Um domingo de oficina, bate-papo e arte em grafite em escola de Severínea

A aula do dia 9 de abril na Escola Municipal Esmeralda Duarte da Silva, em Severínea, interior de São Paulo teve tema único: grafite. O grafiteiro voluntário Edson Ramos dividiu a atividade em três momentos: começou de manhã, com uma aula prática para a turma da Tainara Costa Silva, aluna que fez o pedido no Quero na Escola, seguiu à tarde, quando ele bateu um papo com um grupo maior sobre a prática e as técnicas do grafite, e encerrou produzindo uma bela arte em um dos muros do pátio.

Para esse domingo de atividades ser realizado, foi necessário um esforço conjunto: depois de conectar o pedido da Tainara com o grafiteiro, quem tocou tudo foi a Graziele Chianpesan, mãe da Tainara e professora de Artes da escola. Ela conseguiu as tintas e o Edson Ramos saiu de São José do Rio Preto, cidade a cerca de 60 quilômetros de Severínia, para dedicar seu dia à escola.

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Depois de ajudar os estudantes a dar novas cores à fachada da escola, foi hora de Edson falar com os quase cinquenta estudantes interessados em saber mais sobre seu trabalho e ver de perto sua arte. Para o voluntário, a atividade foi gratificante: “Foi muito legal levar o grafite para a escola e ver o interesse dos alunos”, ele conta. “Temos que parabenizar a professora Graziele, que também vem fazendo um trabalho muito legal na escola com artes. Sempre digo: a arte vai salvar o mundo!”.

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Arte do Edson que ficou de presente para a escola

E os estudantes dessa escola querem mais: já fizeram pedidos de Astronomia e Veterinária! Pode ajudar? Veja os pedidos na página da escola.

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Estudante da UFScar conversa sobre cotidiano universitário em escola de São Carlos

A estudante do Ensino Médio da Escola Estadual Adail Malmegrim, Larissa Rilary, queria saber o que esperar da próxima etapa da vida. Pediu no Quero na Escola que alguém falassem sobre sobre o cotidiano e os métodos de ingresso nas universidades.

Guilherme está no último ano do curso de de Engenharia de Materias na Universidade Federal de São Carlos (UfsCar), uma das universidades mais renomadas do país e se voluntariou para a conversa. “Ele explicou sobre o ENEM e alguns vestibulares e também disse como funciona o dia a dia na faculdade”, conta Larissa, “também contou um pouco sobre a possibilidade de intercâmbio

Depois da atividade, o futuro engenheiro saiu animado e incentivou que mais pessoas se engajem no projeto:

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E a Larissa já aproveitou a ocasião para fazer outro pedido: a turma dela está produzindo um documentário sobre a região em que moram e gostariam de alguém para dar dicas de audiovisual. Conhece alguém que poderia ajudar? Veja os pedidos da escola aqui.

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Xenofobia é abordada em escola com mais da metade de alunos imigrantes

Os levantamentos mais recentes mostram que mais de 50% dos estudantes da Escola Estadual Padre Anchieta são imigrantes, principalmente bolivianos. Situada no bairro do Brás, na capital paulista, a escola convive todos os dias com um problema que cresceu nos últimos tempos com o aumento da imigração para o Brasil: a Xenofobia.

Victor Gonzales Linares, tradutor peruano, topou o desafio de conversar com uma turma da escola sobre a questão. Sem fugir da sua área de atuação, ele focou a conversa na literatura. Victor é um dos fundadores do projeto Ecos Latinos, que pretende aproximar do Brasil a literatura latino-americana produzida no Peru, Paraguai, Equador e na Bolívia, atrás de Oficinas Literárias e Saraus Artísticos-poéticos.

A Padre Anchieta já havia recebido atividades de Homofobia e Feminismo. Para ver todos os pedidos de lá, clique aqui e nos ajude a encontrar voluntários.

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Associe-se ao Quero na Escola!

