Está aberta a segunda edição do Quero na Escola Especial Professor

Estão abertas as inscrições para a segunda edição do Quero na Escola – Especial Professor, uma parceria com a Fundação SM para que os educadores também possam pedir a participação da sociedade na escola. A partir de hoje, 18 de julho, profissionais de escolas públicas de todo o Brasil podem solicitar aulas, atividades e visitas de especialistas. Pode ser para ensinar algo aos próprios professores ou para promover uma atividade aos estudantes.

Os pedidos serão divulgados para pessoas que entendem do assunto e gostariam de promover uma atividade sobre isso na escola. Em outubro, mês dos professores, esperamos que a presença da comunidade possa diversificar o cotidiano dos educadores e retribuir um pouco da dedicação que empregam diariamente à educação.

Na primeira edição, em 2016, professores de 26 cidades em 14 estados fizeram pedidos que resultaram em atividades para 700 pessoas dentro de escolas públicas.

Ao se inscrever em queronaescola.com.br/professor, o educador diz em que área atua e o que gostaria de aprender ou levar à sua escola. Podem ser aulas sobre um software ou alguma arte, uma atividade esportiva ou cultural, como também pode ser um profissional que enriqueça um projeto da escola ou da sua turma. E pode ser também algo que a gente não anteviu, mas você, que vive o cotidiano da escola, sabe que seria interessante. O que é? Pede aqui!

Vocação para algo é muita vontade de fazer algo, define ator a alunos

Ator para conversar com os alunos sobre teatro”. Este foi o convite que bastou para levar Caio Marinho, ator e cenógrafo, a conversar com estudantes de 7º ano da Escola Estadual Anne Frank, em São Miguel Paulista, em outubro. As perguntas mais inocentes foram as primeiras: você pode chorar sem estar triste? O beijo é de verdade? Tem que ser “sem vergonha” (desinibido) para ser ator?

Caio explicou com exemplos e comparações. “Saber chorar eu sei, mas fazemos isso dentro da necessidade, como um médico faz a cirurgia, é da profissão e tem um propósito”, respondeu à primeira pergunta. Depois perguntou se eles considerariam beijo de verdade, mesmo com todas as câmeras e o fato dos atores estarem preocupados com várias outras coisas durante, como a posição em relação à plateia ou à câmera, o texto seguinte e como exatamente é para fazer o beijo. “Se for alguém que você realmente queria beijar, vai ter de tentar depois.”

Caio chegando a EE Anne Frank, em São Miguel Paulista
Caio chegando a EE Anne Frank, em São Miguel Paulista

Já sobre alguém tímido poder ser ator, a resposta foi mais complexa. Caio contou que é tímido e que, ao entrar ali na escola, por exemplo, sentiu timidez, mas quando está no palco ou diante das câmeras, é trabalho. “É um trabalho que me ajudou a vencer a timidez também e me colocar para diversas situações importantes”, completou e contou que, quando adolescente, teve a mesma dúvida e foi influenciado por um professor.

Eu tinha muita vontade desde sempre de ser ator, mas me perguntava se tinha vocação e e ele me falou uma coisa que me marcou muito e digo a vocês: estas palavras são uma só, vocação é vontade. Se você tem muita vontade, vai se dedicar e vai ser bom naquilo.” Caio acabou fazendo curso técnico na área, se formou pelo Teatro Macunaíma e em Licenciatura em Arte-Teatro na Unesp. Hoje atua em teatro com A Próxima Companhia e também participou do longa “O Rei das Manhãs”, previsto para estrear em 2017. 

A visita foi um pedido do professor de Língua Portuguesa, Mario Rocha, durante o Quero na Escola – Especial Professor, ação em parceria com a Fundação SM, em que os professores puderam pedir visitas. “Meus alunos são ótimos e queria que eles tivessem acesso a alguém que falasse de um ponto de vista diferente do que estão acostumados”, comentou.

Caio falou com duas salas diferentes e a maioria dos estudantes de cerca de 13 anos nunca havia ido ao Teatro. Os que foram, tinha sido levados pela família a peças no Centro de São Paulo. Caio listou teatros na zona leste e até mesmo centro culturais com cursos para estudantes como os da Fábrica de Cultura. “Fiquei muito feliz. Recebemos uma visita ilustre na escola, tenho certeza que plantou novas ideias na cabeça dos alunos”, comentou Mario.

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Grafiteiros levam arte urbana para os corredores de escola pública no Ipiranga

Quem mora em São Paulo está acostumado a ver muros grafitados por toda a cidade. Pensando no interesse que os jovens têm por essa arte, a coordenadora da Escola Estadual Antônio Alcântara Machado, Laura do Amaral, resolveu levá-la para dentro da escola, pedindo ajuda de grafiteiros voluntários através do Quero na Escola – Especial Professor.

O pedido foi logo atendido por dois artistas de lados diferentes da cidade, o Vitones Gomes, vindo de Pirituba, e o Cayque Torres, que mora mais próximo, na Vila Ema. Os dois começaram com uma visita à escola para bater um papo com Laura e definir quais portas seriam pintadas. No encontro seguinte, no dia 10 de outubro, foi dia de colocar a mão-na-massa.

