Quero na Escola Especial Professor termina com novo recorde de participação

O mês dos professores foi repleto de voluntários presentes nas escolas públicas. O Quero na Escola Especial Professor, nossa parceria com a Fundação SM em que recebemos pedidos dos educadores por colaboração terminou com recorde de participação. Nesta 4ª edição, 70 atividades foram realizadas em 16 municípios de seis estados do País. Ao todo, 42 escolas foram contempladas. Em 2018, foram 48 atividades.

O Estado de São Paulo concentrou a maior parte das ações nas cidades de Valinhos, São Paulo, Guarulhos, Mogi Mirim, Osasco, Conchal, Mogi das Cruzes, São Bernardo do Campo e Junqueirópolis. No estado do Rio de Janeiro passamos por Duque de Caxias, Niterói e Rio de Janeiro. A atividade de Pernambuco foi em Recife, nossa intervenção em Santa Catarina foi em Florianópolis, na Bahia foi em Salvador e, no Paraná, em Almirante Tamandaré. 

Ao ouvirmos o que os educadores queriam aprender, ou que conteúdo gostariam de apresentar para os seus alunos a partir de novos parceiros, recebemos demandas por diversas expressões artísticas, assuntos urgentes como depressão, sexualidade e racismo, atividades mão-na-massa como horta e robótica e muitos pedidos inéditos. Dentre eles, foram atendidos pela primeira vez os educação no trânsito e criação de podcast e exercícios de fonoaudiologia, por exemplo.

Algumas ações se prolongaram por diferentes encontros e outras prometem continuar pelo restante do ano ou mesmo dar início a parcerias locais que podem continuar em outros anos letivos. Já retratamos em outros textos e imagens por aqui atividades com foco em emoções, corpo e filosofiaXadrez, Contação de Histórias e Comunicação não-violenta.  Além da vivência para professores e alunos, algumas ações deixam marcas que alcançarão não só os atuais como futuros alunos, como foi o caso da pintura do alfabeto em libras no muro de uma escola de Florianópolis.

Os professores querem uma sociedade participativa e ciente do seu papel fundamental na educação. Prova disso, são os mais de 260 pedidos recebidos neste ano. Nossa missão com o Quero na Escola Especial Professor é ouvir os educadores, construir pontes, trazer diálogo e inovar o cotidiano escolar. Esperamos que os presentes tenham levado aos educadores uma mensagem clara de que há sim muita gente que sabe o valor e a importância da escola pública.

Seguimos juntos no restante do ano com o Quero na Escola, em que são os estudantes os autores de demandas por aprendizados além da grade curricular.

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Podcast chega ao Quero na Escola Especial Professor

Por Paula Cavalcante 

A expectativa por podcasts chegou às escolas públicas. A gravação de programas de áudio apareceu no Quero na Escola Especial Professor, nossa parceria com a Fundação SM, pela primeira vez este ano – e foi um sucesso. O pedido foi solicitado pelo professor Robson Candeias, diretor da escola estadual Cyrene de Oliveira Laet, de São Paulo, e foi atendido por dois voluntários super entendidos do assunto: Isabel Wittmann, podcaster desde 2004 e Felipe Caldo, atualmente produtor de conteúdos, por exemplo, para o o Theatro Municipal de São Paulo.

Segundo o diretor, a ideia de oferecer a atividade como presente aos professores surgiu da vontade de desenvolver um podcast entre os professores e alunos do grêmio estudantil. Esta é uma ferramenta de comunicação que vem ganhando adeptos especialmente entre os jovens. Dois grupos diferentes tiveram contato com a ferramenta por meio da atividade do Especial Professor.

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Voluntária Isabel Wittmann com estudantes e professores

Isabel, podcaster do Feito Por Elas, conversou com educadores do período da manhã e três estudantes do grêmio. “Os professores foram muito participativos. Eu também levei alguns equipamentos e fiz umas demonstrações na escola, para mostrar na prática. Eles pediram pra ouvir um trecho do meu podcast já editado e finalizado, para compreender como fica o produto final depois das etapas do processo e presentei”, comentou.

Felipe falou com 14 educadores do período da tarde. “É um assunto novo, acho que os professores ainda não sabiam muito bem como usar e a utilidade. Foi ótimo, gostei muito”, contou.

