Voluntária do Quero na Escola ajuda alunos a transformar história do bairro em Quadrinhos

A história do Conjunto Confisco, bairro de Belo Horizonte, começou em 1988 a partir de uma ocupação de terras na divisa entre a capital mineira e a cidade vizinha de Contagem. As primeiras 60 famílias se instalaram exatamente onde hoje funciona a Escola Municipal Anne Frank e agora, com uma participação no Quero na Escola – Especial Professor, os alunos da instituição transformarão a história em Quadrinhos.

rebeca-com-caderno-de-alunaOs estudantes fizeram uma pesquisa ao longo do ano e o professor Moacir Fagundes, que dá aulas de História, teve a ideia de solicitar um especialista para que os alunos tivessem ajuda com roteiro e ilustração. Feito o convite pelo Quero na Escola, a designer e ilustradora Rebeca Prado aceitou. Ela fez uma visita à turma para entender o projeto e, no último dia 20, esteve na escola ensinando um pouco de sua arte a 25 alunos, Moacir e a professora de Artes, Luciana Saampaio.

O objetivo do trabalho era resgatar a história do bairro, muitas vezes esquecida não só pelo poder público, mas também pelos próprios moradores. A melhor forma de traduzir essa História e engajar os alunos, pensou o professor, seria produzindo um trabalho diferente sobre a trajetória do Conjunto Confisco. “As disciplinas estudadas na escola não podem ser desvinculadas da vida do estudante, senão acontece um desinteresse por parte dos alunos. Por isso e pelas preocupações com o bairro surgiu esse projeto”, explicou o professor Moacir.

A professora Luciana, de Artes, ressalta também a ideia de contar a história através dos quadrinhos: “pensamos que os quadrinhos formam um relato interessante, que vai despertar o interesse e a curiosidade dos alunos para contar a história da própria comunidade”.

E o trabalho sobre Confisco não tem apenas valor histórico, mas também a intenção de trabalhar a identidade do bairro na mente dos alunos. Segundo o professor de história, trazer a oficina de quadrinhos também é uma forma de trabalhar a imagem do bairro e tentar combater o preconceito com a periferia, com a população majoritariamente negra e pobre.

Ao longo de três horas, a voluntária ensinou conceitos teóricos sobre estrutura dos quadrinhos, texto para histórias, estrutura narrativa e contou sobre os materiais utilizados na criação e as funções de quem trabalha no mundo dos quadrinhos. Os alunos, muitos já fãs de HQs adoraram conhecer os termos técnicos, as canetas especiais e, o melhor de tudo, ouvir uma profissional.

professor-moacirNa parte prática da oficina, Rebeca ajudou os alunos a passar para os quadrinhos a história do bairro. A turma do professor Moacir já tinha muito material pesquisado junto aos moradores do bairro e, munidos disso, partiram para colocar tudo no papel. Divididos em grupos, meninas e meninos se tornaram editores, roteiristas, ilustradores e arte-finalistas. Nas páginas que foram tomando forma, foram abordados temas pesquisados pelos alunos, passando pela ocupação da região do Confisco, a divisão do bairro entre as cidades de Belo Horizonte e Contagem, a origem do nome do bairro e a força das mulheres da comunidade.

O saldo da atividade não poderia ser mais positivo, tanto na opinião dos alunos quanto da própria voluntária. A estudante Ana Luiza Silva ficou impressionada “com os nomes dos balõezinhos, dos quadrinhos e com as canetas especiais que nem sabia que existiam”. Já a colega Raiane Helena, fã dos quadrinhos da Turma da Mônica Jovem, diz ter gostado muito da oficina por ter descoberto outras possibilidades na hora de fazer uma história em quadrinhos. “Eu nunca gostei muito de desenhar, mas foi bom descobrir que posso ajudar fazendo de outras formas. Amei fazer o projeto e nunca vou esquecer o que aprendi fazendo esse trabalho”, contou a aluna da Anne Frank.

Para a voluntária Rebeca, a experiência foi tão bem avaliada quanto pelos próprios alunos. “O trabalho com os meninos foi bem massa. A recepção foi bem legal e parece que eles realmente entenderam o processo”, avaliou a quadrinista, que elogiou o potencial de conexão do Quero na Escola.

rebeca-vendo-meninasE a turma de Ana e Raiane não vai parar por aí. Junto com os professores, o objetivo é finalizar a história do bairro em uma HQ e viabilizar a impressão do material. A própria Rebeca já se disponibilizou a ilustrar um dos capítulos do quadrinho. “Espero que eles consigam finalizar o processo com o mesmo carinho que já dedicaram e espero despertar o interesse deles para histórias em quadrinhos e esse universo!”, deseja a quadrinista Rebeca Prado.

O Quero na Escola – Especial Professor foi viabilizado com a parceria da Fundação SM e permitiu que os educadores pedissem ajuda e recebessem voluntários em outubro, Mês dos Professores. Os estudantes podem fazer o mesmo o ano inteiro.