Vitones foi o primeiro a colocar os sprays de tinta para funcionar e desenhar seu personagem, o One, em uma das portas. Ele conta que começou a desenvolver o menino, que aparece na maioria de suas obras, depois de um trabalho com crianças na Baixada do Glicério, bairro do centro de São Paulo: “Eu adorava ver elas fazendo os bonecos-palito. Elas achavam que desenhavam mal, mas eu achava demais”. 

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Vitones finalizando o cenário do personagem One

Depois foi a vez do Cayque colorir o corredor. Ele explicou que nem todos os grafiteiros usam apenas spray em seus trabalhos, alguns utilizam tinta e pincel, principalmente para detalhes. Em seu caso, a tinta látex e os pincéis são as principais ferramentas, usando as paredes e muros como telas. Depois de um período pintando águas-vivas pela cidade, sua nova marca registrada é a coruja, que ainda não recebeu um nome.

“Foi super nostálgico pintar numa escola, é uma situação que eu não imaginava passar”, compartilhou o artista, que também contou ter sido marcante pintar ao som do sinal da escola, que tocava de tempos em tempos. “É um lugar que forma as pessoas e até coloca as pessoas dentro de uma forma, e eu exercendo uma atividade fora da caixinha: achei subversivo”, ele diz.

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Cayque trabalhando nos detalhes de sua coruja

Cayque contou também que não teve esse tipo de contato com a arte dentro da escola: “A gente tá dando uma oportunidade dos jovens alcançarem essa nova filosofia de rua, da arte, do pincel na lata. Eu como artista tive que procurar isso na rua e hoje pude dar a chance dessas crianças terem contato com isso a partir da escola, é muito gratificante”.

E não foi à toa que a coordenadora fez esse pedido: “Aqui tem essa coisa do desenho, os alunos gostam muito de desenhar e o graffiti pode ser um jeito de evitar a pichação. Alguns podem até querer seguir nessa área, é uma forma de a gente entender e valorizar o trabalho deles”, diz Laura, alinhada aos pensamentos de Cayque. 

Depois destes encontros, os artistas não querem parar nas portas e já sonham em um evento para grafitar também o pátio e o muro da escola. Para isso, Vitones sugeriu que os alunos poderiam participar dessa produção definindo os temas para guiar as obras.

A boa notícia é que a coordenadora já pensava em um show de talentos na escola, envolvendo toda a comunidade escolar: “Daí a ideia de vir os grafiteiros, para também ensinar os alunos e grafitar o pátio. Também temos um pessoal que corta cabelo, o pessoal do skate… nesse dia poderia ter um trabalho na quadra com quem anda de skate”, conta Laura, exaltando as aptidões de seus alunos.

A coordenadora Laura soube do Quero na Escol depois do pedido de uma aluna, que começará a ser atendido nesta semana. Na próxima quinta-feira, a atriz Luci Savassa inicia uma oficina de teatro com os estudantes da escola, que ocorrerá semanalmente até o fim do ano letivo. 

O Quero na Escola Professor é uma parceria com a Fundação SM.

É estudante e quer pedir uma aula ou atividade diferente na sua escola? É só se cadastrar: www.queronaescola.com.br

Voluntário fala de tecnologia a professores e acaba ouvindo outras inovações

Ensino híbrido, personalizado, por rotação… esses foram alguns dos conceitos apresentados para os professores da Escola Estadual Myrthes Therezinha Assad Villela, no município de Barueri, Grande São Paulo atendendo a um pedido da coordenadora pedagógica por uso de tecnologia na sala de aula no Quero na Escola – Especial Professor. Marcos Soledade, formado em Sistemas de Informação pela USP, co-fundador da plataforma Sílabe e empreendedor há mais de cinco anos, dividiu com os docentes formas de usar dados na educação, entre outras dicas.

A conversa girou em torno do que seria a “educação contemporânea” e de metodologias inovadoras que podem auxiliar o professor a engajar seus alunos. Como, por exemplo, a “Sala de aula invertida”, prática que consiste em pedir para que os alunos preparem algo sobre determinado tema antes de uma aula, depois verificar o que foi preparado, conseguindo um diagnóstico do quanto os alunos sabem daquele assunto e apresentar conteúdos que tenham faltado nessa pesquisa e, por fim, pedir uma nova atividade, após a aula expositiva, para consolidar o aprendizado sobre o tema.

Essa e diversas outras práticas mostram que, para ser inovador, não necessariamente um professor precisa ser digital. A professora de Matemática Noeli Fatima dos Reis, que era ali a “aluna”, mostrou-se uma prova disso: “Eu trabalho em grupos, não gosto de aluno enfileirado. Em todas as minhas atividades eu colho pontuações, não é avaliação. Isso cria uma competição amigável na sala”, contou ela sobre as atividades que já aplica em sua sala de aula.

