Experiências de vida guiam alunos em sua escolha de profissão

Por Marcela Riccomini

A estudante  Ingryd Vitória Raimundo, da Escola Estadual Carlindo Reis em Ferraz de Vasconcelos, Grande São Paulo, se inscreveu no Quero na Escola e pediu uma atividade sobre Mercado de Trabalho. Como a maioria dos jovens, ela ainda não sabe que profissão deseja seguir e gostaria de ouvir as experiências de outras pessoas, para ajudar em sua decisão. Por sorte, o Carlos Eduardo Rondon estava disposto a compartilhar seus 17 anos de experiência em empresas de vários portes.

Carlos conheceu o projeto através de uma amiga que também foi voluntária. Luisa Paiva, que fez uma atividade sobre alimentação saudável. Hoje gerente de vendas, ele buscou um tema com o qual pudesse contribuir entre os pedidos dos jovens. 

Segundo o coordenador pedagógico da escola, Elson Granzoto Junior, o  tema foi bem trabalhado com os alunos, que têm muitas dúvidas e incertezas quanto às carreiras que devem seguir. “O Carlos explicou usando a própria história de vida dele, o que chamou mais o interesse dos alunos, pois ele teve a mesma origem social de muitos deles.”

E eram centenas de cabeças com  dúvidas e incertezas. A atividade contou com 320 alunos do período matutino, e 420 do período noturno. Segundo a aluna, que conheceu o Quero na Escola através da dica de um professor,  muitas dúvidas foram sanadas e agora ela consegue visualizar de maneira mais clara o tema mercado de trabalho. Para o coordenador também foi trabalhada a auto-estima dos alunos, e temas transversais.

As escolhas de Ingryd para seu futuro só cabem a ela e atividades como essa podem abrir mais portas. Tem alguma dúvida e quer uma atividade na sua escola? Peça! Ou, como o Carlos, acredita que pode ajudar outras pessoas? Cadastre-se como voluntário em sua região! www.queronaescola.com.br

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Oficina de desenho termina com exposição de talentos e perspectivas

Por Laís do Valle Corrêa, jornalista voluntária em Belém, com colaboração de Natália Sierpinski

Uma exposição de ilustrações que mostram não apenas o talento, mas também para onde olham e com o que sonham os estudantes, fechou o ano letivo da escola estadual Benjamin Constant, em Belém do Pará. Os desenhos são resultado de seis encontros com uma voluntária atendendo a pedido de uma jovem no Quero na Escola.

A estudante Anne Zanini, 16 anos, se inscreveu querendo aprender “técnicas de desenho”, pois se interessava em escolher Arquitetura como sua futura profissão. A arquiteta Anne Uptom, 24 anos, ela mesma ex-estudante de escola pública, se motivou a atender. Propôs ensinar perspectiva interna e externa, utilizando ponto de fuga, mas também incentivá-los a refletir sobre o que gostam em seu bairro.

Foi o suficiente para abrir as portas para aprender mais sobre desenho e ampliar  conhecimentos também sobre a cidade de Belém, sua mobilidade urbana e a importância da escola estar situada em um bairro com relevância histórica. Ao todo, de 15 alunos passaram pelas oficinas, dos quais 5 expuseram seus trabalhos finais.

Em maioria, eles já gostavam de desenhar, mas admitiram não saber muito, e por isso se interessaram. Assim aconteceu com Victor Vieira, 18, que, ao saber das oficinas, pensou “parece legal.‘Vamo’ lá!”. Para ele, aprender essa técnica foi mais fácil do que esperava, e assim ele conseguiu fazer o que antes não conseguia.

Para Jhonata Lourenço, 17, as oficinas significaram ampliação dos conhecimentos sobre desenho. Antes, ele desenhava apenas personagem e agora conseguia desenhar paisagens. Com sua ilustração, ele quis expressar uma área urbana tranquila. Segundo ele, “às vezes é complicado admirar a paisagem”, pois sempre as pessoas estão muito ocupadas.

