Em imagens, a história da voluntária que viajou para emprestar 691 livros

A escola municipal José Nery Carneiro de Napoli atende todas as 260 crianças de Socavão, distrito rural a 10 quilômetros do centro da cidade de Castro, no interior do Paraná. A professora Cleunice de Aparecida Pedroso Castanho queria levar mais cultura para os alunos e pediu a visita de alguém que trouxesse uma biblioteca móvel, no Quero na Escola – Especial Professor, parceria com a Fundação SM,

O pedido circulou até chegar a Lilian Ribeiro de Camargo, pedagoga e criadora do Projeto Linhas de incentivo a leitura e escrita. Dona de uma coleção considerável que divide com o filho de 12 anos, ela pediu reforço.  “Tenho muitos livros, deixo de comprar outras coisas para comprar livros, mas para poder atender a escola tive que comprar mais e pedir doação para amigos e sebos.”

Lilian (de jaqueta) e Dayane com os alunos

Porta-malas lotado, Lilian e a parceira de trabalho voluntário Dayane Côrrea saíram de Curitiba rumo a Castro ao amanhecer. A viagem durou mais de três horas. “Valeu cada hora, buraco e lama”, garante Lilian.

Todas as 10 turmas ouviram histórias 4 histórias e outras 687 foram deixadas à disposição. “Amamos realizar o trabalho. Superou nossas expectativas. Fomos muito bem recebidas por toda escola. Impressionante o trabalho que estão desenvolvendo e como toda comunidade escolar é unida e engajada com a educação das crianças. A cada turma as crianças gostavam tanto das histórias que pediam para lermos mais e ficaram maravilhadas”, lembra Lilian.

“Ficamos todos encantados com o trabalho delas, tanto nós professoras, quanto os alunos”, conta Cleunice. “Espero que seja o início de uma longa parceria”, diz ela. No dia seguinte o trabalho pedagógico já incluiu reflexão e arte sobre uma das obras. Professora e voluntária combinaram de trocar informações online e uma nova visita para março, para que possam aproveitar as obras durante todas as férias escolares.

A fotógrafa Isabella Lanave acompanhou as voluntárias em toda a viagem, veja imagens:

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Aos 19 anos, um terço dos brasileiros parou de estudar sem concluir o Ensino Médio

De cada 3 jovens brasileiros, um abandona a escola sem terminar o Ensino Médio. Dos 2.908.006 jovens do Brasil que completaram 19 anos em 2015, um terço, ou 950.746 pessoas, já haviam abandonado a escola apesar de não terem concluído a educação básica. Destes, 497.757 estavam trabalhando e os demais 452.989 não estavam nem na escola e nem em algum trabalho.

Os dados foram divulgados pelo Todos Pela Educação na semana passada a partir de bases do IBGE e da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicilio (Pnad). O elevado número de adolescentes que desiste de estudar é um dos principais motivadores do Quero na Escola. Ao perguntar diretamente aos jovens o que eles gostariam de aprender além do currículo obrigatório, buscamos tornar os estudos menos desinteressantes para a faixa etária.

Por que os estudantes deixam a escola? Nenhuma pesquisa aponta exatamente. Sabe-se que o índice das jovens que abandonam e tem filhos é alto (31%), o que é um indicativo de que a maternidade e os afazeres domésticos são responsáveis por abreviar o tempo de estudo das meninas. Entre os meninos, os motivos são ainda menos mapeados.

Um dado que aumentou consideravelmente em 2015 em relação ao ano anterior foi o do total que abandonou a escola e não trabalha. Em 2014, 60% dos jovens de 19 anos que deixaram de estudar estavam trabalhando. Em 2015, apenas 52% dos que estavam fora da escola estavam no mercado de trabalho. O Quero na Escola acredita que é urgente ouvir os jovens sobre sua própria educação, inclusive sobre os motivos pelos quais deixam de investir seu tempo e esforço na escola.

Inscreva-se no Quero na Escola ou acompanhe as notícias do projeto.

 

Quero na Escola encerra o ano com estudantes se expressando pelas paredes

Cores, formas abstratas, nomes, mulheres, cabelos black power, corações e animais foram as principais opções dos estudantes quando puderam se expressar nas paredes do pátio da Escola Estadual Antônio Alcântara Machado, no Ipiranga, zona sul de São Paulo.

A atividade de grafite foi um pedido de estudantes inspirados pela própria coordenadora pedagógica, Laura Amaral, que havia recebido dois voluntários no Especial Professor, em outubro. Desta vez, seis artistas se inscreveram: Vitones, Folego, Além, Gatuno, Cayque e Calma.

Com apoio da loja Tintas Lusacor, foi possível envolver, além deles, mais de 200 dos alunos da escola. A atividade ocorreu no dia 25 de novembro, das 9h às 16h.

Assim como crianças que começam a escrever pelos nomes, muitos queriam o spray para “assinar” as paredes. A gestão da escola vetou e a saída escolhida foi buscar giz nas salas de aula e pintar apenas depois do rascunho ilustrado. Os estudantes pediam ao grafiteiros dicas de como segurar o spray, distância para a parede e, quando chegou a vez da tinta em pincel, como produzir o pigmento.

A manhã era de apresentações de trabalhos e talentos no pátio e houve trilha sonora o tempo todo na voz de alunos e professores. “Foi o dia mais da hora que eu já tive na escola”, comentou Emerson Júnior, que levou um rascunho no papel e foi um dos primeiros a começar e último a acabar. “Sempre pintei as paredes em casa”, comentou.

Uma das voluntárias, Folego, lembrou que, como aluna, viu um grafite na própria escola e copiou o desenho muitas vezes. “Toda vez que olhava ficava pensando do alto dos meus 13 anos: um dia quero pintar as paredes de uma escola também”.

O dia contou ainda com dois fotógrafos voluntários: Augusto Gomes e Bruno Braguetto, que fizeram os belos registros desta página, e um jogador de basquete, estudante da Universidade de São Paulo, Leonardo Uliam, que fez uma participação especial nas quadras.

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Sonho de aprender andar de bicicleta é realizado dentro da escola pública

“Era um sonho”, definiu o estudante Kheytty de Souza, que chegou aos 14 anos sem conseguir andar de bicicleta e se cadastrou no Quero na Escola para aprender. Com a ajuda da voluntária Carla Moraes, geóloga e Bike Anjo, ele levou apenas 15 minutos para dar voltas completas na quadra da Escola Municipal Mauro Faccio Zacaria, onde estuda, no Capão Redondo, zona sul de São Paulo.

Carla, grávida, emprestou sua experiente bicicleta –  com a qual já fez viagens de até 500 quilômetros – e sua técnica certeira. “Sabia que ia ser fácil”, comentou. Assista:

A aula ocorreu na tarde desta sexta, 9 de setembro, no contraturno de suas aulas. Ao mesmo tempo em que ele aprendia a se equilibrar, alunos dos primeiros anos tinham educação física e alguém aprendia a tocar Hino Nacional. Quando ele deu a primeira volta, a torcida aplaudiu.

Segundo Kheytty, ele e o irmão ficaram muito em casa na infância e não puderam aprender. Depois ele tentou nas bicicletas de amigos, sem sucesso. “Eu até já tinha visto estas técnicas que ela fez em vídeo online, mas também não consegui”, comentou.

“Só pegar uma bike emprestada agora, Kheytty. Andar de bicicleta a gente não esquece”, disse Carla ao se despedir. “É o que dizem”, respondeu o estudante, em uma tarde em que chorou e sorriu.

Quer algo além do currículo obrigatório na sua escola? Pede: www.queronaescola.com.br