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Marcos deu a palestra duas vezes, para atender um maior número de professores

Ela contou ainda que a autorregulação vai além da disciplina: os mais avançados na matéria, ajudam aqueles que ainda não compreenderam todo o conteúdo, deixando Noeli mais livre para se dedicar aos alunos com mais dificuldade de interação e aprendizado. “Os próprios alunos começam a ajudar e cobrar uns aos outros para não ficar para trás nesse placar”, ela diz. “Também diversifico, não fico restrita à atividade daquele ano. Faço paralelos entre matérias para recuperar alguns conteúdos de forma contínua”, mostrando sua versatilidade como docente.

Além disso, ela resolveu abolir a avaliação tradicional para o último bimestre: “Eu pedi pra eles uma entrevista e pesquisa. Eles vão jogar na tabela os dados e fazer gráficos de setor e de barras. Aí, na hora da aula, vão fazer o comentário das entrevistas, como foi, o que a pessoa disse. Eles vão arrumar os dados, e eu vou orientá-los como organizar: estatística, né?”, conta Noeli, revelando mais um método inovador que aplica dentro de suas possibilidades.

Mas, quando o assunto é passar essa metodologia para o digital, ela lamenta: “Não tenho habilidade com informática, então não tenho autonomia para passar para eles. E eu acho que me ajudaria muito, porque eles fariam essa tabela no Excel, que já geraria os gráficos automaticamente”, conclui a professora, que está contando com a ajuda do cunhado para aplicar essas tecnologias em suas aulas.

A professora Tatiane Constanço da Cruz, de Sociologia, também dividiu alguns métodos diferentes dos tradicionais que usa em suas aulas: “Por exemplo, fui dar uma aula sobre a indústria cultural, sobre música, e um aluno me perguntou se podia ouvir música. Eu deixei e, daqui a pouco todo mundo tava com fone, escutando música, quietinho, fazendo a atividade”, conta. Ela também usa uma ferramenta digital para planejar suas aulas e criou um grupo no Facebook para trocar dicas e informações relevantes à aula com seus alunos: “a gente compartilha tirinhas, questões e dicas de vestibular”.

Marcos mostrou algumas das funcionalidades da plataforma que desenvolveu, a Sílabe, que tem como principal público os professores e as escolas públicas. Os docentes se mostraram interessados, ainda que indicando as dificuldades de aplicar as novas tecnologias, por falta de estrutura das escolas e de formação dos professores. Cristiane Barbosa, por exemplo, que dá aulas de Física, gosta de mostrar aos alunos simulações de experimentos, mas os programas que usa para essas demonstrações não rodam no computador da escola. “É bom porque eu acabo indicando sites e vídeos para os alunos, e com essa plataforma eu conseguiria juntar tudo em um lugar só”.

Para o voluntário, a troca de experiências do encontro também foi enriquecedora. “Eu não sabia o que esperar. Apesar de eu já ter algum contato com escolas, são sempre escolas que entram em contato com a gente porque já conhecem o que a gente faz e que, geralmente, já usam metodologias inovadoras”, ele conta. “Mas foi incrível. Primeiro porque você consegue coletar feedback dos professores, o que é essencial.  E segundo porque os professores que você menos espera estão fazendo coisas super legais, mesmo em uma escola pública, com poucos recursos.”

O bate-papo foi o segundo encontro sobre o tema, atendendo ao pedido da coordenadora Kelly Cunha Lopes no Quero na Escola Especial Professor, parceria com a Fundação SM, que deu de presente para os educadores a presença de pessoas para ajudá-los no que pediram no Mês dos Professores. O grupo já havia recebido o também professor Ricardo Nunes, que falou sobre o uso das ferramentas do Google em sala de aula.

A Escola Estadual Myrthes Therezinha Assad Villela tem diversos pedidos de alunos esperando para ser atendidos.

Todo estudante de escola pública pode se cadastrar e dizer o que gostaria de aprender na sua escola. Um voluntário pode querer ajudar. Cadastre-se www.queronaescola.com.br

Alunos de Fortaleza fazem jornada do herói com três poderes que todos podem ter

O Quero na Escola estreou na região Nordeste de um jeito diferente, atendendo um pedido de professor, mas com uma atividade para os alunos. A professora de Língua Portuguesa Glaucia Gonçalves, da Escola Estadual Dom Antônio de Almeida Lustosa, de Fortaleza,  pediu ajuda para inserir os alunos no processo de ensino e aprendizagem, ou seja, dar margem ao protagonismo deles. E seus alunos da escola  se viram inseridos em um game que exercitou três “superpoderes”: empatia, resiliência e persistência.

11102016-20161011_142228Quem atendeu ao pedido foi o jovem Elvis Alves, de 24 anos, um dos fundadores da Social Brasilis, uma organização não-governamental de Fortaleza que procura fomentar o empoderamento de pessoas através do empreendedorismo social e da tecnologia. Ele soube da demanda pelo Quero na Escola – Especial Professor, parceria com a Fundação SM, que levou a presença de especialistas para as escolas no Mês dos Professores.

