Quero na Escola promove minicursos durante pandemia

Sem poder ir às escolas, alguns voluntários do Quero na Escola preferiram que suas ações fossem em formato de “minicurso” por videoconferência. Enquanto a maioria dos encontros entre quem quer ajudar e os jovens aconteceu de forma aberta ao público, pelo Facebook, estes são focados em grupos fechados nestes temas específicos. Estão ocorrendo neste mês de junho aulas de piano, dança, espanhol e informática. E já foram feitas duas atividades de francês. 

Juliana Becker é psicóloga de formação e fala francês fluente, além de ter se aproximado da cultura francesa. Entre maio e junho, ela fez duas aulas introdutórias sobre a língua, com o básico do alfabeto e também dicas para continuar a estudar de maneira autônoma. A primeira turma atendida foi a pedido da estudante Rafaela Cristina Silva de Almeida, de Araranguá, em Santa Catarina. A segunda turma foi a pedido do aluno Jhone Carvalho Silva, de Niterói, no Rio de Janeiro. 

Os minicursos de dança e piano têm a mesma voluntária, Vera Vieira, pianista, coreógrafa e violinista. Neste momento, as aulas de dança estão com inscrições abertas pelo link: http://abre.ai/dancaqne

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Ao mesmo tempo, a professora de espanhol, Irene Reis, presidente do Comunidade Reinventando a Educação e parceira de várias ações, faz um curso de quatro aulas sobre a língua espanhola e processos de aprendizagem. A aula vai de dicas na língua a como memorizar e entender novos conhecimentos.

Já a professora de Informática e Design, Melissa Resende, está dando aulas dos sistemas básicos mais necessários para o mercado de trabalho. Em uma aula de Excel, por exemplo, apresentou fórmulas, tabelas e as possíveis criações.

Outras dezenas de temas resultaram em atividades abertas que estão disponíveis no Facebook e no canal do Quero na Escola no Youtube

Quer sugerir um tema? Qualquer estudante de escola pública pode pedir uma atividade que não seja do currículo obrigatório em queronaescola.com.br

Escola teve 18 atividades com voluntários do Quero na Escola só este ano

A escola estadual João Luiz de Godoy Moreira, em Guarulhos, foi a campeã em receber voluntários do Quero na Escola em 2019. O prêmio foram as próprias atividades extras levadas pelos colaboradores: 18 no total, 13 a pedido dos estudantes e outras 5 a pedido dos educadores. Este foi o terceiro ano consecutivo em que a unidade recorre ao programa que parte de demandas pelo site queronaescola.com.br e busca voluntários para colaborar com as escolas públicas de todo país.

A Godoy foi a escola que mais cresceu em pedidos atendidos. Em 2017, na sua estreia, foram três e, ano passado, 10. Entre os assuntos atendidos em 2019 a pedido dos jovens houve um tema totalmente novo, Gordofobia, e alguns que já se tornaram recorrentes como Psicologia, Bullying, Enem e Vestibular, Mercado de Trabalho e Informática.

Entre os recorrentes também desponta Enfermagem. A carreira tinha sido motivo de uma palestra e dinâmica no ano passado feita pelo estudante de Enfermagem Italo Pegoraro, ele mesmo um ex-aluno atendido pelo Quero na Escola quando estava no Ensino Médio. Este ano, foi a vez da estudante Carla de Jesus solicitar a palestra e dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que estes estudantes estão certo: a carreira é considerada a mais carente de profissionais para os próximos 10 anos a ponto de a OMS declarar 2020 o ano do profissional de enfermagem.

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O mais curioso é que em ambos os anos o estudante de Enfermagem, Italo Pegoraro, atendeu aos pedidos e foi falar tanto do curso como dar dicas básicas. “As perguntas dos alunos mostram a importância que é debater assuntos relacionados à saúde pública dentro da sala de aula. Eles perguntaram muito também as diferenças entre as categorias profissionais e o papel de cada profissional na área da saúde”, comentou o voluntário que, quando ainda estava no Ensino Médio, também foi atendido pelo Quero na Escola em suas demandas.

Os estudantes da Godoy também receberam em 2019 atividades sobre Gastronomia, Cinema, Publicidade e Propaganda, Química e Medicina Veterinária.

