Pedido no Quero na Escola vira dia de palestras no teatro municipal de Severínia

Mais de duzentos estudantes, professores e moradores de Severínia, no interior de São Paulo, lotaram o Teatro Municipal da cidade para assistir a três palestras sobre carreiras profissionais no dia 28 de junho. O ponto de partida para o evento foi a inscrição do estudante de Medicina Veterinária da Unesp, Caio Gonçales, ao pedido de um aluno no Quero na Escola.

O voluntário que mora em Rio Preto se sensibilizou porque, além de Severínia ser sua cidade natal para onde ainda costuma voltar nos fins de semana, ele mesmo estudou na Escola Municipal Esmeralda Duarte da Silva durante o ensino fundamental. Quando soube da coincidência, a professora de Artes, Graziele Chianpesan, pensou em chamar outros profissionais que estudaram lá para compartilhar sobre suas profissões. Conseguiu reforço de um profissional de tecnologia da informação e de um procurador de justiça.

O evento foi crescendo e precisou de um espaço maior. Veio a ideia do Teatro. “A diretora nem acreditava que os estudantes iriam sendo fora da escola!”, conta a professora, feliz com o sucesso do evento.

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Teatro Municipal de Severínia lotado para assistir às palestras

A estudante Karoline Cardoso, que assistiu às três palestras, conta ter ficado surpresa com as possibilidades da Medicina Veterinária e se sentiu inspirada após as apresentações:

“Achei importante o fato dos palestrantes terem comentado além de suas carreiras profissionais, alguns fatos de suas vidas pessoais, como ter conseguido alcançar uma boa profissão, tendo estudado em escola pública, o que muita gente acredita que seja impossível”.

Caio conta que viveu diferentes emoções no palco. “Não sei descrever a experiência que tive, um orgulho de voltar ao lugar que ajudou a construir o cidadão que sou hoje, poder passar para os alunos o que aprendi na universidade, mostrar para eles as inúmeras áreas que o médico veterinário pode atuar”. Ele tirou dúvidas em relação as disciplinas da faculdade e falou sobre bem estar animal e como lidar com os bichos. “Foi tudo muito gratificante!”.

Quer ver os outros pedidos que ainda esperam voluntários na EMEF Esmeralda Duarte da Silva? É só entrar na página da escola no site e ver no que pode ajudar.

O Quero na Escola é para o estudante dizer o que mais gostaria de aprender na escola além do grade curricular. Os pedidos ficam a disposição de voluntários que podem querer compartilhar conhecimento sobre aquele assunto. Veja exemplos no site.

Especialistas em Recursos Humanos vão à escola falar de como procurar emprego

Especialista em ajudar empresas a potencializar sua seleção de pessoas, Denise Maia, atuou em outra ponta nesta semana. Como voluntária do Quero na Escola, foi a Escola Estadual Residencial Jardim Bambi, em Guarulhos, ensinar jovens a dar os primeiros passos rumo na busca de vagas.

O pedido, assim como outros de Orientação Vocacional e Profissões específicas, estão em alta no site. A Escola Estadual Residencial Jardim Bambi, foi inclusive a que estrelou a matéria sobre o projeto no programa Como Será?.

“O LinkedIn é uma ferramenta legal para eles, mas eles nunca tinham ouvido falar. Foi muito legal porque é um mundo novo, mostrei o perfil que criei para o meu sobrinho, da idade deles que nunca trabalhou e pesquisei algumas empresas de Guarulhos para eles verem como encontrar as vagas”, conta Denise, que é especialista na plataforma. Ela deixou um desafio: “vocês vão criar um perfil desse jeito que mostrei e se conectar com ao menos 10 pessoas, uma delas pode ser eu. Daqui um tempo eu volto aqui e podemos fazer algo mais mão na massa a partir disso”.

O Edgard Jardel, estudante do segundo ano do Ensino Médio, autor do pedido no site, já começou a cumprir o combinado: “Criei um cadastro, e pra minha surpresa já tenho algumas conexões. Explorei o app e achei muito interessante e útil, sem contar que achei muitos amigos e conhecidos meus que já utilizavam.”

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Voluntários com estudante Edgard Jardel, que fez o pedido para sua escola

Onde você se vê daqui a dois anos?

Além de falar do currículo, também foi abordada a questão da tão temida entrevista de emprego. Denise contou com a ajuda de seu amigo e advogado, José Barreto, para explicar o que espera o empregador nesse momento e mostrar algumas perguntas frequentes.

