Voluntário ensina professores a inserir tecnologia em sala de aula

Um grupo de professores da Escola Estadual Myrthes Therezinha Assad Villela, em Barueri (SP), descobriu que pode usar a tecnologia a seu favor e se livrar de trabalhos como a correção manual de provas e exercícios. A aula foi um presente de Dia dos Professores do voluntário Ricardo Nunes, que viu o pedido da coordenadora Kelly Cunha Lopes no Quero na Escola – Especial Professor e foi até lá na última terça-feira explicar as possibilidades de uso das ferramentas Google em sala de aula.

Não precisar passar horas dando vistos em atividades parece utópico para muitos professores, mas Ricardo – engenheiro,  que trabalha como consultor na Foreducation e também é professor de Ensino Fundamental, Médio e Superior – mostrou o quanto é simples. Ele fez exercícios de uso do Google Forms para produzir listas e enviar para os alunos via e-mail.

O próprio Ricardo conta que já aplicou provas remotamente na escola onde leciona: “Eu estava impossibilitado de ir à escola por motivos pessoais. Criei um formulário e avisei aos alunos que ele estaria online por um determinado tempo”. Ele mostrou, ainda, que as respostas aos formulários ficam registradas em uma tabela, que permite ver quais perguntas foram mais ou menos acertadas, servindo como um diagnóstico para a preparação de aulas e reforços.

Com a conversa girando em torno do Google Drive e do armazenamento “na nuvem”, surgiu a questão da segurança. Ricardo explicou que a empresa anda investindo muito nessa área e que os ataques hackers a contas Google são cada vez mais raros. “É claro que, se você entrar em um computador público e esquecer seu perfil logado, você vai ficar vulnerável. Ainda assim, é possível usar um recurso para derrubar as sessões abertas em outros computadores”, explicou Ricardo, para a tranquilidade da professora Cátia, a mais preocupada com o assunto.

Ricardo reforçou muito o fato de que usar as tecnologias – principalmente o smartphone – é uma forma de engajar os alunos. “A maioria dos jovens hoje tem um smartphone. Ainda que não tenham um plano de 3G muito bom, é possível desenvolver algumas atividades. Às vezes, inserindo essas ferramentas você vai ver aquele aluno que nunca fez uma lição se envolvendo mais e respondendo as questões”, ele defende.

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Ricardo emprestou seu laptop para alguns professores, outros levaram seus próprios aparelhos ou usaram seus smartphones

O maior interesse dos professores, porém, foi pela digitalização do diário de classe para diminuir as burocracias do cotidiano na escola. Ainda que a maioria apoie o uso dessa tecnologia, o Governo do Estado ainda está longe de aplicá-la em larga escala, devido ao apego ao papel como documento “oficial” e a tradição já desenvolvida por anos.

O encontro terminou com os professores dividindo suas impressões sobre a inserção de técnicas digitais em sala de aula. O professor Elder, que dá aulas de Química na escola, por exemplo, diz achar muito importante e interessante apresentar quais são os recursos, mas que, em sua opinião, falta capacitação dos professores:

“Aqui você está mostrando o bolo e a cereja, mas eu não vou comer isso? Eu quero comer isso, e precisam disponibilizar para que a gente possa mastigar isso aí pra valer. A grande maioria vai ter uma dificuldade imensa de fazer isso, até de criar a conta”, ele desabafa.

A professora Ana Márcia, de Língua Portuguesa, concordou, afirmando que já utiliza as ferramentas da plataforma oferecida pela Secretaria de Educação: “Eu sinto que os alunos querem, quando eu levo, eles gostam, e facilita meu trabalho. Mas falta essa ferramenta que vocês trouxeram hoje: alguém que sente e ensine, que fale você vai por aqui ou por ali”, ela conta, em consonância com a fala de Elder.

Ricardo encerrou o encontro reforçando que a iniciativa do uso das novas tecnologias, muitas vezes, precisa mesmo partir do professor, ainda que a adaptação seja difícil e enfrente resistência. Para ajudar nessa tarefa, ele indicou os Grupos de Educadores Google, que se reúnem para trocar experiências e dificuldades da inserção digital.

Para ele “foi enriquecedor esse momento de troca, pude compartilhar um pouco do meu conhecimento e espero ter ajudado os colegas”. As impressões compartilhadas também vão servir de preparação para o Marcos, o segundo voluntário que atenderá o pedido no fim do mês. A escola Myrthes Assad tem sido parceira frequente no Quero na Escola, já recebeu aulas de Meditação e Quadrinhos, mas ainda há pedidos não atendidos, que você pode conferir aqui.

