Profissional de TI fala da área e de inovação tecnológica em escola pública de Itapevi

O Quero na Escola estreou em mais uma escola do município de Itapevi – já são quatro com pedidos na região – com um tema que envolve toda a sociedade, mas principalmente os jovens: tecnologia. A solicitação por uma conversa com um profissional de TI foi feita  por Wender Alves Oliveira, aluno do terceiro ano da Escola Estadual Nacif Amin Chalupe, que pretende seguir carreira na área da computação. “Pedi mesmo para mudar a rotina”, contou.

De fato, a apresentação do voluntário Bruno Abdelnur – formado em Ciência da Computação e desenvolvedor mobile – mudou mesmo a dinâmica das duas turmas de terceiro ano. Em cerca de meia hora, ele traçou um panorama das inovações atuais e dos principais agentes de mudança quando se trata de novas tecnologias: Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg.

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Bruno falou de algumas das invenções de Elon Musk

Porém, foi o quarto personagem mostrado que mais gerou curiosidade: “E aí, vocês sabem quem é esse cara?”, perguntou o voluntário à turma. “Já que a NASA estava sem dinheiro para fazer viagens, esse cara, o Elon Musk, criou a SpaceX. O sonho dele é morar em Marte”, explicou Bruno sobre a trajetória do famoso engenheiro e inventor, comentando também sobre seus projetos de energia solar e carros autodirigidos.

Para mostrar que a conversa  tinha muito mais de presente do que de futuro, Bruno levou seu óculos de realidade virtual para fazer uma demonstração com os alunos interessados. E, claro, foi um sucesso e uma disputa para ver quem usava primeiro os óculos, que passavam uma simulação do espaço, deixando todos se sentindo como astronautas.

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Até Cristiana, a coordenadora, quis entrar na brincadeira e ver como funcionavam os óculos.

O lado profissional

Sabendo que o pedido dos alunos era mais voltado ao mercado de trabalho de Tecnologia da Informação, Bruno também levou alguns dados sobre os cursos de formação nesse meio e sobre a carreira. “Acho que o ideal é começar com um curso técnico, que já vai te dar alguns conhecimentos básicos de programação, por exemplo, para começar a trabalhar”, comentou. “Depois, o ideal é fazer uma graduação ou especialização, dependendo da área em que quiser atuar”.

Alguns alunos demonstraram interesse em seguir essa carreira, principalmente na parte da computação ligada à eletrônica. ” Amo eletrônica, solda, componentes e circuitos, essas coisas. Fiz um curso de aprendizagem industrial e assistia algumas aulas do Técnico. Gosto muito da parte física, plaquinhas, celular… acho fascinante”, contou Ingrid Pereira dos Santos, uma das alunas que também fez solicitações  ao Quero na Escola.

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Depois da apresentação já surgiram novos pedidos de estudantes da escola, principalmente relacionados a carreiras profissionais: Medicina e Veterinária, por exemplo. Dê uma olhada na página da escola para conhecer todos os pedidos e se inscrever.

15 cursos de universidades brasileiras para fazer online e de graça

Por Sabrina Coutinho

Você sabia que muitas universidades – brasileiras e estrangeiras – disponibilizam cursos online gratuitos? Sem filtro por nota no Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) ou qualquer processo seletivo, é possível conhecer melhor carreiras e aprender com cursos completos e vídeos dos mesmos professores que atuam em instituições renomadas.

EdX, por exemplo, é uma parceria entre o MIT e a Harvard, duas das universidades mais disputadas dos Estados Unidos, e reúne mais de 950 cursos das maiores universidades do mundo. Já o Coursera tem mais de 2 mil cursos disponíveis, oferecidos por faculdades de 29 países. O Veduca, plataforma brasileira no mesmo estilo, também reúne alguns cursos de grandes faculdades do país.

Nós do Quero na Escola facilitamos encontros pessoais nas escola. Queremos que os estudantes tenham acesso a mais pessoas além de mais conhecimento (peça aqui o que você gostaria de aprender além do currículo na sua escola). Neste começo de ano, no entanto, achamos fundamental reforçar que, se você não conseguiu o que queria no Sisu, isso está longe de ser o fim do mundo. Pelo contrário, o conhecimento pode ser adquirido de muitas formas.