Para conhecer melhor e ajudar a desenvolver outros tantos projetos como esse, em escolas públicas pelo Brasil, conheça e apóie o trabalho do Quero na Escola. Se você está em uma escola e quer fazer um pedido especial como o da Escola Municipal Anne Frank, se inscreva agora mesmo na plataforma.

Texto e fotos: Pedro D’Angelo

Especialistas em gestão de conflito atendem pedido do Quero na Escola Especial Professor

Como lidar melhor com o comportamento dos adolescentes, com a indisciplina, e estimular a motivação e o protagonismo deles? Convidados pelo Quero na Escola Especial Professor a pedir ajuda a sociedade em algo que têm dificuldade, vários educadores repetiram variações desta pergunta. No Rio de Janeiro, a coordenadora pedagógica da Escola Municipal Pará, Claudia Breves, recebeu como resposta uma oficina de mediação de conflito.

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Cleyde Engelke com a coordenadora Claudia Breves

Duas especialistas em campos de diálogo e mediação de conflitos, Cleyde Engelke e Maria Cavalcante, toparam visitar a escola e fazer uma dinâmica com um grupo de 17 professores na manhã desta quarta-feira. A proposta foi fazer um bate-papo, não uma palestra, e provocá-los a refletir sobre sua realidade, para que juntos pensassem em soluções.

Cleyde começou com três perguntas para o grupo:

“O que é meu maior desafio hoje?”, “Por quê?” e “O que pretendo conquistar?”.

A especialista apresentou informações da neurociência sobre comportamento dos adolescentes e sobre a visão de mandalas do comportamento humano, que avalia o ser como um todo e o faz enxergar que tudo está interligado na forma com que ele se insere no mundo (vida pessoal, profissional, relacionamentos e qualidade de vida).

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Professores fizeram uma dinâmica para responder perguntas extraídas de seus próprios depoimentos

Com as respostas dos professores às perguntas iniciais, as facilitadoras fizeram uma nuvem de palavras, de onde extraíram mais duas perguntas, para serem respondidas em uma dinâmica de grupo. Após responder “Como mobilizar os alunos para aprendizagem em tempos de tecnologia?”, os professores trocaram de grupo, uma pessoa ficou responsável por contar aos novos integrantes o que havia sido discutido anteriormente. A pergunta seguinte foi “Como atendo minhas necessidades em relação a tempo e clareza nas regras?”.

“Eu achei muito proveitoso. É importante refletir sobre o que estamos apresentando aos alunos, o nosso dia a dia, pensar em como despertar o interesse dos alunos”, avaliou a professora de Artes Josiangela dos Santos.

A professora de Educação Física e de Projeto de Aceleração (para alunos com defasagem escolar de idade-série), Ieny Bento achou importante a reflexão e o momento de colocar as ideias no papel. “Quando trocou de grupo,  achei interessante ver o que os colegas tinham debatido e como as coisas se complementam. A última pergunta me fez ver que a gente faz mais pela vida profissional do que pela pessoal”, contou.

Claudia Breves, autora do pedido no Quero na Escola, ficou feliz com a visita das especialistas. “A gente já faz esse tipo de reflexão no centro de estudos, mas é válido ter essa outra visão de fora”, avaliou. A diretora da escola, Rosa Maria de Oliveira Santos também aprovou e disse que quer dar continuidade a este tipo de dinâmica com os educadores.

As voluntárias “madrugaram” e cruzaram a cidade para chegar às 7h30 para a reunião dos professores. Foram de Copacabana, na zona sul, até Rocha Miranda, na zona norte do Rio. “Foi muito rápido (elas tiveram 1h20 para a atividade), mas deu pra fazer bastante coisa. Acho interessante ter esse chamado da escola, senti uma abertura boa para o diálogo e no geral a participação dos professores foi muito boa”, resumiu Maria Cavalcante.

Atores com deficiência visual atendem pedido do Quero na Escola Especial Professor

Quando a professora Debora Frey pediu uma apresentação teatral no Quero na Escola Especial Professor certamente não imaginava que ela viria junto com uma lição de superação e alegria de viver. Assim como alguns professores, Debora fez um pedido pensando em seus alunos, da Escola Municipal República do Peru, no Méier, bairro da Zona Norte do Rio. Queria levar uma atividade diferente para eles.

Luis Fernando Gutman, diretor do grupo de Teatro Lucas Gutman, voltado para a inclusão social de pessoas com deficiência visual, já havia se cadastrado como voluntário no Quero na Escola e topou levar a apresentação do grupo para a escola.

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Atores aguardando o trem para o Méier na Central do Brasil

Oito atores com deficiência visual (a maior parte com perda total da visão) fizeram duas apresentações para cerca de 180 estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental. Cinco se encontraram com o diretor na Central do Brasil e pegaram o trem para o Méier e três foram direto para a escola. A viagem até o local da apresentação faz parte do processo de inserção social.