Parecida foi a intenção da Gabrielle Cortinhas, 16, para quem Anne Uptom ensinou a técnica do esfumaçado, para aplicar a seu desenho, com um grande olho ao centro, representando o olhar voltado ao urbano, e pouco para a natureza. Para ela, que se diz “não muito boa com as palavras”, o desenho foi uma forma de colocar pra fora aquilo que ela pensa sobre o comportamento da sociedade. Até mesmo Allany Suieny, 17, que foi “praticamente obrigada” pelos amigos, gostou da oficina e vai começar a tentar desenhar mais.

As oficinas começaram em maio e atravessaram uma greve e uma reforma do prédio. E, mesmo em ambiente escolar, essa foi uma oportunidade de ter contato com o desenho, pois a disciplina de Artes é aplicada somente até o 1º ano do Ensino Médio e, de acordo com os alunos, não continha aulas práticas.

A Diretora da escola, Márcia Cristina Miranda Lopes, relata ter se alegrado com o retorno positivo do projeto, pois percebia os alunos bastante envolvidos. Para ela, o projeto soube vencer esse período delicado da escola, e foi muito importante para relaxar um pouco da tensão do vestibular e explorar novos conhecimentos e habilidades.

Para a arquiteta voluntária, o envolvimento com o projeto foi um “sair da zona de conforto”, já que ela teve de falar com um grupo com interesses distintos, preparar materiais e mesmo acordar mais cedo – algumas aulas começaram às 7h. “Acredito que foi uma relação além dos papéis e do lápis.”  

Jornalista vai à escola para falar de gravidez e acaba conversando sobre sexualidade

Por Natália Sierpinski

“Gravidez na adolescência” foi o pedido feito no Quero na Escola pelo grêmio da Escola Estadual Olindo Dartora, em Caieiras. O tema motivou a jornalista Gabriella Garcia Sanches Feola, acostumada a escrever sobre sexualidade, que saiu de São Paulo para ver quais eram as dúvidas dos adolescentes, entre 14 e 17 anos. Depois de uma sondagem inicial, viu que podia ajudar de outro jeito. Os jovens conheciam os métodos contraceptivos e riscos, mas faltava uma conversa que incluísse falar de sexo sem tabu.

Gabriella é formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo e atualmente é mestranda, também pela USP, com um projeto sobre sexualidade e educação. No começo, ela conversou com os alunos sobre alguns métodos contraceptivos, como a camisinha, o anticoncepcional e a pílula do dia seguinte, apontando algumas questões sobre o uso desses recursos e também perigos, reflexões e cuidados para com eles. Durante a conversa ficou explícito que as informações sobre esses métodos contraceptivos chegam até os alunos, então,  por que ainda temos casos de gravidez na adolescência?

Assim a discussão extrapolou o tema da gravidez e passou a sexualidade. Ela explicou como é algo social e estrutural e falou das diferenças de tratamento do tema para homens e mulheres. “As mulheres desde cedo são ensinadas que existe uma relação entre sexo e amor e entre relação sexual e relacionamento”, comentou, lembrando como o casamento e a construção de uma família são frisados na criação de uma menina e que, desde pequenas, são ensinadas a falar sobre sentimentos e cuidado do próximo. Já os homens, são ensinados que existe uma relação entre sexo e prazer e entre masculinidade e ter várias relações sexuais. “O casamento é colocado como um momento de ´game over´ e opcional, sendo o foco principal sua carreira e seu trabalho”.

 

A conversa ainda passou por temas como a responsabilidade de lembrar da camisinha e necessidade de masturbação para todos. “Falamos sobre a importância das mulheres terem mais conhecimento sobre seus corpos, se masturbarem e terem relações sexuais apenas quando de fato tiverem vontade, pelos motivos que quiserem, mas buscando não apenas dar prazer ao parceiro mas também visando o seu próprio prazer”, comentou a jornalista.

A coordenadora da escola, Catia Izabel Pellizari Espinosa, conta que os educadores já tratam do tema nas aulas de Ciências e nos projetos Saúde e Bem Estar. Ela diz que doenças sexualmente transmissíveis e gravidez na adolescência costumam ser abordadas, mas que foi a primeira vez que veio alguém de fora só para falar desse assunto.

