Projeto em que professores têm atendimento emocional está de volta

O Quero na Escola e a Fundação SM relançam nesta quinta-feira o projeto Apoio Emocional que busca profissionais de saúde mental para atendimento gratuito a educadores de escolas públicas em todo Brasil. No ano 2 da epidemia de Covid-19 no Brasil, as professoras e professores seguem enfrentando incertezas, improvisos, medos e um número crescente de lutos.  

Para ajudá-los a lidar com suas angústias e orientá-los na acolhida aos estudantes, o projeto Apoio Emocional oferece aos professores as opções de escuta individual, rodas de conversa entre colegas ou com seus alunos e formação sobre como lidar com determinados problemas psicológicos. Todos os atendimentos serão virtuais, organizados pela equipe do Quero na Escola e com uso das plataformas que os profissionais voluntários e professores preferirem. 

A primeira edição atendeu 2 mil professores em 2020. Veja no vídeo abaixo depoimento de uma professora atendida e de uma psicóloga voluntária.

Nesta segunda edição o foco será nos traumas causados pelo prolongamento da pandemia e em como lidar com os próprios lutos e os dos estudantes. 

“Temos muito orgulho em apoiar um projeto que se mostrou tão necessário no ano passado, mobilizando tantos psicólogos e terapeutas, atingindo a tantos professores. Este ano, com o desafio de reabertura presencial das escolas em plena pandemia, acreditamos que a escuta de suas angústias e o acolhimento são fundamentais para dar o suporte emocional que os educadores necessitam”, afirma Mariana Franco, gerente da Fundação SM.

Para se cadastrar, tanto os educadores como os voluntários devem acessar queronaescola.com.br/apoioemocional

Campanha por livro sobre estudantes transformadores termina com sucesso

O livro “21 Histórias de estudantes que mudaram a escola” será impresso em abril com o apoio de mais de 300 pessoas e instituições que acompanham o Quero na Escola. A obra é uma coleção de casos reais de estudantes que mudaram suas escolas ou mesmo todo o sistema de ensino no Brasil e no mundo. O objetivo é dar representatividade aos estudantes que querem mudar algo em seus cotidianos escolares.

A primeira edição da obra conta com patrocínio do Instituto Olga Kos e do Instituto Unibanco. As autoras, Cinthia Rodrigues e Luciana Alvarez, ambas jornalistas e cocriadoras do Quero na Escola, doaram seu trabalho nesta primeira edição e todo o valor arrecadado com a campanha de financiamento coletivo será revertido para a Associação Quero na Escola. Além disso, todos os doadores receberão ao menos um exemplar do livro.

Também serão doados 120 exemplares para escolas, professores e estudantes interessados. Quem quiser estar entre os beneficiados pode se cadastrar neste formulário. O envio estará disponível ainda em abril caso um educador ou educadora já queira usar o livro. Um dos critérios de seleção será a ordem de inscrição.

Cada história de “21 Histórias de estudantes que mudaram a escola” conta a transformação que o estudante conseguiu, qual era o problema com que lidava e quais resultados obteve. Os textos são pensados para adolescentes a partir de 12 anos. Cada capítulo é acompanhados de uma ilustração exclusiva que destaca os protagonistas e de mais informações sobre o tema que moveu aqueles estudantes.

Durante a campanha, algumas matérias sobre o livro foram publicadas:

A Associação Quero na Escola agradece a cada um dos apoiadores – que em breve terão também seus nomes em agradecimento publicado aqui – e a todos os parceiros. Vivemos tempos especialmente difíceis e contar com a ajuda desta rede é fundamental para seguirmos com nosso trabalho.

Quero na Escola lança livro com estudantes que transformaram a escola

A Associação Quero na Escola está lançando a coletânea 21 Histórias de estudantes que mudaram a escola. São todas histórias reais, de adolescentes que conseguiram de alguma forma transformar sua própria escola e, às vezes, até mesmo o sistema educacional. Pessoas de carne e osso, que ainda muitos novas precisaram lutar para ter acesso à educação ou melhorar a educação que eles e seus colegas recebiam. 