Selecionamos alguns desses cursos – oferecidos em português e gratuitos – para você experimentar:

  1. Origens da vida no contexto cósmico, com professores e pesquisadores do Instituto de Astronomia da USP
  2. Introdução à ciência da computação com Python – parte 1, com Fábio Kon, do Instituto de Matemática e Estatística da USP
  3. Pluralidades em Português Brasileiro, com cinco professoras e pesquisadoras da Unicamp
  4. Como criar um aplicativo para iPhone, com professores do Instituto de Biologia da Unicamp
  5. Introdução ao Controle de Sistemas, com professores do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)
  6. Capitalismo consciente, com Priscila Claro, do Insper
  7. Liderança, gestão de pessoas e do conhecimento para inovação, com Joel Souza Dutra, da Faculdade de Economia e Administração da USP
  8. Gestão de projetos, com Marly Monteiro de Carvalho e Daniel Amaral, da Escola Politécnica da USP
  9. Finanças pessoais e investimentos em ações, com André Massaro, da BM&FBOVESPA
  10. Fundamentos de administração, com Hélio Janny Teixeira, da Faculdade de Economia e Administração da USP
  11. Medicina do sono, com Lívia Leite Góes Gitaí, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas
  12. Engenharia econômica, com Erik Rego, da Escola Politécnica da USP
  13. Gestão da inovação, com Mario Sergio Salerno, da Escola Politécnica da USP
  14. Instrumentos de política e sistemas de gestão ambiental, com Marcelo Montaño, da Escola de Engenharia de São Carlos da USP
  15. Produção mais Limpa (P+L) e Ecologia Industrial, com Sergio Almeida Pacca, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo

Pensava em outro tema? Que tal pedir para alguém falar um pouco sobre isso na sua escola? Se você é estudante da rede pública de qualquer estado do Brasil, é só entrar no www.queronaescola.com.br e pedir o que quiser. Alguém pode ir pessoalmente ajudar a você e seus colegas.

Voluntário fala de tecnologia a professores e acaba ouvindo outras inovações

Ensino híbrido, personalizado, por rotação… esses foram alguns dos conceitos apresentados para os professores da Escola Estadual Myrthes Therezinha Assad Villela, no município de Barueri, Grande São Paulo atendendo a um pedido da coordenadora pedagógica por uso de tecnologia na sala de aula no Quero na Escola – Especial Professor. Marcos Soledade, formado em Sistemas de Informação pela USP, co-fundador da plataforma Sílabe e empreendedor há mais de cinco anos, dividiu com os docentes formas de usar dados na educação, entre outras dicas.

A conversa girou em torno do que seria a “educação contemporânea” e de metodologias inovadoras que podem auxiliar o professor a engajar seus alunos. Como, por exemplo, a “Sala de aula invertida”, prática que consiste em pedir para que os alunos preparem algo sobre determinado tema antes de uma aula, depois verificar o que foi preparado, conseguindo um diagnóstico do quanto os alunos sabem daquele assunto e apresentar conteúdos que tenham faltado nessa pesquisa e, por fim, pedir uma nova atividade, após a aula expositiva, para consolidar o aprendizado sobre o tema.

Essa e diversas outras práticas mostram que, para ser inovador, não necessariamente um professor precisa ser digital. A professora de Matemática Noeli Fatima dos Reis, que era ali a “aluna”, mostrou-se uma prova disso: “Eu trabalho em grupos, não gosto de aluno enfileirado. Em todas as minhas atividades eu colho pontuações, não é avaliação. Isso cria uma competição amigável na sala”, contou ela sobre as atividades que já aplica em sua sala de aula.

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Marcos deu a palestra duas vezes, para atender um maior número de professores

Ela contou ainda que a autorregulação vai além da disciplina: os mais avançados na matéria, ajudam aqueles que ainda não compreenderam todo o conteúdo, deixando Noeli mais livre para se dedicar aos alunos com mais dificuldade de interação e aprendizado. “Os próprios alunos começam a ajudar e cobrar uns aos outros para não ficar para trás nesse placar”, ela diz. “Também diversifico, não fico restrita à atividade daquele ano. Faço paralelos entre matérias para recuperar alguns conteúdos de forma contínua”, mostrando sua versatilidade como docente.