“Uma das meninas que assistia se destacou. Explicamos que os entrevistadores costumam perguntar: onde você se vê daqui a dois anos? E ela falou para o José: me vejo trabalhando na sua empresa! Depois da palestra ela até veio falar com a gente se tinha vaga de jovem aprendiz nas empresas em que trabalhamos. Foi muito bacana ver esse interesse e iniciativa!”.

E iniciativa não está faltando nesses jovens. Quando Denise perguntou quem já tinha feito entrevistas, alguns compartilharam e experiência de já estar trabalhando e outros, como Edgard, se mostraram interessados em vagas de Jovem Aprendiz, porém, ainda há dúvidas sobre o funcionamento de programas desse tipo. “Tenho procurado vagas no LinkedIn, até agora não achei nenhuma na minha cidade, mas tenho certeza que não vai demorar muito pra eu achar”, contou Edgard, que também disse ter ficado com diversas dúvidas após sua primeira entrevista para uma vaga desse tipo.

Fica então o chamado: os estudantes estão querendo saber mais sobre como funcionam os programas de Jovem Aprendiz. Trabalha em uma empresa que tem vagas desse tipo ou conhece alguém que entende tudo desse tema? É só se inscrever na página da escola lá no site.

Estudante de Astronomia mostra imensidão do universo a alunos de escola pública no Jardim Irene, em SP

Na manhã da última sexta-feira (9), cerca de 30 alunos do terceiro ano da Escola Estadual Professor Ronaldo Garibaldi Peretti, no Jardim Irene, em São Paulo (SP), desceram os degraus do prédio e foram até a sala de vídeo para uma aula especial. O professor, que pisava ali pela primeira vez, era apenas alguns anos mais velho do que eles. E o tema era daqueles que fascinam a humanidade há muito, muito tempo: astronomia.

A primeira atividade do Quero na Escola na Ronaldo Garibaldi Peretti aconteceu graças ao aluno Adkuesley Ferreira Silva, 17 anos, que descobriu o projeto navegando no Facebook. Muito interessado por planetas, estrelas e galáxias, ele queria confirmar o desejo de seguir carreira de astrônomo e fez seu cadastro no site, mas sem grandes esperanças. “Achei que não fosse dar certo ou que fosse demorar”, afirmou.

No entanto, não levou muito tempo para que aparecesse um voluntário: Gabriel Lanzillotta, 20 anos, estudante de Astronomia da Universidade de São Paulo (USP), que foi do Alto do Ipiranga até o Jardim Irene conversar com Adkuesley [à esquerda na foto, de camiseta azul] e seus colegas.

A apresentação super informativa preparada por Gabriel incluía tanto imagens espetaculares quanto gifs e animações que divertiram os alunos. Em tom informal, ele buscou mostrar a imensidão do universo e as infinitas possibilidades de estudos e descobertas. “A astronomia é uma experiência de humildade”, disse. “Você vê o todo, e se vê muito pequeno.”

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Gabriel respondeu questões gerais, como o que é astronomia e o que ela estuda, e outras mais específicas. O que é um buraco negro? Por que o homem coloca satélites no espaço? Do que são feitos os anéis de Saturno?

Sentado à plateia, Adkuesley respondeu várias questões corretamente. “Eu pesquiso sobre o tema, leio algumas coisas”, contou o aluno, que aprovou a experiência com o Quero na Escola. “Adorei a palestra e agora estou com ainda mais vontade de fazer faculdade de Astronomia.”

Quando parte da turma já voltava para a sala de aula, Adkuesley aproveitou para conversar mais um pouquinho com Gabriel e tirar dúvidas sobre o vestibular e o conteúdo do curso, que exige bastante conhecimento de matemática e física. Além disso, dominar a língua inglesa facilita o acesso às informações e pesquisas de outros países.

O voluntário também avaliou a experiência como bastante positiva. “Foi interessante e surpreendente, tanto na recepção que me deram quanto no interesse que tinham”, avaliou.

Assim como Adkuesley, outros estudantes podem levar aulas diferentes para as escolas públicas nas quais estudam. É só acessar www.queronaescola.com.br e se cadastrar!

 

 

 

Com desafio de aviões de papel, gestor fala sobre Administração em escola de Guarulhos

Um desafio de aviões de papel para explicar como é a carreira de Administração? Foi essa a dinâmica proposta pelo gestor e contador Daniel Rocha, que foi bater um papo sobre a área com os alunos da Escola Estadual Professor Hernani Furini, em Guarulhos (SP), atendendo a um pedido feito pelo grêmio estudantil ao Quero na Escola.