Já no Especial Professor, projeto em parceria com a Fundação SM em que os pedidos dos educadores se tornam presentes no mês dos professores, as atividades foram sobre Animais Peçonhentos, Direitos Humanos, Produção e Edição de Vídeo e Inteligência Emocional.

Os voluntários que visitam a Godoy elogiam a recepção e o interesse dos jovens. “Uma escola marcada por cuidados”, definiu a voluntária Ariadne Natal, após realizar a atividade de Direitos Humanos.A professora Rosemary Caldas, responsável por organizar as atividades em parceria com o Quero na Escola, reforça o aproveitamento dos estudantes. Na atividade sobre “Animais Peçonhentos” com o voluntário Carlos Leandro Firmo, ela conta que um aluno do 8º ano anotou muitas informações e fez várias perguntas. “O olhar desse jovem é além do conteúdo. Ele tem interesse em trabalhar na área. Foi um momento muito especial”.

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Diretora da Godoy (ao centro, de estampa florida), professora Rosemary (de jaleco) com voluntário André Klotzel (entre as duas), coordenadora do Quero na Escola, Cinthia Rodrigues (de laranja) e parte da equipe de educadores

Algumas parcerias também servem a projetos já existentes na escola como o de montar um programa de TV interno, que recebeu uma atividade sobre produção e edição de vídeo com a voluntária Helena Málaga, editora e produtora de vídeos. “Ela estimulou não só alunos, mas também muitos professores de outras áreas que estavam presentes e se envolveram. Ela conseguiu manter o grupo participativo do início ao fim”, comentou Rosemary.

Com tantas visitas, a Godoy também já recebeu algumas vezes a coordenadora do Quero na Escola, Cinthia Rodrigues, embora o programa preveja o encontro direto entre o voluntário e o educador que o recebe. “Cada visita à Godoy encanta pelo profissionalismo e envolvimento da equipe, que está sempre inovando e, de verdade, ouvindo aos alunos”, comenta. A opinião da professora Rosemary sobre o Quero na Escola, você pode assistir neste vídeo.

Qualquer estudante, de qualquer escola pública, pode se inscrever no Quero na Escola e dizer o que mais gostaria de aprender além do currículo obrigatório. A parceria com a escola é iniciada pela equipe do programa assim que recebe um voluntário com disponibilidade para atender à demanda do aluno.

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Atividades estimulam estudantes a cuidar do nosso planeta

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Por conta dos protestos no Chile, a Conferência do Clima das Nações Unidas foi transferida para a Espanha, mas na zona leste de São Paulo uma simulação de estudantes foi mantida. Os alunos de uma escola estadual de Lajeado representaram governo, indústrias e ONGs de seis países e buscaram formas de lidar com a crise climática. A ação foi uma das cinco realizadas pelo Quero na Escola em parceria com o WWF-Brasil para ajudar estudantes a refletir sobre o futuro do planeta.

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Crianças constroem terrário

Todas as atividades foram feitas em escolas da rede pública e inspiradas no documentário Nosso Planeta, produzido pelo WWF e disponível na Netflix. A primeira, foi a que atendeu mais alunos: 300 crianças de 7 a 10 anos na Escola Municipal de Ensino Fundamental Ary Gomes, na zona norte da capital paulista. 

Os pequenos participaram de um jogo em que respondiam questões sobre a natureza e depois construíram terrários para pensar sobre os cuidados com os biomas e o nosso papel na conservação dos recursos naturais. “A melhor parte foi conversar com as crianças”, comenta a estudante de Biologia, Nielsi Vieira, que conheceu o Quero na Escola quando cadastrou suas demandas durante o Ensino Médio e, desta vez, participou como oficineira. “No quiz, muitos tinham respostas na ponta da língua. É lindo ver como são capazes de entender tudo que ensinamos.”

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Em simulação, jovens negociam acordos

A simulação da Conferência Global do Clima foi a segunda ação e se dividiu em dois dias na Escola Estadual Luciane do Espírito Santo, em Lajeado, extrema zona leste. A mestre em Gestão para a Sustentabilidade, Cintya Feitosa, conduziu o grupo com informações sobre como funciona o evento, além de explicar interesses e as posições históricas de seis países sobre o assunto:  Alemanha, Estados Unidos, Brasil, China, Nigéria e Fiji. No primeiro dia, cada grupo conversou internamente com suas organizações da sociedade civil, governantes e empresários e, no segundo, cerca de cem estudantes buscaram acordos entre eles. 