Gabriella lembrou de quando ela mesma era estudante e a abordagem já era esta: “A aula de ciências foi de cinco minutos com a professora respirando fundo, tentando falar tudo o mais rápido possível e evitando palavras como vagina e pênis”, recorda, acrescentando que a abordagem contribui para esse tema seguir como um tabu nas escolas.

Em seu trabalho de conclusão de curso da graduação (TCC), Gabriella pesquisou sobre a construção da sexualidade feminina, tendo como resultado final o livro “Amulherar-se”, disponível online. Ela também contribui para os portais “Papo de Homem” e “Lado M” com artigos sobre sexualidade mais voltados ao público adulto, “Falar sobre gravidez na adolescência me pareceu muito difícil” relatou. No final da atividade foi possível ver que algumas novas perspectivas foram trazidas e indo além do tabu, do punitivismo e das questões meramente biológicas e técnicas.

Três dicas de como trabalhar o tema da sexualidade:

A pedido do Quero na Escola, Gabriela dá três dicas de como abordar o tema.

1) Faça isso antes do ensino médio

A sexualidade normalmente, quando trabalhada, é feita apenas para os alunos dos últimos anos do ensino médio. Porém esse tema possui relação com a formação do aluno desde muito antes da adolescência, sendo necessário tratar inicialmente a relação do jovem para com seu próprio corpo e os conceitos de consentimento e autonomia antes mesmo de chegar na “fase do namoro”. Gabriella publicou um artigo mais específico sobre esse tema que pode ser lido na íntegra no link a seguir: https://papodehomem.com.br/porque-falar-sobre-sexo-com-seus-filhos/

2) Crie um espaço de diálogo permanente

As questões dos alunos sobre esse tema mudam de acordo com o desenvolvimento deles e o passar dos anos, assim fomentar um espaço de diálogo permanente na escola sobre esse assunto contribui para que esse tema não seja tratado como tabu ao mesmo tempo que vira um espaço de referência e suporte para que os alunos possam recorrer ao surgir novas questões e dúvidas.

3) Relacione a sexualidade com o machismo e a masculinidade tóxica

Falar sobre sexualidade não se trata de falar apenas da relação sexual de forma isolada, também diz respeito a comportamentos e ao empoderamento das pessoas sobre seus próprios corpos. Desse modo é preciso debater sobre os papéis de gênero juntamente com a questão da sexualidade. Trazer que é construída socialmente diferentes expectativas acerca da sexualidade masculina e feminina de modo a não naturalizar tais padrões. Temos muitos relatos de mulheres que já fizeram sexo sem estar com vontade apenas para agradar o parceiro, que o ápice da relação sexual é o orgasmo masculino enquanto o orgasmo feminino é tratado como tabu, somente a partir desse debate social que vai ser possível trazer reflexões para ambos gêneros.

E você, quer convidar alguém para falar de um assunto que falta na sua escola? Inscreva-se no Quero na Escola.

Grupo só de meninas recebe voluntário para atividade sobre Design de Games

Por Marcela Riccomini

Design de games é assunto de homem? Na escola municipal Frei Damião, no Grajaú, zona sul de São Paulo, pelo contrário: para a surpresa do designer, Gabriel dos Santos, o grupo de estudantes que participou da atividade em que ele foi voluntario do Quero na Escola era completamente feminino – exceto os professores. O assunto pedido pela aluna Ana Bárbara Malta, resultou em uma apresentação sobre a profissão designer de games e possíveis áreas de trabalho e, logo depois, prática sobre desenho. Com técnicas e dicas, os participantes da atividade desenharam em uma folha própria e experimentaram a rotina do profissional.

A aluna de 14 anos, sempre se interessa muito pela cultura japonesa e pela profissão de designer de games. Seu sonho, é morar no Japão trabalhando nesta área. Gabriel também veio de escola pública e se motivou em se voluntariar porque sentiu que finalmente seria um jeito de realizar um trabalho social unido aos seus conhecimentos.

A  EMEF Frei Damião, realizou a atividade em um sábado de escola aberta à comunidade, contando não só com alunas interessadas, mas também educadores da escola, que assistiram e interagiram durante toda a execução. “Professores e alunos participaram das atividades e saíram com brilho nos olhos. São essas iniciativas que fazem a diferença  e transformam nossa sociedade”, comentou a coordenadora pedagógica, Palmyra Cerezer.