“Vocês vão se dividir em grupos que vão ser companhias aéreas. O desafio é: criar um nome para essa companhia e me dizer quantos aviões vocês acham que conseguem produzir em dois minutos”, propôs Daniel. “Mas prestem atenção: cada avião precisa ter seis janelas, duas portas e o logo nas duas asas!”

O desafio foi lançado após Daniel ter falado sobre as principais características da área administrativa e os possíveis rumos de quem escolhe a carreira. Os adolescentes se engajaram na proposta e perceberam que não é fácil planejar e prospectar os resultados de uma empresa.

“A gente não definiu a quantidade ou qualidade e não viu o que cada um sabia fazer para fazer bem rápido”, disse uma aluna, dando o feedback de seu grupo. Este, aliás, foi o problema da maioria dos grupos: “Todos sabiam fazer, mas a gente não dividiu quem faria a janela, quem faria o logo etc”, compartilhou outro aluno.

Veja como foi a atividade:

O pessoal do grêmio da EE Prof. Hernani Furini está com diversos outros pedidos no ar! Dá uma olhada na página da escola  para ver se pode ajudar em algum deles 🙂

 

Professora de espanhol fala sobre a importância do idioma e dá dicas de como aprender sem fazer curso

¿Me entendéis? Quem quer que eu continue falando espanhol?”, perguntou Irene Reis Santos à turma da Escola José Cândido, no bairro da Pompeia, em São Paulo, depois de se apresentar como voluntária. Ela visitou a escola após pedido feito no Quero na Escola e falou na língua estrangeira sob olhares atentos dos estudantes.

O pedido por uma introdução ao idioma foi da aluna Safyra Campos Rego, estudante do 9º ano: “Minha tia falava um pouco de espanhol e eu gostava muito de ouvir. E também em algumas séries, eu era apaixonada por Violetta (personagem de novela argentina, famosa no Brasil entre 2012 e 2015)”, conta a aluna.

Os estudantes seguiram acompanhando boa parte da apresentação ouvindo a professora falar espanhol. Uma forma de Irene mostrar a eles que não é tão difícil assim aprender, para nós que somos brasileiros: “Eu comecei o encontro em espanhol e vocês entenderam, né? Se fosse em alemão, aí a coisa já seria mais difícil”, diz ela.

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Irene é professora de espanhol, já morou na Espanha, é a representante no Brasil do CIPI – Consejo Independiente de Protección de la Infancia e faz mestrado no Uruguai. Para a atividade, procurou trazer não só o ensino da língua, mas também falar sobre a importância de se falar o idioma – o 2º mais falado no mundo -, por conta das empresas espanholas ou latino-americanas que valorizam profissionais que sabem o idioma e falou das diferenças culturais entre povos hispanohablantes.

A professora indicou sites, aplicativos, dicionários online e deixou à disposição seu próprio perfil do Facebook para ajudar que os estudantes busquem saber mais sobre a língua e se desenvolvam. “Todo dia tem que dar um estímulo para seu cérebro. É muito fácil ver e ouvir coisas em espanhol no YouTube ou configurar o videogame em outra língua”, foram algumas de suas dicas.

A experiência foi aprovada por Ana Maria Assunção, coordenadora da escola, que acompanhou a aula da primeira turma: “É interessante porque às vezes o estudante nem tinha pensado em aprender aquela língua e, quando vê alguém falando, percebe que consegue entender, pode se interessar mais, ver que é possível”.

Logo as dúvidas dos estudantes começaram a aparecer: “Meu primo falou uma coisa engraçada. Que pelado em espanhol é careca, é verdade?” ou “Por que no espanhol tem ponto de interrogação no começo e no fim da pergunta?”. Irene respondeu cada uma das questões e desmistificou algumas ideias sobre o aprendizado de línguas estrangeiras.

Na turma do 9º ano as dúvidas giraram mais em torno dos acentos diferentes e modos de pronúncia do Espanhol. “A produção de som do português é mais difícil que a do espanhol”, disse ela, fazendo alguns exercícios sonoros com os alunos para mostrar as diferenças na hora de falar as vogais em cada idioma. 