A peça “Preconceito” mostrava entrevistas em uma agência de emprego e uma série de discriminações feitas pelo entrevistador, que ao final percebia o quanto estava sendo preconceituoso. Dois alunos foram convidados a participar da apresentação, usando vendas para sentir como era atuar sem enxergar. Gutman fez um reconhecimento do palco com eles, mostrando onde estavam as paredes, a beira do palco e a plateia, assim como tinha feito com os atores cegos.

A parte mais emocionante para os alunos foi a roda de conversa que os atores fizeram ao final, quando responderam dúvidas, contaram sobre como lidaram com a perda da visão, quais dificuldades enfrentam e enfrentaram e como as superaram.

Manuel dos Anjos, de 56 anos, emocionou os alunos ao contar que perdeu a visão em um acidente de carro, aos 25 anos, na Avenida Brasil. “Eu estava em alta velocidade e tomei uma fechada. Percebi que havia uma criança no carro e tentei desviar, mas bati na mureta e capotei. No começo foi difícil, pensei em me suicidar e cheguei a pegar uma arma que eu tinha em casa e atirar contra a minha cabeça, mas meu compadre havia tirado as balas. Já conquistei muita coisa e vou continuar conquistando”, contou o ator que tem o projeto “comer sem ver”, no qual garçons cegos oferecem um café da manhã para clientes com os olhos vendados.

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A história de vida de Manoel dos Anjos emocionou os alunos

Os alunos perguntaram sobre situações curiosas e inusitadas vividas pelos atores. Marilza dos Santos Pereira contou que já pediu informação para um manequim que estava do lado de fora de uma loja. Nair de Azamboja Nunes lembrou que ao pedir ajuda para chegar à Caixa Econômica, uma mulher lhe respondeu “senhora, não tenho dinheiro”, imaginando se tratar de um pedido de esmola.

Os relatos dos atores emocionaram os alunos, que tiraram muitas lições da experiência. “Não tenho nem palavras. Eu reclamo muito de coisas mínimas e meu pensamento hoje foi ‘nunca mais vou reclamar de nada’. Eu tenho saúde, não tem porquê. A superação deles é incrível, as histórias são arrepiantes”, disse Maryanne Gomes Ferreira, de 14 anos.

“Eu fiquei emocionada quando ela (a atriz Nair) falou que os cegos veem o interior das pessoas”, contou Amanda de Castro. “Eu chorei quando o Manuel contou que se preocupou com a criança que estava no carro que fechou o dele”, declarou Luis Felipe Silva de Paula, de 14 anos.

Para Lyvia Greco, de 15 anos, não parecia que os atores não enxergavam. “Nunca tinha visto uma peça com atores cegos. Achei muito legal ver a superação de cada um”, disse a estudante.

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A professora Debora Frey, ao fundo, que fez o pedido no Quero na Escola Especial Professor

A professora Debora Frey ficou feliz com o presente: “Foi além do que eu esperava. Perceber o quanto os alunos gostaram foi gratificante. Depois que foram embora, os alunos ainda comentaram sobre o que eles vivenciaram, todos felizes! Agradeço muito ao grupo”.

“Foi mais uma oportunidade para mostrar que a superação de um trauma é possível. O esforço que as pessoas que adquiriram deficiência visual para se transformarem em atores mostra otimismo em relação à vida. Me dá muito orgulho esse trabalho de 11 anos, que comecei com o projeto de elevar a autoestima. A gente leva a mensagem não só do conteúdo da peça, mas de superação”, avaliou Gutman. O diretor do grupo destacou também a atenção e o respeito dos alunos com os atores.

O Quero na Escola – Especial Professor é uma parceria com a Fundação SM para permitir que, no mês dos professores, os educadores possam pedir a participação da sociedade como presente.

O Quero na Escola é uma plataforma para estudantes adolescentes dizerem o que mais querem aprender em suas escolas públicas além do currículo obrigatório. As informações ficam disponíveis no site e, quem quer ajudar, pode fazer uma proposta conforme sua disponibilidade. Veja todas as notícias do Quero na Escola aqui.

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Opinião sobre a reforma no Ensino Médio: Flexibilizar sem canalizar

Artigo publicado no Jornal O Globo em 24 de outubro de 2016 (link para o jornal)

Cinthia Rodrigues e Luciana Alvarez, fundadoras do Quero na Escola

A necessidade de flexibilizar o ensino médio dificilmente encontrará opositores. É consenso que o modelo engessado de 13 disciplinas vem afastando os jovens da escola. Mesmo os alunos que se mantêm matriculados, se distanciam emocionalmente dos estudos e pouco aprendem daquelas matérias. Ao mesmo tempo, buscam, muitas vezes sozinhos, conhecimentos diversos que não estão contemplados.

O Quero na Escola, projeto social que leva voluntários a escolas públicas para falar de assuntos pedidos por alunos, nasceu exatamente para dar amplitude e atendimento a voz de estudantes que querem aprender algo além da grade curricular. Diariamente, há pouco mais de um ano, escutamos seus pedidos e testemunhamos sua dedicação e felicidade quando encontramos voluntários que os atendam. Esta mesma experiência mostra que as “trilhas” da reforma do ensino médio, imposta pelo governo federal, não são o caminho para flexibilizar.

