Uma conversa na escola sobre Feminismo

A primeira aula da última segunda-feira (15) foi diferente para uma turma de alunos do ensino médio da Escola Estadual Myrthes Theresinha Assad Villela, em Barueri, na Grande São Paulo. Eles começaram o dia com uma palestra e um debate sobre Feminismo, tema solicitado por uma aluna no Quero na Escola.

A advogada Gabriela Ponte Machado se voluntariou para conversar com os alunos e chegou às 7h da manhã para o bate-papo com os estudantes. “Foi muito legal, superou minhas expectativas. No começo eles estavam meio tímidos, mas aos poucos fui abrindo para perguntas e rolou um megadebate, sobre vários temas, aborto, violência doméstica. Achei os estudantes bem informados, várias meninas superengajadas, conscientes, com bom nível de argumentação. Foi muito bom!”, resumiu a advogada.

WhatsApp Image 2016-08-15 at 14.30.26Gabriela estudou em seu mestrado uma disciplina sobre Jurisprudência na Suprema Corte dos Estados Unidos, e como as decisões dos juízes levaram em conta questões feministas. “Sou muito interessada no tema, leio e pesquiso a respeito”, disse.

Gabriela iniciou sua fala mostrando duas frases, “Bela, recada e do lar”, da revista Veja, usada para definir Marcela Temer, esposa do presidente em exercício,  Michel Temer, e outra de um artigo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, “O feminismo do século 21 é a ideia de que quando todos são iguais, nós somos mais livres”.

“Comentei sobre este artigo do Obama, no qual ele fala sobre suas filhas e sobre como ele tinha mudado o pensamento dele ao longo dos anos, contei sobre o surgimento do feminismo, disse que o movimento tem muitas vertentes, cada uma com suas particularidades. Abordei também as dificuldades que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho, a luta da menina paquistanesa Malala, pela inclusão das mulheres na educação, e sobre o feminismo negro. Deixei claro que eu, enquanto mulher branca, loira, de olho azul, não posso falar com propriedade, mas que estava ali contando para eles que existe esse movimento. Uma aluna se identificou e falou sobre questões que as mulheres negras enfrentam”.

WhatsApp Image 2016-08-15 at 14.30.23A aluna que fez o pedido, Letícia Fernandes, de 17 anos, aprovou a discussão. “Os alunos participaram bastante. Fiz esse pedido, porque tem muito homem que acha que feminismo significa que a mulher quer se colocar acima dos homens e não é isso, é uma questão de igualdade, como o Obama falou”, relatou.

Para a Letícia, se não fosse o pedido no Quero na Escola, dificilmente um debate envolvendo alunos de várias turmas diferentes teria acontecido. “A gente teria debatido na aula de Sociologia, mas não assim como todo mundo envolvido. O projeto é muito bonito, espero que mais gente conheça e participe”, disse a estudante.

A professora de Sociologia Tatiane Constâncio da Cruz, que acompanhou a atividade, concorda que a interação entre as turmas foi um ponto positivo. “Eu gostei bastante, mas os alunos gostaram mais ainda, ficaram muito empolgados. Achei interessante quando ela falou sobre o Obama e sobre o mercado de trabalho e que ela, como advogada, tem que enfrentar um universo profissional predominantemente masculino”, apontou a professora.

Cerca de 50 alunos participaram da atividade. A escola e a voluntária pretendem repetir a dose para atender mais estudantes interessados.

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