O coordenador pedagógico da escola, Wilson Gomes, falou sobre a busca de incluir tecnologia para o desenvolvimento das aprendizagens e facilitar o trabalho entre professores e alunos. “Chama atenção, amplifica horizonte, dá um novo significado ao conteúdo estudado”, opinou.

Continue acompanhando as ações do Especial Professor de 2019, também no nosso Facebook e Instagram! Para nós, no mês do professor o maior presente é a presença.

Professores aprendem técnicas de comunicação não-violenta

Conseguir estabelecer um diálogo autêntico e efetivo tem o poder de melhorar as relações entre as pessoas. Dentro de um colégio, espaço que reúne centenas de alunos, funcionários e familiares, esse potencial pode ser multiplicado. Foi o que aconteceu na escola estadual Leda Guimarães Natal, de São Paulo (SP), onde aproximadamente 50 professores participaram de um workshop sobre comunicação não-violenta, oferecido pelos voluntários Marcelo Akamine e Luiz Eduardo Alcantara. 

Os professores da escola receberam a formação graças ao pedido que o professor Márcio Melo fez ao Quero na Escola Especial Professor. Para ele, a atividade foi enriquecedora e desafiadora. “Entender a técnica da comunicação não-violenta assegura uma comunicação mais ampla, justa e direta, partindo do autocontrole, confiança e segurança”, disse Márcio, ressaltando que as técnicas são tanto para a fala como para a escuta. 

O docente também elogiou a forma como os dois voluntários conduziram a atividade, que durou três horas. “A dinâmica proporcionou aos professores a sensação de ora ser professor e ora ser aluno, trazendo experiências e incômodos do dia a dia”, relatou.

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Para Marcelo, que atuou como voluntário do Quero na Escola pela segunda vez, a nova participação trouxe mais aprendizados, assim como grande satisfação pessoal. “Eu me sinto agradecido pela oportunidade de levar um pouco da minha paixão pela comunicação”, afirmou. No ano passado, Marcelo fez uma ação sobre Mediação de Conflitos na escola estadual Lasar Segal e diz estar disposto a continuar atuando como voluntário nas escolas públicas. 

A escola Leda Guimarães Natal também já havia participado do Quero na Escola Especial Professor. No ano passado, a pedido do professor Alan Clynger do Nascimento, os docentes receberam orientações de uma psicóloga sobre como ajudar alunos com baixa-autoestima. 

O próprio tema comunicação não-violenta já é recorrente. No Especial Professor de 2018, foram realizadas duas ações sobre comunicação não-violenta, uma delas pode ser conferida com mais detalhes aqui . O Especial Professor 2019, uma parceria do Quero na Escola com a Fundação SM,  continua com entregas de presença até o fim de outubro! Continuem acompanhando nosso blog e as redes sociais para saber mais! 

Voluntária pinta alfabeto em Libras em muro de escola a pedido de professora

Gisele Bastos Sidronio de Freitas, professora do projeto integral de contra-turno da escola básica Henrique Veras, em Florianópolis, tem feito um importante trabalho para que seus alunos não ouvintes, que atualmente são três, estejam bem integrados com todos. Nos anos iniciais, todos os estudantes estão aprendendo a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e foi pensando em deixar isso mais vibrante para toda a comunidade que ela enviou sua demanda ao Quero na Escola Especial Professor, parceria com a Fundação SM:  “Pintura do alfabeto em Libras no muro da escola”.

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Voluntária estuda para arte. Foto: Save The Love

A artista visual e arte-educadora Monique Cavalcanti, conhecida como Gugie, havia acabado de realizar um sonho de pintar um painel de 10 andares no centro da capital catarinense e quando viu o pedido da diretora pensou que era uma forma de “devolver o sentimento de gratidão”.

Apesar de ter algum contato com Libras por conta de um amigo surdo, Gugie nunca aprendeu o idioma e foi à escola para ser, em suas palavras, “ferramenta de transformação” e dar vida aos pensamentos de Gisele. “Os alunos começaram a interagir na hora, foi muito gratificante”, conta a artista, que levou para a pintura sua filha caçula, Cássia, de seis meses.

