Alunos farão História em Quadrinhos sobre sentido da vida dos estudantes

“Três jovens ficam presos em um quarto de espelhos de um parque abandonado e, para escapar, terão de trabalhar em grupo”. Esta é a história criada por um grupo de alunos e um professor que estão recebendo aulas de Quadrinhos na Escola Estadual Caetano de Campos, na Aclimação, centro de São Paulo, após pedido do grêmio no Quero na Escola.

O roteirita Kaled Kalil Kanbour atendeu voluntariamente ao pedido e, desde o início de setembro, se encontra com a turma toda quinta-feira à noite. Os alunos e o professor voltam para a escola fora de seus horários de aula, ninguém falta e a turma até cresceu de 9 para 10 na última semana. “A gente já estava super feliz de saber que alguém vinha falar de Quadrinhos, quando ele falou que a gente ia fazer a própria história, foi incrível. É incrível!”, comenta Matheus Souza, do 3º ano matutino.

Na primeira aula, os estudantes debateram sobre o que gostariam de falar. “Depois de um tempo, um dos meninos disse que queria falar sobre o que vai ser dele depois daqui. Neste momento foi definida a linha: falar das opções dos jovens nos nossos tempos”, lembra Kaled. A partir daí foram definidos os principais personagens, iniciados os exercícios de desenho e, na semana passada, o grupo chegou ao Storyline, espécie de enunciado em uma frase, do que será a História em Quadrinhos que produzirão.

“Estamos bem ansiosos’, conta Thalita Vasconcelos, do 1º ano do Ensino Médio. O professor de Artes, Ricardo José Garcia Paula, também está aproveitando. “É uma forma de expressão que a gente estuda pouco e que tem um potencial grande.”

Kaled tem levado referências de história e desenho em quadrinhos para conhecerem e proposto exercícios que são iniciados na sala de leitura e continuam em casa. “Vou desenhar um vilão e trago semana que vem”, avisou um dos jovens ao se despedir. Os encontros continuam até o fim do ano e certamente o Quero na Escola mostrará o resultado final por aqui.

Esta é a primeira vez que um pedido atendido no Quero na Escola resulta em um curso de meses. Nossa intenção é dar voz aos estudantes que querem aprender mais que o currículo obrigatório e oportunidade para quem quer participar saber com que assunto e onde seria útil. Por isso, o número de encontros pode ser apenas um e depende tanto da disponibilidade do voluntário quanto da conexão que se forma com a escola.

Estudante, diga o que você gostaria de ter na sua escola: www.queronaescola.com.br

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Quadrinista visita educador e alunos e dá início ao Quero na Escola Especial Professor

Começou o mês em que professores ganharão de presente visitas de profissionais que ajudarão voluntariamente na formação do educador ou em projetos com os alunos. Já na semana passada, a quadrinista Rebeca Prado deu a largada na Escola Municipal Anne Frank, em Belo Horizonte, onde ela dará uma oficina de Quadrinhos, atendendo ao pedido feito no Especial Quero na Escola – Professor, uma parceria com a Fundação SM.

Em outras cidades estão sendo organizadas visita de ator, apresentação circense e de música, especialista em tecnologia e protagonismo juvenil. Todos os encontros serão durante outubro, Mês do Professor.

No bate-papo com os alunos do 7º ano, a quadrinista conheceu o projeto que o professor Moacir Fagundes está desenvolvendo com seus alunos: “Entre o diário e a história em quadrinhos: estudantes construindo a história de um bairro”. Os estudantes estão pesquisando a história do bairro Confisco, onde fica a escola, utilizando-se da metodologia da história oral, pesquisa de campo e do gênero história em quadrinhos.

“Eu achei o máximo. Os meninos são super envolvidos e o professor Moacir mais ainda. Todo mundo estava super disposto a ajudar e o acolhimento foi superdelícia, todos extremamente gentis e carinhosos”, comentou Rebeca. A atividade com os alunos está agendada para o dia 20/10. E pelo jeito vai vir coisa muito boa pela frente!

Ainda há vários pedidos de professores que podem ser atendidos em diferentes cidades e estados. Confira e compartilhe com que gostaria de se envolver. Para se inscrever, basta fazer o cadastro como voluntário e dizer em que dia poderia fazer uma visita.

Além disso, o Quero na Escola segue atendendo estudantes. Quer algo além do currículo obrigatório na escola? Se inscreva!

 

Ex-aluno volta à escola da adolescência como palestrante do Quero na Escola

Apaixonado por Quadrinhos, Bruno Miquelino viu no pedido de uma aluna no site do Quero na Escola a oportunidade de compartilhar um pouco do que aprendeu com seu hobby de ler e colecionar os HQs. Por coincidência, o pedido era da escola estadual Myrthes Therezinha Assad Villela, onde ele estudou durante o 6º ano do fundamental. Não tinha como recusar: Bruno se voluntariou para dar uma palestra sobre a história das histórias em quadrinhos, que aconteceu na quarta-feira, dia 31.

