu com pedido de estudantes atendidos no Quero na Escola. Neste ano, dois colégios do Rio de Janeiro receberam palestrantes que debateram a Intolerância Religiosa, o Missionário Mario Way, em outubro, e o Amaro Cavalcanti, em julho.

Whatsapp de aluno que viu a palestra sobre Intolerância
Whatsapp de aluno que viu a palestra sobre Intolerância

A equipe do Quero na Escola está muito satisfeita em ser um canal para os estudantes dizerem o que querem aprender e por esta prática ter provado que os alunos estão interessados em temas importantes para toda a sociedade. Soubemos do tema deste ano por um aluno que, como a maioria dos estudantes de Ensino Médio,  não prestava a prova. Foi emocionante.

No ano passado, com apenas dois meses de idade, o Quero na Escola também antecipou o tema. A pedido de uma aluna, levou feministas para ministrar a palestra Contra Machismo, no extremo sul de São Paulo. Dias depois, o Enem teve como tema da Redação a persistência da violência contra a mulher.

Eliel Silva Valcacio, 18 anos, participou da roda de conversa no Colégio Mario Way com a voluntária Tania Jandira, umbandista e membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. “Quando eu olhei o tema fiquei bem mais relaxado, porque já sabia que teria controle sobre o assunto. Eu já tinha uma visão do tema, que devemos ter respeito com todas as religiões, mas a palestra expandiu minha visão, me trouxe informações que eu nunca tinha pesquisado, e me proporcionou uma prova maravilhosa”, contou Eliel.

fraseO colégio aproveitou o evento organizado pelo Quero na Escola e fez um dia inteiro de debates sobre o tema. “Escrevi sobre a liberdade que todos temos de crer ou não em algo e que estamos protegidos pela Constituição, para que todos possam ter a sua crença e conviver em sociedade”, disse o estudante, que está no 3º ano de Ensino Médio e é protestante.

No Colégio Amaro Cavalcante, a professora Monique Sochaczewski Goldfeld, pesquisadora sobre o Oriente Médio, atendeu ao pedido e deu uma aula sobre o clima bélico da região tão sagrada e igualmente complexa.

Luis Fernando Figueiredo, 18 anos, autor do pedido no Amaro Cavalcanti, prestou o Enem e disse que a palestra o ajudou, porque explicou sobre as formas de visão e preconceito com as crenças religiosas alheias. “Como [a redação] foi mais voltada pra intolerância no Brasil eu mencionei as culturas que existem aqui de uma forma geral e os tipos de preconceitos que ocorrem”, disse.

A estudante que pediu a palestra no Mario Way, Bruna Azevedo, 17 anos, perdeu o evento, porque estava viajando. Hoje, enviou uma mensagem à nossa equipe: “Mesmo não tendo participado da palestra, fico feliz por ter escolhido este tema, que com certeza ajudou a muitos no Enem. Fiz a prova ontem e amei o tema. Obrigada mais uma vez pelo trabalho que vocês fazem”.

É interessante reforçar que em ambos os anos não foi a equipe do Quero na Escola que “acertou” o tema, mas sim os estudantes. A plataforma é aberta a pedidos por qualquer assunto e não há sugestão de um tema ou outro, foram os alunos que trouxeram. O que garantiu o atendimento foi o espaço para que fossem protagonistas, a disponibilidade das voluntárias, a quem agradecemos mais um vez, nosso trabalho em conectar todas as pontas e as gestões das escolas por permitirem a participação da sociedade.

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Voluntário fala de tecnologia a professores e acaba ouvindo outras inovações

Ensino híbrido, personalizado, por rotação… esses foram alguns dos conceitos apresentados para os professores da Escola Estadual Myrthes Therezinha Assad Villela, no município de Barueri, Grande São Paulo atendendo a um pedido da coordenadora pedagógica por uso de tecnologia na sala de aula no Quero na Escola – Especial Professor. Marcos Soledade, formado em Sistemas de Informação pela USP, co-fundador da plataforma Sílabe e empreendedor há mais de cinco anos, dividiu com os docentes formas de usar dados na educação, entre outras dicas.

A conversa girou em torno do que seria a “educação contemporânea” e de metodologias inovadoras que podem auxiliar o professor a engajar seus alunos. Como, por exemplo, a “Sala de aula invertida”, prática que consiste em pedir para que os alunos preparem algo sobre determinado tema antes de uma aula, depois verificar o que foi preparado, conseguindo um diagnóstico do quanto os alunos sabem daquele assunto e apresentar conteúdos que tenham faltado nessa pesquisa e, por fim, pedir uma nova atividade, após a aula expositiva, para consolidar o aprendizado sobre o tema.