O engano está em supor que temos cinco tipos definidos de adolescentes. Como se uns só tivessem interesses adicionais em Linguagens; outros, só em Matemática; um terceiro grupo, só em Ciências da Natureza; o quarto, apenas nas Ciências Humanas; e o restante, em iniciar a Formação Técnica. Pelo contrário, os estudantes, como parece conveniente ao ser humano, especialmente nesta idade, gostariam de explorar áreas completamente diversas.

Vamos ilustrar com casos reais. Em Curitiba, por exemplo, uma aluna do 2º ano do ensino médio do Colégio Maria Teixeira Aguiar pediu fotografia, que provavelmente seria encaixado no âmbito das “Linguagens”, como as demais artes. Meses depois, quis aprender programação, mais associada ao campo da Matemática, e pediu um debate sobre política — tema mais aprofundado em Ciências Humanas. Na Escola Estadual Caetano de Campos, em São Paulo, uma mesma aluna pediu que falassem de drogas (biologicamente, Ciências da Natureza), feminismo (Ciências Humanas) e quadrinhos (Linguagens). Na Escola Estadual Maria Soares, em Itapevi, Grande São Paulo, um grupo que foi atendido nas solicitações de escrita criativa (Linguagens) e educação financeira (Matemática), agora pede alguém para falar de câncer (Ciências da Natureza). Como dizer a eles para escolher um único caminho, quando pedem exatamente para conhecer diferentes assuntos?

Impor uma reforma por medida provisória é de saída uma medida inflexível. Outros pontos estão e devem mesmo ser discutidos — como contratação de professores de assuntos não acadêmicos por notório saber ou redução da carga horária de disciplinas de base, que nos parecem ter prós e contras, embora exijam processos transparentes e democráticos. Mais importante, no entanto, é que há uma falha no cerne da reforma: a proposta de “trilhas” não flexibiliza. Pelo contrário, reduz as oportunidades de explorar nessa etapa da vida em que estão se descobrindo e vai no sentido contrário do que anseiam os adolescentes, afastando-os da diversidade.

Tal qual um rio que não deve ser canalizado tão perto da nascente, é prematuro obrigar os estudantes de ensino médio a optar por canais de conhecimento que levam por caminhos definidos e privá-los da experimentação geral a que deveriam ter direito a esta altura. Melhor seria que tivessem matérias obrigatórias e um cardápio de optativas com autonomia para escolher.

 

 

Após dinâmica sobre racismo com voluntária, professora diz que alunos não serão mais os mesmos

“Quem aqui se considera negro?”, foi o primeiro questionamento levantado por Isla Nakano, socióloga que atendeu ao pedido por uma palestra sobre Racismo, feito por Naieslei Carvalho, 16, aluna da Escola Estadual Anecondes Alves Ferreira, em Diadema, Grande São Paulo.

Mostrando que não seria a única a falar ali, Isla continuou perguntando: “Você ou alguém que você conhece já passou por uma situação que você considera racista?” A maioria dos braços se ergueram e logo os jovens começaram a se engajar na conversa. “Por mais que a pessoa pense que nunca passou por isso, uma coisa que acontece é você entrar numa loja e a vendedora já olhar torto pra você. Às vezes você tá no ônibus e a pessoa não quer sentar do seu lado. Acho que isso pode sim ser uma forma de racismo”, compartilhou Érica Meira, aluna do 3º ano.

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Após “quebrar o gelo” com as perguntas iniciais, a socióloga, mestre em estudos étnicos, raciais e migratórios, foi mais longe: pediu que os alunos se reunissem em pequenos grupos para compartilhar situações em que passaram ou presenciaram o racismo. Depois, um integrante de cada grupo foi ao centro da roda contar todos os relatos divididos por seus colegas. Leonardo, também no último ano do Ensino Médio, compartilhou por exemplo o receio de andar em um shopping e sentir o julgamento dos seguranças: “Só porque a gente tem uma aparência da periferia acham que a gente não vai poder comprar nada”.

Ao serem perguntados do porquê do negro receber esse tratamento na sociedade, muitos demonstraram um entendimento histórico e crítico sobre o assunto. “Desde os séculos passados os negros eram vistos como escravos, e essa visão, que eu acho errada, veio continuando. A mídia também coloca isso na nossa cabeça quando os papéis principais das novelas nunca são negros, sendo sempre a empregada doméstica”, dividiu uma das alunas.

De volta aos grupos, dessa vez os estudantes teriam que compartilhar um episódio marcante de suas vidas, não necessariamente ligado ao preconceito. Foi aí que o encontro se intensificou. Alguns contaram sobre divórcios dos pais, falecimentos e assassinatos em suas famílias e até de um tio que teria a intenção de vender órgãos da própria sobrinha para comprar drogas. Naieslei não segurou o choro ao desabafar sobre questões pessoais, sendo aplaudida pelos colegas por sua força: “Tem também a questão de que a minha família não aceita o fato de eu ser lésbica”. 

