O que aprendemos com os pedidos sobre depressão nas escolas

Editorial

 

Desde a criação do Quero na Escola, aceitamos todos os temas nomeados por estudantes como motivo para novas atividades nas escolas. Não fugimos nem de tabus, como aborto ou sexualidade, nem de assuntos difíceis, como Física Quântica. Nos últimos tempos, no entanto, dois assuntos têm nos desafiado: os jovens querem falar de depressão e suicídio.

Os temas começaram a aparecer no ano passado e cresceram nos últimos meses, devido a campanha “Setembro Amarelo”, focada exatamente nisto. Apenas neste mês, realizamos quatro atividades com voluntários que vão de psicólogos a pessoas que querem ajudar dividindo a própria experiência com o assunto. Embora, alunos, educadores e voluntários elogiem as participações, sentimos a necessidade de sinalizar: é muito pouco.

As escolas públicas precisam de profissionais que saibam identificar e acompanhar quem tem problemas psicológicos. Isso inclui os alunos e os professores. No Quero na Escola Especial Professor – nossa ação para os educadores que ocorre pontualmente de agosto a outubro – sete professores fizeram pedido por atividades sobre depressão. Não é à toa que, em muitas redes públicas, 30% dos educadores estão de licença médica.

A esta altura já atendemos pedidos por este tema há um anos. Depois de cada atividade, recebemos retornos fortes de educadores, jovens e dos próprios voluntários. Casos de choro, de agradecimento, mas também de pedidos de ajuda. Por um lado, acreditamos que a entrada de pessoas para falar destes assuntos colabora para o autoconhecimento e para saber lidar com emoções, algo que todos devem aprender. Por outro, os voluntários percebem pessoas que precisam de acompanhamento e, embora possam indicar onde procurar ajuda fora da escola, fica claro que a necessidade está do lado de dentro.

Perguntamos a jovens do nosso “Conselho de Jovens do Quero na Escola” a que se devia o aumento na demanda por estes temas. Todos tinham um caso para contar, muitos concordam que seja a doença do século. Uma das estudantes, com a linguagem mais própria dos adolescentes, os memes, disse que “a geração atual precisa de terapia porque a geração anterior também precisava e achava que era frescura.” Falta agora o poder público olhar para esta questão com a mesma seriedade. Os voluntários podem ajudar, mas entre centenas de alunos e dezenas de professores sempre haverá aqueles que precisam de uma conversa privada com alguém treinado.

 

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Reforma do Ensino Médio: Maioria dos jovens optaria por mais de uma área

Quero na Escola ouviu estudantes sobre as escolhas que fariam se a Reforma do Ensino Médio – prevista para começar ainda em 2018 – os afetasse. A consulta buscou saber principalmente se os jovens querem escolher entre uma das cinco diferentes áreas propostas pela Lei aprovada em 2017 e se sentem prontos para tomar tal decisão. O levantamento também se destina a estimular que mais estudantes sejam ouvidos sobre o assunto que deve o currículo das escolas.

Ao todo, 209 adolescentes de 20 cidades e 14 Estados diferentes responderam ao questionário. Destes, 128 disseram que topam dar entrevista sobre o assunto. O Quero na Escola se coloca à disposição de jornalistas interessados em ouvi-los.

Entre os que responderam a consulta, 86% disseram que sabiam da Reforma do Ensino Médio e 14% afirmaram que não tinham informação sobre a mudança. A Reforma foi feita por Medida Provisória em 2016 e aprovada pelo Congresso em 2017. Ainda em 2018 os governos estaduais, responsáveis pela etapa, começam a implementar a medida.

As cinco áreas foram apresentadas aos jovens sem que fosse dito que os estudantes poderiam escolher apenas uma área e 54% marcou duas ou mais opções, com o seguinte resultado:

Um terço dos adolescentes (33%) disse que já se sente pronto para fazer a escolha entre uma destas áreas. Outros 31% disseram que precisam de mais tempo e 33% afirmaram que não querem escolher apenas uma área.

Restaram ainda 2% que optaram por “outro”, como uma jovem de 15 anos que justificou: “Acredito que estas escolhas deviam caber apenas para o último ano do ensino médio, pois no primeiro e segundo ano muitos jovens ainda estão confusos em relação a essas opções. E, acredito que eu seja uma dessas pessoas. No momento posso ter mais familiaridade com tal matéria, mas no segundo ano posso ter com outra, por isso acredito que esta escolha devia ser feita apenas para os alunos do último ano do ensino médio.”

