Ação do Quero na Escola vira tema de jornal de grêmio em Guarulhos

Cada estudante se apropria e faz pedidos no Quero na Escola de acordo com o que pensa ser mais importante para sua escola no momento. Na Escola Estadual Hernani Furini, em Guarulhos (SP), Isabel Souza, integrante do grêmio, utilizou o site para iniciar um projeto de feira de profissões e chamar pessoas de diversas carreiras para conversar com os estudantes.

No primeiro semestre, eles conseguiram um voluntário administrador e uma médica pela plataforma. Em agosto, receberam a visita de um advogado especialista em Direito Trabalhista. Desta vez, em vez da gente contar como foi, compartilhamos a última edição do Jornal do Hernani, pautado pelo encontro:

Abaixo edição da gravação da palestra para mostrar aos estudantes que não puderam participar ou quiserem rever:

Além de profissões, essa escola já solicitou um bate-papo sobre aborto, que vai acontecer em setembro e os pedidos de temas variados não param de chegar.

Entre na página da EE Hernani Furini no Quero na Escola para ver todos os pedidos e ver no que poderia ajudar.

Quer fazer um pedido para sua escola também? Quero na Escola

 

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Debate sobre LGBT é pautado por exemplos pessoais em escola

“Qual é a sua opinião sobre duas mulheres ou dois homens dando beijos em público, na frente de crianças, por exemplo?” Foi essa a pergunta que acendeu o debate sobre diversidade de gênero na Escola Estadual Antonio Manoel Alves de Lima, no Jardim São Luis, em São Paulo. O questionamento de um estudante foi direcionado ao voluntário do Quero na Escola, Felipe de Paula, advogado e integrante do movimento Vote LGBT, mas antes dele, os próprios colegas começaram a responder.

“Eu acho que o problema é a sexualização das crianças em si. As crianças não devem ser expostas a sexo, na minha família nenhuma criança é sexualizada”, expôs Felix, estudante transexual que fez o pedido pela palestra no Quero na Escola e contou ter passado por dificuldades e preconceito durante seu processo de transição do feminino para o masculino.

“Eu sou gay e já sabia desde pequeno que era, não foi porque eu vi alguém se beijando ou não”, acrescentou um outro estudante. “Sou lésbica e passei a vida assistindo a desenhos e novelas que mostravam casais heterossexuais, então acho que essa ideia não faz muito sentido”, disse uma terceira.

Felipe falou sobre as diversas identidades de gênero e a questão do nome social – nome pelo qual a pessoa prefere ser chamada de acordo com seu gênero, diferente daquele que consta em sua certidão de nascimento. “Alguns professores aqui não respeitaram isso, eu entregava a prova e eles falavam que não iam aceitar por conta do nome”, contou Felix sobre um dos desafios que encarou na escola ao se assumir trans.

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Alguns acharam inadequado o beijo homossexual em público, por acreditar que as crianças, ainda em processo de desenvolvimento cognitivo, poderiam ser influenciadas. Outros discordaram e foram dados os exemplos pessoais. Ninguém se ofendeu ou deixou de ouvir o outro em mais de uma hora e meia de discussão até às 22h30.

“Eu pedi esse tema porque é uma coisa que me diz respeito, e muito, ultimamente. Eu senti que minha escola precisava tratar sobre isso, acho que todas as escolas precisam”, contou Felix. “A escola ainda tem um sistema bem fechado para várias coisas, não só nessa questão, e eu espero que ainda aconteçam grandes alterações nesse sentido”.

Antes do encerramento da atividade um professor que acompanhou a atividade compartilhou com o grupo a vontade de parte do corpo docente de criar um grupo contínuo de conversa sobre as questões LGBT dentro da escola e muitos estudantes começaram a colocar suas opiniões. “Eu acho legal ter esse grupo porque não é só com alguém de fora que a gente pode debater isso, mas também em sala de aula”, expôs uma das alunas.

Qualquer estudante de escola pública pode dizer o que gostaria de aprender além do currículo na sua escola no Quero na Escola. Para ver os pedidos existentes e se voluntariar para atender a um deles, clique aqui.

Quero na Escola completa dois anos com recordes

Neste dia 24 de agosto, o Quero na Escola completa dois anos no ar. Por uma feliz coincidência, será nosso mês com maior número de atividades realizadas e de alunos atendidos: fecharemos agosto com 18 visitas de voluntários a escolas públicas em seis estados diferentes, promovendo atividades solicitadas por alunos e que atenderão diretamente a mais de 900 estudantes. Comemoramos muito cada um destes encontros, mas também aproveitamos este aniversário para relembrar que temos outros objetivos no percurso. São seis objetivos, veja com qual deles você se identifica:

As oficinas deste mês foram sobre fotografia, fanzine e confeitaria e as palestras sobre ginecologia, enfermagem, aborto, política, direitos trabalhistas, identidade de gênero, depressão, etnia e discriminação e gravidez na adolescência. Nomear estes assuntos, assim como dezenas de outros registrados ao longo destes dois anos, faz parte do nosso primeiro objetivo: fortalecer a escuta e participação do jovem em sua própria formação escolar. Antes mesmo do pedido ser atendido, só o fato de refletir sobre o que faria com sua formação e se expressar é um passo que consideramos importante.