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Irene propondo alguns exercícios sonoros para os estudantes do 9º ano

Entre os estudantes que estavam experimentando os sons e palabras do espanhol, uma aluna se destaca: já faz curso de Espanhol há mais de um ano. “O meu pai estudou na UNILA (Universidade Federal da Integração Latino-Americana, em Foz do Iguaçu) e ele estuda pra caramba. Ele tem todo aquele conhecimento hispânico. Depois disso, nós viajamos para a Argentina, eu tinha 10 ou 9 anos e me interessei bastante”, contou Cristel Masterson. “Depois nós achamos um curso gratuito em um CEU perto daqui e eu estou estudando”.

Cristel reforçou um pedido que fez há algum tempo e que, inclusive, estampa a página inicial de nosso site: aulas de jazz. Já Safyra está aguardando voluntários para um pedido de outra língua ainda mais ousada: o Coreano.

Veja todos os pedidos da Escola José Candido em sua página do Quero na Escola. Quem sabe você não pode ajudar em algum?

Profissional de TI fala da área e de inovação tecnológica em escola pública de Itapevi

O Quero na Escola estreou em mais uma escola do município de Itapevi – já são quatro com pedidos na região – com um tema que envolve toda a sociedade, mas principalmente os jovens: tecnologia. A solicitação por uma conversa com um profissional de TI foi feita  por Wender Alves Oliveira, aluno do terceiro ano da Escola Estadual Nacif Amin Chalupe, que pretende seguir carreira na área da computação. “Pedi mesmo para mudar a rotina”, contou.

De fato, a apresentação do voluntário Bruno Abdelnur – formado em Ciência da Computação e desenvolvedor mobile – mudou mesmo a dinâmica das duas turmas de terceiro ano. Em cerca de meia hora, ele traçou um panorama das inovações atuais e dos principais agentes de mudança quando se trata de novas tecnologias: Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg.

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Bruno falou de algumas das invenções de Elon Musk

Porém, foi o quarto personagem mostrado que mais gerou curiosidade: “E aí, vocês sabem quem é esse cara?”, perguntou o voluntário à turma. “Já que a NASA estava sem dinheiro para fazer viagens, esse cara, o Elon Musk, criou a SpaceX. O sonho dele é morar em Marte”, explicou Bruno sobre a trajetória do famoso engenheiro e inventor, comentando também sobre seus projetos de energia solar e carros autodirigidos.

Para mostrar que a conversa  tinha muito mais de presente do que de futuro, Bruno levou seu óculos de realidade virtual para fazer uma demonstração com os alunos interessados. E, claro, foi um sucesso e uma disputa para ver quem usava primeiro os óculos, que passavam uma simulação do espaço, deixando todos se sentindo como astronautas.

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Até Cristiana, a coordenadora, quis entrar na brincadeira e ver como funcionavam os óculos.

O lado profissional

Sabendo que o pedido dos alunos era mais voltado ao mercado de trabalho de Tecnologia da Informação, Bruno também levou alguns dados sobre os cursos de formação nesse meio e sobre a carreira. “Acho que o ideal é começar com um curso técnico, que já vai te dar alguns conhecimentos básicos de programação, por exemplo, para começar a trabalhar”, comentou. “Depois, o ideal é fazer uma graduação ou especialização, dependendo da área em que quiser atuar”.

Alguns alunos demonstraram interesse em seguir essa carreira, principalmente na parte da computação ligada à eletrônica. ” Amo eletrônica, solda, componentes e circuitos, essas coisas. Fiz um curso de aprendizagem industrial e assistia algumas aulas do Técnico. Gosto muito da parte física, plaquinhas, celular… acho fascinante”, contou Ingrid Pereira dos Santos, uma das alunas que também fez solicitações  ao Quero na Escola.

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Depois da apresentação já surgiram novos pedidos de estudantes da escola, principalmente relacionados a carreiras profissionais: Medicina e Veterinária, por exemplo. Dê uma olhada na página da escola para conhecer todos os pedidos e se inscrever.

Jovem leva aula de Breaking para escola onde estudou em Itapevi

Veja como essa atividade na Escola Estadual Maria Soares, em Itapevi, foi especial: Quando a Ellen Silva solicitou uma atividade de Dança no Quero na Escola, ela não sabia que seria a primeira aluna do País a ter seu pedido atendido nesse tema! A estudante, inclusive, nem especificou o que gostaria de aprender, mas foi atendida por alguém que domina justamente o estilo pelo qual tinha mais interesse: o Breaking.