No livro há casos mundialmente famosos, como Malala Yousafzai, que lutou pelo direito das meninas estudarem, e Greta Thunberg que se tornou a maior voz contra o aquecimento global ao escolher faltar às aulas. Mas há também histórias emocionantes de muitos outros jovens incríveis, que nunca ganharam os holofotes. São histórias que merecem ser conhecidas por todos. 

Após anos de incentivo ao protagonismo aos alunos, as responsáveis pelo Quero na Escola percebem que muitas vezes os estudantes não se vêem como capazes de sugerir mudanças na educação. “A escola parece para eles um sistema estático, com regras que só os adultos podem mexer. As 21 narrativas do livro mostram que a verdade é bem diferente: os alunos têm sim grande poder”, diz Cinthia Rodrigues, uma das autoras. 

“Reunir em um livro histórias de conquistas educacionais promovidas pelos adolescentes – e não pelos governos, estudiosos ou professores – colabora para o grande esforço da atualidade de colocar os alunos no centro do processo de ensino-aprendizagem. Queremos que essa centralidade seja plena”, afirma Luciana Alvarez, outra das autoras. 

O livro tem projeto gráfico e ilustrações de Fernanda Ozilak e coedição da Saíra Editorial. Quem quiser receber um exemplar, pode contribuir no financiamento coletivo com valores a partir de R$50. Tudo o que for arrecadado vai ajudar a manter o trabalho da ONG. Além disso, estudantes de escolas públicas que desejam receber um exemplar podem se cadastrar aqui, pois uma das modalidades de apoio inclui enviar um livro para um estudante de escola pública que deseja receber a obra.

Sinopse

Uma outra narrativa sobre a educação. Histórias de estudantes do Brasil e do mundo que todo educando deveria conhecer, para se reconhecer como protagonista na escola. Alguns personagens são mundialmente famosos, como Malala Yousafzai, que lutou pelo direito das meninas estudarem e Greta Thunberg que se tornou a maior voz contra o aquecimento global. Há outros menos conhecidos, mas que alcançaram resultados impressionantes, como Mohamad al Jounde, que construiu uma escola em um campo de refugiados, a brasileira Dorina Nowill, que incluiu os cegos na escola, e Juliana dos Santos Santana, que lutou pela educação indígena.

Apoio

A primeira edição da obra tem apoio do Instituto Unibanco e do Instituto Olga Kos. Pessoas físicas e outras instituições que queiram ajudar o livro a ser conhecido – e com isso a Quero na Escola – terão como recompensa o próprio livro e kits que estão disponíveis na plataforma catarse.me/21estudantes . Quem desejar também pode fazer o apoio diretamente a Quero na Escola por Pix pelo CNPJ 27.140.336/0001-06.

Apoio Emocional terá webinário na semana dos professores

Evento ocorrerá nos dias 13 e 15 de outubro e trará professoras e profissionais de saúde mental para falar das angústias dos educadores neste período

Desde julho, o Quero na Escola e a Fundação SM promovem o Apoio Emocional, projeto que conecta profissionais voluntários de saúde emocional a educadores. Neste último mês, além dos atendimento, vamos realizar duas rodas de conversa com participantes para falar de questões comuns como falta de controle, invisibilidade, frustrações e dificuldades em manter o vínculo.

Serão dois encontros sempre com professoras que receberam apoio e profissionais que fizeram as escutas e conheceram as aflições dos educadores durante a pandemia.

Webinário dia 13

O primeiro ocorrerá no dia 13, às 17h, e terá como tema “Como lidar com controles e descontroles?”. Participarão a professora Gabriela Santos e a psicóloga Lia Gonsales com mediação da diretora da Fundação SM,  Pilar Lacerda.

No segundo encontro, no dia 15 de outubro, também às 17h, as participantes são a professora Marcia Seraphim e a psicóloga Raíssa Viviani com o tema “Como buscar o vínculo em situações adversas?”. A mediação será da cocriadora do Quero na Escola, Cinthia Rodrigues.

Webinário dia 15

A transmissão ocorre tanto pelo Facebook quanto pelo Youtube do Quero na Escola. Siga estes canais para receber o aviso de início do evento e reserve a data para conversarmos sobre Apoio Emocional.

