Ex-estudante de escola pública volta à sala de aula para ensinar alunos sobre DSTs

Paulo Ricardo Souza da Silva sabia bem o que esperar quando chegou ao Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, localizado no bairro do Catete, no Rio de Janeiro (RJ). Aos 19 anos, ele não precisa forçar a memória para se lembrar do tempo em que estudava em escolas públicas.

Mas o retorno a uma sala de aula do Ensino Médio também teve algo de diferente: Paulo agora cursa Farmácia no Centro Universitário Celso Lisboa, e foi ao Amaro Cavalcanti para ensinar. Como voluntário do Quero na Escola, ele falou sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) em duas palestras que reuniram 60 alunos do segundo e do terceiro ano do Ensino Médio.

“Foi muito legal voltar para uma escola do outro lado, como se eu fosse o professor”, contou. “E foi mais legal ainda por causa da proximidade de idade com os estudantes. Isso possibilita que me vejam como alguém que está perto, onde eles estão chegando. Daqui a um ou dois anos, [os professores] podem ser eles. Isso cria uma atmosfera bacana.”

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Paulo Ricardo (à esquerda) e alguns dos alunos que assistiram à palestra sobre DSTs

A proximidade de idade também ajudou a encorajar a participação dos alunos na atividade sobre a importância do sexo seguro. “[Quando o palestrante é mais novo] os estudantes se sentem até mais à vontade para se comunicar e falar certas coisas”, afirmou a coordenadora pedagógica Thereza Vivacqua.

Paulo teve a mesma sensação: “No começo o pessoal não sabe muito como reagir, mas sempre dou minhas palestras usando a linguagem deles.”

Planos para o futuro

Esta foi a terceira vez que Paulo ministrou uma palestra, e a segunda em uma escola pública – a primeira, sobre o uso medicinal da cannabis, foi no próprio colégio onde estudou. Aulas extracurriculares como estas foram raras em seu tempo de Ensino Médio: “Acho importante que existam atividades diferentes, que saem da rotina e tiram os alunos da zona de conforto. Muitos não sabem o que querem fazer no futuro, e é sempre legar ter alguém para quem olhar, alguém que te faz pensar.”

Paulo, por sua vez, sabe bem o que quer: continuar os estudos, fazer mais palestras e seguir carreira acadêmica voltada à pesquisa. Ele já concluiu seu primeiro artigo científico, sobre anencefalia, e agora se dedica ao segundo, sobre casos de trombose relacionados ao uso de anticoncepcional.

Sua participação no Quero na Escola demorou a se concretizar. Paulo fez seu cadastro como voluntário no primeiro semestre deste ano, inicialmente para ministrar uma palestra sobre eutanásia em outro colégio carioca. Alguns meses depois, avaliou que Doenças Sexualmente Transmissíveis seria um tema mais próximo à sua área de estudo.

Paralelamente, desde agosto a equipe do Quero na Escola já organizava a realização da palestra na Amaro Cavalcanti, que seria dada por outra voluntária, cujo cadastro fora feito anteriormente. Quando problemas de agenda impediram a participação desta voluntária, começou a articulação para a visita de Paulo à escola. As conversas começaram em setembro e em 23 de novembro a palestra finalmente aconteceu. “Embora no final de ano os estudantes fiquem mais apreensivos, ansiosos pelas férias, o interesse foi muito grande”, contou a coordenadora. “Até alunos que não tinham sido chamados perguntaram se podiam participar.”

A escola já conversou com o voluntário para que novas palestras sejam marcadas no ano que vem. “Uma professora até brincou: ‘A gente tem 60 turmas, você só falou para duas, tem bastante turma ainda!”, contou Thereza.

Paulo já topou: “Foi muito bom criar uma conexão com a escola.”

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Em imagens, a história da voluntária que viajou para emprestar 691 livros

A escola municipal José Nery Carneiro de Napoli atende todas as 260 crianças de Socavão, distrito rural a 10 quilômetros do centro da cidade de Castro, no interior do Paraná. A professora Cleunice de Aparecida Pedroso Castanho queria levar mais cultura para os alunos e pediu a visita de alguém que trouxesse uma biblioteca móvel, no Quero na Escola – Especial Professor, parceria com a Fundação SM,

O pedido circulou até chegar a Lilian Ribeiro de Camargo, pedagoga e criadora do Projeto Linhas de incentivo a leitura e escrita. Dona de uma coleção considerável que divide com o filho de 12 anos, ela pediu reforço.  “Tenho muitos livros, deixo de comprar outras coisas para comprar livros, mas para poder atender a escola tive que comprar mais e pedir doação para amigos e sebos.”