A troca também fez o profissional refletir sobre a mudança no público do seu mercado de trabalho. Segundo o designer, sua área é extremamente machista e predominantemente formada por homens. Ao receber apenas alunas mulheres no sábado, ele notou uma mudança no público consumidor de games e até nos futuros profissionais.  

Quer fazer como o Gabriel e se voluntariar para ajudar em algum assunto que domina? Entre em nosso site e olhe os pedidos feitos na sua região! Ou, é aluno de escola pública e gostaria de aprender mais sobre algo? Manda pra gente seu pedido! www.queronaescola.com.br  

 

Pedido sobre bullying mobiliza seis voluntárias e atende 250 adolescentes

Voluntárias Lídia Karen dos Santos Dalperio, Clara Beatriz dos Santos Martins, Larissa Ayumi Onoue Taques, Micaelen Cristina da Silva, Maria Vitória Silva e Paloma Ariel Rodrigues Freitas, aluno Marcos Tomaes e a professora de Língua Portuguesa Aline Aguiar

Por Natália Sierpinski 

Quanto um estudante pode mobilizar? É comum no Quero na Escola que o pedido de um aluno traga algo para dezenas de pessoas em sua escola, mas em Presidente Bernardes – cidade no interior de São Paulo, já perto da divisa com Mato Grosso do Sul – essa matemática foi além. Integrante do grêmio, Marcos Tomaes, 17 anos, pediu uma atividade sobre bullying na Escola Estadual Alfredo Westin Junior, acabou conseguindo seis voluntárias, que viajaram desde outra cidade e que falaram com mais de 250 alunos de todas as nove salas do Ensino Médio.

As participantes são estudantes do curso de Pedagogia da Unesp de Presidente Prudente (na primeira foto em destaque, temos da esquerda para a direita: o aluno Marcos, as voluntárias Maria Vitória Silva e Clara Beatriz dos Santos Martins, a professora de Língua Portuguesa Aline Aguiar e as voluntárias Larissa Ayumi Onoue Taques, Paloma Ariel Rodrigues Freitas, Micaelen Cristina da Silva e Lídia Karen dos Santos Dalperio). Elas saíram de suas casas por volta de 6h para estar na cidade vizinha às 7h40, preparam material e falas por dias antes, mas levaram também relatos pessoais, que foram os mais cativantes. Micaelen Cristina da Silva, 30 anos, por exemplo, relacionou o bullying com o preconceito e disse que, quando começou seu relato todos os alunos ficaram prestando muita atenção e balançando a cabeça, para afirmar que sabiam sobre o que ela estava relatando.

Ao final da atividade, muitos alunos foram falar em particular com as voluntárias, fazer perguntas e compartilhar vivências. “Percebi que tocamos boa parte dos alunos sobre o que o bullying pode causar na vida de uma pessoa”, disse Maria Vitória Silva, 23 anos. Clara Beatriz dos Santos Martins, 20 anos, outra voluntária, também acredita que passaram a mensagem principal: que o bullying é um assunto amplo e que afeta toda a escola.

O grêmio da escola e a direção se envolveram muito no processo, desde o agendamento até a recepção das voluntárias. “Fomos muito bem recebidas pela professora e pelo grêmio, a palestra foi produtiva, os alunos interagiram muito, foi gratificante, cresci muito pessoalmente e também vai agregar para a minha graduação” comentou Lídia Karen dos Santos Dalperio, 24 anos. Até da merenda, compartilharam.

Antes de ir à escola, todas as voluntárias se reuniram várias vezes para preparar a atividade, leram materiais, separaram vídeos e fizeram a mão mais de 200 lembrancinhas para dar para os alunos no final do processo.

A caçula das voluntárias, Larissa Ayumi Onoue Taques, 17 anos, conta que começaram com perguntas sobre o tema, para que os alunos se sentissem mais a vontade, depois mostraram uma classificação com todos os tipos de bullying que existem e passaram um vídeo que falava mais sobre o assunto de forma mais dinâmica e leve.