Mudar de escola

A pesquisa explicou ainda aos estudantes que cada escola terá apenas uma ou algumas das cinco opções. Neste caso, questionamos qual seria a opção do estudante entre escolher uma área oferecida pela escola ou buscar outra instituição. O resultado aponta para uma possível onda de migração caso a Reforma seja ampla: 62% optariam por mudar de escola, 33% mudar de área e 5% marcaram a opção “outro”, em que alguns explicaram que nenhuma das duas opções são interessantes para si. “Neste caso, iria me articular com outros estudantes para exigirmos mudanças. Não podemos desistir. Essa reforma não nos representa”, escreveu uma jovem de 16 anos.

Sobre o Quero na Escola
Somos uma associação sem fins lucrativos que parte da escuta aos estudantes para ampliar as possibilidades dentro das escolas públicas. Por meio da nossa plataforma, qualquer estudante pode dizer o que mais gostaria de aprender além do currículo e pessoas que gostariam de ajudar podem oferecer uma aula sobre o assunto pedido. Visite: queronaescola.com.br

Pesquisa: como você fica com a reforma do Ensino Médio?

O Quero na Escola lança nesta quinta-feira uma pesquisa entre estudantes sobre como vão lidar com a Reforma do Ensino Médio. A intenção é fazer com que os adolescentes, principais envolvidos no assunto, conheçam um pouco das mudanças estabelecidas, reflitam sobre o impacto delas em suas vidas e sejam mais ouvidos nos debates sobre o assunto.

O questionário simples quer saber principalmente se o estudante escolheria apenas uma das cinco áreas propostas, se o jovem se sente preparado para escolher nesta fase da vida e como lidará com o fato de que sua escola talvez não ofereça a opção mais desejada. A Reforma do Ensino Médio colocada inicialmente como Medida Provisória, no final de 2016, foi aprovada pelo Senado e sancionada por Michel Temer em fevereiro deste ano. A partir de 2018, os governos estaduais, responsáveis pelo Ensino Médio, devem começar a adaptar os currículos e as unidades escolares.

Estudantes, respondam a pesquisa, leva menos de 2 minutos:

RESPONDER

Quero na Escola completa dois anos com recordes

Neste dia 24 de agosto, o Quero na Escola completa dois anos no ar. Por uma feliz coincidência, será nosso mês com maior número de atividades realizadas e de alunos atendidos: fecharemos agosto com 18 visitas de voluntários a escolas públicas em seis estados diferentes, promovendo atividades solicitadas por alunos e que atenderão diretamente a mais de 900 estudantes. Comemoramos muito cada um destes encontros, mas também aproveitamos este aniversário para relembrar que temos outros objetivos no percurso. São seis objetivos, veja com qual deles você se identifica:

As oficinas deste mês foram sobre fotografia, fanzine e confeitaria e as palestras sobre ginecologia, enfermagem, aborto, política, direitos trabalhistas, identidade de gênero, depressão, etnia e discriminação e gravidez na adolescência. Nomear estes assuntos, assim como dezenas de outros registrados ao longo destes dois anos, faz parte do nosso primeiro objetivo: fortalecer a escuta e participação do jovem em sua própria formação escolar. Antes mesmo do pedido ser atendido, só o fato de refletir sobre o que faria com sua formação e se expressar é um passo que consideramos importante.

E temos comprovado que não estamos sozinhos na valorização do que solicitam os estudantes. Os desejos dos jovens mostraram-se fortes o suficiente para atrair milhares de pessoas para acompanhar nossas ações e centenas para saírem de suas rotinas e voluntariamente irem às escolas atender a estes pedidos. Este é nosso segundo objetivo: dar à sociedade um caminho claro de participação na educação pública. Algo que muita gente quer, mas poucos sabem por onde começar.

Pouco a pouco vamos chegando ao nosso terceiro objetivo: oferecer às escolas parceiros do entorno. Muitos gestores, desacostumados a receber ajuda nas necessidades da escola, acham que não há parceiros à disposição e deixam de tentar levar projetos adiante. Ao perceber o interesse dos voluntários, alguns começam a convidá-los a participar, como a coordenadora da escola que recebeu a palestra sobre depressão no começo deste mês e solicitou à voluntária que voltasse para falar com outras quatro turmas. Os novos encontros estão agendados para sexta-feira (25).

