Estudante de Astronomia mostra imensidão do universo a alunos de escola pública no Jardim Irene, em SP

Na manhã da última sexta-feira (9), cerca de 30 alunos do terceiro ano da Escola Estadual Professor Ronaldo Garibaldi Peretti, no Jardim Irene, em São Paulo (SP), desceram os degraus do prédio e foram até a sala de vídeo para uma aula especial. O professor, que pisava ali pela primeira vez, era apenas alguns anos mais velho do que eles. E o tema era daqueles que fascinam a humanidade há muito, muito tempo: astronomia.

A primeira atividade do Quero na Escola na Ronaldo Garibaldi Peretti aconteceu graças ao aluno Adkuesley Ferreira Silva, 17 anos, que descobriu o projeto navegando no Facebook. Muito interessado por planetas, estrelas e galáxias, ele queria confirmar o desejo de seguir carreira de astrônomo e fez seu cadastro no site, mas sem grandes esperanças. “Achei que não fosse dar certo ou que fosse demorar”, afirmou.

No entanto, não levou muito tempo para que aparecesse um voluntário: Gabriel Lanzillotta, 20 anos, estudante de Astronomia da Universidade de São Paulo (USP), que foi do Alto do Ipiranga até o Jardim Irene conversar com Adkuesley [à esquerda na foto, de camiseta azul] e seus colegas.

A apresentação super informativa preparada por Gabriel incluía tanto imagens espetaculares quanto gifs e animações que divertiram os alunos. Em tom informal, ele buscou mostrar a imensidão do universo e as infinitas possibilidades de estudos e descobertas. “A astronomia é uma experiência de humildade”, disse. “Você vê o todo, e se vê muito pequeno.”

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Gabriel respondeu questões gerais, como o que é astronomia e o que ela estuda, e outras mais específicas. O que é um buraco negro? Por que o homem coloca satélites no espaço? Do que são feitos os anéis de Saturno?

Sentado à plateia, Adkuesley respondeu várias questões corretamente. “Eu pesquiso sobre o tema, leio algumas coisas”, contou o aluno, que aprovou a experiência com o Quero na Escola. “Adorei a palestra e agora estou com ainda mais vontade de fazer faculdade de Astronomia.”

Quando parte da turma já voltava para a sala de aula, Adkuesley aproveitou para conversar mais um pouquinho com Gabriel e tirar dúvidas sobre o vestibular e o conteúdo do curso, que exige bastante conhecimento de matemática e física. Além disso, dominar a língua inglesa facilita o acesso às informações e pesquisas de outros países.

O voluntário também avaliou a experiência como bastante positiva. “Foi interessante e surpreendente, tanto na recepção que me deram quanto no interesse que tinham”, avaliou.

Assim como Adkuesley, outros estudantes podem levar aulas diferentes para as escolas públicas nas quais estudam. É só acessar www.queronaescola.com.br e se cadastrar!

 

 

 

Professora de espanhol fala sobre a importância do idioma e dá dicas de como aprender sem fazer curso

¿Me entendéis? Quem quer que eu continue falando espanhol?”, perguntou Irene Reis Santos à turma da Escola José Cândido, no bairro da Pompeia, em São Paulo, depois de se apresentar como voluntária. Ela visitou a escola após pedido feito no Quero na Escola e falou na língua estrangeira sob olhares atentos dos estudantes.

O pedido por uma introdução ao idioma foi da aluna Safyra Campos Rego, estudante do 9º ano: “Minha tia falava um pouco de espanhol e eu gostava muito de ouvir. E também em algumas séries, eu era apaixonada por Violetta (personagem de novela argentina, famosa no Brasil entre 2012 e 2015)”, conta a aluna.

Os estudantes seguiram acompanhando boa parte da apresentação ouvindo a professora falar espanhol. Uma forma de Irene mostrar a eles que não é tão difícil assim aprender, para nós que somos brasileiros: “Eu comecei o encontro em espanhol e vocês entenderam, né? Se fosse em alemão, aí a coisa já seria mais difícil”, diz ela.

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Irene é professora de espanhol, já morou na Espanha, é a representante no Brasil do CIPI – Consejo Independiente de Protección de la Infancia e faz mestrado no Uruguai. Para a atividade, procurou trazer não só o ensino da língua, mas também falar sobre a importância de se falar o idioma – o 2º mais falado no mundo -, por conta das empresas espanholas ou latino-americanas que valorizam profissionais que sabem o idioma e falou das diferenças culturais entre povos hispanohablantes.