No final da atividade, todos os alunos ganharam um bilhete preso a uma bala. Gesto doce e trabalhoso, como o comprometimento do grupo. Marcos, o estudante, diz que ficou muito satisfeito com a atividade. “Foi espetacular”. 

E olha que a matemática inicial deste pedido quase deu zero. Marcos se inscreveu em 2017. Só em março de 2018 tivemos uma voluntária inscrita. Quando agendamos com a escola, esta voluntária nos respondeu com uma negativa por questões de trabalho: “não posso mais”. A equipe do Quero na Escola se viu com um novo desafio então: encontrar substitutos para essa escola que já estava esperando uma atividade. A cidade de Presidente Bernardes tem apenas 13 mil habitantes, de modo que, depois de algumas semanas, a busca se estendeu para as cidades vizinhas, chegando até Presidente Prudente.

Foram semanas de tentativas e espera. Valeu a pena! 

E você, quer ter qual atividade em sua escola? Acesse www.queronaescola.com.br e faça seu pedido! 

Chef de cozinha é voluntária sobre alimentação saudável em escola de SP

Por Marcela Riccomini

Combinar ingredientes diferentes faz parte do dia-a-dia de quem trabalha com Gastronomia. No dia 17 de abril, a chef de cozinha Luisa Paiva experimentou uma combinação ainda mais inusitada: ela foi até a Escola Estadual Professor José Monteiro Boanova, na zona oeste de São Paulo, falar sobre alimentação saudável. O motivo da visita? Os próprios alunos pediram um papo sobre o assunto, via Quero na Escola.

A atividade começou com a explicação da diferença entre alimentos in natura, processados, ultra-processados e temperos. Luisa mostrou que muitas vezes podemos trocar ultra-processados por alimentos in natura, preparando-os em casa. Uma das alunas até se animou e pediu uma receita de pão que ela pudesse fazer.

As três salas de 8 anos do Ensino Fundamental que tiveram a atividade demonstraram interesse pelo assunto, que envolve a todos. Debateram diferença de orgânicos e transgênicos, aprenderam a história dos alimentos ultraprocessados e, de maneira geral, fizeram perguntas e contribuições que enriqueceram o encontro.

“Eu sinto que participar de uma atividade como essa é uma forma de retribuir para a sociedade tudo o que já recebi”, afirmou Luisa, satisfeita, depois da sua palestra voluntária na escola. Entre os alunos, a experiência também agradou. Um deles classificou a palestra como “sensacional”, porque o fez refletir sobre o que pode mudar em seus hábitos alimentares.

A professora responsável pelas turmas, Patrícia Porin Ribeiro, também aprovou o encontro entre os alunos e a voluntária. “É super legal a iniciativa. Dar informação é importante”, disse. A educadora viu na atividade um gancho para trabalhar o assunto em suas aulas de Artes e, no mesmo dia, pediu para os alunos pesquisarem quanto tempo alguém pode ficar sem água e sem comida.

A combinação foi enriquecedora para todos e uma sementinha da boa alimentação foi plantada. Agora é torcer para que eles desenvolvam esse hábito.

Quer receber uma atividade diferente na sua escola? Inscreva-se no Quero na Escola, é simples: alunos de escola pública podem pedir no site por uma atividade fora da grade curricular, e pessoas como a chef de cozinha Luisa se voluntariam para realizá-la. Quer ser voluntário? Só procurar no nosso site se há algum pedido que você possa atender.

Grafiteira voluntária e estudantes dão nova cara a muros de escola

No sábado, 24, a designer Adriene da Silva Oliveira acordou mais cedo do que costuma levantar durante a semana para sair de Jacareí, onde mora, e estar às 8h na Escola Helio Augusto de Souza, em São José dos Campos. Levou latas de grafite, uma máscara e desenhos possíveis. Foi recebida pela diretora e um grupo de alunos que incluía Cecília Panzeri Rodrigues, estudante de 13 anos que pediu aula de grafite no Quero na Escola.

“Sentamos rapidinho e debatemos sobre alguns desenhos, foi super legal porque deram ótimas ideias. Eu lançava o básico e eles arrematavam”, conta a artista que pratica desde 2007. Uma bola de basquete, por exemplo, ganhou um anel de saturno. Uma maça foi pintada como se fosse o mundo.