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Yuri contando um pouco de sua história antes de começar a aula

O voluntário Yuri Paschoal –  ou Sensui Bboy, como é conhecido no meio artístico – é ex-aluno da escola e dançarino de breaking desde 2012. Ele também dá aulas da modalidade em um projeto gratuito à comunidade, promovido pela Prefeitura de Itapevi.

“Meu primeiro contato com a dança foi aos oito anos, vendo parentes dançando variados estilos em reuniões de família. Depois disso fui vendo na TV, internet etc.”, conta. “Fui me interessando pela dança em geral. Com o tempo, fui conhecendo mais o hip hop e suas danças urbanas. Fui treinando popping, hip-hop freestyle e breaking durante minha infância e pré-adolescência, levando como uma brincadeira entre amigos.”

Pelo jeito essa é uma prática comum na região: logo no começo da atividade, os alunos já apontaram quem eram as dançarinas e os dançarinos da turma do nono ano. Giovana, por exemplo, dança desde os seis anos, já ganhou o campeonato da escola e não tem um estilo específico – domina alguns, mas gosta de dançar todos. Já a Melissa dança free-step há quatro anos, mas ficou acanhada de dar uma palhinha para o pessoal durante a atividade.

Toda a turma acompanhou a demonstração e quinze estudantes mais desinibidos toparam participar da aula. Yuri ensinou alguns passos básicos e foi formando uma coreografia com o grupo. No final, eles já estavam fazendo grande parte sozinhos.

Mais do que uma aula de dança, Yuri mostrou ser possível fazer carreira dentro dessa área: “Com 15 anos eu já tinha uma ideia melhor sobre a dança, escolhi o breaking como minha dança principal e levo ela até hoje como trabalho. Tenho um projeto com amigos  em Itapevi, chamado Wu-gang’z Project, e o United Soul Dance, um grupo de street dance da nossa região, em que passamos informação sobre o hip hop e suas danças urbanas.”

A Ellen, assim como outros estudantes mais interessados pela dança, pegaram o contato de Yuri para frequentar suas aulas e sugeriram que a atividade volte a acontecer aos sábados. A escola também está recebendo aulas de Educação Financeira no perídoo da noite e aguarda inscrições para diversos outros pedidos, que você pode ver em sua página do Quero na Escola.

E essa atividade tão cheia de novidades já resultou em outro pedido, da cidade vizinha, Barueri, por aulas de Breaking. Pode ajudar? Só se inscrever aqui.

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Aeromoças atendem aluna e falam de rotina e profissão em escola

Uma à paisana, uma com uniforme completo da Gol, outra com todo o traje da Latam. Foi assim que as comissárias de bordo Michele Consorti, Anaí Martin e Ariadne Francini visitaram a escola estadual Anecondes Alves Ferreira, em Diadema, para falar da profissão e da vida entre um voo e outro.

As três conversaram com 50 alunos por mais de três horas. Elas se voluntariaram para a palestra após o pedido de Naieslei Lancaster pelo Quero na Escola. Aos 17 anos, a jovem já pensava em ser aeromoça e agora tem certeza. “Foi maravilhoso, elas tiraram todas as dúvidas que eu tinha, falaram da vida pessoal, me deram as dicas. Fiquei muito feliz”, conta.

Amigas muito próximas, apesar de voarem em companhias aéreas “rivais”, Anaí e Ariadne vieram juntas de Mogi das Cruzes para a atividade. “Conseguimos conciliar as folgas, autorização das empresas para usar o uniforme e foi uma satisfação. Não pensei que fossem ter tantas perguntas”, comenta Anaí.

Michele, que mora em São Bernardo do Campo, fez uma pausa na carreira há cinco anos, quando a filha era bebê e ela queria estar mais perto da criança. A rotina diferente do padrão foi um dos temas mais comentados, assim como salário, destinos, treinamento, medos e curiosidades. Assista alguns trechos acima.

O Quero na Escola é uma ferramenta aberta a qualquer estudante para que peçam atividades em suas escolas públicas que não constem do currículo. Podem ser assuntos para uma atividade, oficina ou palestra.

Psicóloga fala sem tabus sobre sexualidade em escola de Parelheiros

“Quem aqui já foi feito de trouxa?” perguntou, causando muitas risadas, a psicóloga especializada em gênero Elânia Francisca para a turma do terceiro ano da Escola Estadual Paulino Nunes Esposo em Parelheiros, no extremo sul de São Paulo. “Então, ninguém escolhe ser feito de trouxa, né, gente? Certamente foi algum desejo que te levou a ficar com alguém que acabou te fazendo de trouxa depois. E é assim com a identidade de gênero”.