Paralelamente, os encontros entre psicólogos e professores continuam sendo agendados individualmente e em pequenos grupos com seus colegas de escola ou roda de alunos. Profissionais de saúde mental interessados em ajudar têm até 15 de outubro, dia dos professores, para realizar a inscrição como voluntários (acesse).

Mais de mil atendimentos foram realizados em três meses de projeto, 200 deles individualmente e o restante em rodas de conversa com os alunos ou em formação coletiva de professores.

Campanha conecta quem tem livro parado a estudante que precisa ler

Junto com as escolas, também estão fechadas as bibliotecas, as salas de leitura e os livros. Muitos estudantes de escolas públicas precisam de determinada obra para estudar, inclusive para o vestibular, ou mesmo para se distrair durante a pandemia.

CONSULTE A TABELA DE LIVROS E DOE UM

A partir de hoje, se você é estudante e precisa de um livro que não tem, pode pedir aqui. Na outra ponta, se você tem parado em casa um livro que um aluno precisa ou mesmo quer comprar e enviar para um estudante direto da loja, pode escolher um para doar aqui.

Sabemos que há obras que estão disponíveis gratuitamente online, principalmente as de domínio público.  Vamos inclusive compartilhá-las com os estudantes. Ocorre que nem sempre são os livros que os estudantes precisam, inclusive livros obrigatórios em grandes vestibulares. Além disso, achamos que o livro presenteado nas mãos do estudante atende a mais objetivos do que apenas o conteúdo: mostra empatia com os jovens que estão sem escola para evitar a propagação do vírus.

Quer um livro? 
Quer doar um livro?

 

Quero na Escola faz encontros virtuais durante epidemia de coronavírus

Durante o enfrentamento à epidemia de coronavírus, o Quero na Escola mudou. As escolas públicas fechadas e a responsabilidade nos impõe o distanciamento físico, mas não o isolamento. Vamos usar as redes sociais para promover encontros virtuais em que voluntários atendam à demanda de estudantes de escolas públicas. Seguiremos nos pautando no protagonismo dos alunos e pretendemos contribuir para que se sintam apoiados, ainda que à distância.

As atividades têm transmissão ao vivo pelo nosso Facebook para que outros estudantes, de qualquer parte do país, possam acompanhar e interagir.

As ações começaram no dia 23 de março. Você pode ver todos os vídeos do que já ocorreu aqui

Lamentamos este momento em que não podemos facilitar o encontro dentro das escolas públicas porque acreditamos que as visitas de voluntários presencialmente são fundamentais para construir uma nova relação entre escola e sociedade. Voltaremos a elas assim que possível. Enquanto isso, apostamos no virtual não apenas para fortalecer o protagonismo dos estudantes e buscar voluntários que possam contribuir, mas para manter e fortalecer as relações sociais que nos ajudarão a enfrentar o distanciamento físico.

Compartilhem com estudantes e educadores. Sigamos distantes fisicamente, porém juntos no propósito de tornar a educação uma pauta de toda a sociedade.

Para novos pedidos e inscrições, o site queronaescola.com.br permanece aberto.
Dúvidas: central@queronaescola.com.br ou pela sua rede social preferida.

Conheça os 6 objetivos do Quero na Escola

O Quero na Escola parte dos interesses dos estudantes sobre o que querem aprender para motivar  pessoas a colaborar e assim abrir uma janela entre escolas públicas e a sociedade. Antes, durante e depois, esta ação tem seis objetivos, cada um deles com potencial para ampliar o aprendizado, reduzir a evasão escolar e melhorar a educação.


1) Fortalecer a escuta e participação do jovem em sua própria formação escolar. O Quero na Escola é um canal para que estudantes nomeiem qualquer conhecimentos a que gostariam de ter acesso além do currículo escolar. Além da possibilidade de atendimento pelo programa, a simples reflexão sobre o que gostariam de aprender pode levar um aluno a buscar este aprendizado e dar passos importantes na sua trajetória escolar.