Cecília (esq) e amiga posam para a voluntária ao lado da peça de xadrez

Cecília deu uma ideia que ainda não estava nos esboços: uma peça de xadrez, jogo que pratica dentro e fora da escola. “Ela fez o desenho na parede, a gente pintou e desenhou mais algumas partes”, relata feliz de ter mais esta ideia atendida.

A aula incluiu noções básicas do spray sobre manter a pressão e a distância e também como praticar fora dos muros. “Eu falei pra eles que faço algum desenho no papel todo dia, dali vai saindo a firmeza”, explica Adriene, dica que Cecília afirma que vai incorporar no cotidiano.

A diretora, Regina Oliveira, também ficou muito feliz com a participação e combinou com a voluntária de retornar, já que outros estudantes também gostariam de participar. “Como diretora e moradora do bairro onde a escola está situada, senti que foi um ganho muito grande para os nossos alunos, ainda mais sendo um pedido de uma aluna que se sentiu importante. Eles pensam que pedido de adolescente nunca é aceito, se sentem rejeitados e ela, a Cecília, adorou ter seu pedido aceito.”

Qualquer estudante de escola pública pode dizer o que mais gostaria de aprender no Quero na Escola e interessados em ajudar podem se cadastrar para dar uma aula.

Estudantes organizam dia de reflexão sobre feminismo em escola

Por Natália Sierpinski 

Um jornal, várias atividades com parceiros e um dia de portas abertas à comunidade. Tudo isso foi organizado pelos alunos e professores da Escola Estadual Américo de Moura, em Jardim Avelino, São Paulo. Depois de a abertura ser feita com uma apresentação musical dos alunos, a primeira atividade do dia foi o debate sobre gênero e violência contra a mulher com a participação da Coordenadoria de Políticas para a Mulher da Prefeitura de São Paulo e da voluntária do Quero na Escola Lizandra Magon de Almeida, responsável pela editora Pólen.

“Gostei muito de ter ido e de ver os professores e alunos envolvidos. Acho que essas iniciativas do Quero na Escola são sempre incríveis para todo mundo que participa porque a gente também aprende muito”, comentou a jornalista e editora. Pela Coordenadoria de Políticas para a Mulher do governo municipal estavam a coordenadora Hannah Maruci Aflalo e a estagiária Amanda Sadalla.

Alguns pontos levantaram debate, como as várias formas de violência contra a mulher que existem e a conscientização de que são crimes, como por exemplo o vazamento de fotos íntimas pela internet e pelo WhatsApp. Elas também relacionaram esses comportamentos e estereótipos machistas e sexistas com a nossa cultura.

Weilton Moraes, 16 anos, aluno do ensino médio da escola e membro do clube de jornalismo, participou da produção da segunda edição do jornal da escola. Dedicada ao feminismo, esta edição abordou algumas mulheres que marcaram a história, como a Princesa Isabel e Lili Elbe, além de conter uma matéria sobre Pabllo Vittar e outra sobre o conceito de feminismo. O aluno apontou que a terceira edição do jornal vai ser sobre o evento deste dia. “Sabemos só básico deste tema e acho muito importante elas trazerem [a conversa] para a escola”, afirmou.

Além dessa atividade, a escola também teve uma exposição sobre mulheres importantes na história, duas apresentações de teatro que abordaram a temática da violência contra a mulher e o assédio, além de atividades promovidas por grupos parceiros, que ofereceram aulas de dança, artesanato e serviços de beleza como manicure e maquiagem.

Raquel de Oliveira Alves, 34 anos, é professora de Língua Portuguesa da escola Américo de Moura e participou de todo o processo de organização do dia de atividades. “Nós organizamos de acordo com o currículo. Isto é muito importante dentro de uma escola de tempo integral: como os alunos ficam aqui o dia inteiro, todo evento tem que ser pertinente com o que eles fazem”, comentou, lembrando que aproveitaram o Mês das Mulheres também para exposições, sarau e teatro.