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“Artista, arte-educara e mãe”, foi como Gugie se apresentou ao Quero na Escola. Foto: Save The Love

Além do Quero na Escola, Gisele procurou o grupo local “Pinta Lagoa” para colaborar com artes sobre outros temas. Sua ideia inicial era fazer ao menos um mural, no entanto, todas as demandas foram atendidas e várias paredes pintadas. No dia da ação, a professora se dividia entre acompanhar as pinturas que aconteciam na quadra, cuidar da pequena ajudante de seis meses e apoiar uma gincana que acontecia em paralelo.

Ela, que achava que talvez não conseguiria a pintura da língua de sinais por saber que o Quero na Escola atua a partir de São Paulo, ficou surpresa pela equipe ter entrado em contato rapidamente. “Eu rezei pra não chover no dia dessas pinturas. Queria fazer a interação entre os alunos, porque até o 5º ano as crianças têm aulas de libras. E os grandes queriam também. Em apenas três aulas, eles já aprenderam o alfabeto inteiro e ficam conversando entre eles”. Ao final do dia, os alunos já imitavam os sinais desenhados no muro, pedido feito pela professora.

Professora Gisele e artista Gugie falam com a mão na foto o que se traduz como “com amor”. Foto: Save The Love

Terminado o trabalho, Gisela e Gugie posaram juntas para uma foto que fala em Libras e a tradução para a Língua Portuguesa é “com amor”. “Durante a semana ouvi inúmeros elogios de alunos e pais. Estamos gratos por este presente em forma de arte”, concluiu.

queronaescola.com.br
Escola Básica Henrique Veras após ação de grafite. Foto: Save The Love

Veja outras ações realizadas pelo Quero na Escola Especial Professor em 2019

Voluntário afina piano de escola pública

músico voluntário e estudante

Bem no meio das férias, o estudante Álvaro Samuel de Oliveira Batista, 15 anos, saiu de Guarulhos onde mora na sexta passada para ir a sua escola técnica estadual Carlos de Campos, no Brás, em São Paulo. Em março deste ano, ele pediu ao Quero na Escola um voluntário para ajudar com a manutenção de um piano que há anos servia apenas de decoração na escola. O músico, locutor e compositor Raphael Zarella, se prontificou para ajudar, mas morando no interior e pai de 4 crianças, inclusive bebês gêmeos, ele só conseguiu nas férias.

A atividade estava marcada para às 14h, mas como tinha um compromisso às 20h em outro bairro, Raphael chegou mais cedo, às 13h. Álvaro por outro lado foi pego de surpresa pela suspensão do passe escolar gratuito durante o recesso escolar. “Peguei o ônibus intermunicipal e funcionou normalmente, mas quando cheguei no metrô, não funcionou. Fui andando do Tietê até o Brás, tentando ser rápido, mas levou meia hora”, lamenta.

Quando chegou, o voluntário já havia sido recebido pelos funcionários e desmontado o piano. “Eu não fazia ideia como era um piano por dentro e como se fazia para arrumar, quando vi fiquei surpreso”, comentou o jovem.

Ao todo, foram cinco horas de trabalho. O músico afinou, consertou o pedal, colou o feltro, passou aspirador e lustra móveis. “Ele tem um audição maravilhosa, ficou lá horas de pé, eu acho que se soubesse o tamanho do trabalho, não tinha tido coragem de pedir, mas ele sabia e atendeu sem nada em troca”, admirou-se o estudante, que já foi atendido por outros voluntários do Quero na Escola desde o fim do ensino fundamental e, inclusive, escolheu o curso técnico que prestaria depois de uma palestra que recebeu de outra voluntária.

Piano da escola, após as cinco horas de trabalho
Piano da escola, após as cinco horas de trabalho

“Fiz o que pude”, comentou Raphael, elogiando também o aluno. “Um amor de moleque, 15 anos e uma cabeça boa, ficou do meu lado o tempo todo, foi massa.”

A diretora Lucimeire Gonzaga de Oliveira acompanhou a ação. “Ele foi muito prestativo, imagino a felicidade dos alunos quando voltarem do recesso”, comentou. Assim, esperamos também!