Esse foi o jeito descontraído que ela usou para explicar o que chama de “três pilares da sexualidade”: sexo biológico, identidade de gênero e orientação afetivo-sexual. E assim começou uma discussão sem tabus, perguntando aos estudantes com qual idade eles achavam que uma pessoa começava a ter sexualidade. “Quando acha que está pronto”, disse um. “Quando se interessa por alguém”, disse outra. “Quando nasce”, disse outra, se aproximando da resposta. E Elânia matou a questão: “A sexualidade começa ainda no desenvolvimento, dentro da barriga. Só é preciso ter um corpo para ter sexualidade. Todos nós temos”.

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Elânia levantou temas sérios de forma descontraída (olha a risada da turma!)

Daí, já ficou mais fácil partir para a explicação sobre sexo biológico, o corpo com o qual cada um nasce. “Com pênis, vagina ou intersexo, mas [isso] não diz quem eu sou”, ela explicou. E é aí que entra a orientação afetivo-sexual e da identidade de gênero.

O país que mais mata LGBTs no mundo

Elânia afirmou que o Brasil é o país que mais mata integrantes da comunidade LGBT não apenas para chocar, mas também para explicar a identidade de gênero: CIS (nasceu mulher e se sente mulher) ou TRANS (nasceu mulher mas se sente homem). “Nós temos que pensar na condição das pessoas trans, porque elas vão passar por situações que eu, que sou cis, jamais vou passar”, ela alertou. “A gente precisa entender a identidade para entender e respeitar a diversidade”, completou.

Orientação sexual não é opção e deve ser respeitada. Se eu sou menina e me chamo Elânia, precisam me respeitar me chamando pelo nome que eu quero, e isso deve ser respeitado sempre, está na lei.”

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A psicóloga fez um esquema na lousa para ilustrar os conceitos que explicava

“Quem aqui conhece Liniker e Maria Gadu?”, perguntou Elânia antes de introduzir um último tópico para não deixar dúvidas: a expressão de gênero. Os estudantes se mostraram fãs de ambos, e ainda citaram outras celebridades como Pablo Vittar, uma famosa cantora e drag queen, e a funkeira MC Linn da Quebrada. Elânia explicou então que a expressão de gênero não está necessariamente relacionada à identidade de gênero, são apenas os estereótipos que costumam determinar o que é de homem ou de mulher. Por exemplo, um homem pode ser drag queen – algo associado à expressão de gênero feminina – mas ainda assim ser cis e sentir atração por mulheres.

Um desfecho mais sério

Quando Elânia abriu para perguntas, as dúvidas que acabaram guiando o restante da conversa foram relacionadas a temas como a pedofilia e a hebifilia (adultos que se atraem por adolescentes). A psicóloga deixou claro que quem sofre de um transtorno como esses precisa se tratar, buscar ajuda médica.

Mas fez a ressalva: “Não podemos confundir isso com o componente cultural machista do homem que se sente atraído por meninas mais novas, porque nossa sociedade valoriza o corpo feminino jovem e eles sabem que será mais fácil de ludibriar uma criança ou adolescente”. Ou seja, nem sempre casos assim são um distúrbio, e todos eles são considerados crime.

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A atividade foi resultado da inscrição do Wesley Marques no Quero na Escola, por ser estudante da manhã, ele não conseguiu chegar à tempo para a atividade que foi à noite, mas já estamos providenciando um repeteco! “Muito obrigado por terem ido! Todos elogiaram muito e estão apaixonados pelo projeto!”, foi a mensagem que ele nos enviou, feliz por ter levado o tema a seus colegas.

2.jpg“Muitas coisas que falaram aqui eu nunca tinha ouvido falar”, nos contou Maria Eduarda da Silva, uma das alunas mais participativas durante a atividade, fazendo inclusive um esquema de tudo que foi falado. “Aqui na escola essa discussão é bem aberta, mas ainda assim, muitas pessoas não têm acesso a essas informações”.
Agora, esses estudantes já querem mais: logo depois da atividade chegaram pedidos para conversas sobre Feminismo, Racismo e Diversidade Religiosa. Acha que pode ajudar? É só se inscrever no site e depois entrar na página da escola.