Além disso, ela resolveu abolir a avaliação tradicional para o último bimestre: “Eu pedi pra eles uma entrevista e pesquisa. Eles vão jogar na tabela os dados e fazer gráficos de setor e de barras. Aí, na hora da aula, vão fazer o comentário das entrevistas, como foi, o que a pessoa disse. Eles vão arrumar os dados, e eu vou orientá-los como organizar: estatística, né?”, conta Noeli, revelando mais um método inovador que aplica dentro de suas possibilidades.

Mas, quando o assunto é passar essa metodologia para o digital, ela lamenta: “Não tenho habilidade com informática, então não tenho autonomia para passar para eles. E eu acho que me ajudaria muito, porque eles fariam essa tabela no Excel, que já geraria os gráficos automaticamente”, conclui a professora, que está contando com a ajuda do cunhado para aplicar essas tecnologias em suas aulas.

A professora Tatiane Constanço da Cruz, de Sociologia, também dividiu alguns métodos diferentes dos tradicionais que usa em suas aulas: “Por exemplo, fui dar uma aula sobre a indústria cultural, sobre música, e um aluno me perguntou se podia ouvir música. Eu deixei e, daqui a pouco todo mundo tava com fone, escutando música, quietinho, fazendo a atividade”, conta. Ela também usa uma ferramenta digital para planejar suas aulas e criou um grupo no Facebook para trocar dicas e informações relevantes à aula com seus alunos: “a gente compartilha tirinhas, questões e dicas de vestibular”.

Marcos mostrou algumas das funcionalidades da plataforma que desenvolveu, a Sílabe, que tem como principal público os professores e as escolas públicas. Os docentes se mostraram interessados, ainda que indicando as dificuldades de aplicar as novas tecnologias, por falta de estrutura das escolas e de formação dos professores. Cristiane Barbosa, por exemplo, que dá aulas de Física, gosta de mostrar aos alunos simulações de experimentos, mas os programas que usa para essas demonstrações não rodam no computador da escola. “É bom porque eu acabo indicando sites e vídeos para os alunos, e com essa plataforma eu conseguiria juntar tudo em um lugar só”.

Para o voluntário, a troca de experiências do encontro também foi enriquecedora. “Eu não sabia o que esperar. Apesar de eu já ter algum contato com escolas, são sempre escolas que entram em contato com a gente porque já conhecem o que a gente faz e que, geralmente, já usam metodologias inovadoras”, ele conta. “Mas foi incrível. Primeiro porque você consegue coletar feedback dos professores, o que é essencial.  E segundo porque os professores que você menos espera estão fazendo coisas super legais, mesmo em uma escola pública, com poucos recursos.”

O bate-papo foi o segundo encontro sobre o tema, atendendo ao pedido da coordenadora Kelly Cunha Lopes no Quero na Escola Especial Professor, parceria com a Fundação SM, que deu de presente para os educadores a presença de pessoas para ajudá-los no que pediram no Mês dos Professores. O grupo já havia recebido o também professor Ricardo Nunes, que falou sobre o uso das ferramentas do Google em sala de aula.

A Escola Estadual Myrthes Therezinha Assad Villela tem diversos pedidos de alunos esperando para ser atendidos.

Todo estudante de escola pública pode se cadastrar e dizer o que gostaria de aprender na sua escola. Um voluntário pode querer ajudar. Cadastre-se www.queronaescola.com.br

Voluntário ensina professores a inserir tecnologia em sala de aula

Um grupo de professores da Escola Estadual Myrthes Therezinha Assad Villela, em Barueri (SP), descobriu que pode usar a tecnologia a seu favor e se livrar de trabalhos como a correção manual de provas e exercícios. A aula foi um presente de Dia dos Professores do voluntário Ricardo Nunes, que viu o pedido da coordenadora Kelly Cunha Lopes no Quero na Escola – Especial Professor e foi até lá na última terça-feira explicar as possibilidades de uso das ferramentas Google em sala de aula.