Lilian (de jaqueta) e Dayane com os alunos

Porta-malas lotado, Lilian e a parceira de trabalho voluntário Dayane Côrrea saíram de Curitiba rumo a Castro ao amanhecer. A viagem durou mais de três horas. “Valeu cada hora, buraco e lama”, garante Lilian.

Todas as 10 turmas ouviram histórias 4 histórias e outras 687 foram deixadas à disposição. “Amamos realizar o trabalho. Superou nossas expectativas. Fomos muito bem recebidas por toda escola. Impressionante o trabalho que estão desenvolvendo e como toda comunidade escolar é unida e engajada com a educação das crianças. A cada turma as crianças gostavam tanto das histórias que pediam para lermos mais e ficaram maravilhadas”, lembra Lilian.

“Ficamos todos encantados com o trabalho delas, tanto nós professoras, quanto os alunos”, conta Cleunice. “Espero que seja o início de uma longa parceria”, diz ela. No dia seguinte o trabalho pedagógico já incluiu reflexão e arte sobre uma das obras. Professora e voluntária combinaram de trocar informações online e uma nova visita para março, para que possam aproveitar as obras durante todas as férias escolares.

A fotógrafa Isabella Lanave acompanhou as voluntárias em toda a viagem, veja imagens:

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Quem tem medo do Lobo Mau? Não estas crianças, que o assopraram até cair!

Quem você convidaria para incrementar suas aulas? Diante da pergunta do Quero na Escola – Especial Professor, nossa parceria com a Fundação SM – a professora Debora Baccaro convidou Lobo Mau. A educadora do Centro de Educação Infantil Silvia Covas, em São Paulo, havia trabalhado algumas histórias com o vilão no primeiro semestre com sua turma de minigrupo. Em vez de medo, as crianças de 3 anos acabaram criando curiosidade e afeto pelo personagem. “Eles fantasiavam o que aconteceu com ele depois de Chapeuzinho e de Os Três Porquinhos”, contou.

Lobo lê as cartinhas preparadas para ele

Guilherme Freire, 17 anos, vestiu uma fantasia completa e fez o Lobo Mau, mas não foi sozinho. Reunidos pela professora Fabia Alvin, vários alunos do Núcleo de Convivência e Ação e do Teatro do Colégio Benjamin Constant participaram. O primeiro passo foi imaginar o que crianças iam perguntar e criar as respostas, depois foram todos juntos à escola, como acompanhantes do Lobo.

O Lobo Mau ganhou abraços, cartinhas de garatujas e, claro, broncas pelas maldades. As crianças disseram a ele como se comportar melhor e Guilherme prometeu que já era um Lobo Bom. Ele e sua turma brincaram de pega-pega, esconde-esconde  e contaram histórias. “Do meu ponto de vista foi maravilhoso, todos os pequeninos felizes me fizeram lembrar da minha época de criança, isso tocou bastante. Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o interesse das crianças pelo personagem, quão isso era realmente importante para eles”, comentou o jovem.

Como o Lobo levou ajudantes, não foi só a turma da professora Debora que pode brincar com ele, mas todas as crianças da Cei, exceto o berçário 1 (os bebês mais novos). “Na hora da saída, todos queriam contar, ‘O Lobo Mau veio aqui!’, ‘Eu brinquei com ele’, ‘Ele não come mais a vovó’, eles vão falar sobre o Lobo por um bom tempo”, comentou a educadora, elogiando o trabalho dos adolescentes. “Eles arrasaram. Brincaram de verdade.”

Veja como as crianças acabaram aprendendo a assoprar com força:

Voluntárias fazem criançada paulistana se mexer – e se divertir!

Professora da educação infantil há 15 anos, Noelle da Silva Santos sabe bem que criança pequena gosta de correr, pular, dançar, enfim, se mexer. Pensando em alegrar seus alunos da Escola Municipal de Educação Infantil Arthur Etzel, na zona norte de São Paulo, ela se inscreveu no Quero na Escola – Especial Professor pedindo atividades físicas. E ganhou o presente em dose dupla, graças às visitas das voluntárias Thais Nascimento Ghendov,  Alessandra Villar e Ligia Taliberti de Andrade.