E temos comprovado que não estamos sozinhos na valorização do que solicitam os estudantes. Os desejos dos jovens mostraram-se fortes o suficiente para atrair milhares de pessoas para acompanhar nossas ações e centenas para saírem de suas rotinas e voluntariamente irem às escolas atender a estes pedidos. Este é nosso segundo objetivo: dar à sociedade um caminho claro de participação na educação pública. Algo que muita gente quer, mas poucos sabem por onde começar.

Pouco a pouco vamos chegando ao nosso terceiro objetivo: oferecer às escolas parceiros do entorno. Muitos gestores, desacostumados a receber ajuda nas necessidades da escola, acham que não há parceiros à disposição e deixam de tentar levar projetos adiante. Ao perceber o interesse dos voluntários, alguns começam a convidá-los a participar, como a coordenadora da escola que recebeu a palestra sobre depressão no começo deste mês e solicitou à voluntária que voltasse para falar com outras quatro turmas. Os novos encontros estão agendados para sexta-feira (25).

Algo parecido ocorre com os próprios estudantes. A jornalista Marcelle Souza, que falou sobre aborto, tema do seu doutorado, recebeu uma mensagem de aluno no e-mail quando chegou em sua casa. Começa aí uma nova rede de relacionamento, com enorme potencial. Pesquisas de instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontam que a principal diferença no desempenho de jovens de escolas públicas e privadas está no contexto sócio-econômico, que inclui acesso à cultura e rede de contatos. Por isso, promover a integração entre alunos e diferentes setores da sociedade é nosso quarto objetivo.

Enquanto tudo isso acontece ao mesmo tempo, estamos colecionando alguns números. Com mais de 300 escolas com pedidos e mais de 170 cidades cadastradas, começamos a ter insumos para nosso quinto objetivo: reunir informações sobre os jovens e as escolas públicas. Aos poucos queremos mostrar melhor quais são as escolas existentes, com suas deficiências e pontos fortes, mas também quais são as escolas que os jovens querem.

O último objetivo é contribuir para o aprendizado dos assuntos solicitados pelos estudantes, a camada mais visível do projeto, a cereja no nosso bolo de aniversário. E aí? Alguma destas metas é importante para você? Conta pra gente qual delas.    

Quer fazer um pedido? queronaescola.com.br

Quer ver os pedidos existentes? queronaescola.com.br/pedidos

Você também pode se associar ao Quero na Escola

 

Voluntária usa documentário para discutir aborto em escola pública de Guarulhos

O estudante Caique Marcolino, da Escola Estadual João Luiz de Godoy, em Guarulhos, não esconde o motivo de ter feito o pedido por uma “Conversa sobre aborto” no Quero na Escola: “pedi porque é um tema polêmico, gosto de debates”. Sabendo disso, a jornalista Marcelle de Souza exibiu para a turma o documentário Clandestinas, um curta-metragem com depoimentos de mulheres reais que optaram pelo aborto. Antes de começar ela deixou a pergunta: “vocês acham que essas mulheres deveriam ser presas?”.

Marcelle pesquisou a questão do aborto em seu mestrado e agora inicia seu doutorado no mesmo tema, ambos na PROLAM-USP (Programação de Pós-graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo). Ela deu um panorama da questão do aborto no Brasil e no mundo. “O Brasil está mais perto de países da África ou do Oriente Médio nos números de mortes decorrentes de aborto do que dos países desenvolvidos que já legalizaram”, explicou.

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Alguns dados apresentados por Marcelle para os estudantes.

O assunto é tão tabu que depois da apresentação, os estudantes não expuseram suas dúvidas em frente aos demais colegas. “Fiquei surpreso porque o pessoal geralmente fala bastante”, disse Caique. “Mas acho que na frente de todo mundo ficaram com vergonha”. Apesar do silêncio em público, chegando em casa Marcelle foi checar sua caixa de entrada e já havia recebido um e-mail de uma aluna elogiando a apresentação, agradecendo por sua palestra e reforçando a importância de abordar esse tema na escola. “Fiquei até emocionada”, contou a voluntária.