2) Dar à sociedade um caminho claro de como participar na educação pública. A participação da sociedade na educação está na constituição brasileira, mas muita gente não sabe por onde começar. Por meio da plataforma com pedidos de estudantes, pessoas podem pesquisar por local ou assunto as demandas cadastradas e formular propostas de participação pertinentes. Além disso, as pessoas que vão às escolas passam a construir um debate mais qualificado e contextualizado sobre educação pública.

3) Oferecer às escolas parceiros engajados. Muitos educadores se sentem isolados na tarefa colossal de educar por não ter uma rede de apoio para as ações que sonha implementar. O Quero na Escola oferece às escolas parceiros que podem ajudar em temas solicitados pelos adolescentes e, como isso, aumenta a autoestima dos envolvidos, que se veem percebidos e acolhidos. Ao se sentirem prestigiados, educandos e educadores podem sonhar e realizar mais.

4) Promover integração entre alunos e diferentes setores da sociedade.  A principal diferença entre estudantes da rede pública e das escolas mais exclusivas é o acesso que o segundo grupo têm a mais experiências e a rede de contatos. O Quero na Escola leva mais pessoas para falar com os jovens das escolas públicas para, independentemente do assunto da atividade, se tornarem uma nova conexão. Cada participante pode vir a fazer a diferença e levar a informações futuras sobre outras possibilidades de experiências, ideias e até mercado de trabalho.

5) Reunir informações sobre os desejos dos jovens O Quero na Escola, sem expor ninguém, oferece  uma série de informações de demandas dos estudantes. Estas informações podem ajudar a jovens,  escolas, governos e mesmo outras projetos a realizarem atividades pertinentes aos desejos expressos dos alunos.

6) Contribuir para o aprendizado dos assuntos solicitados por estudantes. Quando os pedidos dos jovens são atendidos por voluntários, novos conhecimentos são produzidos para e pelos estudantes. Cada novo aprendizado se conecta com outros e abre caminho para novos, inclusive os curriculares, e torna os adolescentes mais confiantes em sua capacidade e na capacidade da sociedade de estimulá-lo.

Demanda por combate à depressão cresce nas escolas

quero na escola, reprodução apenas para divulgação do projeto

Depressão, ansiedade, suicídio: um trio de palavras que a gente não gostaria de ver associado à juventude. Mas, infelizmente, são questões cada vez mais inescapáveis para as escolas. Em pesquisa divulgada hoje pelo Porvir, 64% dos estudantes disseram que gostariam de contar com psicólogos na sua vida escolar. No Quero na Escola, o tema não para de crescer. Como já dissemos no ano passado, realizamos ações com voluntários, mas reforçamos a demanda de alunos e educadores para que haja profissionais regularmente nas escolas.

Em 2019, foram nove ações realizadas em escolas públicas a partir de pedidos de estudantes sobre depressão. No mês passado, durante o Especial Professor, outras quatro ocorreram por chamados dos educadores. Em uma delas, a professora de Psicologia na Faculdade de Educação da USP, Katia Cristina Silva Forli Bautheney foi a escola estadual Jorge Luis Borges, de São Paulo, e falou com mais de 300 alunos sobre o tema, a pedido da professora Joselene Rodrigues. “Já conversamos sobre meios de prolongarmos nossa parceria” comentou Kátia, apontando a necessidade de pensar em ações a médio e longo prazo sobre esse tema.

voluntário quero na escola
Para falar do assunto, voluntário visitou escola por dois meses para criar relação com jovens

Em Valinhos, interior paulista, a professora Elisa Santos, da escola municipal  Governador André Franco Montoro, conta que pediu ajuda com este tema porque tem muitos alunos com crise de ansiedade, síndrome do pânico e outras questões pra as quais falta formação dos educadores. O estudante de psicologia João Paulo Sampaio
atendeu ao pedido com duas atividades e visitas semanais por dois meses para estabelecer uma relação com os jovens. “A forma como foi feita a atividade, em um lugar aberto fora da sala de aula, e a relação que estabeleci ajudou para que participassem e colocassem suas opiniões”, avalia.