Não precisar passar horas dando vistos em atividades parece utópico para muitos professores, mas Ricardo – engenheiro,  que trabalha como consultor na Foreducation e também é professor de Ensino Fundamental, Médio e Superior – mostrou o quanto é simples. Ele fez exercícios de uso do Google Forms para produzir listas e enviar para os alunos via e-mail.

O próprio Ricardo conta que já aplicou provas remotamente na escola onde leciona: “Eu estava impossibilitado de ir à escola por motivos pessoais. Criei um formulário e avisei aos alunos que ele estaria online por um determinado tempo”. Ele mostrou, ainda, que as respostas aos formulários ficam registradas em uma tabela, que permite ver quais perguntas foram mais ou menos acertadas, servindo como um diagnóstico para a preparação de aulas e reforços.

Com a conversa girando em torno do Google Drive e do armazenamento “na nuvem”, surgiu a questão da segurança. Ricardo explicou que a empresa anda investindo muito nessa área e que os ataques hackers a contas Google são cada vez mais raros. “É claro que, se você entrar em um computador público e esquecer seu perfil logado, você vai ficar vulnerável. Ainda assim, é possível usar um recurso para derrubar as sessões abertas em outros computadores”, explicou Ricardo, para a tranquilidade da professora Cátia, a mais preocupada com o assunto.

Ricardo reforçou muito o fato de que usar as tecnologias – principalmente o smartphone – é uma forma de engajar os alunos. “A maioria dos jovens hoje tem um smartphone. Ainda que não tenham um plano de 3G muito bom, é possível desenvolver algumas atividades. Às vezes, inserindo essas ferramentas você vai ver aquele aluno que nunca fez uma lição se envolvendo mais e respondendo as questões”, ele defende.

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Ricardo emprestou seu laptop para alguns professores, outros levaram seus próprios aparelhos ou usaram seus smartphones

O maior interesse dos professores, porém, foi pela digitalização do diário de classe para diminuir as burocracias do cotidiano na escola. Ainda que a maioria apoie o uso dessa tecnologia, o Governo do Estado ainda está longe de aplicá-la em larga escala, devido ao apego ao papel como documento “oficial” e a tradição já desenvolvida por anos.

O encontro terminou com os professores dividindo suas impressões sobre a inserção de técnicas digitais em sala de aula. O professor Elder, que dá aulas de Química na escola, por exemplo, diz achar muito importante e interessante apresentar quais são os recursos, mas que, em sua opinião, falta capacitação dos professores:

“Aqui você está mostrando o bolo e a cereja, mas eu não vou comer isso? Eu quero comer isso, e precisam disponibilizar para que a gente possa mastigar isso aí pra valer. A grande maioria vai ter uma dificuldade imensa de fazer isso, até de criar a conta”, ele desabafa.

A professora Ana Márcia, de Língua Portuguesa, concordou, afirmando que já utiliza as ferramentas da plataforma oferecida pela Secretaria de Educação: “Eu sinto que os alunos querem, quando eu levo, eles gostam, e facilita meu trabalho. Mas falta essa ferramenta que vocês trouxeram hoje: alguém que sente e ensine, que fale você vai por aqui ou por ali”, ela conta, em consonância com a fala de Elder.

Ricardo encerrou o encontro reforçando que a iniciativa do uso das novas tecnologias, muitas vezes, precisa mesmo partir do professor, ainda que a adaptação seja difícil e enfrente resistência. Para ajudar nessa tarefa, ele indicou os Grupos de Educadores Google, que se reúnem para trocar experiências e dificuldades da inserção digital.

Para ele “foi enriquecedor esse momento de troca, pude compartilhar um pouco do meu conhecimento e espero ter ajudado os colegas”. As impressões compartilhadas também vão servir de preparação para o Marcos, o segundo voluntário que atenderá o pedido no fim do mês. A escola Myrthes Assad tem sido parceira frequente no Quero na Escola, já recebeu aulas de Meditação e Quadrinhos, mas ainda há pedidos não atendidos, que você pode conferir aqui.

* O Quero na Escola Professor é uma parceria com a Fundação SM