Essa e diversas outras práticas mostram que, para ser inovador, não necessariamente um professor precisa ser digital. A professora de Matemática Noeli Fatima dos Reis, que era ali a “aluna”, mostrou-se uma prova disso: “Eu trabalho em grupos, não gosto de aluno enfileirado. Em todas as minhas atividades eu colho pontuações, não é avaliação. Isso cria uma competição amigável na sala”, contou ela sobre as atividades que já aplica em sua sala de aula.

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Marcos deu a palestra duas vezes, para atender um maior número de professores

Ela contou ainda que a autorregulação vai além da disciplina: os mais avançados na matéria, ajudam aqueles que ainda não compreenderam todo o conteúdo, deixando Noeli mais livre para se dedicar aos alunos com mais dificuldade de interação e aprendizado. “Os próprios alunos começam a ajudar e cobrar uns aos outros para não ficar para trás nesse placar”, ela diz. “Também diversifico, não fico restrita à atividade daquele ano. Faço paralelos entre matérias para recuperar alguns conteúdos de forma contínua”, mostrando sua versatilidade como docente.

Além disso, ela resolveu abolir a avaliação tradicional para o último bimestre: “Eu pedi pra eles uma entrevista e pesquisa. Eles vão jogar na tabela os dados e fazer gráficos de setor e de barras. Aí, na hora da aula, vão fazer o comentário das entrevistas, como foi, o que a pessoa disse. Eles vão arrumar os dados, e eu vou orientá-los como organizar: estatística, né?”, conta Noeli, revelando mais um método inovador que aplica dentro de suas possibilidades.

Mas, quando o assunto é passar essa metodologia para o digital, ela lamenta: “Não tenho habilidade com informática, então não tenho autonomia para passar para eles. E eu acho que me ajudaria muito, porque eles fariam essa tabela no Excel, que já geraria os gráficos automaticamente”, conclui a professora, que está contando com a ajuda do cunhado para aplicar essas tecnologias em suas aulas.

A professora Tatiane Constanço da Cruz, de Sociologia, também dividiu alguns métodos diferentes dos tradicionais que usa em suas aulas: “Por exemplo, fui dar uma aula sobre a indústria cultural, sobre música, e um aluno me perguntou se podia ouvir música. Eu deixei e, daqui a pouco todo mundo tava com fone, escutando música, quietinho, fazendo a atividade”, conta. Ela também usa uma ferramenta digital para planejar suas aulas e criou um grupo no Facebook para trocar dicas e informações relevantes à aula com seus alunos: “a gente compartilha tirinhas, questões e dicas de vestibular”.

Marcos mostrou algumas das funcionalidades da plataforma que desenvolveu, a Sílabe, que tem como principal público os professores e as escolas públicas. Os docentes se mostraram interessados, ainda que indicando as dificuldades de aplicar as novas tecnologias, por falta de estrutura das escolas e de formação dos professores. Cristiane Barbosa, por exemplo, que dá aulas de Física, gosta de mostrar aos alunos simulações de experimentos, mas os programas que usa para essas demonstrações não rodam no computador da escola. “É bom porque eu acabo indicando sites e vídeos para os alunos, e com essa plataforma eu conseguiria juntar tudo em um lugar só”.

Para o voluntário, a troca de experiências do encontro também foi enriquecedora. “Eu não sabia o que esperar. Apesar de eu já ter algum contato com escolas, são sempre escolas que entram em contato com a gente porque já conhecem o que a gente faz e que, geralmente, já usam metodologias inovadoras”, ele conta. “Mas foi incrível. Primeiro porque você consegue coletar feedback dos professores, o que é essencial.  E segundo porque os professores que você menos espera estão fazendo coisas super legais, mesmo em uma escola pública, com poucos recursos.”

O bate-papo foi o segundo encontro sobre o tema, atendendo ao pedido da coordenadora Kelly Cunha Lopes no Quero na Escola Especial Professor, parceria com a Fundação SM, que deu de presente para os educadores a presença de pessoas para ajudá-los no que pediram no Mês dos Professores. O grupo já havia recebido o também professor Ricardo Nunes, que falou sobre o uso das ferramentas do Google em sala de aula.

A Escola Estadual Myrthes Therezinha Assad Villela tem diversos pedidos de alunos esperando para ser atendidos.

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Alunos de Fortaleza fazem jornada do herói com três poderes que todos podem ter

O Quero na Escola estreou na região Nordeste de um jeito diferente, atendendo um pedido de professor, mas com uma atividade para os alunos. A professora de Língua Portuguesa Glaucia Gonçalves, da Escola Estadual Dom Antônio de Almeida Lustosa, de Fortaleza,  pediu ajuda para inserir os alunos no processo de ensino e aprendizagem, ou seja, dar margem ao protagonismo deles. E seus alunos da escola  se viram inseridos em um game que exercitou três “superpoderes”: empatia, resiliência e persistência.