A professora indicou sites, aplicativos, dicionários online e deixou à disposição seu próprio perfil do Facebook para ajudar que os estudantes busquem saber mais sobre a língua e se desenvolvam. “Todo dia tem que dar um estímulo para seu cérebro. É muito fácil ver e ouvir coisas em espanhol no YouTube ou configurar o videogame em outra língua”, foram algumas de suas dicas.

A experiência foi aprovada por Ana Maria Assunção, coordenadora da escola, que acompanhou a aula da primeira turma: “É interessante porque às vezes o estudante nem tinha pensado em aprender aquela língua e, quando vê alguém falando, percebe que consegue entender, pode se interessar mais, ver que é possível”.

Logo as dúvidas dos estudantes começaram a aparecer: “Meu primo falou uma coisa engraçada. Que pelado em espanhol é careca, é verdade?” ou “Por que no espanhol tem ponto de interrogação no começo e no fim da pergunta?”. Irene respondeu cada uma das questões e desmistificou algumas ideias sobre o aprendizado de línguas estrangeiras.

Na turma do 9º ano as dúvidas giraram mais em torno dos acentos diferentes e modos de pronúncia do Espanhol. “A produção de som do português é mais difícil que a do espanhol”, disse ela, fazendo alguns exercícios sonoros com os alunos para mostrar as diferenças na hora de falar as vogais em cada idioma. 

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Irene propondo alguns exercícios sonoros para os estudantes do 9º ano

Entre os estudantes que estavam experimentando os sons e palabras do espanhol, uma aluna se destaca: já faz curso de Espanhol há mais de um ano. “O meu pai estudou na UNILA (Universidade Federal da Integração Latino-Americana, em Foz do Iguaçu) e ele estuda pra caramba. Ele tem todo aquele conhecimento hispânico. Depois disso, nós viajamos para a Argentina, eu tinha 10 ou 9 anos e me interessei bastante”, contou Cristel Masterson. “Depois nós achamos um curso gratuito em um CEU perto daqui e eu estou estudando”.

Cristel reforçou um pedido que fez há algum tempo e que, inclusive, estampa a página inicial de nosso site: aulas de jazz. Já Safyra está aguardando voluntários para um pedido de outra língua ainda mais ousada: o Coreano.

Veja todos os pedidos da Escola José Candido em sua página do Quero na Escola. Quem sabe você não pode ajudar em algum?

Profissional de TI fala da área e de inovação tecnológica em escola pública de Itapevi

O Quero na Escola estreou em mais uma escola do município de Itapevi – já são quatro com pedidos na região – com um tema que envolve toda a sociedade, mas principalmente os jovens: tecnologia. A solicitação por uma conversa com um profissional de TI foi feita  por Wender Alves Oliveira, aluno do terceiro ano da Escola Estadual Nacif Amin Chalupe, que pretende seguir carreira na área da computação. “Pedi mesmo para mudar a rotina”, contou.

De fato, a apresentação do voluntário Bruno Abdelnur – formado em Ciência da Computação e desenvolvedor mobile – mudou mesmo a dinâmica das duas turmas de terceiro ano. Em cerca de meia hora, ele traçou um panorama das inovações atuais e dos principais agentes de mudança quando se trata de novas tecnologias: Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg.

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Bruno falou de algumas das invenções de Elon Musk

Porém, foi o quarto personagem mostrado que mais gerou curiosidade: “E aí, vocês sabem quem é esse cara?”, perguntou o voluntário à turma. “Já que a NASA estava sem dinheiro para fazer viagens, esse cara, o Elon Musk, criou a SpaceX. O sonho dele é morar em Marte”, explicou Bruno sobre a trajetória do famoso engenheiro e inventor, comentando também sobre seus projetos de energia solar e carros autodirigidos.

Para mostrar que a conversa  tinha muito mais de presente do que de futuro, Bruno levou seu óculos de realidade virtual para fazer uma demonstração com os alunos interessados. E, claro, foi um sucesso e uma disputa para ver quem usava primeiro os óculos, que passavam uma simulação do espaço, deixando todos se sentindo como astronautas.