Integrante do grêmio estudantil, o jovem é autor de mais pedidos no site e contou que os estudantes estão se organizando para levar cada vez mais projetos diferentes para dentro de sua escola. “Vamos arrumar o jardim aqui da frente e fazer um concurso de desenho”, ele contou. “Os ganhadores vão ser grafitados nos banheiros da escola, para cobrir as pixações”.

Quer levar mais atividades à essa escola? Dá uma olhada na página de pedidos dela no Quero na Escola e se inscreva para ajudar.

 

Conheça a nova identidade visual do Quero na Escola

O Quero na Escola está de cara nova! Prestes a completar dois anos, o projeto adota um novo logotipo  – mais bonito, mais moderno e mais fiel à nossa missão: abrir o círculo da escola para que a sociedade possa participar. 

A mudança atendeu a duas necessidades. A equipe buscava um logotipo capaz de refletir o amadurecimento do projeto, que desde abril tornou-se um associação sem fins lucrativos, da qual qualquer pessoa pode fazer parte. Mas, principalmente, havia a sensação de que a antiga marca já não refletia o trabalho do Quero na Escola em sua dimensão mais ampla.

Quando o projeto começou, em 2015, entendíamos que era preciso destacar o nosso primeiro objetivo, o protagonismo do aluno. O balão de pensamento do logo original se adequava a essa proposta: nosso foco estava em o aluno pensar no que gostaria de aprender além do currículo escolar e em encontrar um voluntário que pudesse ensinar o que foi pedido.

Hoje, o protagonismo estudantil continua sendo central para o Quero na Escola, e o pedido do aluno segue como o ponto de partida para que a atuação do projeto aconteça. No entanto, entendemos nossa missão como algo maior: promover uma cultura de interação e colaboração entre as escolas públicas e a sociedade.

O designer gráfico Miguel Pécora criou a nova marca com esta ideia em mente. O símbolo representa uma escola e, no alto, alguns pássaros rompem o círculo e ultrapassam os limites do lugar comum. Estes pássaros simbolizam os jovens, seus interesses e sonhos (cada qual com seu movimento, reforçando a ideia de individualidade do estudante, que é central no projeto), enquanto o círculo se rompendo é a escola se abrindo à comunidade e a novos aprendizados.

Com nosso novo logotipo, reforçamos o convite: estudantes, digam ao mundo o que gostariam de aprender além do currículo escolar. Para divulgar e atender a estes desejos, contamos com todas as pessoas que querem contribuir com a educação pública de qualidade. É por aí que pretendemos ajudar a ampliar horizontes.

Militante negra leva discussão racial para escola pública de Salvador

Evaldo Leal é estudante do Ensino Médio do CEEP Luiz Pinto de Carvalho em Salvador, Bahia, considerada a capital mais negra do Brasil. Este título, porém, não isenta a cidade de discriminação racial, e foi pensando nisso que Evaldo fez seu pedido ao Quero na Escola: “Etnia, cor e representatividade negra”. O estudante quis levar para sua escola, principalmente, a questão de como pessoas negras enxergam a si mesmas em meio a tantos estereótipos e representações midiáticas preconceituosas.

Quem se prontificou a atender ao chamado foi a comunicóloga e militante da pauta racial Luciane Reis, que atua principalmente na área do afro-empreendedorismo, sendo idealizadora do Merc`Afro, uma agência de fomento ao desenvolvimento de negócios locais e étnicos. A conversa girou em torno da inclusão dos jovens negros na universidade, da discriminação e da falta de valorização, mostrando que as dificuldades enfrentadas por eles vão além das relacionadas à baixa renda. Mas Luciane e os alunos também conversaram sobre como essa população tem conseguido superar obstáculos, mesmo tendo de se esforçar mais, devido à falta de oportunidades.

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Luciane conversou com duas turmas do Ensino Médio

“Também foram levantadas questões acerca das nossas origens, até de forma que pudéssemos vislumbrar a identidade que iremos construir daqui pra frente”, contou Evaldo. “Houve um engajamento, mas acho que ainda temos muito a explorar, porque ainda é uma coisa nova pra gente”. O estudante deseja levar mais discussões como essa para dentro de sua escola.

“Foi um encontro rico em troca de informação. Encontrei adolescentes não somente preocupados com seus futuros, mas criando possibilidades de mudança para sua realidade”, contou Luciane. E as trocas vão continuar por lá: na próxima semana será a vez dos estudantes do turno da tarde receberem uma advogada, pesquisadora da causa racial, para debater a questão em uma roda de conversa.

E os baianos podem ficar ligados no nosso mapa, que tem vários pedidos aguardando voluntários. Uma estudante de Itaparica quer saber mais sobre o mercado de trabalho na Biologia e um estudante de Ubaíra quer conhecer profissões como Medicina, Design e Tecnologia da Informação.