Matheus, 15 anos, apontou que todos da escola se mobilizaram para a organização do evento. “Teve uma coletividade muito grande. E, na minha opinião, foi uma coisa muito bem elaborada, por ser um primeiro evento no primeiro ano da escola como de ensino integral”.

Matheus também é líder de sala e “acolhedor da escola”, um termo usado para os alunos responsáveis por receber os colegas o ano todo. A escolha dos alunos que vão ser acolhedores é feita a partir dos que se voluntariam. O intuito do acolhedor é não apenas apresentar a estrutura da escola mas também sua pedagogia, Matheus completou que falar sobre a escola é mostrar que “não é uma coisa chata”. Segundo ele, os acolhedores indicam que são nove aulas dinâmicas. “A gente mostra muito os nossos quatro pilares da educação que é o aprender a ser, aprender a conhecer, aprender a fazer e apenas ser. A gente mostra vídeos falando sobre a gente ser o protagonista. Todos os acolhedores são, na minha opinião, grandes protagonistas.”

Os líderes de sala, por sua vez, possuem uma grande voz na escola e de fato representam os colegas, levando projetos dos alunos para a direção, por exemplo. São feitos momentos de diálogo, com debate e votação democráticos para serem decididos os pontos que os líderes de sala irão abordar.

A voluntária Lizandra se surpreendeu com a dinâmica da escola e sua pedagogia: “Adorei conhecer o projeto, que é inovador e pode ser uma forma bacana de escola mais pra frente. Você percebe que alunos e professores estavam ali super ligados e dispostos.”

A autonomia e protagonismo dos alunos e uma integração entre a escola e a comunidade vão ao encontro do Quero na Escola, como comentou Matheus. “É um projeto que eu achei muito fantástico porque isso mostra que tudo está interligado dentro da educação. Se encaixa com a escola e trás o público de fora, todo mundo se une e faz um grande projeto como hoje”, comemorou.

E você gostaria de pensar em uma ação interligada entre a sociedade e a escola? O Quero na Escola é uma plataforma que ouve os pedidos de aprendizagem dos estudantes que vão além do currículo obrigatório. Se você é estudante e gostaria de pedir ajuda para fazer algo em sua escola, conte com a gente! Inscreva-se

Ex-estudante de escola pública volta à sala de aula para ensinar alunos sobre DSTs

Paulo Ricardo Souza da Silva sabia bem o que esperar quando chegou ao Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, localizado no bairro do Catete, no Rio de Janeiro (RJ). Aos 19 anos, ele não precisa forçar a memória para se lembrar do tempo em que estudava em escolas públicas.

Mas o retorno a uma sala de aula do Ensino Médio também teve algo de diferente: Paulo agora cursa Farmácia no Centro Universitário Celso Lisboa, e foi ao Amaro Cavalcanti para ensinar. Como voluntário do Quero na Escola, ele falou sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) em duas palestras que reuniram 60 alunos do segundo e do terceiro ano do Ensino Médio.

“Foi muito legal voltar para uma escola do outro lado, como se eu fosse o professor”, contou. “E foi mais legal ainda por causa da proximidade de idade com os estudantes. Isso possibilita que me vejam como alguém que está perto, onde eles estão chegando. Daqui a um ou dois anos, [os professores] podem ser eles. Isso cria uma atmosfera bacana.”

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Paulo Ricardo (à esquerda) e alguns dos alunos que assistiram à palestra sobre DSTs

A proximidade de idade também ajudou a encorajar a participação dos alunos na atividade sobre a importância do sexo seguro. “[Quando o palestrante é mais novo] os estudantes se sentem até mais à vontade para se comunicar e falar certas coisas”, afirmou a coordenadora pedagógica Thereza Vivacqua.

Paulo teve a mesma sensação: “No começo o pessoal não sabe muito como reagir, mas sempre dou minhas palestras usando a linguagem deles.”

Planos para o futuro

Esta foi a terceira vez que Paulo ministrou uma palestra, e a segunda em uma escola pública – a primeira, sobre o uso medicinal da cannabis, foi no próprio colégio onde estudou. Aulas extracurriculares como estas foram raras em seu tempo de Ensino Médio: “Acho importante que existam atividades diferentes, que saem da rotina e tiram os alunos da zona de conforto. Muitos não sabem o que querem fazer no futuro, e é sempre legar ter alguém para quem olhar, alguém que te faz pensar.”