Thais e Alessandra passaram um dia promovendo atividades ao ar livre

Thais e Alessandra, sócias na empresa chamada Seja Ativo, visitaram a EMEI no dia 6, promovendo atividades ao ar livre nos períodos da manhã e da tarde. Mais de 300 crianças participaram do evento, que teve percursos com obstáculos, rodas e muita dança. “Todos ficaram muito felizes e foi muito divertido. Essa era a intenção principal: que tudo fosse divertido aos pequenos”, disse Thais.

Na semana seguinte, no dia 11, foi a vez da voluntária Ligia comandar a diversão – e também o aprendizado. Ligia, que é professora de educação física, levou atividades físicas lúdicas que podem ser desenvolvidas em ambiente fechado. “Fiquei feliz em realizar a atividade. Percebi nas crianças muita empolgação e concentração”, conta. As professoras da EMEI assistiram a tudo para poderem aprender e multiplicar a proposta.

A presença da sociedade de maneira positiva dentro da escola pública é uma forma de mostrar que Noelle tem apoio e respeito no seu trabalho diário pela educação, ou seja, nosso objetivo com o Quero na Escola – Especial Professor, parceria com a Fundação SM. “Acredito na educação como ferramenta de transformação do mundo. Escolhi a escola pública porque o lugar de se fazer cumprir direitos é lá. O meu lugar é lá, ao lado dos meus iguais, na busca de um mundo mais justo”, afirma. Estamos com você, Noelle! Parabéns!

Professores de São Bernardo ganham show particular

Como presente para o Dia dos Professores, a coordenadora da Escola Municipal de Ensino Básico Vereador Gervasio Paz Folha, de São Bernardo do Campo, queria homenagear sua equipe pelo trabalho que realizam diariamente, durante todo o ano. Para concretizar sua ideia, ela se inscreveu no Quero na Escola – Especial Professor pedindo um show particular dentro da escola. E foi atendida!

Pai e filho, os músicos Sérgio e Alexandre Lima se apresentaram por cerca de duas horas,
no intervalo do almoço do dia 20. A equipe inteira da escola, cerca de 50 pessoas,
participou do evento. “Agradecemos aos músicos e ao Quero na Escola, que
proporcionaram esse momento tão gostoso. Abrilhantou nossa homenagem aos
professores”, disse Débora após o show. “Houve muita interação, as professoras dançaram, cantaram junto”, conta.

Os voluntários também ficaram felizes com a experiência. “É um prazer poder homenagear os profissionais mais importantes de nosso país. Dizem que no Japão o único profissional que não se curva diante do imperador é o professor – e gosto de lembrar essa história para trazer a importância dessa carreira tão bonita”, diz Sérgio.

O Quero na Escola – Especial Professor é uma parceria com a Fundação SM, que já está na segunda edição e é finalizado no mês dos professores. com atividades como esta. Aos professores de todo o País, nossos agradecimentos e aplausos.

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Protagonismo juvenil abre Quero na Escola – Especial Professor 2017

“Como estimular o protagonismo juvenil nos estudantes?”, a pergunta da professora Vânia Elizabeth Ferreira resultou na primeira atividade do Quero na Escola – Especial Professor, projeto desenvolvido em parceria com a Fundação SM para que, no mês dos professores, eles também recebam voluntários para tratar dos temas que gostariam de ver na escola. A resposta à indagação veio em uma dinâmica para alunos e professores da Escola Municipal Israel Pinheiro, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.

Brenda na conversa inicial sobre o que é protagonismo. Foto: Flavio Tavares

Quem promoveu a atividade voluntariamente foi Brenda Maia, que participa do coletivo Embaixadores de Minas. Na segunda-feira, a escola reuniu 15 alunos e três professores para recebê-la. Depois de conversar sobre a valorização da fala de cada um, de ouvir e de compartilhar sentimentos, ela os colocou em uma posição de escuta e fala alternada. “Fizemos uma roda de escuta com os alunos, no formato aquário de conversação, para valorizar a voz do outro, para entender que ser protagonista é saber sua história, identificar problemas e propor soluções”, explica.

A dinâmica consiste em colocar as pessoas sentadas em roda e apenas uma pessoa posicionada no centro. Quem tem a vez da fala? Isso mesmo, somente quem está sentada no centro. Esse é o momento de expressar-se e dizer aquilo que deseja falar sobre o assunto colocado.