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Alunos foram ao centro falar sobre suas experiências e de seus colegas de grupo.

Após esse momento de troca, Isla contou que a ideia da dinâmica era exercitar a empatia. “É isso que aproxima a gente. Quando você ouve a história do seu colega, às vezes você nunca nem conversou com ele na escola, mas a gente sente alguma coisa e percebemos que somos próximos”, contou. Um dos alunos concordou: “Na escola a gente é tipo robô. Esse é um momento que a gente pode falar de nós mesmos, sem ser sobre conteúdo”, seguido por outra aluna, que afirmou nunca ter tido essa oportunidade de conversar sobre questões pessoais dentro da escola.

Para Isla, também foi uma oportunidade única de guiar uma palestra diferente do que ela imaginava: “Foi tudo muito inesperado, talvez por isso tenha sido tão incrível e me surpreendeu muito! Eu cheguei lá e vi que os conceitos que eu tinha separado para falar não tinha como fazer daquele jeito, e eles acabaram me ensinando como acompanhar os pensamentos deles, as demandas deles”, ela conta. A voluntária também saiu da sala emocionada: “Eu fiquei extremamente impressionada com algumas pessoas que estavam na sala, gente com trajetória de vida muito intensa, com histórias inexplicáveis e com um pulso de vida, com uma vontade de construir algo novo, que me emocionou demais! Essa troca foi a coisa mais bacana”. 

“As pessoas que vão sair daqui hoje não são as mesmas que entraram”, afirmou a professora de Sociologia, Gilnair Pereira, que aproveitou para estimular os jovens a fazerem mais pedidos no Quero na Escola. “Eu achei maravilhoso, aprendi muito. Consegui perceber aqui alguns problemas que eles tem que eu não havia percebido antes e que vou procurar a partir de agora trabalhar na sala de aula”, contou.

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Professora Gil, de Sociologia, conversa com os alunos depois da palestra.

Ela e o coordenador pedagógico da escola contaram que percebem entre os alunos casos de racismo daqueles que por muitos são considerados “normais”, como o uso de apelidos, mas que o preconceito fica mais aparente contra jovens que se assumem homossexuais. “É que o Brasil não é um país racista, né?”, ironiza a professora, “mas só quem tem a pele mais escura, quem é mulher, homossexual, ou está fora do padrão de beleza, sabe como é”.

“Foi melhor do que eu esperava. Não achei que iam se envolver desse jeito, que eu ia desabafar e acabar chorando. Eu vi pessoas que eu nunca falei na vida contando histórias e me senti amiga delas por ter histórias parecidas”, conta Naieslei, dividindo mais uma ideia para a escola: “Até conversei com a professora Gil e a gente teve a ideia de montar um grupo de apoio, para poder conversar assim pelo menos uma vez na semana, juntar os alunos que querem desabafar e querem ser ajudados”.

A EE Anecondes Alves Ferreira já havia recebido duas palestras, sobre Direitos Humanos, uma em março e a outra em maio deste ano depois de um pedido no Quero na Escola. Veja a página da escola no site, pode ser que tenha algum assunto em que você pode ajudar.

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Quilombo urbano ensina cultura afroguarany em escola municipal de São Paulo

Quando os bebês e crianças do Centro de Educação Infantil Suzana Campos Tauil, na zona sul de São Paulo, entraram em uma das salas esta manhã, foram recebidos por um ser metade mulher, metade peixe e cercado por instrumentos feitos de cabaça. Foi o personagem que a artista Wanessa Sabbath escolheu para atender ao pedido por apresentação de música afro e indígena da coordenadora pedagógica Shirley Oliveira no Quero na Escola – Especial Professor.

img_7147Ela contou a história da Iara, menina que caiu no Rio Solimões e teve o desejo de se tornar sereia atendido. Ao mesmo tempo, ao seu lado, mestre Eduardo Jacaré do Urucungu fez um berimbau desde a cabaça até o som. Quando as notas saíram, a criançada foi no ritmo instantaneamente (assista).

Os dois fazem parte do Quilombo Afroguarany Casa Amarela, que ocupa um casarão na Rua da Consolação, no Centro de São Paulo. As crianças puderam mexer no cocar, chocalho, penas, pedras, apanhador de sonho e ganharam o berimbau feito na hora já com um caxixi e uma vareta.

Contadora de história e pesquisadora de infância, Shirley compartilhou os contos que tem estudado para levar diversidade cultural às crianças. “A gente precisa estudar muito mais este tema ainda”, comentou com os voluntários, que acabaram agendando mais duas visitas nas próximas semanas para formações com os professores: uma de bonecas abayomi e outra de contos ancestrais.