O Quero na Escola é um projeto em que estudantes pedem ajuda com algo além do currículo obrigatório das escolas. Os pedidos ficam no site queronaescola.com.br, quem pode ajudar se cadastra e fazemos a mediação para que mais pessoas participem da educação pública.

Estudantes aprendem a cozinhar em quatro encontros práticos

Cozinhar é um dos aprendizados mais essenciais para formar cidadãos com autonomia e foi o pedido da estudante Ana Luiza Félix, da Escola Estadual Professora Maria Juvenal Homem de Mello, no Grajaú, zona sul de São Paulo ao Quero na Escola.  O resultado é uma das atividades mais bacanas que já tivemos no projeto.

O cozinheiro, jornalista e educador Guilherme Petro desenvolveu uma atividade em 4 encontros tanto para a protagonista do 8º ano quanto para outros 29 alunos que se interessaram e participaram juntos. Cardápios: macarrão na primeira aula, arroz com estrogonofe de carne na segunda, lasanha de berinjela com salada na terceira e o fechamento com bolo de chocolate com ganache e caramelo. Tudo isso na cozinha dos professores e temperado com muita dedicação de todos os envolvidos.

Numa das visitas, a estudante de Educomunicação da Universidade de São Paulo, Verônica Lopes, acompanhou a atividade e produziu o vídeo abaixo.

Esta atividade contou com o apoio do Instituto Singularidades para a compra de  ingredientes e o auxílio do supermercado Gualtieri, vizinho à escola, que fez as entregas no dia agendado para cada ação.

Estudantes de escolas públicas de todo o País que querem aprender algo além do currículo podem se inscrever no Quero na Escola. Para ver pedidos clique aqui e se quer ajudar de outra forma, aqui.

Artistas grafitam escola em Diadema e alunos falam das obras

Por Natália Sierpinski 

“Nossa melhor arma é o respeito” é agora uma frase que pode ser lida todos os dias na escola estadual Diadema, no município de mesmo nome da Grande São Paulo. Na mesma parede, mais a frente, lê-se “respeito e educação transformam” e ao redor há cores e representações de livros e pessoas assinados por sete grafiteiros voluntários do Quero na Escola, que passaram um sábado inteiro pintando as paredes. 

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O resultado foi bem recebido pela coordenação e alunos da escola. “Ficou linda, fiquei encantado com o talento dos artista que vieram” comentou o coordenador Talles Amorim. Ele acompanhou o processo da pintura e o acolhimento, que  incluiu até uma macarronada para os voluntários. “Achei que ficou muito bom, deu vida as paredes” comentou o estudante Henrique Araujo Silva.

Mariana Fonseca Paes foi a  voluntária do Quero na Escola que convidou os outros artistas para a atividade. “Todos adoraram pintar na escola” 

Nas semanas seguintes, a partir de uma mediação feita nas aulas de artes, novos relatos surgiram. As alunas Ana e Letícia do 9º ano mandaram um agradecimento para os voluntários e para o projeto: “Eu queria agradecer pelos grafites que vocês fizeram aqui no pátio da escola, eu achei que trouxe mais vida e mais cores pra escola e todos com mensagens de educação e respeito trazendo um significado”, diz Ana.”Achei a escola muito mais alegre, os desenhos ficaram lindos” complementou a colega.

O quarto ano também fez uma visita aos grafites e o relato deles foi por escrito:

 

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Esta ação teve o apoio do Instituto Singularidades, que forneceu a tinta necessária. Os grafiteiros foram por conta e alguns ainda somaram aos materiais usados. Para quem quiser conhecer mais do trabalho dos artistas, aqui vai o Instagram de cada um: Mariana Fonseca Paes, Khaku Figueiredo, Lena, MW de Jesus, Mota, Franticspray, Lucas Lago Scarabotto, Phillipe Baatsch e Duck.

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E você estudante quer levar mais cor e reflexão para a sua escola? Nos mande um pedido em www.queronaescola.com.br! Para quem quiser ser voluntário, é possível ver os pedidos disponíveis aqui ! Se você quiser contribuir com doação de material ou financeira para esse tipo de atividade que demanda um custo específico, contribuir aqui. 