A voluntária procurou puxar possíveis problemas que os adolescentes encontram em seu dia-a-dia na escola. Alguns assuntos renderam mais, como Bullying, por exemplo.

Dinâmica que estimulou fala e escuta chegou a causar emoção. Foto: Flavio Tavares

A professora Renata Karine Lacerda, uma das participantes, deu um depoimento sobre o que achou: “A forma que a Brenda conduziu a dinâmica foi maravilhosa. Quebrou a timidez de alguns, envolvendo a todos. Logo, o grupo se identificou com a atividade. Ela conseguiu abordar temas importantes e de forma diferente do que fazemos no dia a dia escolar”, conta. E conclui: “Vamos utilizar esse aprendizado em sala de aula.”

O Quero na Escola – Especial Professor está com inscrições de educadores abertas desde julho e aceita cadastros até esta sexta-feira, dia 6. Durante todo o mês de outubro, voluntários de diversos segmentos da sociedade conhecerão seus professores presenteados e escolas públicas pelo País.

Participaram 15 estudantes, além de professores da Escola Municipal Israel Pinheiro, em Belo Horizonte. Foto: Flavio Tavares

Artista visual reflete sobre selfies e médico fala sobre a profissão em escola da zona leste de SP

Ao falarmos sobre fotografia logo pensamos nas famosas selfies, publicadas em peso todos os dias nas redes sociais. Foi pensando nisso que a artista visual Roberta Dabdab resolveu levantar a questão Selfie x Autorretrato na Escola Estadual Luciane do Espírito Santo, no bairro de Lageado, zona leste de São Paulo. Ela foi até lá a pedido da estudante Sandy, que sonha em ser fotógrafa e fundou um clube de fotografia na escola, para estimular a prática.

Roberta começou falando da força que a imagem e a comunicação têm na mão dos jovens e que, por isso, eles deveriam utilizar este potencial para produzir imagens com mais consciência. “Tirar uma selfie só por tirar chega a ser bobo”, disse. “Por que não produzir, ao invés disso, um autorretrato?”.

A diferença ela mostrou em seguida, exibindo diversas fotos produzidas por artistas que trabalham com enquadramentos, montagens, espelhos, manipulação em softwares, entre outras técnicas, para representar pessoas. Depois de mostrar as referências, deixou os estudantes livres para sair pela escola colocando as dicas em práticas e fazendo autorretratos.

“Sou do clube de fotografia, pretendo seguir essa carreira”, contou Gustavo Sales, que aproveitou o clima chuvoso para tirar fotos brincando com o reflexo da água no pátio da escola. Mas a palestra também foi interessante para quem não faz parte do clube: “Não pretendo ser fotógrafa, mas gosto muito de artes”, contou Giovana Sales, que quer ser arquiteta.

Para Sandy a atividade incentivou ainda mais seu sonho: “Sempre quis ser fotógrafa, sempre fotografei em casa, na igreja… é uma coisa que amo. Me expresso pela fotografia”, contou. O clube fundado pela estudante começou nesse semestre, mas já está rendendo frutos: “Quando vou ensinando o que já sei, também vou aprendendo, porque vou pesquisando sobre a tecnologia e a história da fotografia”.

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Foto tirada pelo estudante Gustavo Sales

E não foram só os estudantes que saíram da atividade motivados: “Sempre gosto de ser voluntária, sou dessas que acredita que se comunicando bem e expondo seu ponto de vista, você sempre faz a diferença”, contou Roberta. “Acho que trabalhar com os jovens é a única coisa que faz sentido na vida”.

Mais pedidos atendidos

Uma semana depois do pedido da Sandy ser atendido na escola, o voluntário Gabriel Domingues dos Santos foi até lá abordar um assunto bem diferente: a profissão e a faculdade de Medicina.

Gabriel contou sobre sua trajetória e tirou todas as dúvidas de Sara da Silva, aluna que fez o pedido e da turma, composta por estudantes que tem a área da Saúde em seus Projetos de Vida na escola. As questões foram, principalmente, acerca do vestibular: nota de corte, qual faculdade é mais ou menos concorrida, bolsas e horas de estudo necessárias para passar.

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“Além de tirar minhas dúvidas, todos interagiram muito e perguntaram coisas que eu não tinha pensado ainda”, contou Sara. “Desde o ano passado comecei a pensar em ser médica, principalmente na área de cirurgia, e isso me incentivou ainda mais”.

