Voluntário fala de tecnologia a professores e acaba ouvindo outras inovações

Ensino híbrido, personalizado, por rotação… esses foram alguns dos conceitos apresentados para os professores da Escola Estadual Myrthes Therezinha Assad Villela, no município de Barueri, Grande São Paulo atendendo a um pedido da coordenadora pedagógica por uso de tecnologia na sala de aula no Quero na Escola – Especial Professor. Marcos Soledade, formado em Sistemas de Informação pela USP, co-fundador da plataforma Sílabe e empreendedor há mais de cinco anos, dividiu com os docentes formas de usar dados na educação, entre outras dicas.

A conversa girou em torno do que seria a “educação contemporânea” e de metodologias inovadoras que podem auxiliar o professor a engajar seus alunos. Como, por exemplo, a “Sala de aula invertida”, prática que consiste em pedir para que os alunos preparem algo sobre determinado tema antes de uma aula, depois verificar o que foi preparado, conseguindo um diagnóstico do quanto os alunos sabem daquele assunto e apresentar conteúdos que tenham faltado nessa pesquisa e, por fim, pedir uma nova atividade, após a aula expositiva, para consolidar o aprendizado sobre o tema.

Essa e diversas outras práticas mostram que, para ser inovador, não necessariamente um professor precisa ser digital. A professora de Matemática Noeli Fatima dos Reis, que era ali a “aluna”, mostrou-se uma prova disso: “Eu trabalho em grupos, não gosto de aluno enfileirado. Em todas as minhas atividades eu colho pontuações, não é avaliação. Isso cria uma competição amigável na sala”, contou ela sobre as atividades que já aplica em sua sala de aula.

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Marcos deu a palestra duas vezes, para atender um maior número de professores

Ela contou ainda que a autorregulação vai além da disciplina: os mais avançados na matéria, ajudam aqueles que ainda não compreenderam todo o conteúdo, deixando Noeli mais livre para se dedicar aos alunos com mais dificuldade de interação e aprendizado. “Os próprios alunos começam a ajudar e cobrar uns aos outros para não ficar para trás nesse placar”, ela diz. “Também diversifico, não fico restrita à atividade daquele ano. Faço paralelos entre matérias para recuperar alguns conteúdos de forma contínua”, mostrando sua versatilidade como docente.

Além disso, ela resolveu abolir a avaliação tradicional para o último bimestre: “Eu pedi pra eles uma entrevista e pesquisa. Eles vão jogar na tabela os dados e fazer gráficos de setor e de barras. Aí, na hora da aula, vão fazer o comentário das entrevistas, como foi, o que a pessoa disse. Eles vão arrumar os dados, e eu vou orientá-los como organizar: estatística, né?”, conta Noeli, revelando mais um método inovador que aplica dentro de suas possibilidades.

Mas, quando o assunto é passar essa metodologia para o digital, ela lamenta: “Não tenho habilidade com informática, então não tenho autonomia para passar para eles. E eu acho que me ajudaria muito, porque eles fariam essa tabela no Excel, que já geraria os gráficos automaticamente”, conclui a professora, que está contando com a ajuda do cunhado para aplicar essas tecnologias em suas aulas.

A professora Tatiane Constanço da Cruz, de Sociologia, também dividiu alguns métodos diferentes dos tradicionais que usa em suas aulas: “Por exemplo, fui dar uma aula sobre a indústria cultural, sobre música, e um aluno me perguntou se podia ouvir música. Eu deixei e, daqui a pouco todo mundo tava com fone, escutando música, quietinho, fazendo a atividade”, conta. Ela também usa uma ferramenta digital para planejar suas aulas e criou um grupo no Facebook para trocar dicas e informações relevantes à aula com seus alunos: “a gente compartilha tirinhas, questões e dicas de vestibular”.

Marcos mostrou algumas das funcionalidades da plataforma que desenvolveu, a Sílabe, que tem como principal público os professores e as escolas públicas. Os docentes se mostraram interessados, ainda que indicando as dificuldades de aplicar as novas tecnologias, por falta de estrutura das escolas e de formação dos professores. Cristiane Barbosa, por exemplo, que dá aulas de Física, gosta de mostrar aos alunos simulações de experimentos, mas os programas que usa para essas demonstrações não rodam no computador da escola. “É bom porque eu acabo indicando sites e vídeos para os alunos, e com essa plataforma eu conseguiria juntar tudo em um lugar só”.

Para o voluntário, a troca de experiências do encontro também foi enriquecedora. “Eu não sabia o que esperar. Apesar de eu já ter algum contato com escolas, são sempre escolas que entram em contato com a gente porque já conhecem o que a gente faz e que, geralmente, já usam metodologias inovadoras”, ele conta. “Mas foi incrível. Primeiro porque você consegue coletar feedback dos professores, o que é essencial.  E segundo porque os professores que você menos espera estão fazendo coisas super legais, mesmo em uma escola pública, com poucos recursos.”

O bate-papo foi o segundo encontro sobre o tema, atendendo ao pedido da coordenadora Kelly Cunha Lopes no Quero na Escola Especial Professor, parceria com a Fundação SM, que deu de presente para os educadores a presença de pessoas para ajudá-los no que pediram no Mês dos Professores. O grupo já havia recebido o também professor Ricardo Nunes, que falou sobre o uso das ferramentas do Google em sala de aula.

A Escola Estadual Myrthes Therezinha Assad Villela tem diversos pedidos de alunos esperando para ser atendidos.

Todo estudante de escola pública pode se cadastrar e dizer o que gostaria de aprender na sua escola. Um voluntário pode querer ajudar. Cadastre-se www.queronaescola.com.br

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