Criança brinca com berimbau recém contruído
Criança brinca com berimbau recém contruído

Os voluntários se impressionaram com o Centro de Educação Infantil, que estava com uma exposição sobre a África no corredor e tem um professor de Capoeira há dois meses. “Nunca tinha contado a história pra crianças tão pequenas, bom demais ver uma escola acolhendo nossa cultura desde cedo”, comentou Wanessa.

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O Quero na Escola é uma plataforma para estudantes adolescentes dizerem o que mais querem aprender em suas escolas públicas além do currículo obrigatório. As informações ficam disponíveis no site e, quem quer ajudar, pode fazer uma proposta conforme sua disponibilidade. Veja todas as notícias do Quero na Escola aqui.

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Para 92% de estudantes ouvidos, Escola Sem Partido afeta vida muito ou totalmente

Quero na Escola aplicou uma pesquisa online para saber a opinião de estudantes sobre cada item do polêmico projeto Escola Sem Partido, que tramita no Congresso Nacional e em diferentes governos estaduais. Ao todo, 82% se disseram contra a proposta e 92% responderam que a mudança afetaria sua vida “muito” ou “totalmente”.

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Como o objetivo do Quero na Escola é ampliar a voz dos alunos em debates que afetam o cotidiano escolar, perguntamos também se eles gostariam de dar entrevistas sobre este assunto: dos 107 que responderam à pesquisa, 33 se disponibilizaram e deixaram os contatos para interessados.

Entre os pesquisados, 88% disseram que já haviam ouvido falar no Escola Sem Partido. Para ajudá-los a conhecer melhor a proposta, cada pergunta trazia itens do texto em análise na Câmara dos Deputados.

Os estudantes são especialmente contra o item que limita a atuação dos próprios alunos em relação aos temas de que trata a projeto. O trecho “não permitirá que os direitos assegurados nos itens anteriores sejam violados pela ação de estudantes ou terceiros, dentro da sala de aula”, foi considerado errado por 95% dos que responderam.

escola-sem-partido-2Para 90% também está errado o artigo que impõe que a escola “respeitará o direito dos pais dos alunos a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com as suas próprias convicções”. Os estudantes definitivamente querem ter outras influências além dos pais e reforçam isso quando o mesmo item aparece entre os princípios do projeto e tem aprovação de apenas 11%.

Os alunos defendem ainda que os professores devem ter opinião sobre os assuntos sobre o qual ensinam (89%) e dizem que quando os educadores dividem suas opiniões e experiências isso ajuda na aula (84%). Outro item que teve maioria contrária foi a proposta de que a escola não fale sobre gênero. Para 76% o projeto está errado, ou seja, o assunto deveria ser abordado dentro da escola.

Em outros itens listados como preceitos do projeto, “liberdade de aprender e ensinar”, “pluralismo de ideias no ambiente acadêmico” e “liberdade de consciência e de crença”, a maioria dos estudantes se colocou favorável, apontando que a contrariedade está ligada às questões limitadoras do projeto.

Veja todo o questionário com os resultados aqui 

Quero na Escola é uma plataforma gratuita e aberta a qualquer estudante adolescente para que digam o que gostariam de aprender dentro de suas escolas públicas, além do currículo. As informações são organizadas no site por escola e assunto para que qualquer pessoa com o conhecimento pedido possa se inscrever para ajudar. Depois nós conectamos as duas pontas e facilitamos o agendamento de visitas às escolas.

Pedidos de contatos dos estudantes para entrevistas e outras informações pelo email central@queronaescola.com.br

Veja todas as notícias sobre encontros de voluntários com alunos em Notícias do Quero na Escola.

Voluntário ensina professores a inserir tecnologia em sala de aula

Um grupo de professores da Escola Estadual Myrthes Therezinha Assad Villela, em Barueri (SP), descobriu que pode usar a tecnologia a seu favor e se livrar de trabalhos como a correção manual de provas e exercícios. A aula foi um presente de Dia dos Professores do voluntário Ricardo Nunes, que viu o pedido da coordenadora Kelly Cunha Lopes no Quero na Escola – Especial Professor e foi até lá na última terça-feira explicar as possibilidades de uso das ferramentas Google em sala de aula.

Não precisar passar horas dando vistos em atividades parece utópico para muitos professores, mas Ricardo – engenheiro,  que trabalha como consultor na Foreducation e também é professor de Ensino Fundamental, Médio e Superior – mostrou o quanto é simples. Ele fez exercícios de uso do Google Forms para produzir listas e enviar para os alunos via e-mail.

O próprio Ricardo conta que já aplicou provas remotamente na escola onde leciona: “Eu estava impossibilitado de ir à escola por motivos pessoais. Criei um formulário e avisei aos alunos que ele estaria online por um determinado tempo”. Ele mostrou, ainda, que as respostas aos formulários ficam registradas em uma tabela, que permite ver quais perguntas foram mais ou menos acertadas, servindo como um diagnóstico para a preparação de aulas e reforços.