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Até Cristiana, a coordenadora, quis entrar na brincadeira e ver como funcionavam os óculos.

O lado profissional

Sabendo que o pedido dos alunos era mais voltado ao mercado de trabalho de Tecnologia da Informação, Bruno também levou alguns dados sobre os cursos de formação nesse meio e sobre a carreira. “Acho que o ideal é começar com um curso técnico, que já vai te dar alguns conhecimentos básicos de programação, por exemplo, para começar a trabalhar”, comentou. “Depois, o ideal é fazer uma graduação ou especialização, dependendo da área em que quiser atuar”.

Alguns alunos demonstraram interesse em seguir essa carreira, principalmente na parte da computação ligada à eletrônica. ” Amo eletrônica, solda, componentes e circuitos, essas coisas. Fiz um curso de aprendizagem industrial e assistia algumas aulas do Técnico. Gosto muito da parte física, plaquinhas, celular… acho fascinante”, contou Ingrid Pereira dos Santos, uma das alunas que também fez solicitações  ao Quero na Escola.

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Depois da apresentação já surgiram novos pedidos de estudantes da escola, principalmente relacionados a carreiras profissionais: Medicina e Veterinária, por exemplo. Dê uma olhada na página da escola para conhecer todos os pedidos e se inscrever.

Jovem leva aula de Breaking para escola onde estudou em Itapevi

Veja como essa atividade na Escola Estadual Maria Soares, em Itapevi, foi especial: Quando a Ellen Silva solicitou uma atividade de Dança no Quero na Escola, ela não sabia que seria a primeira aluna do País a ter seu pedido atendido nesse tema! A estudante, inclusive, nem especificou o que gostaria de aprender, mas foi atendida por alguém que domina justamente o estilo pelo qual tinha mais interesse: o Breaking.

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Yuri contando um pouco de sua história antes de começar a aula

O voluntário Yuri Paschoal –  ou Sensui Bboy, como é conhecido no meio artístico – é ex-aluno da escola e dançarino de breaking desde 2012. Ele também dá aulas da modalidade em um projeto gratuito à comunidade, promovido pela Prefeitura de Itapevi.

“Meu primeiro contato com a dança foi aos oito anos, vendo parentes dançando variados estilos em reuniões de família. Depois disso fui vendo na TV, internet etc.”, conta. “Fui me interessando pela dança em geral. Com o tempo, fui conhecendo mais o hip hop e suas danças urbanas. Fui treinando popping, hip-hop freestyle e breaking durante minha infância e pré-adolescência, levando como uma brincadeira entre amigos.”

Pelo jeito essa é uma prática comum na região: logo no começo da atividade, os alunos já apontaram quem eram as dançarinas e os dançarinos da turma do nono ano. Giovana, por exemplo, dança desde os seis anos, já ganhou o campeonato da escola e não tem um estilo específico – domina alguns, mas gosta de dançar todos. Já a Melissa dança free-step há quatro anos, mas ficou acanhada de dar uma palhinha para o pessoal durante a atividade.

Toda a turma acompanhou a demonstração e quinze estudantes mais desinibidos toparam participar da aula. Yuri ensinou alguns passos básicos e foi formando uma coreografia com o grupo. No final, eles já estavam fazendo grande parte sozinhos.

Mais do que uma aula de dança, Yuri mostrou ser possível fazer carreira dentro dessa área: “Com 15 anos eu já tinha uma ideia melhor sobre a dança, escolhi o breaking como minha dança principal e levo ela até hoje como trabalho. Tenho um projeto com amigos  em Itapevi, chamado Wu-gang’z Project, e o United Soul Dance, um grupo de street dance da nossa região, em que passamos informação sobre o hip hop e suas danças urbanas.”

A Ellen, assim como outros estudantes mais interessados pela dança, pegaram o contato de Yuri para frequentar suas aulas e sugeriram que a atividade volte a acontecer aos sábados. A escola também está recebendo aulas de Educação Financeira no perídoo da noite e aguarda inscrições para diversos outros pedidos, que você pode ver em sua página do Quero na Escola.

E essa atividade tão cheia de novidades já resultou em outro pedido, da cidade vizinha, Barueri, por aulas de Breaking. Pode ajudar? Só se inscrever aqui.

