Protagonismo juvenil abre Quero na Escola – Especial Professor 2017

“Como estimular o protagonismo juvenil nos estudantes?”, a pergunta da professora Vânia Elizabeth Ferreira resultou na primeira atividade do Quero na Escola – Especial Professor, projeto desenvolvido em parceria com a Fundação SM para que, no mês dos professores, eles também recebam voluntários para tratar dos temas que gostariam de ver na escola. A resposta à indagação veio em uma dinâmica para alunos e professores da Escola Municipal Israel Pinheiro, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.

Brenda na conversa inicial sobre o que é protagonismo. Foto: Flavio Tavares

Quem promoveu a atividade voluntariamente foi Brenda Maia, que participa do coletivo Embaixadores de Minas. Na segunda-feira, a escola reuniu 15 alunos e três professores para recebê-la. Depois de conversar sobre a valorização da fala de cada um, de ouvir e de compartilhar sentimentos, ela os colocou em uma posição de escuta e fala alternada. “Fizemos uma roda de escuta com os alunos, no formato aquário de conversação, para valorizar a voz do outro, para entender que ser protagonista é saber sua história, identificar problemas e propor soluções”, explica.

A dinâmica consiste em colocar as pessoas sentadas em roda e apenas uma pessoa posicionada no centro. Quem tem a vez da fala? Isso mesmo, somente quem está sentada no centro. Esse é o momento de expressar-se e dizer aquilo que deseja falar sobre o assunto colocado.

A voluntária procurou puxar possíveis problemas que os adolescentes encontram em seu dia-a-dia na escola. Alguns assuntos renderam mais, como Bullying, por exemplo.

Dinâmica que estimulou fala e escuta chegou a causar emoção. Foto: Flavio Tavares

A professora Renata Karine Lacerda, uma das participantes, deu um depoimento sobre o que achou: “A forma que a Brenda conduziu a dinâmica foi maravilhosa. Quebrou a timidez de alguns, envolvendo a todos. Logo, o grupo se identificou com a atividade. Ela conseguiu abordar temas importantes e de forma diferente do que fazemos no dia a dia escolar”, conta. E conclui: “Vamos utilizar esse aprendizado em sala de aula.”

O Quero na Escola – Especial Professor está com inscrições de educadores abertas desde julho e aceita cadastros até esta sexta-feira, dia 6. Durante todo o mês de outubro, voluntários de diversos segmentos da sociedade conhecerão seus professores presenteados e escolas públicas pelo País.

Participaram 15 estudantes, além de professores da Escola Municipal Israel Pinheiro, em Belo Horizonte. Foto: Flavio Tavares
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Ação do Quero na Escola vira tema de jornal de grêmio em Guarulhos

Cada estudante se apropria e faz pedidos no Quero na Escola de acordo com o que pensa ser mais importante para sua escola no momento. Na Escola Estadual Hernani Furini, em Guarulhos (SP), Isabel Souza, integrante do grêmio, utilizou o site para iniciar um projeto de feira de profissões e chamar pessoas de diversas carreiras para conversar com os estudantes.

No primeiro semestre, eles conseguiram um voluntário administrador e uma médica pela plataforma. Em agosto, receberam a visita de um advogado especialista em Direito Trabalhista. Desta vez, em vez da gente contar como foi, compartilhamos a última edição do Jornal do Hernani, pautado pelo encontro:

Abaixo edição da gravação da palestra para mostrar aos estudantes que não puderam participar ou quiserem rever:

Além de profissões, essa escola já solicitou um bate-papo sobre aborto, que vai acontecer em setembro e os pedidos de temas variados não param de chegar.

Entre na página da EE Hernani Furini no Quero na Escola para ver todos os pedidos e ver no que poderia ajudar.

Quer fazer um pedido para sua escola também? Quero na Escola

 

Alunos de Fortaleza fazem jornada do herói com três poderes que todos podem ter

O Quero na Escola estreou na região Nordeste de um jeito diferente, atendendo um pedido de professor, mas com uma atividade para os alunos. A professora de Língua Portuguesa Glaucia Gonçalves, da Escola Estadual Dom Antônio de Almeida Lustosa, de Fortaleza,  pediu ajuda para inserir os alunos no processo de ensino e aprendizagem, ou seja, dar margem ao protagonismo deles. E seus alunos da escola  se viram inseridos em um game que exercitou três “superpoderes”: empatia, resiliência e persistência.