Algo parecido ocorre com os próprios estudantes. A jornalista Marcelle Souza, que falou sobre aborto, tema do seu doutorado, recebeu uma mensagem de aluno no e-mail quando chegou em sua casa. Começa aí uma nova rede de relacionamento, com enorme potencial. Pesquisas de instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontam que a principal diferença no desempenho de jovens de escolas públicas e privadas está no contexto sócio-econômico, que inclui acesso à cultura e rede de contatos. Por isso, promover a integração entre alunos e diferentes setores da sociedade é nosso quarto objetivo.

Enquanto tudo isso acontece ao mesmo tempo, estamos colecionando alguns números. Com mais de 300 escolas com pedidos e mais de 170 cidades cadastradas, começamos a ter insumos para nosso quinto objetivo: reunir informações sobre os jovens e as escolas públicas. Aos poucos queremos mostrar melhor quais são as escolas existentes, com suas deficiências e pontos fortes, mas também quais são as escolas que os jovens querem.

O último objetivo é contribuir para o aprendizado dos assuntos solicitados pelos estudantes, a camada mais visível do projeto, a cereja no nosso bolo de aniversário. E aí? Alguma destas metas é importante para você? Conta pra gente qual delas.    

Quer fazer um pedido? queronaescola.com.br

Quer ver os pedidos existentes? queronaescola.com.br/pedidos

Você também pode se associar ao Quero na Escola

 

Conheça a nova identidade visual do Quero na Escola

O Quero na Escola está de cara nova! Prestes a completar dois anos, o projeto adota um novo logotipo  – mais bonito, mais moderno e mais fiel à nossa missão: abrir o círculo da escola para que a sociedade possa participar. 

A mudança atendeu a duas necessidades. A equipe buscava um logotipo capaz de refletir o amadurecimento do projeto, que desde abril tornou-se um associação sem fins lucrativos, da qual qualquer pessoa pode fazer parte. Mas, principalmente, havia a sensação de que a antiga marca já não refletia o trabalho do Quero na Escola em sua dimensão mais ampla.

Quando o projeto começou, em 2015, entendíamos que era preciso destacar o nosso primeiro objetivo, o protagonismo do aluno. O balão de pensamento do logo original se adequava a essa proposta: nosso foco estava em o aluno pensar no que gostaria de aprender além do currículo escolar e em encontrar um voluntário que pudesse ensinar o que foi pedido.

Hoje, o protagonismo estudantil continua sendo central para o Quero na Escola, e o pedido do aluno segue como o ponto de partida para que a atuação do projeto aconteça. No entanto, entendemos nossa missão como algo maior: promover uma cultura de interação e colaboração entre as escolas públicas e a sociedade.

O designer gráfico Miguel Pécora criou a nova marca com esta ideia em mente. O símbolo representa uma escola e, no alto, alguns pássaros rompem o círculo e ultrapassam os limites do lugar comum. Estes pássaros simbolizam os jovens, seus interesses e sonhos (cada qual com seu movimento, reforçando a ideia de individualidade do estudante, que é central no projeto), enquanto o círculo se rompendo é a escola se abrindo à comunidade e a novos aprendizados.

Com nosso novo logotipo, reforçamos o convite: estudantes, digam ao mundo o que gostariam de aprender além do currículo escolar. Para divulgar e atender a estes desejos, contamos com todas as pessoas que querem contribuir com a educação pública de qualidade. É por aí que pretendemos ajudar a ampliar horizontes.

Natura e Quero na Escola fazem parceria para que consultoras participem do projeto

Com muita expectativa iniciamos neste mês uma parceria que tem grande potencial para levar o Quero na Escola a muitos outros estudantes e voluntários. Com o Apoio do Instituto Natura, todas as consultoras da marca terão acesso exclusivo à equipe do projeto por meio da plataforma Crer Para Ver.

A intenção é que elas sejam agentes de transformação da Educação em suas comunidades com o uso do nosso canal. Presentes em todos os municípios do Brasil, elas poderão auxiliar jovens de mais escolas públicas a cadastrarem temas que gostariam de aprender além do currículo. Da mesma forma, podem se inscrever para atendê-los ou divulgar os pedidos em suas redes de contato.

Se você é uma consultora Natura, entre em contato. Se conhece uma, diz pra ela que estamos aguardando.

Procura-se programadorx para parceria com o Quero na Escola

A Associação Quero na Escola busca profissional para atuar em melhorias constantes no site Quero na Escola.

É necessário entender de Python e Django.

A pessoa parceira deverá reservar duas horas semanais para trabalhar em pontos indicados pela equipe ou projetos futuros. Damos preferência para horários fixos e pessoas que possam participar de reuniões em São Paulo.