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Aeromoças atendem aluna e falam de rotina e profissão em escola

Uma à paisana, uma com uniforme completo da Gol, outra com todo o traje da Latam. Foi assim que as comissárias de bordo Michele Consorti, Anaí Martin e Ariadne Francini visitaram a escola estadual Anecondes Alves Ferreira, em Diadema, para falar da profissão e da vida entre um voo e outro.

As três conversaram com 50 alunos por mais de três horas. Elas se voluntariaram para a palestra após o pedido de Naieslei Lancaster pelo Quero na Escola. Aos 17 anos, a jovem já pensava em ser aeromoça e agora tem certeza. “Foi maravilhoso, elas tiraram todas as dúvidas que eu tinha, falaram da vida pessoal, me deram as dicas. Fiquei muito feliz”, conta.

Amigas muito próximas, apesar de voarem em companhias aéreas “rivais”, Anaí e Ariadne vieram juntas de Mogi das Cruzes para a atividade. “Conseguimos conciliar as folgas, autorização das empresas para usar o uniforme e foi uma satisfação. Não pensei que fossem ter tantas perguntas”, comenta Anaí.

Michele, que mora em São Bernardo do Campo, fez uma pausa na carreira há cinco anos, quando a filha era bebê e ela queria estar mais perto da criança. A rotina diferente do padrão foi um dos temas mais comentados, assim como salário, destinos, treinamento, medos e curiosidades. Assista alguns trechos acima.

O Quero na Escola é uma ferramenta aberta a qualquer estudante para que peçam atividades em suas escolas públicas que não constem do currículo. Podem ser assuntos para uma atividade, oficina ou palestra.

Psicóloga fala sem tabus sobre sexualidade em escola de Parelheiros

“Quem aqui já foi feito de trouxa?” perguntou, causando muitas risadas, a psicóloga especializada em gênero Elânia Francisca para a turma do terceiro ano da Escola Estadual Paulino Nunes Esposo em Parelheiros, no extremo sul de São Paulo. “Então, ninguém escolhe ser feito de trouxa, né, gente? Certamente foi algum desejo que te levou a ficar com alguém que acabou te fazendo de trouxa depois. E é assim com a identidade de gênero”.

Esse foi o jeito descontraído que ela usou para explicar o que chama de “três pilares da sexualidade”: sexo biológico, identidade de gênero e orientação afetivo-sexual. E assim começou uma discussão sem tabus, perguntando aos estudantes com qual idade eles achavam que uma pessoa começava a ter sexualidade. “Quando acha que está pronto”, disse um. “Quando se interessa por alguém”, disse outra. “Quando nasce”, disse outra, se aproximando da resposta. E Elânia matou a questão: “A sexualidade começa ainda no desenvolvimento, dentro da barriga. Só é preciso ter um corpo para ter sexualidade. Todos nós temos”.

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Elânia levantou temas sérios de forma descontraída (olha a risada da turma!)

Daí, já ficou mais fácil partir para a explicação sobre sexo biológico, o corpo com o qual cada um nasce. “Com pênis, vagina ou intersexo, mas [isso] não diz quem eu sou”, ela explicou. E é aí que entra a orientação afetivo-sexual e da identidade de gênero.

O país que mais mata LGBTs no mundo

Elânia afirmou que o Brasil é o país que mais mata integrantes da comunidade LGBT não apenas para chocar, mas também para explicar a identidade de gênero: CIS (nasceu mulher e se sente mulher) ou TRANS (nasceu mulher mas se sente homem). “Nós temos que pensar na condição das pessoas trans, porque elas vão passar por situações que eu, que sou cis, jamais vou passar”, ela alertou. “A gente precisa entender a identidade para entender e respeitar a diversidade”, completou.

Orientação sexual não é opção e deve ser respeitada. Se eu sou menina e me chamo Elânia, precisam me respeitar me chamando pelo nome que eu quero, e isso deve ser respeitado sempre, está na lei.”