Com a conversa girando em torno do Google Drive e do armazenamento “na nuvem”, surgiu a questão da segurança. Ricardo explicou que a empresa anda investindo muito nessa área e que os ataques hackers a contas Google são cada vez mais raros. “É claro que, se você entrar em um computador público e esquecer seu perfil logado, você vai ficar vulnerável. Ainda assim, é possível usar um recurso para derrubar as sessões abertas em outros computadores”, explicou Ricardo, para a tranquilidade da professora Cátia, a mais preocupada com o assunto.

Ricardo reforçou muito o fato de que usar as tecnologias – principalmente o smartphone – é uma forma de engajar os alunos. “A maioria dos jovens hoje tem um smartphone. Ainda que não tenham um plano de 3G muito bom, é possível desenvolver algumas atividades. Às vezes, inserindo essas ferramentas você vai ver aquele aluno que nunca fez uma lição se envolvendo mais e respondendo as questões”, ele defende.

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Ricardo emprestou seu laptop para alguns professores, outros levaram seus próprios aparelhos ou usaram seus smartphones

O maior interesse dos professores, porém, foi pela digitalização do diário de classe para diminuir as burocracias do cotidiano na escola. Ainda que a maioria apoie o uso dessa tecnologia, o Governo do Estado ainda está longe de aplicá-la em larga escala, devido ao apego ao papel como documento “oficial” e a tradição já desenvolvida por anos.

O encontro terminou com os professores dividindo suas impressões sobre a inserção de técnicas digitais em sala de aula. O professor Elder, que dá aulas de Química na escola, por exemplo, diz achar muito importante e interessante apresentar quais são os recursos, mas que, em sua opinião, falta capacitação dos professores:

“Aqui você está mostrando o bolo e a cereja, mas eu não vou comer isso? Eu quero comer isso, e precisam disponibilizar para que a gente possa mastigar isso aí pra valer. A grande maioria vai ter uma dificuldade imensa de fazer isso, até de criar a conta”, ele desabafa.

A professora Ana Márcia, de Língua Portuguesa, concordou, afirmando que já utiliza as ferramentas da plataforma oferecida pela Secretaria de Educação: “Eu sinto que os alunos querem, quando eu levo, eles gostam, e facilita meu trabalho. Mas falta essa ferramenta que vocês trouxeram hoje: alguém que sente e ensine, que fale você vai por aqui ou por ali”, ela conta, em consonância com a fala de Elder.

Ricardo encerrou o encontro reforçando que a iniciativa do uso das novas tecnologias, muitas vezes, precisa mesmo partir do professor, ainda que a adaptação seja difícil e enfrente resistência. Para ajudar nessa tarefa, ele indicou os Grupos de Educadores Google, que se reúnem para trocar experiências e dificuldades da inserção digital.

Para ele “foi enriquecedor esse momento de troca, pude compartilhar um pouco do meu conhecimento e espero ter ajudado os colegas”. As impressões compartilhadas também vão servir de preparação para o Marcos, o segundo voluntário que atenderá o pedido no fim do mês. A escola Myrthes Assad tem sido parceira frequente no Quero na Escola, já recebeu aulas de Meditação e Quadrinhos, mas ainda há pedidos não atendidos, que você pode conferir aqui.

* O Quero na Escola Professor é uma parceria com a Fundação SM

Hoje tem palhaçada?! Com o Quero na Escola, tem sim senhor!

Olhos atentos, muita expectativa… Tudo graças à Palhaça Lilica. Mas, calma, não é assim que esta história começa.

Laura Clementino, diretora da Emef Educandário Dom Duarte, zona oeste de São Paulo, sabe como é importante a escola ser capaz de encantar as crianças. Para isso, se esforça para manter atividades que engajem seus alunos. “Um conhecido comentou sobre o Quero na Escola Professor, disse que tinha tudo a ver com o perfil da escola. Foi assim que eu conheci sobre o projeto e me inscrevi”, conta.

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Com o intermédio do Quero na Escola, a voluntária Eliana Toscano chegou à Emef no dia 11, véspera do Dia das Crianças, para fazer palhaçadas. Mas ela começou sua apresentação assim, como Eliana mesmo…

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Sob os olhares curiosos das turmas de primeiro e segundo anos, aos poucos, a palhaça Lilica ganhou forma. Primeiro, vieram as cores do macacão.

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Com a ajuda do jovem público, veio a pintura no rosto. A metamorfose de Eliana em Lilica ocorreu na frente de todos, que ouviram a história da origem do palhaço.

Além de contar histórias, Lilica chamou as crianças a participar: elas cantaram, brincaram de roda e até leram trava-línguas. As crianças foram desafiadas e responderam à altura.

As turmas de terceiro, quarto e quinto ano encontraram a Lilica já pronta, com cara e roupas de palhaça. Mas também ouviram histórias e brincaram muito. Teve até quem treinou para fazer malabarismos!

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Depois de muito euforia, algazarra e alegria, o show terminou em um grande abraço. “Eu me surpreendi que até os meninos, normalmente menos afetuosos, vieram correndo para me abraçar”, disse emocionada Lilica-Eliana.