Também é importante se identificar com a causa do projeto, que é aproximar escola pública e sociedade por meio de atividades nas escolas promovidas por voluntários a partir de pedidos dos próprios estudantes. Saiba mais sobre o Quero na Escola aqui mesmo no nosso blog.

Interessados podem enviar um email para central@queronaescola.com.br até o dia 15 de maio com valor cobrado por mês para a carga horária semanal de duas horas.

Haverá um teste de conhecimentos e entrevista.

 

Associe-se ao Quero na Escola!

O Quero na Escola é uma associação sem fins lucrativos. Nossa ação prioritária é o atendimento de demandas de alunos de escolas públicas por voluntários por meio da nossa plataforma digital. Facilitamos a comunicação e catalisamos essas relações por meio de redes sociais para fazer circular novos conhecimentos dentro da escola em um processo que parte do aluno, respeita a instituição, envolve o gestor escolar e produz aprendizados para toda a sociedade.

O projeto surgiu em agosto de 2015 sem nenhuma formalização. Cresceu para todas as regiões do Brasil e agora institucionalizou-se como Organização Não Governamental. O processo exige recursos para remunerar as pessoas que se dedicam todos os dias a envolver estudantes, divulgar os pedidos, organizar as propostas de voluntários, sensibilizar os gestores das escolas para que aceitem a participação da sociedade e trabalhar para que as atividades de fato ocorram dentro das escolas públicas.

Desejamos também fazer melhorias em nossa plataforma, investir em tecnologia e divulgação, para que o site chegue a mais estudantes de todo o Brasil. Além disso, temos custos menores com logística, telefone, contabilidade e cartório. Constantemente buscamos parcerias que nos ajudem com recursos para expandir o projeto e, como sempre, achamos que nosso maior recurso são as pessoas que apoiam a iniciativa.

Por isso, estamos abertos a doações. Ao fazer uma contribuição de qualquer valor, o apoiador também pode se tornar um associado. Basta preencher um formulário com os dados para que possamos agradecer publicamente, convidá-los a participar das reuniões e enviar relatórios com detalhes dos investimentos. O associado não tem obrigações, mas ideias e participações serão sempre muito bem-vindas.

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Nos ajude a mudar a relação entre escolas públicas e sociedade, torne-se um associado.

Tema da Redação do Enem foi pedido atendido pelo Quero na Escola em duas escolas do Rio

Pelo segundo ano consecutivo, o tema da Redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) coincidiu com pedido de estudantes atendidos no Quero na Escola. Neste ano, dois colégios do Rio de Janeiro receberam palestrantes que debateram a Intolerância Religiosa, o Missionário Mario Way, em outubro, e o Amaro Cavalcanti, em julho.

Whatsapp de aluno que viu a palestra sobre Intolerância
Whatsapp de aluno que viu a palestra sobre Intolerância

A equipe do Quero na Escola está muito satisfeita em ser um canal para os estudantes dizerem o que querem aprender e por esta prática ter provado que os alunos estão interessados em temas importantes para toda a sociedade. Soubemos do tema deste ano por um aluno que, como a maioria dos estudantes de Ensino Médio,  não prestava a prova. Foi emocionante.

No ano passado, com apenas dois meses de idade, o Quero na Escola também antecipou o tema. A pedido de uma aluna, levou feministas para ministrar a palestra Contra Machismo, no extremo sul de São Paulo. Dias depois, o Enem teve como tema da Redação a persistência da violência contra a mulher.

Eliel Silva Valcacio, 18 anos, participou da roda de conversa no Colégio Mario Way com a voluntária Tania Jandira, umbandista e membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. “Quando eu olhei o tema fiquei bem mais relaxado, porque já sabia que teria controle sobre o assunto. Eu já tinha uma visão do tema, que devemos ter respeito com todas as religiões, mas a palestra expandiu minha visão, me trouxe informações que eu nunca tinha pesquisado, e me proporcionou uma prova maravilhosa”, contou Eliel.

fraseO colégio aproveitou o evento organizado pelo Quero na Escola e fez um dia inteiro de debates sobre o tema. “Escrevi sobre a liberdade que todos temos de crer ou não em algo e que estamos protegidos pela Constituição, para que todos possam ter a sua crença e conviver em sociedade”, disse o estudante, que está no 3º ano de Ensino Médio e é protestante.