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A psicóloga fez um esquema na lousa para ilustrar os conceitos que explicava

“Quem aqui conhece Liniker e Maria Gadu?”, perguntou Elânia antes de introduzir um último tópico para não deixar dúvidas: a expressão de gênero. Os estudantes se mostraram fãs de ambos, e ainda citaram outras celebridades como Pablo Vittar, uma famosa cantora e drag queen, e a funkeira MC Linn da Quebrada. Elânia explicou então que a expressão de gênero não está necessariamente relacionada à identidade de gênero, são apenas os estereótipos que costumam determinar o que é de homem ou de mulher. Por exemplo, um homem pode ser drag queen – algo associado à expressão de gênero feminina – mas ainda assim ser cis e sentir atração por mulheres.

Um desfecho mais sério

Quando Elânia abriu para perguntas, as dúvidas que acabaram guiando o restante da conversa foram relacionadas a temas como a pedofilia e a hebifilia (adultos que se atraem por adolescentes). A psicóloga deixou claro que quem sofre de um transtorno como esses precisa se tratar, buscar ajuda médica.

Mas fez a ressalva: “Não podemos confundir isso com o componente cultural machista do homem que se sente atraído por meninas mais novas, porque nossa sociedade valoriza o corpo feminino jovem e eles sabem que será mais fácil de ludibriar uma criança ou adolescente”. Ou seja, nem sempre casos assim são um distúrbio, e todos eles são considerados crime.

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A atividade foi resultado da inscrição do Wesley Marques no Quero na Escola, por ser estudante da manhã, ele não conseguiu chegar à tempo para a atividade que foi à noite, mas já estamos providenciando um repeteco! “Muito obrigado por terem ido! Todos elogiaram muito e estão apaixonados pelo projeto!”, foi a mensagem que ele nos enviou, feliz por ter levado o tema a seus colegas.

2.jpg“Muitas coisas que falaram aqui eu nunca tinha ouvido falar”, nos contou Maria Eduarda da Silva, uma das alunas mais participativas durante a atividade, fazendo inclusive um esquema de tudo que foi falado. “Aqui na escola essa discussão é bem aberta, mas ainda assim, muitas pessoas não têm acesso a essas informações”.
Agora, esses estudantes já querem mais: logo depois da atividade chegaram pedidos para conversas sobre Feminismo, Racismo e Diversidade Religiosa. Acha que pode ajudar? É só se inscrever no site e depois entrar na página da escola.

Fotografia dá início à semana letiva com participação de profissionais

Manhã fria em uma segunda-feira pós feriado. Dois fotógrafos chegam à Escola Estadual Brasílio Machado, na Vila Mariana, São Paulo, antes das 7h. Por alguns minutos ficam na porta sob os olhares meio curiosos, meio desconfiados do pessoal da portaria. Chega a professora de Educação Artística: “Vocês são os voluntários de fotografia?”. Pela primeira vez, o Quero na Escola promove as primeiras aulas da semana e do dia letivo.

“Eu tinha feito o pedido em dezembro, já até tinha começado a perder as esperanças”, comenta Jonas Fellipe, 17 anos, sobre a atividade de fotografia que ocorreu no último dia 24 de abril. Neto e sobrinho de fotógrafos de estúdio, o jovem aproveita todas as oportunidades de aprendizado sobre a arte e a profissão e queria compartilhar a paixão com os amigos.

Dubes, Raphael e o aluno, Jonas Fellipe

Os voluntários Raphael Bezerra Mariano e Dubes Sonego também esperavam a atividade há meses, e toparam assim que receberam o email com a sugestão de data. “Nos conhecemos lá, falamos um pouco por email antes, foi muito baseado no que surgiu da turma”, conta Dubes.

As perguntas e o interesse cresceram quando Raphael passou sua câmera para circular pela sala para que os alunos a experimentassem. Depois, no computador, os dois mostraram trabalhos que já fizeram. “Quando mostrei um material de Cuba, outros alunos que não estavam tão interessados na parte técnica quiseram conversar sobre a experiência. Os interesses vêm de formas diversas”, comenta Dubes.

Raphael ficou impressionado com o estudante que fez o pedido. “Ele já tinha vários conhecimentos, sabia alguns termos técnicos e me contou uma história sobre a mãe, muito inspiradora”, diz. A mãe de Jonas é deficiente visual e o aluno pesquisou uma forma de ela conseguir registrar retratos.

“O deficiente pode fazer a foto também, a gente pode descrever o que está à frente dele e a pessoa pode escolher o que registrar. Depois, [aquilo] pode ser narrado e entrar para a memória de todos do mesmo jeito”, conta Jonas, que é também coordenador de diversidade do Grêmio da escola e agora pretende fazer uma chamada para participações de mais pessoas aos sábados.