* O Quero na Escola Professor é uma parceria com a Fundação SM

Ex-aluno volta à escola da adolescência como palestrante do Quero na Escola

Apaixonado por Quadrinhos, Bruno Miquelino viu no pedido de uma aluna no site do Quero na Escola a oportunidade de compartilhar um pouco do que aprendeu com seu hobby de ler e colecionar os HQs. Por coincidência, o pedido era da escola estadual Myrthes Therezinha Assad Villela, onde ele estudou durante o 6º ano do fundamental. Não tinha como recusar: Bruno se voluntariou para dar uma palestra sobre a história das histórias em quadrinhos, que aconteceu na quarta-feira, dia 31.

Mais do que matar a saudade, o retorno a sua antiga escola fez Bruno descobrir um novo ambiente, mais aberto e estimulante do que na sua época de aluno. “Foi muito melhor do que eu esperava. A visita à escola tirou um pouco da ideia de que na rede pública é tudo quadrado, padronizado, como eu pensava. Vi que estão todos interessados em aprender outras coisas, e os professores dispostos a proporcionar experiências diferentes”, conta ele.

WhatsApp Image 2016-09-01 at 17.50.09Bruno chegou ao colégio uma hora antes para poder se organizar e acabou trocando ideias com os professores. Eles decidiram, em conjunto, fazer não apenas uma, mas duas palestras, de forma a atender as seis turmas daquele turno. Assim, participaram mais de 120 alunos, além de seis professores e uma funcionária.

“Ele começou aguçando a curiosidade dos alunos falando de personagens de filmes atuais como Batman, Super Man e Esquadrão Suicida, e depois foi para o começo da história dos quadrinhos. Falou muito das empresas DC Comics e Marvel Comics, da concorrência entre elas, da criação de personagens influenciados por fatos históricos, como segunda guerra mundial, festival de Woodstock etc.”, relatou a coordenadora pedagógica Kelly Cunha.

Ela conta que todos elogiaram muito a palestra e que professores viram oportunidades de linkar o conteúdo com temas que estão sendo trabalhados em sala de aula.

Bruno saiu satisfeito: “Acho que os dois públicos gostaram – até os professores fizeram perguntas! Os estudantes gostaram por ouvir sobre seus heróis, os personagens que admiram. Os professores pela parte história e a discussão sobre a cultura.”

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Uma conversa na escola sobre Feminismo

A primeira aula da última segunda-feira (15) foi diferente para uma turma de alunos do ensino médio da Escola Estadual Myrthes Theresinha Assad Villela, em Barueri, na Grande São Paulo. Eles começaram o dia com uma palestra e um debate sobre Feminismo, tema solicitado por uma aluna no Quero na Escola.

A advogada Gabriela Ponte Machado se voluntariou para conversar com os alunos e chegou às 7h da manhã para o bate-papo com os estudantes. “Foi muito legal, superou minhas expectativas. No começo eles estavam meio tímidos, mas aos poucos fui abrindo para perguntas e rolou um megadebate, sobre vários temas, aborto, violência doméstica. Achei os estudantes bem informados, várias meninas superengajadas, conscientes, com bom nível de argumentação. Foi muito bom!”, resumiu a advogada.

WhatsApp Image 2016-08-15 at 14.30.26Gabriela estudou em seu mestrado uma disciplina sobre Jurisprudência na Suprema Corte dos Estados Unidos, e como as decisões dos juízes levaram em conta questões feministas. “Sou muito interessada no tema, leio e pesquiso a respeito”, disse.

Gabriela iniciou sua fala mostrando duas frases, “Bela, recada e do lar”, da revista Veja, usada para definir Marcela Temer, esposa do presidente em exercício,  Michel Temer, e outra de um artigo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, “O feminismo do século 21 é a ideia de que quando todos são iguais, nós somos mais livres”.

“Comentei sobre este artigo do Obama, no qual ele fala sobre suas filhas e sobre como ele tinha mudado o pensamento dele ao longo dos anos, contei sobre o surgimento do feminismo, disse que o movimento tem muitas vertentes, cada uma com suas particularidades. Abordei também as dificuldades que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho, a luta da menina paquistanesa Malala, pela inclusão das mulheres na educação, e sobre o feminismo negro. Deixei claro que eu, enquanto mulher branca, loira, de olho azul, não posso falar com propriedade, mas que estava ali contando para eles que existe esse movimento. Uma aluna se identificou e falou sobre questões que as mulheres negras enfrentam”.