* O especial Quero na Escola Professor é uma parceria com a Fundação SM

Quero na Escola leva membro da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa para debate em colégio no Rio

No último sábado, o Colégio Estadual Missionário Mario Way, da zona oeste do Rio de Janeiro, discutiu um tema atual e importante: a intolerância religiosa. A aluna Bruna Azevedo havia pedido uma palestra sobre o tema no Quero na Escola e a presença de uma pessoa da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR) motivou uma programação especial sobre o assunto no sábado letivo.

08102016-img_3876A psicóloga, umbandista e membro da CCIR desde 2008, Tania Jandira, aceitou o convite para conversar com alunos e professores e começou a roda de conversa perguntando o que havia motivado que eles estivessem ali para debater. Logo surgiram perguntas sobre o caráter laico do estado e da escola pública e se seria permitido alunos se organizarem para realizar cultos, palestras religiosas dentro do espaço escolar, como já aconteceu no Mario Way. “Culto dentro de escola é proibido. A escola é laica. Se isso acontecer, qualquer aluno pode denunciar ao Conselho Tutelar. Pela lei isso é proibido”, esclareceu.

Tania também apresentou dados sobre intolerância religiosa e sobre denúncias de violência no Brasil principalmente contra religiões de origem africanas. A atividade foi um momento para que alunos e professores de diferentes religiões (ou de nenhuma) se expressassem. Ao todo participaram 14 educadores e cerca de 75 estudantes.

“Eu sou ateu e acredito que não preciso de religiosidade para definir minha sociabilidade, minha ética e moral. Espero que o fato de ser ateu não signifique nada para os outros. Só existe uma maneira de defender a liberdade religiosa, é defender e respeitar todas as religiões”, disse o professor de Geografia Vitor Gouveia.

A coordenadora pedagógica Virgínia Conceição Batista também se manifestou: “Sou negra, pentecostal e sofro preconceito. Sei que as pessoas falam ‘ah ela é crente’, em tom pejorativo. Sinto que quando eu fecho os olhos para rezar antes de comer as pessoas me olham torto. Sou livre para escolher a religião que eu quero”.

Larissa de Oliveira dos Santos, de 16 anos, relatou que já sofreu preconceito por ser candomblecista. “Gostei do debate, porque mostrou que cada um tem a sua religião. Fiquei com vontade de falar e me senti bem. Quando tinha 7 anos, eu fiz o santo e raspei a cabeça. Alguns colegas começaram a me chamar de macumbeira e fiquei muito triste. Já tive vergonha de falar da minha religião, mas agora eu não tenho mais”, contou.

08102016-img_3882O aluno Andrey dos Santos da Silva, de 18 anos, afirmou que foi a primeira vez que participou de um debate sobre este tema na escola. “Gostei porque cada um deu a sua opinião e houve respeito. Não deve haver briga e intolerância por causa da religião do outro.”

O professor Marcelo Machado, de Geografia, avaliou que o debate foi muito rico e importante. “Não cabe querer impor aos outros os dogmas da minha religião. Os pré-conceitos de cada um é que têm gerado intolerância”, disse o professor, que é evangélico. Dentre os 14 educadores que estavam presentes havia pessoas de diversas religiões (católicos, evangélicos, umbandistas, espíritas kardecistas) e de nenhuma.

08102016-img_3886Na avaliação da coordenadora Virgínia, a atividade foi positiva. “Achei muito bom. Sinto que estamos caminhando. Fiquei surpresa com a participação dos alunos e a capacidade deles ouvirem, respeitarem diferente opiniões.”

A voluntária também gostou do debate e das intervenções dos educadores. “O debate foi muito rico, a escola tem uma equipe de professores excelente. Pelas conversas com alguns dos professores, creio que poderiam ter em seu plano pedagógico a questão da cultura da tolerância e dos direitos humanos e que possam trazer pais e líderes religiosos da comunidade em busca da construção de um diálogo. Os relatos durante a roda de conversa mostram que há uma tensão entre pais e alunos de um segmento neo-pentecostal, que dificultam a construção de uma memória cultural do país, a implementação da Lei 10.639 e a promoção de uma cultura de uma escola Laica. Tensão que tem sido a marca de várias escolas no país. Fizemos um levantamento que apontou que 5% dos casos de intolerância acontecem na escola, cometidos por professores, segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos. Nosso papel [da CCIR] é levar o diálogo e a informação para que isso não aconteça”, apontou.

Tania Jandira é bacharel e licenciada em Psicologia, com atuação clínica e social, na área de promoção de Direitos Humanos nos temas: infância, adolescência e juventude; gênero, etnia e raça, saúde, geração de renda, cultura, meio ambiente, religiosidade e desenvolvimento local. Umbandista, membro da CCIR desde 2008; Fundadora e moderadora do site Umbanda Livre, foi coordenadora pedagógica do Curso “Candomblé, História, Memória e Sustentabilidade”, realizado pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP).

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