Apaixonado por Quadrinhos, Bruno Miquelino viu no pedido de uma aluna no site do Quero na Escola a oportunidade de compartilhar um pouco do que aprendeu com seu hobby de ler e colecionar os HQs. Por coincidência, o pedido era da escola estadual Myrthes Therezinha Assad Villela, onde ele estudou durante o 6º ano do fundamental. Não tinha como recusar: Bruno se voluntariou para dar uma palestra sobre a história das histórias em quadrinhos, que aconteceu na quarta-feira, dia 31.
Mais do que matar a saudade, o retorno a sua antiga escola fez Bruno descobrir um novo ambiente, mais aberto e estimulante do que na sua época de aluno. “Foi muito melhor do que eu esperava. A visita à escola tirou um pouco da ideia de que na rede pública é tudo quadrado, padronizado, como eu pensava. Vi que estão todos interessados em aprender outras coisas, e os professores dispostos a proporcionar experiências diferentes”, conta ele.
Bruno chegou ao colégio uma hora antes para poder se organizar e acabou trocando ideias com os professores. Eles decidiram, em conjunto, fazer não apenas uma, mas duas palestras, de forma a atender as seis turmas daquele turno. Assim, participaram mais de 120 alunos, além de seis professores e uma funcionária.
“Ele começou aguçando a curiosidade dos alunos falando de personagens de filmes atuais como Batman, Super Man e Esquadrão Suicida, e depois foi para o começo da história dos quadrinhos. Falou muito das empresas DC Comics e Marvel Comics, da concorrência entre elas, da criação de personagens influenciados por fatos históricos, como segunda guerra mundial, festival de Woodstock etc.”, relatou a coordenadora pedagógica Kelly Cunha.
Ela conta que todos elogiaram muito a palestra e que professores viram oportunidades de linkar o conteúdo com temas que estão sendo trabalhados em sala de aula.
Bruno saiu satisfeito: “Acho que os dois públicos gostaram – até os professores fizeram perguntas! Os estudantes gostaram por ouvir sobre seus heróis, os personagens que admiram. Os professores pela parte história e a discussão sobre a cultura.”
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Gabriela estudou em seu mestrado uma disciplina sobre Jurisprudência na Suprema Corte dos Estados Unidos, e como as decisões dos juízes levaram em conta questões feministas. “Sou muito interessada no tema, leio e pesquiso a respeito”, disse.
A aluna que fez o pedido, Letícia Fernandes, de 17 anos, aprovou a discussão. “Os alunos participaram bastante. Fiz esse pedido, porque tem muito homem que acha que feminismo significa que a mulher quer se colocar acima dos homens e não é isso, é uma questão de igualdade, como o Obama falou”, relatou.


Os estudantes se interessaram principalmente sobre a guerra civil na Síria e sobre o grupo terrorista Estado Islâmico. “Nós analistas acreditamos que ainda vamos ouvir falar muito deles”, disse Monique, que dá aulas na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e cursos na Casa do Saber.
Com exemplos de tirinhas de autores brasileiros e estrangeiros, Pacha apresentou diferentes formas de contar histórias em quadrinhos, com desenhos mais ou menos elaborados, apontou recursos usados para mostrar a passagem do tempo, metalinguagens, metáforas e ironias empregadas. O ilustrador também explicou o conceito de Pareidolia, quando imagens aleatórias e vagas são percebidas como algo distinto e com significado (como o rosto humano), que permite que com poucos traços, personagens humanos sejam criados.
Os voluntários explicaram que até o café e o doce contém “substâncias que viciam” e que estavam certos de que todos ali usavam drogas. Passaram, então, a falar das lícitas e ilícitas.“Eu já usei drogas ilícitas e eventualmente ainda uso maconha”, confessou Machado, conseguindo daí para frente atenção total da turma.
“Quando ele falou de pensar quem vai usar com você, quem vai estar bem se você precisar de cuidado, onde você vai estar se ficar chapada, os riscos de você ficar em perigo por causa da droga, isso foi um ponto muito importante de conscientização”, comentou Thaylinne Cunha, 18 anos, autora do pedido ao Quero na Escola. “Eu achei demais. Foi mais legal do que a gente esperava, porque foi uma coisa da realidade da maioria aqui.”
“Ficou muito na nossa realidade”, comentou Hilmara Fernandes, 16 anos, estudante engajada em projetos de empreendedorismo educacional que fez o pedido para que voluntários fossem falar do assunto em sua escola. Ela organizou o evento que reuniu todos os estudantes do Ensino Médio na manhã de menos de 10ºC de temperatura da última sexta-feira.
“Fui muito bem recebido pelos professores e pelos alunos. Fiquei impressionado com a atenção deles, todos muito concentrados, até os professores ficaram surpresos. Busquei usar uma linguagem menos técnica, tomei bastante cuidado para falar de uma forma acessível para deixar o tema mais atraente.