WhatsApp Image 2016-08-15 at 14.30.23A aluna que fez o pedido, Letícia Fernandes, de 17 anos, aprovou a discussão. “Os alunos participaram bastante. Fiz esse pedido, porque tem muito homem que acha que feminismo significa que a mulher quer se colocar acima dos homens e não é isso, é uma questão de igualdade, como o Obama falou”, relatou.

Para a Letícia, se não fosse o pedido no Quero na Escola, dificilmente um debate envolvendo alunos de várias turmas diferentes teria acontecido. “A gente teria debatido na aula de Sociologia, mas não assim como todo mundo envolvido. O projeto é muito bonito, espero que mais gente conheça e participe”, disse a estudante.

A professora de Sociologia Tatiane Constâncio da Cruz, que acompanhou a atividade, concorda que a interação entre as turmas foi um ponto positivo. “Eu gostei bastante, mas os alunos gostaram mais ainda, ficaram muito empolgados. Achei interessante quando ela falou sobre o Obama e sobre o mercado de trabalho e que ela, como advogada, tem que enfrentar um universo profissional predominantemente masculino”, apontou a professora.

Cerca de 50 alunos participaram da atividade. A escola e a voluntária pretendem repetir a dose para atender mais estudantes interessados.

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Gargalhadas, leveza e conexão em aula de meditação em escola pública

Fim de tarde de sexta-feira e 14 alunos de Ensino Médio que tiveram aula de manhã voltaram para a escola estadual Myrthes Theresinha Assad Villela, em Barueri, porque quiseram ter mais uma aula. Outros 10 estudantes do período da tarde conseguiram dispensa para se juntar ao grupo que se divertiu muito em uma aula de meditação solicitada por uma das estudantes pelo Quero na Escola.

A atividade começou com uma roda de apresentações que incluía nome, idade, se já meditou, signo e um super poder. A primeira a falar queria voar, outra queria se teletransportar, uma queria saber tudo e vários escolheram “ser invisível”.

Atividade começou com conceito de presença
Atividade começou com conceito de presença

A psicóloga Stefanny Bauman, que se voluntariou para atender ao pedido da estudante Letícia Fernandes, de 17 anos, disse que tinha o super poder da presença e partiu daí sua fala sobre meditação. “Quem já se sentiu como se só o corpo estivesse ali, mas a cabeça está em outro lugar?” A identificação foi absoluta e a descontração também.

Em seguida, a terapeuta fez um jogo de concentração com toda a turma em que era preciso prestar atenção se seria a sua vez e o que dizer em uma ordem simples: 1, 2, 3, 4, 5, 6, Seven up. No começo, pouca gente acertou, mas em alguns minutos estavam todos “presentes” na brincadeira e no final ninguém mais errava.

Stefanny mostrou slides com os tipos de meditação e técnicas e falou dos benefícios físicos, mentais e dos mitos também. Depois, fez uma meditação guiada com a turma. Camila Oliveira de Toledo, uma das que queriam ser invisíveis, diz que sentiu como se, em vez dela, os outros estivessem de olhos fechados. “Foi incrível, vou fazer mais vezes com certeza.”

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Stefanny, Letícia e Kelly: voluntária, aluna que pediu e coordenadora pedagógica

A autora do pedido diz que a sensação foi de leveza. “Eu acho que a gente parece se conectar com algumas coisas que estão confusas e se concentrar na gente”, resumiu.

A coordenadora pedagógica Kelly Cunha Lopes, observou que o conteúdo pode se conectar às necessidades dos adolescentes, especialmente para se contrapor ao estresse da aproximação do vestibular e para dar dicas de como recuperar a calma e a concentração. “Eu acho que também é importante pra eles ser uma coisa que os próprios alunos pediram, eu não imaginava que os alunos da manhã voltariam, queimei minha língua”, comentou bem humorada.

Ao final, os estudantes fizeram uma carta de agradecimento a Stefanny e trocaram contatos. “Eu tenho um projeto de trabalhar com escola pública eu acho que é onde a gente pode fazer uma diferença e estou em êxtase. Realizei um sonho”, finalizou a voluntária.

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