“Aprendi algumas coisas, como a perceber as ‘linhas’ do fundo e não colocar o personagem tão no centro. Fiquei feliz que muito mais gente se interessou, inclusive depois outras turmas também queriam. É muito bom trazer atividades a mais para a escola”, comemora.

Raphael, que já havia sido voluntário via Quero na Escola uma vez em Barueri, em uma atividade de empreendedorismo, quer mais: “Essas são as conexões que a gente quer. Conheci o projeto por outro voluntário e tanto eu como minha mulher vamos participar mais.”

 

A escola na Vila Mariana também tem pedidos de Teatro e Espanhol. Veja os pedidos e se inscreva para ajudar aqui

Se você é estudante de escola pública e gostaria de convidar alguém para ensinar sobre um assunto além do currículo, basta se inscrever: queronaescola.com.br

Uma aula de jiu jtsu com afeto e um policial como educador voluntário

“Eu sou faixa preta de Jiu-jitsu e estou concluindo o bacharelado em educação física neste ano”. Foi com esta descrição inicial que Alexandre Felix se cadastrou no Quero na Escola para atender ao pedido por Artes Marciais dos estudantes da Escola Estadual Residencial Jardim Bambi, em Guarulhos, Grande São Paulo. Depois, contou que tinha também um curso de defesa pessoal para mulheres. E já na roda de conversa surgiram características marcantes: o voluntário é também policial investigador e, antes de falar em luta, falou de respeito e afeto.

Roda de conversa sobre corpo, respeito e defesa

“Para a maioria foi um primeiro contato com artes marciais e todos adoraram”, resumiu a estudante Hilmara Fernandes, que costuma levantar pedidos e ajudar a organizar atividades na escola. “O pessoal curtiu a parte de movimento, especialmente porque estamos sem aula de educação física, por conta da reforma na quadra, mas acho que da mesma forma foi muito interessante o papo ele”, opinou a coordenadora pedagógica Sonia Andrade, lembrando as falas sobre defesa e luta, mas também as lutas do dia-a-dia e a importância da união e da defesa uns dos outros.

“Venho trabalhando em projetos de defesa pessoal e consciência corporal. Fizemos uma adaptação [para a escola] e fico à disposição para voltar mais vezes”, comentou o lutador, policial, voluntário e formando em Educação Física. “Foi uma troca, a molecada é sensacional. Incrível fazer da escola um espaço de afeto e troca”, concluiu.

E você, estudante, quer aprender o que além do currículo obrigatório? Faça sua inscrição no Quero na Escola e convide a sociedade a participar.

Meninas pra cá, meninos para lá, mas não é baile. É opressão

“Não se nasce mulher: torna-se”. A famosa frase de Simone de Beauvoir guiou uma atividade de feminismo solicitada por uma aluna na Escola Estadual Anecondes Alves Ferreira, em Diadema, e guiada por Luana Alves e Ana Carolina, do Coletivo Juntas. Os estudantes se reuniram em grupos para conversar sobre o que entendiam dela e exemplificar como essa afirmação se aplicava em algum momento de suas vidas. No mesmo dia, outra atividade ilustrou a diferença de gênero de forma bem visual e didática.

Na hora de compartilhar as reflexões e histórias, uma das estudantes contou sobre como precisou se “tornar mulher” muito cedo após a morte de sua mãe e a prisão de seu pai, associando a expressão ao fato de ter amadurecido e assumido diversas responsabilidades com apenas 14 anos. Outra aluna contou da experiência em sua casa, onde ouve da avó paterna que ela, sua mãe e as irmãs deveriam fazer todo o trabalho doméstico – mesmo que a mãe trabalhe fora.

Luana chamou atenção para o quanto os relatos eram parecidos entre si, descrevendo situações muito similares, mesmo em casas e situações diferentes. Foram poucas as falas que destoaram do padrão, como a da aluna que afirmou estar noiva e dividir todas as tarefas de casa com seu companheiro.