A programação na escola anda agitada. Um pedido de Jornalismo já tem dois voluntários inscritos, além de uma conversa sobre Protagonismo, em que estudantes e professores vão pensar sobre o Projeto de Vida que desenvolvem na nova dinâmica de ensino integral da escola. Veja se pode ajudar em outros pedidos da EE Luciane do Espírito Santo.

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Voluntário estimula participação política de estudantes de Curitiba

O jornalista e roteirista Luiz Guilherme Gaertner mora a cerca de sete quadras do Colégio Estadual Maria Aguiar Teixeira, em Curitiba, no Paraná. Várias vezes, passando por lá, pensou na possibilidade de desenvolver algum projeto com os estudantes. E no último mês de agosto, pôde colocar essa ideia em prática: como voluntário do Quero na Escola, ele atendeu ao pedido de uma aluna por uma atividade sobre política.

A estudante, no caso, era Ana Paula de Carvalho, que já havia sido atendida pelo projeto outras quatro vezes, sobre três temas diferentes: fotografia, programação e até mesmo política. Quando a proposta de Luiz Guilherme chegou, Ana não se incomodou com o assunto repetido, pelo contrário: achou interessante a possibilidade de conhecer outra perspectiva.

A atividade seguiu o formato de bate-papo e foi centrada na importância do envolvimento político de cada cidadão. O voluntário contou sobre suas próprias experiências neste sentido, inclusive na busca por diálogo com vereadores da cidade.

“A palestra foi bem bacana e teve um olhar otimista”, contou Ana. “O Luiz falou sobre coisas que nós podemos fazer para termos uma maior participação política e o impacto que queremos ver. Foi um bate-papo que todo mundo ajudou a construir.”

O voluntário também reforçou o caráter colaborativo da atividade. “Foi extremamente importante perceber o engajamento e a curiosidade deles. Um tema que é tão controverso e evitado por algumas pessoas, ali estava sendo muito tratado, muito questionado”, definiu Luiz.

Depois de tanto tempo convivendo de longe com o colégio, ele gostou de finalmente conhecê-lo. “Foi muito gostoso estar na escola com os alunos, poder conversar com eles e trocar ideias”, afirmou. “Foi uma experiência única e muito importante para o meu desenvolvimento pessoal e profissional.”

Há outros pedidos esperando voluntários no Maria Aguiar, sobre os seguintes temas: saúde mental, startups, Islamismo e música. Para se cadastrar, acesse nosso site.

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Psicóloga fala de gravidez na adolescência no interior de São Paulo

Uma realidade chamou a atenção da estudante Letícia Silva, da Escola Estadual Professora Ruth Mamede de Godoy, em Rosália, distrito de Marília, interior de São Paulo, e a motivou a chamar alguém via Quero na Escola para conversar: o alto índice de adolescentes grávidas.

“Já tivemos ano com cinco meninas grávidas”, contou a coordenadora Daiana, que ficou feliz em receber a visita da psicóloga, Letícia Vicenzo, que topou dirigir 130km de sua cidade, Bauru, até a escola para atender ao pedido da xará. A atividade aconteceu em um galpão cedido por uma igreja na parte de trás da escola, para que mais estudantes participassem.

“Queria que fosse um papo e não uma palestra, falei que eles podiam perguntar o que quisessem e, realmente, a cada cinco segundos era uma pergunta nova”, conta a voluntária. “As questões ficaram mais focadas em métodos contraceptivos e dúvidas sobre relação sexual mesmo”.

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A psicóloga Letícia Vicenzo trocando ideias com os estudantes de Rosália

Conversando com a aluna, a coordenadora e professoras, a psicóloga descobriu que o isolamento do distrito, com poucos equipamentos culturais e de lazer, agrava o problema: “Muitas meninas acham que engravidar é uma forma de sair da cidade, mas muitas vezes não é isso que acontece”, contou.

O bate-papo foi tão proveitoso que os estudantes do 3º ano do Ensino Médio pediram que Letícia volte para desenvolver o tema com mais turmas e Daiana quer marcar uma nova data para uma segunda conversa, dessa vez com os professores. E a voluntária pretende continuar: “Acredito que foi tão rico para mim quanto para eles. Foi muito importante conhecer essa realidade”.

Veja quais pedidos da escola ainda aguardam para ser atendidos. Pode ajudar ou indicar alguém dessa região do interior?