Muito além do gibi

Na última segunda-feira (11), o ilustrador e quadrinista Pacha Urbano deu uma aula teórica e prática sobre Quadrinhos no Colégio Estadual Missionário Mario Way, em Inhoaíba, na zona oeste do Rio de Janeiro. O pedido tinha sido feito no site do Quero na Escola por Moisés Gomes, de 18 anos, aluno do 3º ano do Ensino Médio, fã de histórias em quadrinhos de super-heróis.

Mas a aula dada por Pacha foi muito além do gibi. O ilustrador resgatou as primeiras imagens deixadas por seres humanos em pedras, as pinturas rupestres, passando pelos astecas, que faziam papel a partir do agave (planta utilizada na produção de tequila), por iluminuras medievais, até chegar ao primeiro personagem com balão de fala. Mostrando que, desde os primórdios, a humanidade utiliza ilustrações para retratar sua realidade.

11072016-IMG_2158Com exemplos de tirinhas de autores brasileiros e estrangeiros, Pacha apresentou diferentes formas de contar histórias em quadrinhos, com desenhos mais ou menos elaborados, apontou recursos usados para mostrar a passagem do tempo, metalinguagens, metáforas e ironias empregadas. O ilustrador também explicou o conceito de Pareidolia, quando imagens aleatórias e vagas são percebidas como algo distinto e com significado (como o rosto humano), que permite que com poucos traços, personagens humanos sejam criados.

O autor de “As traumáticas aventuras do filho do Freud” (http://facebook.com/FilhodoFreud) contou para os estudantes que, após muito estudar sobre Psicanálise, decidiu criar os personagens (Sigmund Freud, e seus filhos Jean-Martin e Anna) para transportar para outra linguagem os conceitos que havia aprendido. “Se você acha graça nas coisas que aprende, fica mais fácil gravá-las”, disse aos estudantes.

Depois da aula teórica, os alunos realizaram uma atividade prática. A turma escolheu três frases e todos tiveram que elaborar uma história com quatro quadrinhos, que tivessem obrigatoriamente as três frases escolhidas.

Para o estudante que pediu a atividade, a aula ampliou horizontes. “Quando solicitei o tema no Quero na Escola eu esperava algo voltado para os super-heróis e o Pacha levou uma outra perspectiva sobre tudo. Quando ele começou a falar, eu vi que ia muito além do que queria, e foi maravilhoso. Foi muito mais cultural. Foi uma oportunidade de explorar um universo que a gente ama ainda mais”, relatou Moisés.

O ilustrador ficou contente por poder levar uma atividade sobre Quadrinhos para uma região desassistida culturalmente – a escola fica localizada a cerca de 60 quilômetros do centro da cidade. Ex-aluno de escola pública periférica, Pacha se perguntou como teria sido se na sua adolescência debates como este tivessem acontecido em seu colégio.

“É muito gratificante poder fazer isso. Lidar com dúvidas genuínas e ajudar os estudantes a decodificar conteúdos e temas. Falamos sobre diversas coisas, sobre repertório cultural, de imagens, fazendo eles refletirem sobre o que já sabem. Eles têm bagagem cultural e são agentes culturais, meu papel é jogar querosene, para que eles produzam”, contou Pacha.

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