O Quero na Escola é uma associação sem fins lucrativos. Nossa ação prioritária é o atendimento de demandas de alunos de escolas públicas por voluntários por meio da nossa plataforma digital. Facilitamos a comunicação e catalisamos essas relações por meio de redes sociais para fazer circular novos conhecimentos dentro da escola em um processo que parte do aluno, respeita a instituição, envolve o gestor escolar e produz aprendizados para toda a sociedade.

O projeto surgiu em agosto de 2015 sem nenhuma formalização. Cresceu para todas as regiões do Brasil e agora institucionalizou-se como Organização Não Governamental. O processo exige recursos para remunerar as pessoas que se dedicam todos os dias a envolver estudantes, divulgar os pedidos, organizar as propostas de voluntários, sensibilizar os gestores das escolas para que aceitem a participação da sociedade e trabalhar para que as atividades de fato ocorram dentro das escolas públicas.

Desejamos também fazer melhorias em nossa plataforma, investir em tecnologia e divulgação, para que o site chegue a mais estudantes de todo o Brasil. Além disso, temos custos menores com logística, telefone, contabilidade e cartório. Constantemente buscamos parcerias que nos ajudem com recursos para expandir o projeto e, como sempre, achamos que nosso maior recurso são as pessoas que apoiam a iniciativa.

Por isso, estamos abertos a doações. Ao fazer uma contribuição de qualquer valor, o apoiador também pode se tornar um associado. Basta preencher um formulário com os dados para que possamos agradecer publicamente, convidá-los a participar das reuniões e enviar relatórios com detalhes dos investimentos. O associado não tem obrigações, mas ideias e participações serão sempre muito bem-vindas.

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Nos ajude a mudar a relação entre escolas públicas e sociedade, torne-se um associado.

Aos 19 anos, um terço dos brasileiros parou de estudar sem concluir o Ensino Médio

De cada 3 jovens brasileiros, um abandona a escola sem terminar o Ensino Médio. Dos 2.908.006 jovens do Brasil que completaram 19 anos em 2015, um terço, ou 950.746 pessoas, já haviam abandonado a escola apesar de não terem concluído a educação básica. Destes, 497.757 estavam trabalhando e os demais 452.989 não estavam nem na escola e nem em algum trabalho.

Os dados foram divulgados pelo Todos Pela Educação na semana passada a partir de bases do IBGE e da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicilio (Pnad). O elevado número de adolescentes que desiste de estudar é um dos principais motivadores do Quero na Escola. Ao perguntar diretamente aos jovens o que eles gostariam de aprender além do currículo obrigatório, buscamos tornar os estudos menos desinteressantes para a faixa etária.

Por que os estudantes deixam a escola? Nenhuma pesquisa aponta exatamente. Sabe-se que o índice das jovens que abandonam e tem filhos é alto (31%), o que é um indicativo de que a maternidade e os afazeres domésticos são responsáveis por abreviar o tempo de estudo das meninas. Entre os meninos, os motivos são ainda menos mapeados.

Um dado que aumentou consideravelmente em 2015 em relação ao ano anterior foi o do total que abandonou a escola e não trabalha. Em 2014, 60% dos jovens de 19 anos que deixaram de estudar estavam trabalhando. Em 2015, apenas 52% dos que estavam fora da escola estavam no mercado de trabalho. O Quero na Escola acredita que é urgente ouvir os jovens sobre sua própria educação, inclusive sobre os motivos pelos quais deixam de investir seu tempo e esforço na escola.

Inscreva-se no Quero na Escola ou acompanhe as notícias do projeto.

 

Estudantes de Guarulhos conhecem profissões diversas após pedidos no Quero na Escola

Nos dias 23 e 24 de março, a rotina da Escola Estadual Residencial Jardim Bambi foi um pouco diferente. Ao invés de voltar para suas classes depois do intervalo, os alunos do 3º ano do Ensino Médio se juntaram para ouvir profissionais de duas áreas bem diferentes: Gastronomia e Fotografia. Os temas foram pedidos no Quero na Escola pela aluna Hilmara Fernandes, representante do Grêmio Estudantil, que fez uma pesquisa entre os interesses dos estudantes.