A atividade começou com os alunos sendo apresentados em três grupos e cada um tinha um dom: empatia, resiliência e persistência. O grupo da empatia, sem o uso da fala, precisava ajudar, por meio de mímicas, o grupo da resiliência. Estes, de costas para a cena, teriam que a guiar o grupo da persistência a chegar a um destino: a lousa. A cada novo aluno, o caminho ganhava novos obstáculos e a rota teria que ser refeita. Mas, unidos e usando seus poderes, todos conseguiram transpor as dificuldades e cumprir a tarefa no tempo determinado.

A Oficina de Herói, ministrada por Elvis, é inspirada na Jornada do Herói. Trata-se de um conceito criado por Joseph Campbell, estudioso norte-americano de mitologia e religião comparada. Neste conceito, Campbell cria um modelo de como seria o passo a passo do percurso de transformação do homem comum em herói, com todas as provações que surgem no meio do caminho.

Elvis está trabalhando no desenvolvimento de um game, batizado de “Olhares” e que encontra-se em fase de validação. O objetivo do jogo é estimular o protagonismo social de atores e líderes com foco em escolas. “A ideia é fomentar o protagonismo social do jovem em uma narrativa ‘gameficada’ onde eles vão ter que contar uma história usando artes visuais e seus talentos”, explica o voluntário.

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A professora Glaucia com seus alunos (Reprodução: Facebook)

A professora Gláucia avaliou como “maravilhoso” o resultado. “Tudo que a gente der que fomente a autoestima deles, que faça com que eles acreditem que as pessoas os escutam, que eles têm voz, é importante. Eles saem daqui orgulhosos. Estou satisfeitíssima. Emocionada até, porque eles estão orgulhosos de se sentirem heróis. Estão protagonizando e isso é muito bom”, afirma a professora.

Mais visitas

Como toda jornada tem começo, meio e fim, a oficina foi a primeira de um total de três etapas do jogo. “A primeira é ‘Quem é o herói’, a descoberta da pessoa, o chamado; que envolve toda aquela etapa da Jornada do Herói, que está no mundo dele e recebe um chamado. Nessa etapa, o aluno vai conhecendo a suas potencialidades”, diz Elvis.

Os alunos da Escola Dom Lustosa vão receber uma nova missão necessária para a segunda fase, que se chama “Desvendando o mundo”. “Nessa segunda etapa, a gente joga o participante para conhecer o mundo, pois todo herói tem um lugar que cuida, que preserva. A escolha é dele. A gente trabalha o sentido de comunidade. A ideia é que ele vá conhecer essa comunidade. Ele pode fazer entrevistas, fotos, conversar com as pessoas e trazer relatos”, exemplifica.

11102016-20161011_143923Na fase final, que Elvis deu o nome provisório de ‘combatendo adversidades’, o participante deverá desenvolver uma ação prática nessa comunidade. “Esse é um jogo para que o participante consiga realizar toda uma etapa de herói. A ideia é que ele passe por uma jornada, onde ele vai se conhecendo até desenvolver uma habilidade para que consiga, pelo menos, algum impacto social, nem que seja mínimo. A ideia é que o jogo seja um fomento, uma base para que ele se estimule”, afirma o voluntário.

Uma jornada que começou durante o Quero na Escola Especial Professor e seguirá por mais dois encontros presenciais na escola.

O Quero na Escola – Especial Professor foi viabilizado com a parceria da Fundação SM e permitiu que os educadores pedissem ajuda e recebessem voluntários em outubro, Mês dos Professores. Os estudantes podem fazer o mesmo o ano inteiro.

Para conhecer melhor e ajudar a desenvolver outros tantos projetos como esse, em escolas públicas pelo Brasil, conheça e apóie o trabalho do Quero na Escola. Se você está em uma escola e quer fazer um pedido especial como o da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dom Antônio de Almeida Lustosa, se inscreva agora mesmo na plataforma.

Texto e fotos: Carmen Pompeu

Voluntária do Quero na Escola ajuda alunos a transformar história do bairro em Quadrinhos

A história do Conjunto Confisco, bairro de Belo Horizonte, começou em 1988 a partir de uma ocupação de terras na divisa entre a capital mineira e a cidade vizinha de Contagem. As primeiras 60 famílias se instalaram exatamente onde hoje funciona a Escola Municipal Anne Frank e agora, com uma participação no Quero na Escola – Especial Professor, os alunos da instituição transformarão a história em Quadrinhos.

rebeca-com-caderno-de-alunaOs estudantes fizeram uma pesquisa ao longo do ano e o professor Moacir Fagundes, que dá aulas de História, teve a ideia de solicitar um especialista para que os alunos tivessem ajuda com roteiro e ilustração. Feito o convite pelo Quero na Escola, a designer e ilustradora Rebeca Prado aceitou. Ela fez uma visita à turma para entender o projeto e, no último dia 20, esteve na escola ensinando um pouco de sua arte a 25 alunos, Moacir e a professora de Artes, Luciana Saampaio.

