Uma aula sobre a complexidade do Oriente Médio

O pedido por uma palestra sobre Intolerância Religiosa de um aluno do Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, no Rio de Janeiro ao Quero na Escola, motivou a professora Monique Sochaczewski Goldfeld, pesquisadora do Oriente Médio, a conversar com os alunos sobre essa região tão sagrada e igualmente complexa.

Na última sexta-feira (15), Monique deu uma aula sobre os principais conflitos, a coexistência de diferentes etnias, religiões, e grupos terroristas, como o Estado Islâmico, com a ajuda de mapas. “Estão ficando tontos? É para ficar, porque é muito complexa a região”, brincou Monique durante a aula.

IMG_2185Os estudantes se interessaram principalmente sobre a guerra civil na Síria e sobre o grupo terrorista Estado Islâmico. “Nós analistas acreditamos que ainda vamos ouvir falar muito deles”, disse Monique, que dá aulas na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e cursos na Casa do Saber.

Monique explicou que, diferentemente da Al Qaeda, o Estado Islâmico tem territórios e recursos financeiros, conquistados pela venda de petróleo, de relíquias históricas no mercado negro, pela cobrança de impostos nas cidades dominadas, e pelo pagamento de resgates de sequestrados, entre outras fontes de renda.

No dia anterior a palestra, havia acontecido um atentado na França com um caminhão, que atropelou uma multidão, deixando cerca de 90 pessoas mortas em Nice, no sul do país. “O que aconteceu ontem em Nice é algo que a gente fica desesperado quando estuda o terrorismo, que é o lobo solitário, alguém que se inspira naquela ideologia e você não tem como prever”, analisou completando que o atentado em uma boate gay de Orlando, nos Estados Unidos, também parecia ter o perfil de ação de lobo solitário.

Luis Fernando Figueiredo, de 18 anos, autor do pedido no site do Quero na Escola, estava pensando em um debate sobre Intolerância Religiosa, com representantes de diversas religiões, “do budismo ao satanismo”, mas achou interessante a palestra com foco no Oriente Médio: “Tirei algumas dúvidas e gostei da parte sobre o Estado Islâmico”.

A estudante Bruna Silva de Souza, de 17 anos, pretende cursar Relações Internacionais e gostou de poder se aprofundar no Oriente Médio na escola. “Nós do Ensino Médio não temos essa questão em sala de aula, mal estudamos o Brasil, imagine países diferentes com culturas diferentes”, disse.

“Aprendi bastante principalmente em relação à Síria, que me interessa porque minha avó é de lá. Gostaria que as matérias fossem assim mais dinâmicas, sobre esses temas, porque os alunos aprenderiam bem mais do que só copiar o que está no quadro”, disse Thaís Correia, de 19 anos.

Para a voluntária, que está acostumada a dar aulas para pós-graduação, foi um desafio falar com estudantes de ensino médio. “Adorei, mas senti que talvez devesse ter feito algo mais na linguagem deles. Como em qualquer turma tinha alguns mais interessados na frente, perguntando, e outros menos. Eles leem, veem jornalistas falando na imprensa análises e é uma oportunidade de ter um tempo maior para elaborar as coisas”, avaliou.

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