Amor por livros leva voluntárias do Paraná a Minas Gerais

Ao ver pedido de professora mineira para a criação de um espaço para leitura em sua escola, empresária do Paraná viajou mais de 800 kms para ajudar

Por Luciana Alvarez

Professora de português há 20 anos, Maria Ilza Melo se esforça diariamente para envolver seus alunos, fazer com que eles aprendam o máximo. “Sou funcionária pública e estou a serviço do meu cargo. Gosto de desafios, dou sempre o melhor de mim”. Foi por isso que ela pediu recentemente transferência para a escola estadual Antônio Carlos de Carvalho, em Bom Sucesso, Minas Gerais, uma unidade mais afastada do centro e num bairro mais pobre. “Quando cheguei na escola senti que precisava resgatar a autoestima dos alunos, dar a eles a esperança de alçar voos maiores”, conta. Para isso, teve a ideia de fazer um projeto que uniria sua paixão pela literatura com a revitalização de um espaço da escola. “A escola tem uma amoreira sete-copas linda, num espaço vazio, pouco usado. Transformar aquele lugar numa área de leitura iria valorizar a escola e a literatura. Meu objetivo logo ficou claro, mas não sabia como fazer, por onde começar”, conta.

Pedido feito no Quero na Escola Especial Professor

Quando era criança, Lilian Camargo não tinha livros em casa. Nem sequer material escolar. “Comecei a trabalhar com 12 anos para poder comprar cadernos e livros da escola. E foi por causa de um teatro de uma aula de história que me apaixonei pela escrita”, recorda-se. Mas pela necessidade de trabalhar, os livros foram deixados de lado por longos anos. “Voltei a estudar depois de muito tempo. Comecei Direito, mas quando meu filho nasceu, percebi que meu lugar era na pedagogia”, diz. Foi então que resgatou seu envolvimento com a escrita e a admiração pelos professores. “Tive mestres maravilhosos, que me mostraram novos caminhos muito além das questões acadêmicas”. Lilian hoje tem uma empresa na área de TI, mas dedica-se também a um projeto de promoção de leitura e escrita, chamado Linhas – e está lançando seu primeiro livro infantil. “Tenho a esperança de que um dia todas as escolas do Brasil terão boas bibliotecas – e que todas as crianças vão ler”.

As linhas dos destinos de Maria Ilza e Lilian se cruzaram em outubro, mês do professor. Maria Ilza cadastrou seu pedido no site do Quero na Escola – Especial Professor, projeto em parceria com a Fundação SM. Ao ler o pedido, Lilian soube que daria um jeito de ajudar. “Acompanho sempre os pedidos no Quero na Escola. Na história do meu livro, a vovó Mel tem uma casinha de madeira, embaixo de uma árvore, onde ela todos os dias reúne as crianças para contar histórias. Quando li que uma professora queria transformar um espaço embaixo de uma árvore numa área de leitura, meu coração amoleceu. Falei pra mim mesma: tenho que ir para lá”.

Lilian encomendou a um marceneiro de Minas a confecção de uma casinha de madeira para ficar sob a árvore. Também mobilizou o grafiteiro João Lucas Teixeira, que voluntariamente fez uma obra no muro próximo à árvore. “O trabalho não é só meu. Tem uma professora que já tem um projeto de leitura, uma comunidade escolar super envolvida. Fui dar uma forcinha”, diz Lilian, para quem a visita à escola Antônio Carlos foi emocionante. “A escola inteira se preparou para nos receber. A diretora fez um poema! Chorei várias vezes aquele dia”. E ela já tem planos de voltar.

Na escola de Bom Sucesso, o trabalho está só começando. “Os alunos ficaram muito empolgados com o grafite, em ver como se faz. Queremos agora organizar uma oficina, para que nossos próprios alunos complementem os desenhos em toda a extensão do muro”, conta Maria Ilza. A casinha de madeira também vai receber uma pintura especial para resistir à chuva e, assim, durar muitos anos. “Vai ser nosso ponto de encontro para aulas de leitura, declamações de poesias, apresentações de teatro”, planeja a professora. “Com essa ajuda, avançamos uns dez passos. E vamos seguir em frente”.