O objetivo do trabalho era resgatar a história do bairro, muitas vezes esquecida não só pelo poder público, mas também pelos próprios moradores. A melhor forma de traduzir essa História e engajar os alunos, pensou o professor, seria produzindo um trabalho diferente sobre a trajetória do Conjunto Confisco. “As disciplinas estudadas na escola não podem ser desvinculadas da vida do estudante, senão acontece um desinteresse por parte dos alunos. Por isso e pelas preocupações com o bairro surgiu esse projeto”, explicou o professor Moacir.

A professora Luciana, de Artes, ressalta também a ideia de contar a história através dos quadrinhos: “pensamos que os quadrinhos formam um relato interessante, que vai despertar o interesse e a curiosidade dos alunos para contar a história da própria comunidade”.

E o trabalho sobre Confisco não tem apenas valor histórico, mas também a intenção de trabalhar a identidade do bairro na mente dos alunos. Segundo o professor de história, trazer a oficina de quadrinhos também é uma forma de trabalhar a imagem do bairro e tentar combater o preconceito com a periferia, com a população majoritariamente negra e pobre.

Ao longo de três horas, a voluntária ensinou conceitos teóricos sobre estrutura dos quadrinhos, texto para histórias, estrutura narrativa e contou sobre os materiais utilizados na criação e as funções de quem trabalha no mundo dos quadrinhos. Os alunos, muitos já fãs de HQs adoraram conhecer os termos técnicos, as canetas especiais e, o melhor de tudo, ouvir uma profissional.

professor-moacirNa parte prática da oficina, Rebeca ajudou os alunos a passar para os quadrinhos a história do bairro. A turma do professor Moacir já tinha muito material pesquisado junto aos moradores do bairro e, munidos disso, partiram para colocar tudo no papel. Divididos em grupos, meninas e meninos se tornaram editores, roteiristas, ilustradores e arte-finalistas. Nas páginas que foram tomando forma, foram abordados temas pesquisados pelos alunos, passando pela ocupação da região do Confisco, a divisão do bairro entre as cidades de Belo Horizonte e Contagem, a origem do nome do bairro e a força das mulheres da comunidade.

O saldo da atividade não poderia ser mais positivo, tanto na opinião dos alunos quanto da própria voluntária. A estudante Ana Luiza Silva ficou impressionada “com os nomes dos balõezinhos, dos quadrinhos e com as canetas especiais que nem sabia que existiam”. Já a colega Raiane Helena, fã dos quadrinhos da Turma da Mônica Jovem, diz ter gostado muito da oficina por ter descoberto outras possibilidades na hora de fazer uma história em quadrinhos. “Eu nunca gostei muito de desenhar, mas foi bom descobrir que posso ajudar fazendo de outras formas. Amei fazer o projeto e nunca vou esquecer o que aprendi fazendo esse trabalho”, contou a aluna da Anne Frank.

Para a voluntária Rebeca, a experiência foi tão bem avaliada quanto pelos próprios alunos. “O trabalho com os meninos foi bem massa. A recepção foi bem legal e parece que eles realmente entenderam o processo”, avaliou a quadrinista, que elogiou o potencial de conexão do Quero na Escola.

rebeca-vendo-meninasE a turma de Ana e Raiane não vai parar por aí. Junto com os professores, o objetivo é finalizar a história do bairro em uma HQ e viabilizar a impressão do material. A própria Rebeca já se disponibilizou a ilustrar um dos capítulos do quadrinho. “Espero que eles consigam finalizar o processo com o mesmo carinho que já dedicaram e espero despertar o interesse deles para histórias em quadrinhos e esse universo!”, deseja a quadrinista Rebeca Prado.

O Quero na Escola – Especial Professor foi viabilizado com a parceria da Fundação SM e permitiu que os educadores pedissem ajuda e recebessem voluntários em outubro, Mês dos Professores. Os estudantes podem fazer o mesmo o ano inteiro.

Para conhecer melhor e ajudar a desenvolver outros tantos projetos como esse, em escolas públicas pelo Brasil, conheça e apóie o trabalho do Quero na Escola. Se você está em uma escola e quer fazer um pedido especial como o da Escola Municipal Anne Frank, se inscreva agora mesmo na plataforma.

Texto e fotos: Pedro D’Angelo

Especialistas em gestão de conflito atendem pedido do Quero na Escola Especial Professor

Como lidar melhor com o comportamento dos adolescentes, com a indisciplina, e estimular a motivação e o protagonismo deles? Convidados pelo Quero na Escola Especial Professor a pedir ajuda a sociedade em algo que têm dificuldade, vários educadores repetiram variações desta pergunta. No Rio de Janeiro, a coordenadora pedagógica da Escola Municipal Pará, Claudia Breves, recebeu como resposta uma oficina de mediação de conflito.