Um jeito simples de mostrar as diferenças

Antes disso, Luana quis mostrar como se davam essas desigualdades com uma simples dinâmica. “Vou fazer algumas perguntas para vocês. Se a resposta à pergunta for sim, vocês dão uma passo para a direita. Se for não, um passo para esquerda”, anunciou Luana, e seguiu com perguntas como: Já me falaram para não sair de casa com determinada roupa para não parecer vulgar; Já me falaram para não beijar muitas pessoas para não ganhar fama; Já lavava louça e limpava a casa antes dos 10 anos… entre outras.

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Sala já se dividindo “naturalmente” entre meninos e meninas durante a atividade.

Depois da dinâmica a sala ficou assim, como mostra a foto: meninas de uma lado, meninos do outro, sendo que nenhuma pergunta falava diretamente sobre gênero. Foi a partir dessa provocação que Luana começou a contar mais sobre a luta feminista desde as sufragistas, que reivindicaram o direito da mulher ao voto, principalmente no Reino Unido e nos Estados Unidos, passando pelas ideias de Simone de Beauvoir, que aprofundaram os objetivos do feminismo para além dos direitos políticos, até as lutas atuais, mais ligadas a recortes de orientação sexual, raça e classe social.

Existe exagero no feminismo?

Quando as voluntárias abriram para as últimas considerações e perguntas, Naieslei Lancaster introduziu um tema muito abordado ultimamente: os posicionamentos considerados como exagerados de algumas feministas. E deu o exemplo  de não se depilar.

A isso, Luana respondeu com sua opinião pessoal: “Para mim é questão de escolha, se a pessoa não estiver prejudicando outra, eu não me importo com o que ela está fazendo com seu corpo”. E respondeu de forma parecida a um professor que acompanhou parte da atividade, quando ele perguntou sua opinião sobre “o excesso de feminismo nos relacionamentos”: “Vejo feminismo como liberdade, e não consigo imaginar algo como excesso de liberdade”.

Escola recordista do Quero na Escola

Sabia que a Escola Anecondes Alves Ferreira foi a que mais recebeu voluntários do Quero na Escola? Isso por conta do engajamento dos estudantes – Aderson, Naieslei e Thales e, agora, a Gabrielly – que seguem pedindo temas variados; e também devido à parceria da gestão, principalmente com a coordenadora Verônica Nascimento, sempre aberta e ágil na organização das atividades. Ela é tão parceira que até estreou em nosso vídeo institucional.

Veja a página da escola no site para ver se consegue atender algum desses pedidos.

É estudante de escola pública e quer pedir algo diferente para sua escola? É só se cadastrar em www.queronaescola.com.br

 

Um domingo de oficina, bate-papo e arte em grafite em escola de Severínea

A aula do dia 9 de abril na Escola Municipal Esmeralda Duarte da Silva, em Severínea, interior de São Paulo teve tema único: grafite. O grafiteiro voluntário Edson Ramos dividiu a atividade em três momentos: começou de manhã, com uma aula prática para a turma da Tainara Costa Silva, aluna que fez o pedido no Quero na Escola, seguiu à tarde, quando ele bateu um papo com um grupo maior sobre a prática e as técnicas do grafite, e encerrou produzindo uma bela arte em um dos muros do pátio.

Para esse domingo de atividades ser realizado, foi necessário um esforço conjunto: depois de conectar o pedido da Tainara com o grafiteiro, quem tocou tudo foi a Graziele Chianpesan, mãe da Tainara e professora de Artes da escola. Ela conseguiu as tintas e o Edson Ramos saiu de São José do Rio Preto, cidade a cerca de 60 quilômetros de Severínia, para dedicar seu dia à escola.

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Depois de ajudar os estudantes a dar novas cores à fachada da escola, foi hora de Edson falar com os quase cinquenta estudantes interessados em saber mais sobre seu trabalho e ver de perto sua arte. Para o voluntário, a atividade foi gratificante: “Foi muito legal levar o grafite para a escola e ver o interesse dos alunos”, ele conta. “Temos que parabenizar a professora Graziele, que também vem fazendo um trabalho muito legal na escola com artes. Sempre digo: a arte vai salvar o mundo!”.

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Arte do Edson que ficou de presente para a escola

E os estudantes dessa escola querem mais: já fizeram pedidos de Astronomia e Veterinária! Pode ajudar? Veja os pedidos na página da escola.

É aluno de escola pública e quer algo diferente assim na sua escola? É só pedir no www.queronaescola.com.br.