Paulo, por sua vez, sabe bem o que quer: continuar os estudos, fazer mais palestras e seguir carreira acadêmica voltada à pesquisa. Ele já concluiu seu primeiro artigo científico, sobre anencefalia, e agora se dedica ao segundo, sobre casos de trombose relacionados ao uso de anticoncepcional.

Sua participação no Quero na Escola demorou a se concretizar. Paulo fez seu cadastro como voluntário no primeiro semestre deste ano, inicialmente para ministrar uma palestra sobre eutanásia em outro colégio carioca. Alguns meses depois, avaliou que Doenças Sexualmente Transmissíveis seria um tema mais próximo à sua área de estudo.

Paralelamente, desde agosto a equipe do Quero na Escola já organizava a realização da palestra na Amaro Cavalcanti, que seria dada por outra voluntária, cujo cadastro fora feito anteriormente. Quando problemas de agenda impediram a participação desta voluntária, começou a articulação para a visita de Paulo à escola. As conversas começaram em setembro e em 23 de novembro a palestra finalmente aconteceu. “Embora no final de ano os estudantes fiquem mais apreensivos, ansiosos pelas férias, o interesse foi muito grande”, contou a coordenadora. “Até alunos que não tinham sido chamados perguntaram se podiam participar.”

A escola já conversou com o voluntário para que novas palestras sejam marcadas no ano que vem. “Uma professora até brincou: ‘A gente tem 60 turmas, você só falou para duas, tem bastante turma ainda!”, contou Thereza.

Paulo já topou: “Foi muito bom criar uma conexão com a escola.”

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Se você é estudante da rede pública de qualquer lugar do Brasil, também pode levar atividades diferentes para a sua escola. Acesse www.queronaescola.com.br e faça seu cadastro!

Em imagens, a história da voluntária que viajou para emprestar 691 livros

A escola municipal José Nery Carneiro de Napoli atende todas as 260 crianças de Socavão, distrito rural a 10 quilômetros do centro da cidade de Castro, no interior do Paraná. A professora Cleunice de Aparecida Pedroso Castanho queria levar mais cultura para os alunos e pediu a visita de alguém que trouxesse uma biblioteca móvel, no Quero na Escola – Especial Professor, parceria com a Fundação SM,

O pedido circulou até chegar a Lilian Ribeiro de Camargo, pedagoga e criadora do Projeto Linhas de incentivo a leitura e escrita. Dona de uma coleção considerável que divide com o filho de 12 anos, ela pediu reforço.  “Tenho muitos livros, deixo de comprar outras coisas para comprar livros, mas para poder atender a escola tive que comprar mais e pedir doação para amigos e sebos.”

Lilian (de jaqueta) e Dayane com os alunos

Porta-malas lotado, Lilian e a parceira de trabalho voluntário Dayane Côrrea saíram de Curitiba rumo a Castro ao amanhecer. A viagem durou mais de três horas. “Valeu cada hora, buraco e lama”, garante Lilian.

Todas as 10 turmas ouviram histórias 4 histórias e outras 687 foram deixadas à disposição. “Amamos realizar o trabalho. Superou nossas expectativas. Fomos muito bem recebidas por toda escola. Impressionante o trabalho que estão desenvolvendo e como toda comunidade escolar é unida e engajada com a educação das crianças. A cada turma as crianças gostavam tanto das histórias que pediam para lermos mais e ficaram maravilhadas”, lembra Lilian.

“Ficamos todos encantados com o trabalho delas, tanto nós professoras, quanto os alunos”, conta Cleunice. “Espero que seja o início de uma longa parceria”, diz ela. No dia seguinte o trabalho pedagógico já incluiu reflexão e arte sobre uma das obras. Professora e voluntária combinaram de trocar informações online e uma nova visita para março, para que possam aproveitar as obras durante todas as férias escolares.

A fotógrafa Isabella Lanave acompanhou as voluntárias em toda a viagem, veja imagens:

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