11102016-20161011_142228Quem atendeu ao pedido foi o jovem Elvis Alves, de 24 anos, um dos fundadores da Social Brasilis, uma organização não-governamental de Fortaleza que procura fomentar o empoderamento de pessoas através do empreendedorismo social e da tecnologia. Ele soube da demanda pelo Quero na Escola – Especial Professor, parceria com a Fundação SM, que levou a presença de especialistas para as escolas no Mês dos Professores.

A atividade começou com os alunos sendo apresentados em três grupos e cada um tinha um dom: empatia, resiliência e persistência. O grupo da empatia, sem o uso da fala, precisava ajudar, por meio de mímicas, o grupo da resiliência. Estes, de costas para a cena, teriam que a guiar o grupo da persistência a chegar a um destino: a lousa. A cada novo aluno, o caminho ganhava novos obstáculos e a rota teria que ser refeita. Mas, unidos e usando seus poderes, todos conseguiram transpor as dificuldades e cumprir a tarefa no tempo determinado.

A Oficina de Herói, ministrada por Elvis, é inspirada na Jornada do Herói. Trata-se de um conceito criado por Joseph Campbell, estudioso norte-americano de mitologia e religião comparada. Neste conceito, Campbell cria um modelo de como seria o passo a passo do percurso de transformação do homem comum em herói, com todas as provações que surgem no meio do caminho.

Elvis está trabalhando no desenvolvimento de um game, batizado de “Olhares” e que encontra-se em fase de validação. O objetivo do jogo é estimular o protagonismo social de atores e líderes com foco em escolas. “A ideia é fomentar o protagonismo social do jovem em uma narrativa ‘gameficada’ onde eles vão ter que contar uma história usando artes visuais e seus talentos”, explica o voluntário.

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A professora Glaucia com seus alunos (Reprodução: Facebook)

A professora Gláucia avaliou como “maravilhoso” o resultado. “Tudo que a gente der que fomente a autoestima deles, que faça com que eles acreditem que as pessoas os escutam, que eles têm voz, é importante. Eles saem daqui orgulhosos. Estou satisfeitíssima. Emocionada até, porque eles estão orgulhosos de se sentirem heróis. Estão protagonizando e isso é muito bom”, afirma a professora.

Mais visitas

Como toda jornada tem começo, meio e fim, a oficina foi a primeira de um total de três etapas do jogo. “A primeira é ‘Quem é o herói’, a descoberta da pessoa, o chamado; que envolve toda aquela etapa da Jornada do Herói, que está no mundo dele e recebe um chamado. Nessa etapa, o aluno vai conhecendo a suas potencialidades”, diz Elvis.

Os alunos da Escola Dom Lustosa vão receber uma nova missão necessária para a segunda fase, que se chama “Desvendando o mundo”. “Nessa segunda etapa, a gente joga o participante para conhecer o mundo, pois todo herói tem um lugar que cuida, que preserva. A escolha é dele. A gente trabalha o sentido de comunidade. A ideia é que ele vá conhecer essa comunidade. Ele pode fazer entrevistas, fotos, conversar com as pessoas e trazer relatos”, exemplifica.

11102016-20161011_143923Na fase final, que Elvis deu o nome provisório de ‘combatendo adversidades’, o participante deverá desenvolver uma ação prática nessa comunidade. “Esse é um jogo para que o participante consiga realizar toda uma etapa de herói. A ideia é que ele passe por uma jornada, onde ele vai se conhecendo até desenvolver uma habilidade para que consiga, pelo menos, algum impacto social, nem que seja mínimo. A ideia é que o jogo seja um fomento, uma base para que ele se estimule”, afirma o voluntário.

Uma jornada que começou durante o Quero na Escola Especial Professor e seguirá por mais dois encontros presenciais na escola.

O Quero na Escola – Especial Professor foi viabilizado com a parceria da Fundação SM e permitiu que os educadores pedissem ajuda e recebessem voluntários em outubro, Mês dos Professores. Os estudantes podem fazer o mesmo o ano inteiro.

Para conhecer melhor e ajudar a desenvolver outros tantos projetos como esse, em escolas públicas pelo Brasil, conheça e apóie o trabalho do Quero na Escola. Se você está em uma escola e quer fazer um pedido especial como o da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dom Antônio de Almeida Lustosa, se inscreva agora mesmo na plataforma.

Texto e fotos: Carmen Pompeu