Os alunos também mantém o tema entre os mais importantes. “A empatia é importante. Não sabemos o que se passa na vida das pessoas e devemos ajudar”, comentou Rayra Alves Lopes Gonçalves, ao inscrever o tema para a escola estadual Odair Martiniano da Silva Mandela, onde estuda, em São Paulo. A voluntária neste caso, foi a estudante de Turismo Giulia Ximenes, que compartilho experiências próprias.

Em Ferraz de Vasconcelos, grande São Paulo, o tema foi atendido duas vezes este ano na escola estadual Carlindos Reis. Na mais recente, Thais de Sena Giovanini, voluntária social certificada em vários projetos de cuidado e respeito a vida e diagnosticada com depressão há anos que compartilhou saberes do tema com turmas de vários horáraios. A estudante autora do pedido, Nathalia Aguiar Da Silva, resume a urgência. “Depressão é sério e pode causar mortes.”

O Quero na Escola atende a demanda de estudantes de escolas públicas por conhecimentos além do currículo obrigatório com a participação de voluntários. Inscreva-se

Quero na Escola ganha prêmio

O Quero na Escola foi o vencedor do prêmio UBS Visionaris – Prêmio UBS ao Empreendedor Social 2019. O prêmio é dedicado a “iniciativas inovadoras que tenham conseguido consolidar suas ideias ao longo do tempo e, com isso, promovido mudanças sistêmicas em áreas importantes”.

O prêmio é um reconhecimento do projeto e também da importância da educação pública como “espinha dorsal da sociedade brasileira”, como defendeu a cofundadora Cinthia Rodrigues ao explicar que qualquer mudança estrutural no Brasil necessariamente passa pelas escolas públicas, formadoras de 90% da população brasileira.

Confira o vídeo produzido pela produtora Tango Bililica e exibido no anúncio dos vencedores:

 

O que aprendemos com os pedidos sobre depressão nas escolas

Editorial

Desde a criação do Quero na Escola, aceitamos todos os temas nomeados por estudantes como motivo para novas atividades nas escolas. Não fugimos nem de tabus, como aborto ou sexualidade, nem de assuntos difíceis, como Física Quântica. Nos últimos tempos, no entanto, dois assuntos têm nos desafiado: os jovens querem falar de depressão e suicídio.

Os temas começaram a aparecer no ano passado e cresceram nos últimos meses, devido a campanha “Setembro Amarelo”, focada exatamente nisto. Apenas neste mês, realizamos quatro atividades com voluntários que vão de psicólogos a pessoas que querem ajudar dividindo a própria experiência com o assunto. Embora alunos, educadores e voluntários elogiem as participações, sentimos a necessidade de sinalizar: é muito pouco.

As escolas públicas precisam de profissionais que saibam identificar e acompanhar quem tem problemas psicológicos. Isso inclui os alunos e os professores. No Quero na Escola Especial Professor – nossa ação para os educadores que ocorre pontualmente de agosto a outubro – sete professores fizeram pedido por atividades sobre depressão. Não é à toa que, em muitas redes públicas, 30% dos educadores estão de licença médica.

A esta altura já atendemos pedidos por este tema há um ano. Depois de cada atividade, recebemos retornos fortes de educadores, jovens e dos próprios voluntários. Casos de choro, de agradecimento, mas também de pedidos de ajuda. Por um lado, acreditamos que a entrada de pessoas para falar destes assuntos colabora para o autoconhecimento e para saber lidar com emoções, algo que todos devem aprender. Por outro, os voluntários percebem pessoas que precisam de acompanhamento e, embora possam indicar onde procurar ajuda fora da escola, fica claro que a necessidade está do lado de dentro.

Perguntamos a jovens do nosso “Conselho de Jovens do Quero na Escola” a que se devia o aumento na demanda por estes temas. Todos tinham um caso para contar, muitos concordam que seja a doença do século. Uma das estudantes, com a linguagem mais própria dos adolescentes, os memes, disse que “a geração atual precisa de terapia porque a geração anterior também precisava e achava que era frescura.” Falta agora o poder público olhar para esta questão com a mesma seriedade. Os voluntários podem ajudar, mas entre centenas de alunos e dezenas de professores sempre haverá aqueles que precisam de uma conversa privada com alguém treinado.