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Cleyde Engelke com a coordenadora Claudia Breves

Duas especialistas em campos de diálogo e mediação de conflitos, Cleyde Engelke e Maria Cavalcante, toparam visitar a escola e fazer uma dinâmica com um grupo de 17 professores na manhã desta quarta-feira. A proposta foi fazer um bate-papo, não uma palestra, e provocá-los a refletir sobre sua realidade, para que juntos pensassem em soluções.

Cleyde começou com três perguntas para o grupo:

“O que é meu maior desafio hoje?”, “Por quê?” e “O que pretendo conquistar?”.

A especialista apresentou informações da neurociência sobre comportamento dos adolescentes e sobre a visão de mandalas do comportamento humano, que avalia o ser como um todo e o faz enxergar que tudo está interligado na forma com que ele se insere no mundo (vida pessoal, profissional, relacionamentos e qualidade de vida).

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Professores fizeram uma dinâmica para responder perguntas extraídas de seus próprios depoimentos

Com as respostas dos professores às perguntas iniciais, as facilitadoras fizeram uma nuvem de palavras, de onde extraíram mais duas perguntas, para serem respondidas em uma dinâmica de grupo. Após responder “Como mobilizar os alunos para aprendizagem em tempos de tecnologia?”, os professores trocaram de grupo, uma pessoa ficou responsável por contar aos novos integrantes o que havia sido discutido anteriormente. A pergunta seguinte foi “Como atendo minhas necessidades em relação a tempo e clareza nas regras?”.

“Eu achei muito proveitoso. É importante refletir sobre o que estamos apresentando aos alunos, o nosso dia a dia, pensar em como despertar o interesse dos alunos”, avaliou a professora de Artes Josiangela dos Santos.

A professora de Educação Física e de Projeto de Aceleração (para alunos com defasagem escolar de idade-série), Ieny Bento achou importante a reflexão e o momento de colocar as ideias no papel. “Quando trocou de grupo,  achei interessante ver o que os colegas tinham debatido e como as coisas se complementam. A última pergunta me fez ver que a gente faz mais pela vida profissional do que pela pessoal”, contou.

Claudia Breves, autora do pedido no Quero na Escola, ficou feliz com a visita das especialistas. “A gente já faz esse tipo de reflexão no centro de estudos, mas é válido ter essa outra visão de fora”, avaliou. A diretora da escola, Rosa Maria de Oliveira Santos também aprovou e disse que quer dar continuidade a este tipo de dinâmica com os educadores.

As voluntárias “madrugaram” e cruzaram a cidade para chegar às 7h30 para a reunião dos professores. Foram de Copacabana, na zona sul, até Rocha Miranda, na zona norte do Rio. “Foi muito rápido (elas tiveram 1h20 para a atividade), mas deu pra fazer bastante coisa. Acho interessante ter esse chamado da escola, senti uma abertura boa para o diálogo e no geral a participação dos professores foi muito boa”, resumiu Maria Cavalcante.

Atores com deficiência visual atendem pedido do Quero na Escola Especial Professor

Quando a professora Debora Frey pediu uma apresentação teatral no Quero na Escola Especial Professor certamente não imaginava que ela viria junto com uma lição de superação e alegria de viver. Assim como alguns professores, Debora fez um pedido pensando em seus alunos, da Escola Municipal República do Peru, no Méier, bairro da Zona Norte do Rio. Queria levar uma atividade diferente para eles.

Luis Fernando Gutman, diretor do grupo de Teatro Lucas Gutman, voltado para a inclusão social de pessoas com deficiência visual, já havia se cadastrado como voluntário no Quero na Escola e topou levar a apresentação do grupo para a escola.

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Atores aguardando o trem para o Méier na Central do Brasil

Oito atores com deficiência visual (a maior parte com perda total da visão) fizeram duas apresentações para cerca de 180 estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental. Cinco se encontraram com o diretor na Central do Brasil e pegaram o trem para o Méier e três foram direto para a escola. A viagem até o local da apresentação faz parte do processo de inserção social.

A peça “Preconceito” mostrava entrevistas em uma agência de emprego e uma série de discriminações feitas pelo entrevistador, que ao final percebia o quanto estava sendo preconceituoso. Dois alunos foram convidados a participar da apresentação, usando vendas para sentir como era atuar sem enxergar. Gutman fez um reconhecimento do palco com eles, mostrando onde estavam as paredes, a beira do palco e a plateia, assim como tinha feito com os atores cegos.

A parte mais emocionante para os alunos foi a roda de conversa que os atores fizeram ao final, quando responderam dúvidas, contaram sobre como lidaram com a perda da visão, quais dificuldades enfrentam e enfrentaram e como as superaram.

Manuel dos Anjos, de 56 anos, emocionou os alunos ao contar que perdeu a visão em um acidente de carro, aos 25 anos, na Avenida Brasil. “Eu estava em alta velocidade e tomei uma fechada. Percebi que havia uma criança no carro e tentei desviar, mas bati na mureta e capotei. No começo foi difícil, pensei em me suicidar e cheguei a pegar uma arma que eu tinha em casa e atirar contra a minha cabeça, mas meu compadre havia tirado as balas. Já conquistei muita coisa e vou continuar conquistando”, contou o ator que tem o projeto “comer sem ver”, no qual garçons cegos oferecem um café da manhã para clientes com os olhos vendados.