Conhecendo cozinhas pelo mundo

Para contar mais sobre a profissão dos cozinheiros profissionais, Joseane Marques contou sua história nesse meio: desde sua adolescência – quando já amava cozinhar – passando pelo curso técnico em Hotelaria, a graduação em Gastronomia e suas experiências profissionais no Brasil e no mundo.

Seus relatos sobre suas vivências em cozinhas de outros países deixaram os alunos bem curiosos. Ela deixou claro que a profissão envolve trabalho duro, muitas vezes em fins de semana e feriados e baixos salários no início da carreira. “Em muitos lugares que fui trabalhar não tinha salário, eram estágios pela experiência mesmo”, ela contou.

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Joseane (à esquerda) com a equipe de um dos restaurantes em que trabalhou na Suécia

E por falar em remuneração, Joseane indicou o caráter elitista da profissão, que tem poucos e caros cursos de graduação de qualidade – mas incentivou que os estudantes buscassem cursos de extensão gratuitos e programas de bolsa. Um desses projetos, é o Gastromotiva, que oferece cursos de capacitação na área para jovens de baixa renda.

Outro ponto ressaltado por ela foi a questão da responsabilidade do profissional da Gastronomia em representar seu país ou a instituição que estuda. “Se eu for para outro país e fizer um trabalho meia-boca posso estar comprometendo outros que vierem depois de mim, vão pensar que os brasileiros em geral são maus profissionais”, explicou ela.

Mais que uma palestra sobre comida, o principal tema da palestra foi a cultura. Mesmo no Brasil, Joseane segue encarando choques culturais: atualmente está trabalhando em um projeto com refugiados árabes. A cozinheira também fez questão de valorizar a culinária brasileira: “A experiência internacional é importante para o currículo, mas tem muitos ingredientes brasileiros que você não encontra fora daqui, nossa culinária é muito rica e diversa e nós precisamos valorizar isso”.

Fotografia além do óbvio

Assim como a Joseane, a paixão da Gabriele Diola por fotografia e audiovisual começou na juventude, aos 16 anos. Hoje ela é formada no Técnico em Processos Fotográficos pelo SENAC e cursa Produção Audiovisual, e resolveu dividir um pouco dessas experiências com os estudantes.

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Gabriele focou sua apresentação na fotografia criativa e reforçou que um dos desafios desse campo é justamente o esforço para criar coisas diferentes. Passou também a ideia de que uma foto é capaz de contar uma história, que vai além de algo meramente técnico. E ela finalizou deixando um desafio para os estudantes: compartilhar com ela. pelas redes sociais, alguma foto de autoria própria que represente uma história e saia do comum.

“Minha relação com a fotografia vai além de trabalho, é um meio de expressão. Hoje, cultivo um canal no YouTube e um Instagram onde compartilho com as pessoas o mundo da forma que vejo e capturo. O que me move dentro da fotografia e do audiovisual é inspirar os outros e ser inspirada”, ela conta. E da atividade, saiu motivada: “A experiência foi incrível, eu fui super bem recebida pela escola e pelos alunos, a palestra foi super bacana e todo mundo interagiu muito. Me pediram pra voltar e eu quero voltar mais vezes!”

Mais pedidos e profissões por vir

Depois dessas atividades, os estudantes da escola demonstraram interesse por outras áreas: Direito, Psicologia, Medicina, Veterinária… E fizeram seus novos pedidos no Quero na Escola. Um médico já se inscreveu para conversar com os estudantes sobre essa profissão.

E outro pedido chamou nossa atenção: Artes Marciais. Como a quadra da escola está em reforma, já faz tempo que a escola não tem aulas de Educação Física e esse esporte seria uma forma de driblar esse problema, utilizando outro espaço. Estamos em busca de praticantes dessas lutas para fazer isso acontecer e movimentar mais um pouco o cotidiano por lá.

Quer ser voluntário realizando uma atividade nessa escola, veja todos os pedidos deles aqui e se inscreva.
É aluno de escola pública e quer atividades assim em sua escola? É só pedir no site: www.queronaescola.com.br.

Texto e acompanhamento: Sabrina Coutinho