Mais do que matar a saudade, o retorno a sua antiga escola fez Bruno descobrir um novo ambiente, mais aberto e estimulante do que na sua época de aluno. “Foi muito melhor do que eu esperava. A visita à escola tirou um pouco da ideia de que na rede pública é tudo quadrado, padronizado, como eu pensava. Vi que estão todos interessados em aprender outras coisas, e os professores dispostos a proporcionar experiências diferentes”, conta ele.

WhatsApp Image 2016-09-01 at 17.50.09Bruno chegou ao colégio uma hora antes para poder se organizar e acabou trocando ideias com os professores. Eles decidiram, em conjunto, fazer não apenas uma, mas duas palestras, de forma a atender as seis turmas daquele turno. Assim, participaram mais de 120 alunos, além de seis professores e uma funcionária.

“Ele começou aguçando a curiosidade dos alunos falando de personagens de filmes atuais como Batman, Super Man e Esquadrão Suicida, e depois foi para o começo da história dos quadrinhos. Falou muito das empresas DC Comics e Marvel Comics, da concorrência entre elas, da criação de personagens influenciados por fatos históricos, como segunda guerra mundial, festival de Woodstock etc.”, relatou a coordenadora pedagógica Kelly Cunha.

Ela conta que todos elogiaram muito a palestra e que professores viram oportunidades de linkar o conteúdo com temas que estão sendo trabalhados em sala de aula.

Bruno saiu satisfeito: “Acho que os dois públicos gostaram – até os professores fizeram perguntas! Os estudantes gostaram por ouvir sobre seus heróis, os personagens que admiram. Os professores pela parte história e a discussão sobre a cultura.”

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Muito além do gibi

Na última segunda-feira (11), o ilustrador e quadrinista Pacha Urbano deu uma aula teórica e prática sobre Quadrinhos no Colégio Estadual Missionário Mario Way, em Inhoaíba, na zona oeste do Rio de Janeiro. O pedido tinha sido feito no site do Quero na Escola por Moisés Gomes, de 18 anos, aluno do 3º ano do Ensino Médio, fã de histórias em quadrinhos de super-heróis.

Mas a aula dada por Pacha foi muito além do gibi. O ilustrador resgatou as primeiras imagens deixadas por seres humanos em pedras, as pinturas rupestres, passando pelos astecas, que faziam papel a partir do agave (planta utilizada na produção de tequila), por iluminuras medievais, até chegar ao primeiro personagem com balão de fala. Mostrando que, desde os primórdios, a humanidade utiliza ilustrações para retratar sua realidade.

11072016-IMG_2158Com exemplos de tirinhas de autores brasileiros e estrangeiros, Pacha apresentou diferentes formas de contar histórias em quadrinhos, com desenhos mais ou menos elaborados, apontou recursos usados para mostrar a passagem do tempo, metalinguagens, metáforas e ironias empregadas. O ilustrador também explicou o conceito de Pareidolia, quando imagens aleatórias e vagas são percebidas como algo distinto e com significado (como o rosto humano), que permite que com poucos traços, personagens humanos sejam criados.

O autor de “As traumáticas aventuras do filho do Freud” (http://facebook.com/FilhodoFreud) contou para os estudantes que, após muito estudar sobre Psicanálise, decidiu criar os personagens (Sigmund Freud, e seus filhos Jean-Martin e Anna) para transportar para outra linguagem os conceitos que havia aprendido. “Se você acha graça nas coisas que aprende, fica mais fácil gravá-las”, disse aos estudantes.

Depois da aula teórica, os alunos realizaram uma atividade prática. A turma escolheu três frases e todos tiveram que elaborar uma história com quatro quadrinhos, que tivessem obrigatoriamente as três frases escolhidas.

Para o estudante que pediu a atividade, a aula ampliou horizontes. “Quando solicitei o tema no Quero na Escola eu esperava algo voltado para os super-heróis e o Pacha levou uma outra perspectiva sobre tudo. Quando ele começou a falar, eu vi que ia muito além do que queria, e foi maravilhoso. Foi muito mais cultural. Foi uma oportunidade de explorar um universo que a gente ama ainda mais”, relatou Moisés.

O ilustrador ficou contente por poder levar uma atividade sobre Quadrinhos para uma região desassistida culturalmente – a escola fica localizada a cerca de 60 quilômetros do centro da cidade. Ex-aluno de escola pública periférica, Pacha se perguntou como teria sido se na sua adolescência debates como este tivessem acontecido em seu colégio.

“É muito gratificante poder fazer isso. Lidar com dúvidas genuínas e ajudar os estudantes a decodificar conteúdos e temas. Falamos sobre diversas coisas, sobre repertório cultural, de imagens, fazendo eles refletirem sobre o que já sabem. Eles têm bagagem cultural e são agentes culturais, meu papel é jogar querosene, para que eles produzam”, contou Pacha.