Fotógrafo de celebridades fala de padrões de beleza a estudantes da Etec Jaraguá

“Eu tiro foto para guardar o sentimento daquele momento”. A frase de um estudante foi uma das respostas à provocação feita pelo fotógrafo Gil Inoue, que foi a Etec Jaraguá, na zona norte de São Paulo, atender a um pedido por Fotografia feito no Quero na Escola. Mais que na técnica, focou principalmente na troca de ideias sobre a expressão da fotografia e o conceito de beleza por trás das fotos de celebridades e das redes sociais.

“As pessoas estão querendo passar uma imagem de algo que elas não são”, disse levantando logo de cara a questão dos padrões estéticos valorizado pelas revistas. E disso ele pode falar à vontade, já que boa parte de seu portfólio é composto por fotos de grandes artistas – como a capa do álbum do cantor Criolo – e capas de grandes publicações da moda – como a Vogue e a Elle ou a Glamour deste mês, com Bruna Marquezine.

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Capa de disco do Criolo com foto de Gil

Depois da pergunta inicial para entender qual era a relação dos alunos com a fotografia, ele contou um pouco de sua trajetória. Também estudou em escola pública e começou a carreira como assistente de fotógrafos que admirava – inicialmente com funções básicas -, mas com o tempo foi aprendendo e se aperfeiçoando. Se mudou para Nova York em 2004, onde consolidou sua trajetória e viveu por 12 anos.

“É engraçado que alguns americanos e europeus quando visitam São Paulo comentam o quanto veem beleza em nossas ruas pichadas”, contou Gil sobre a experiência de voltar para a cidade natal mais de uma década depois com novos olhos. “Eu precisei desse tempo fora para voltar e perceber o que é belo aqui”, completou, estimulando os alunos a ficarem abertos a belezas em seus cotidianos.

Gil mostrou um pouco de seu trabalho, que inclui diversas capas, de revista a capa de disco, e comentou a que fez para o cantor Criolo: “Demoramos mais de meia hora para tirar essa foto dele com os olhos fechados. Na hora de fotografar é preciso criar uma atmosfera. Colocamos uma música clássica para tocar, fomos experimentando até sair essa”. E admite: “Fiquei tanto tempo fora que nem sabia da importância dele! Cheguei a perguntar se ele cantava MPB”, contou rindo.

O fotógrafo mostrou algumas possibilidades de experimentação com as imagens. Fotos que são “remixadas” para passar uma mensagem, como essa releitura da famosa foto de um manifestante diante de uma coluna de tanques, ícone do massacre da Paz Celestial na China em 1989. “É legal isso de poder recriar em cima de algo que já existe. Você não precisa tirar a foto propriamente para produzir material visual”, explicou.

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Exemplo de “remixagem” feita por softwares de edição de imagens

E para não dizer que não falou das técnicas, Gil também mostrou um pouco da origem das dos ajustes gráficos que hoje são facilmente aplicados – às vezes de forma exagerada – com ajuda de softwares como o Photoshop, mas antigamente precisavam ser feitos com máscaras e aplicação de luz para corrigir o brilho, contraste ou cor da imagem feita.

Durante toda a conversa os alunos participaram colocando suas opiniões e citando casos próximos de pessoas que dão muita importâncias às fotos das redes sociais. “Eu curti, achei diferente, a gente não tem nada assim aqui na escola”, contou Amanda Santos, autora do pedido no Quero na Escola, que esperou quase um ano até que o voluntário aparecesse e vários obstáculos da agenda da escola fossem superados, para haver o encontro. “Gosto de fotografia só como hobby, tenho uma câmera mas nem uso muito. Fiz esse e outros pedidos porque acho legal, é um diferencial que a escola pode agregar”, diz ela, referindo-se à possibilidade de inserir aulas diferentes por meio do site.

E seu pedido realmente somou para seus colegas: “Achei interessante pra a gente abrir os olhos para o que a gente vai querer fazer”, compartilhou Paloma Moreira, aluna do primeiro ano do Ensino Médio. E para o fotógrafo a experiência foi inédita e enriquecedora: “Foi a primeira vez que participei de um projeto desse. Os alunos foram muito acolhedores e se envolveram bastante na conversa, que acabou assumindo outros caminhos, não só de fotografia. Conversamos sobre estética e sobre os padrões de beleza impostos pela moda no mundo de hoje. Adorei a experiência e estou animado para a próxima!”.

O encontro também rendeu um novo pedido para a unidade, dessa vez para falar sobre outra arte visual: o Cinema. Dá uma olhada na página da Etec Jaraguá no Quero na Escola, quem sabe tem um pedido que você pode atender.

E se você é estudante de escola pública e quer algo mais na sua escola, é só se cadastrar e pedir aqui.

gilelle

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