Grafiteiros levam arte urbana para os corredores de escola pública no Ipiranga

Quem mora em São Paulo está acostumado a ver muros grafitados por toda a cidade. Pensando no interesse que os jovens têm por essa arte, a coordenadora da Escola Estadual Antônio Alcântara Machado, Laura do Amaral, resolveu levá-la para dentro da escola, pedindo ajuda de grafiteiros voluntários através do Quero na Escola – Especial Professor.

O pedido foi logo atendido por dois artistas de lados diferentes da cidade, o Vitones Gomes, vindo de Pirituba, e o Cayque Torres, que mora mais próximo, na Vila Ema. Os dois começaram com uma visita à escola para bater um papo com Laura e definir quais portas seriam pintadas. No encontro seguinte, no dia 10 de outubro, foi dia de colocar a mão-na-massa.

Vitones foi o primeiro a colocar os sprays de tinta para funcionar e desenhar seu personagem, o One, em uma das portas. Ele conta que começou a desenvolver o menino, que aparece na maioria de suas obras, depois de um trabalho com crianças na Baixada do Glicério, bairro do centro de São Paulo: “Eu adorava ver elas fazendo os bonecos-palito. Elas achavam que desenhavam mal, mas eu achava demais”. 

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Vitones finalizando o cenário do personagem One

Depois foi a vez do Cayque colorir o corredor. Ele explicou que nem todos os grafiteiros usam apenas spray em seus trabalhos, alguns utilizam tinta e pincel, principalmente para detalhes. Em seu caso, a tinta látex e os pincéis são as principais ferramentas, usando as paredes e muros como telas. Depois de um período pintando águas-vivas pela cidade, sua nova marca registrada é a coruja, que ainda não recebeu um nome.

“Foi super nostálgico pintar numa escola, é uma situação que eu não imaginava passar”, compartilhou o artista, que também contou ter sido marcante pintar ao som do sinal da escola, que tocava de tempos em tempos. “É um lugar que forma as pessoas e até coloca as pessoas dentro de uma forma, e eu exercendo uma atividade fora da caixinha: achei subversivo”, ele diz.

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Cayque trabalhando nos detalhes de sua coruja

Cayque contou também que não teve esse tipo de contato com a arte dentro da escola: “A gente tá dando uma oportunidade dos jovens alcançarem essa nova filosofia de rua, da arte, do pincel na lata. Eu como artista tive que procurar isso na rua e hoje pude dar a chance dessas crianças terem contato com isso a partir da escola, é muito gratificante”.

E não foi à toa que a coordenadora fez esse pedido: “Aqui tem essa coisa do desenho, os alunos gostam muito de desenhar e o graffiti pode ser um jeito de evitar a pichação. Alguns podem até querer seguir nessa área, é uma forma de a gente entender e valorizar o trabalho deles”, diz Laura, alinhada aos pensamentos de Cayque. 

Depois destes encontros, os artistas não querem parar nas portas e já sonham em um evento para grafitar também o pátio e o muro da escola. Para isso, Vitones sugeriu que os alunos poderiam participar dessa produção definindo os temas para guiar as obras.

A boa notícia é que a coordenadora já pensava em um show de talentos na escola, envolvendo toda a comunidade escolar: “Daí a ideia de vir os grafiteiros, para também ensinar os alunos e grafitar o pátio. Também temos um pessoal que corta cabelo, o pessoal do skate… nesse dia poderia ter um trabalho na quadra com quem anda de skate”, conta Laura, exaltando as aptidões de seus alunos.

A coordenadora Laura soube do Quero na Escol depois do pedido de uma aluna, que começará a ser atendido nesta semana. Na próxima quinta-feira, a atriz Luci Savassa inicia uma oficina de teatro com os estudantes da escola, que ocorrerá semanalmente até o fim do ano letivo. 

O Quero na Escola Professor é uma parceria com a Fundação SM.

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