11102016-20161011_142228Quem atendeu ao pedido foi o jovem Elvis Alves, de 24 anos, um dos fundadores da Social Brasilis, uma organização não-governamental de Fortaleza que procura fomentar o empoderamento de pessoas através do empreendedorismo social e da tecnologia. Ele soube da demanda pelo Quero na Escola – Especial Professor, parceria com a Fundação SM, que levou a presença de especialistas para as escolas no Mês dos Professores.

A atividade começou com os alunos sendo apresentados em três grupos e cada um tinha um dom: empatia, resiliência e persistência. O grupo da empatia, sem o uso da fala, precisava ajudar, por meio de mímicas, o grupo da resiliência. Estes, de costas para a cena, teriam que a guiar o grupo da persistência a chegar a um destino: a lousa. A cada novo aluno, o caminho ganhava novos obstáculos e a rota teria que ser refeita. Mas, unidos e usando seus poderes, todos conseguiram transpor as dificuldades e cumprir a tarefa no tempo determinado.

A Oficina de Herói, ministrada por Elvis, é inspirada na Jornada do Herói. Trata-se de um conceito criado por Joseph Campbell, estudioso norte-americano de mitologia e religião comparada. Neste conceito, Campbell cria um modelo de como seria o passo a passo do percurso de transformação do homem comum em herói, com todas as provações que surgem no meio do caminho.

Elvis está trabalhando no desenvolvimento de um game, batizado de “Olhares” e que encontra-se em fase de validação. O objetivo do jogo é estimular o protagonismo social de atores e líderes com foco em escolas. “A ideia é fomentar o protagonismo social do jovem em uma narrativa ‘gameficada’ onde eles vão ter que contar uma história usando artes visuais e seus talentos”, explica o voluntário.

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A professora Glaucia com seus alunos (Reprodução: Facebook)

A professora Gláucia avaliou como “maravilhoso” o resultado. “Tudo que a gente der que fomente a autoestima deles, que faça com que eles acreditem que as pessoas os escutam, que eles têm voz, é importante. Eles saem daqui orgulhosos. Estou satisfeitíssima. Emocionada até, porque eles estão orgulhosos de se sentirem heróis. Estão protagonizando e isso é muito bom”, afirma a professora.

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Como toda jornada tem começo, meio e fim, a oficina foi a primeira de um total de três etapas do jogo. “A primeira é ‘Quem é o herói’, a descoberta da pessoa, o chamado; que envolve toda aquela etapa da Jornada do Herói, que está no mundo dele e recebe um chamado. Nessa etapa, o aluno vai conhecendo a suas potencialidades”, diz Elvis.

Os alunos da Escola Dom Lustosa vão receber uma nova missão necessária para a segunda fase, que se chama “Desvendando o mundo”. “Nessa segunda etapa, a gente joga o participante para conhecer o mundo, pois todo herói tem um lugar que cuida, que preserva. A escolha é dele. A gente trabalha o sentido de comunidade. A ideia é que ele vá conhecer essa comunidade. Ele pode fazer entrevistas, fotos, conversar com as pessoas e trazer relatos”, exemplifica.

11102016-20161011_143923Na fase final, que Elvis deu o nome provisório de ‘combatendo adversidades’, o participante deverá desenvolver uma ação prática nessa comunidade. “Esse é um jogo para que o participante consiga realizar toda uma etapa de herói. A ideia é que ele passe por uma jornada, onde ele vai se conhecendo até desenvolver uma habilidade para que consiga, pelo menos, algum impacto social, nem que seja mínimo. A ideia é que o jogo seja um fomento, uma base para que ele se estimule”, afirma o voluntário.

Uma jornada que começou durante o Quero na Escola Especial Professor e seguirá por mais dois encontros presenciais na escola.

O Quero na Escola – Especial Professor foi viabilizado com a parceria da Fundação SM e permitiu que os educadores pedissem ajuda e recebessem voluntários em outubro, Mês dos Professores. Os estudantes podem fazer o mesmo o ano inteiro.

Para conhecer melhor e ajudar a desenvolver outros tantos projetos como esse, em escolas públicas pelo Brasil, conheça e apóie o trabalho do Quero na Escola. Se você está em uma escola e quer fazer um pedido especial como o da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dom Antônio de Almeida Lustosa, se inscreva agora mesmo na plataforma.

Texto e fotos: Carmen Pompeu