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A história de vida de Manoel dos Anjos emocionou os alunos

Os alunos perguntaram sobre situações curiosas e inusitadas vividas pelos atores. Marilza dos Santos Pereira contou que já pediu informação para um manequim que estava do lado de fora de uma loja. Nair de Azamboja Nunes lembrou que ao pedir ajuda para chegar à Caixa Econômica, uma mulher lhe respondeu “senhora, não tenho dinheiro”, imaginando se tratar de um pedido de esmola.

Os relatos dos atores emocionaram os alunos, que tiraram muitas lições da experiência. “Não tenho nem palavras. Eu reclamo muito de coisas mínimas e meu pensamento hoje foi ‘nunca mais vou reclamar de nada’. Eu tenho saúde, não tem porquê. A superação deles é incrível, as histórias são arrepiantes”, disse Maryanne Gomes Ferreira, de 14 anos.

“Eu fiquei emocionada quando ela (a atriz Nair) falou que os cegos veem o interior das pessoas”, contou Amanda de Castro. “Eu chorei quando o Manuel contou que se preocupou com a criança que estava no carro que fechou o dele”, declarou Luis Felipe Silva de Paula, de 14 anos.

Para Lyvia Greco, de 15 anos, não parecia que os atores não enxergavam. “Nunca tinha visto uma peça com atores cegos. Achei muito legal ver a superação de cada um”, disse a estudante.

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A professora Debora Frey, ao fundo, que fez o pedido no Quero na Escola Especial Professor

A professora Debora Frey ficou feliz com o presente: “Foi além do que eu esperava. Perceber o quanto os alunos gostaram foi gratificante. Depois que foram embora, os alunos ainda comentaram sobre o que eles vivenciaram, todos felizes! Agradeço muito ao grupo”.

“Foi mais uma oportunidade para mostrar que a superação de um trauma é possível. O esforço que as pessoas que adquiriram deficiência visual para se transformarem em atores mostra otimismo em relação à vida. Me dá muito orgulho esse trabalho de 11 anos, que comecei com o projeto de elevar a autoestima. A gente leva a mensagem não só do conteúdo da peça, mas de superação”, avaliou Gutman. O diretor do grupo destacou também a atenção e o respeito dos alunos com os atores.

O Quero na Escola – Especial Professor é uma parceria com a Fundação SM para permitir que, no mês dos professores, os educadores possam pedir a participação da sociedade como presente.

O Quero na Escola é uma plataforma para estudantes adolescentes dizerem o que mais querem aprender em suas escolas públicas além do currículo obrigatório. As informações ficam disponíveis no site e, quem quer ajudar, pode fazer uma proposta conforme sua disponibilidade. Veja todas as notícias do Quero na Escola aqui.

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Quilombo urbano ensina cultura afroguarany em escola municipal de São Paulo

Quando os bebês e crianças do Centro de Educação Infantil Suzana Campos Tauil, na zona sul de São Paulo, entraram em uma das salas esta manhã, foram recebidos por um ser metade mulher, metade peixe e cercado por instrumentos feitos de cabaça. Foi o personagem que a artista Wanessa Sabbath escolheu para atender ao pedido por apresentação de música afro e indígena da coordenadora pedagógica Shirley Oliveira no Quero na Escola – Especial Professor.

img_7147Ela contou a história da Iara, menina que caiu no Rio Solimões e teve o desejo de se tornar sereia atendido. Ao mesmo tempo, ao seu lado, mestre Eduardo Jacaré do Urucungu fez um berimbau desde a cabaça até o som. Quando as notas saíram, a criançada foi no ritmo instantaneamente (assista).

Os dois fazem parte do Quilombo Afroguarany Casa Amarela, que ocupa um casarão na Rua da Consolação, no Centro de São Paulo. As crianças puderam mexer no cocar, chocalho, penas, pedras, apanhador de sonho e ganharam o berimbau feito na hora já com um caxixi e uma vareta.

Contadora de história e pesquisadora de infância, Shirley compartilhou os contos que tem estudado para levar diversidade cultural às crianças. “A gente precisa estudar muito mais este tema ainda”, comentou com os voluntários, que acabaram agendando mais duas visitas nas próximas semanas para formações com os professores: uma de bonecas abayomi e outra de contos ancestrais.

Criança brinca com berimbau recém contruído
Criança brinca com berimbau recém contruído

Os voluntários se impressionaram com o Centro de Educação Infantil, que estava com uma exposição sobre a África no corredor e tem um professor de Capoeira há dois meses. “Nunca tinha contado a história pra crianças tão pequenas, bom demais ver uma escola acolhendo nossa cultura desde cedo”, comentou Wanessa.

O Quero na Escola – Especial Professor é uma parceria com a Fundação SM para permitir que, no mês dos professores, os educadores possam pedir a participação da sociedade como presente.