No Colégio Amaro Cavalcante, a professora Monique Sochaczewski Goldfeld, pesquisadora sobre o Oriente Médio, atendeu ao pedido e deu uma aula sobre o clima bélico da região tão sagrada e igualmente complexa.

Luis Fernando Figueiredo, 18 anos, autor do pedido no Amaro Cavalcanti, prestou o Enem e disse que a palestra o ajudou, porque explicou sobre as formas de visão e preconceito com as crenças religiosas alheias. “Como [a redação] foi mais voltada pra intolerância no Brasil eu mencionei as culturas que existem aqui de uma forma geral e os tipos de preconceitos que ocorrem”, disse.

A estudante que pediu a palestra no Mario Way, Bruna Azevedo, 17 anos, perdeu o evento, porque estava viajando. Hoje, enviou uma mensagem à nossa equipe: “Mesmo não tendo participado da palestra, fico feliz por ter escolhido este tema, que com certeza ajudou a muitos no Enem. Fiz a prova ontem e amei o tema. Obrigada mais uma vez pelo trabalho que vocês fazem”.

É interessante reforçar que em ambos os anos não foi a equipe do Quero na Escola que “acertou” o tema, mas sim os estudantes. A plataforma é aberta a pedidos por qualquer assunto e não há sugestão de um tema ou outro, foram os alunos que trouxeram. O que garantiu o atendimento foi o espaço para que fossem protagonistas, a disponibilidade das voluntárias, a quem agradecemos mais um vez, nosso trabalho em conectar todas as pontas e as gestões das escolas por permitirem a participação da sociedade.

É estudante e quer pedir uma aula diferente na sua escola? Peça em www.queronaescola.com.br

Para 92% de estudantes ouvidos, Escola Sem Partido afeta vida muito ou totalmente

Quero na Escola aplicou uma pesquisa online para saber a opinião de estudantes sobre cada item do polêmico projeto Escola Sem Partido, que tramita no Congresso Nacional e em diferentes governos estaduais. Ao todo, 82% se disseram contra a proposta e 92% responderam que a mudança afetaria sua vida “muito” ou “totalmente”.

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Como o objetivo do Quero na Escola é ampliar a voz dos alunos em debates que afetam o cotidiano escolar, perguntamos também se eles gostariam de dar entrevistas sobre este assunto: dos 107 que responderam à pesquisa, 33 se disponibilizaram e deixaram os contatos para interessados.

Entre os pesquisados, 88% disseram que já haviam ouvido falar no Escola Sem Partido. Para ajudá-los a conhecer melhor a proposta, cada pergunta trazia itens do texto em análise na Câmara dos Deputados.

Os estudantes são especialmente contra o item que limita a atuação dos próprios alunos em relação aos temas de que trata a projeto. O trecho “não permitirá que os direitos assegurados nos itens anteriores sejam violados pela ação de estudantes ou terceiros, dentro da sala de aula”, foi considerado errado por 95% dos que responderam.

escola-sem-partido-2Para 90% também está errado o artigo que impõe que a escola “respeitará o direito dos pais dos alunos a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com as suas próprias convicções”. Os estudantes definitivamente querem ter outras influências além dos pais e reforçam isso quando o mesmo item aparece entre os princípios do projeto e tem aprovação de apenas 11%.

Os alunos defendem ainda que os professores devem ter opinião sobre os assuntos sobre o qual ensinam (89%) e dizem que quando os educadores dividem suas opiniões e experiências isso ajuda na aula (84%). Outro item que teve maioria contrária foi a proposta de que a escola não fale sobre gênero. Para 76% o projeto está errado, ou seja, o assunto deveria ser abordado dentro da escola.

Em outros itens listados como preceitos do projeto, “liberdade de aprender e ensinar”, “pluralismo de ideias no ambiente acadêmico” e “liberdade de consciência e de crença”, a maioria dos estudantes se colocou favorável, apontando que a contrariedade está ligada às questões limitadoras do projeto.

Veja todo o questionário com os resultados aqui 

Quero na Escola é uma plataforma gratuita e aberta a qualquer estudante adolescente para que digam o que gostariam de aprender dentro de suas escolas públicas, além do currículo. As informações são organizadas no site por escola e assunto para que qualquer pessoa com o conhecimento pedido possa se inscrever para ajudar. Depois nós conectamos as duas pontas e facilitamos o agendamento de visitas às escolas.

Pedidos de contatos dos estudantes para entrevistas e outras informações pelo email central@queronaescola.com.br

Veja todas as notícias sobre encontros de voluntários com alunos em Notícias do Quero na Escola.