A ideia é que os alunos da Antônio Carlos se interessem pela escrita e produzam um livro coletivamente, tornando-se parte de uma comunidade de jovens escritores de todo o país, que começa a ser organizada por Lilian. “É um projeto de longo prazo. Queremos ver nossos alunos crescendo, sendo protagonistas de suas histórias”, afirma Maria Ilza.

Para Lilian, a intenção é ver alunos de vários estados do Brasil escrevendo seus livros. “Tenho contato de uma escola no Pará que está interessada, mas ainda preciso de patrocínio para ir até lá”, conta. Ano passado, Lilian também participou do Quero na Escola, arrecadando livros para uma escola de Castro, no Paraná. “Visitei o local recentemente e vi que toda a comunidade está se interessando pela leitura. Estou fazendo mais um esforço de arrecadação de livros, agora com o foco em obras para adolescentes”.

A voluntária diz que ela ganha e aprende muito em cada uma das ações que realiza. “Sinto que estou participando de algo muito maior. Ao me juntar a esses, ficamos todos mais fortes”, afirma.

Antiga e nova gestão de grêmio se unem por atividades em escola de Guarulhos

Por Natália Sierpinski 

Depois de um 2017 agitado e cheio de atividades com voluntários do Quero na Escola, a escola estadual Hernani Furini, de Guarulhos (SP), começou este ano com filas de voluntários e uma dificuldade: a nova gestão ainda não conhecia o projeto e os estudantes que fizeram os pedidos eram da formação anterior do Grêmio. Quem destravou o nó? Os estudantes. Veteranos e novos membros falaram com a nova direção e as atividade de 2018 começaram por um tema emblemático: bullying.

“Uma vez que a porta foi aberta, essa porta não se fecha” comentou Isabel Aparecida de Souza Silva, integrante do antigo grêmio e apoiadora da gestão atual.  “As atividades contribuem não só pra escola, mas para cada aluno individualmente. Quando fui para o ensino médio, percebi que era necessário uma rede para eu tirar as ideias da minha cabeça. Então o Quero na Escola surgiu para tornar isso possível, para realizar a vontade do aluno de conhecer opções diferentes às quais ele não teria acesso.”  

Isabel considera que “passou o bastão” para a nova gestão, que tomou a frente da palestra deste ano. O presidente do atual grêmio, Wallansy Oliveira dos Santos, achou os debates muito interessantes e que o conteúdo foi bem compreendido pelos alunos que puderam participar.

A voluntária Deise Ruiz já fez diversas ações pelo Quero na Escola em três instituições em São Paulo. Psicóloga, ela preparou um material sobre bullying que deixou disponível aos alunos, para que eles possam multiplicar o conteúdo para outras turmas. “As práticas das quais participei foram muito enriquecedoras e me despertaram um olhar mais crítico. São perguntas que você não espera e que fazem o profissional rever seu papel e ser melhor!” relatou, com entusiasmo.

E você, o que quer aprender na sua escola? Nos mande um pedido pelo site www.queronaescola.com.br!

Vídeo

Voluntário fala de K-pop em escola municipal e acompanha coreografia

K-pop, ritmo sul-coreano com tantos fãs por aqui que aumentou a procura pelo ensino da língua no Brasil, chegou ao cardápio de atividades do Quero na Escola. Uma adolescente de 13 anos da Escola Municipal João Domingues Sampaio, na Vila Maria, zona norte de São Paulo, queria aprender mais sobre a febre e um jovem universitário se voluntariou para atender.

Lucas Vigliar, 21 anos, graduando de Comunicação Social  e estagiário de Publicidade e Propaganda estudou os movimentos coreografados e as bandas da Coréia do Sul – e também o J-Pop, do Japão – e falou sobre os movimentos que ganharam o mundo. “Pensei em explicar um pouco a história, falar de algumas bandas e mostrar no telão. Acabamos dançando também, elas (as alunas) melhor que eu”, conta.

A Emef João Domingues já tem um projeto de dança com os estudantes, mas o ritmo ainda não tinha sido abordado. “Foi ótimo, os alunos participaram bastante. A gente se surpreende com o que sabem”, contou a professora Elisângela Janoni.

E você, quer aprender sobre o quê? Inscreva-se no Quero na Escola e vamos buscar alguém que entenda do assunto e possa levá-lo pra sua escola.