O Quero na Escola é uma plataforma para estudantes adolescentes dizerem o que mais querem aprender em suas escolas públicas além do currículo obrigatório. As informações ficam disponíveis no site e, quem quer ajudar, pode fazer uma proposta conforme sua disponibilidade. Veja todas as notícias do Quero na Escola aqui.

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Voluntário ensina professores a inserir tecnologia em sala de aula

Um grupo de professores da Escola Estadual Myrthes Therezinha Assad Villela, em Barueri (SP), descobriu que pode usar a tecnologia a seu favor e se livrar de trabalhos como a correção manual de provas e exercícios. A aula foi um presente de Dia dos Professores do voluntário Ricardo Nunes, que viu o pedido da coordenadora Kelly Cunha Lopes no Quero na Escola – Especial Professor e foi até lá na última terça-feira explicar as possibilidades de uso das ferramentas Google em sala de aula.

Não precisar passar horas dando vistos em atividades parece utópico para muitos professores, mas Ricardo – engenheiro,  que trabalha como consultor na Foreducation e também é professor de Ensino Fundamental, Médio e Superior – mostrou o quanto é simples. Ele fez exercícios de uso do Google Forms para produzir listas e enviar para os alunos via e-mail.

O próprio Ricardo conta que já aplicou provas remotamente na escola onde leciona: “Eu estava impossibilitado de ir à escola por motivos pessoais. Criei um formulário e avisei aos alunos que ele estaria online por um determinado tempo”. Ele mostrou, ainda, que as respostas aos formulários ficam registradas em uma tabela, que permite ver quais perguntas foram mais ou menos acertadas, servindo como um diagnóstico para a preparação de aulas e reforços.

Com a conversa girando em torno do Google Drive e do armazenamento “na nuvem”, surgiu a questão da segurança. Ricardo explicou que a empresa anda investindo muito nessa área e que os ataques hackers a contas Google são cada vez mais raros. “É claro que, se você entrar em um computador público e esquecer seu perfil logado, você vai ficar vulnerável. Ainda assim, é possível usar um recurso para derrubar as sessões abertas em outros computadores”, explicou Ricardo, para a tranquilidade da professora Cátia, a mais preocupada com o assunto.

Ricardo reforçou muito o fato de que usar as tecnologias – principalmente o smartphone – é uma forma de engajar os alunos. “A maioria dos jovens hoje tem um smartphone. Ainda que não tenham um plano de 3G muito bom, é possível desenvolver algumas atividades. Às vezes, inserindo essas ferramentas você vai ver aquele aluno que nunca fez uma lição se envolvendo mais e respondendo as questões”, ele defende.

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Ricardo emprestou seu laptop para alguns professores, outros levaram seus próprios aparelhos ou usaram seus smartphones

O maior interesse dos professores, porém, foi pela digitalização do diário de classe para diminuir as burocracias do cotidiano na escola. Ainda que a maioria apoie o uso dessa tecnologia, o Governo do Estado ainda está longe de aplicá-la em larga escala, devido ao apego ao papel como documento “oficial” e a tradição já desenvolvida por anos.

O encontro terminou com os professores dividindo suas impressões sobre a inserção de técnicas digitais em sala de aula. O professor Elder, que dá aulas de Química na escola, por exemplo, diz achar muito importante e interessante apresentar quais são os recursos, mas que, em sua opinião, falta capacitação dos professores:

“Aqui você está mostrando o bolo e a cereja, mas eu não vou comer isso? Eu quero comer isso, e precisam disponibilizar para que a gente possa mastigar isso aí pra valer. A grande maioria vai ter uma dificuldade imensa de fazer isso, até de criar a conta”, ele desabafa.

A professora Ana Márcia, de Língua Portuguesa, concordou, afirmando que já utiliza as ferramentas da plataforma oferecida pela Secretaria de Educação: “Eu sinto que os alunos querem, quando eu levo, eles gostam, e facilita meu trabalho. Mas falta essa ferramenta que vocês trouxeram hoje: alguém que sente e ensine, que fale você vai por aqui ou por ali”, ela conta, em consonância com a fala de Elder.

Ricardo encerrou o encontro reforçando que a iniciativa do uso das novas tecnologias, muitas vezes, precisa mesmo partir do professor, ainda que a adaptação seja difícil e enfrente resistência. Para ajudar nessa tarefa, ele indicou os Grupos de Educadores Google, que se reúnem para trocar experiências e dificuldades da inserção digital.

Para ele “foi enriquecedor esse momento de troca, pude compartilhar um pouco do meu conhecimento e espero ter ajudado os colegas”. As impressões compartilhadas também vão servir de preparação para o Marcos, o segundo voluntário que atenderá o pedido no fim do mês. A escola Myrthes Assad tem sido parceira frequente no Quero na Escola, já recebeu aulas de Meditação e Quadrinhos, mas ainda há pedidos não atendidos, que você pode conferir aqui.

* O Quero na Escola Professor é uma parceria com a Fundação SM