Julia da Silva, aluna do 1º ano, era uma governadora de Fiji. “Não sabia nada sobre o país. Agora, não só sei que é uma ilha rica em minérios e turismo, como me ajudou a perceber o papel de todos, países e pessoas, para preservação do mundo. Não existe um planeta B, precisamos cuidar deste”, conta. Outro estudante de 1º ano, Marco Antonio Rodrigues, que foi um dos encarregados de negociar pela China, defendeu o uso de energia eólica e solar. “O Brasil, se continuar como está, pode mudar totalmente em algumas décadas, desde com cidades submersas, até perdendo sua natureza, precisamos mudar o quanto antes.” Na conferência simulada da escola, todos os países chegaram a um acordo de compartilhamento de informações para evitar desastres ambientais.

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Estudo de desastres ambientais

Três destes desastres foram o tema de outra atividade para 70 jovens na Etec Belém, também na zona leste. Sob orientação do biólogo Valdir Lamim, mestre em Ecologia e doutor em Educação, os estudantes analisaram as queimadas na Amazônia, o rompimento da barragem de Brumadinho e o petróleo que irrompe nas praias brasileiras. Depois, acompanharam o tema pelo noticiário por quinze dias e voltaram a se reunir para simular uma audiência pública. “Foi muito interessante perceber novos lados das tragédias e que sempre há responsáveis. Faz a gente pensar sobre as nossas pequenas ações que podem ajudar a conservar a natureza”, comentou a aluna Letícia de Souza e Souza.

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Alunos relacionam questões globais e locais do clima

Na zona oeste, 57 estudantes do Cepam – USP, que fica dentro da Cidade Universitária, também tiveram uma aula com Valdir. Os jovens que cursam o Ensino Médio junto com o técnico em Serviços Jurídicos ou Gestão Pública analisaram questões globais a partir de exemplos muito próximos, correlacionando o micro e o macro e produziram apresentações ou vídeos curtos com os aprendizados.

Fechando as ações presenciais, os formandos da Escola Municipal Mario Marques de Oliveira, no Jardim Ângela, zona sul, receberam o educador e permacultor Jaison Lara, articulador da Casa Ecoativa e da Permaperifa. Com ele, os jovens aprenderam sobre iniciativas e também práticas como montar uma cisterna e a fazer minhocários – inclusive o que ficou para a escola. 

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Estudantes e professor observam minhocário.

Na conversa, foi destacado o exemplo das comunidades periféricas, indígenas e quilombolas para conservação da natureza. “70% de tudo que a gente come é produzido pela agricultura familiar. O agronegócio, como o nome diz, é um negócio: produz mais ração e combustível do que alimento”, comentou. 

As atividades presenciais contaram com apoio do professor Diego Vergaças e da estudante de Educomunicação Rafaela Taborda, autora das imagens que ilustram este texto.

Além das ações presenciais, atividades online estão ocorrendo com as escolas interessadas em acompanhar com seus alunos. Ainda há três encontros para ocorrer e interessados podem deixar o contato neste formulário aqui.

O Quero na Escola recebe demanda de estudantes de escolas públicas por assuntos que gostariam de aprender além do currículo obrigatório. As demandas são compartilhadas e, após a inscrição de voluntários para ajudar, buscamos agendar as atividades dentro das próprias escolas. 

Muito além de giz e lousa

No Quero na Escola Especial Professor 2019, nossa parceria com a Fundação SM, os educadores mostraram que têm interesses e necessidades que vão muito além de lousa e giz. Além dos diversos assuntos já mostrados aqui relacionados a artes, saúde e outros aprendizados, houve pedidos sobre comunicação, metodologias ativas, tecnologias, fotografia, jogos, edição de vídeo, jornal  escolar, robótica e até por “ficção científica e o espaço sideral”.

Entre estes, o tema campeão foi fotografia, que teve três atividades realizadas em duas escolas diferentes. Os professores da Centro de Educação Infantil Paulo Cesar Fontelles de Lima, de São Paulo (SP), queriam melhorar seus registros em imagens e receberam duas visitas da jornalista Cristiane Ribeiro Machado. No primeiro dia, a voluntária apresentou conteúdos teóricos sobre luz, composição e enquadramento. No segundo, aproveitou fotos tiradas pelos docentes para discutir as possibilidades de aperfeiçoamento de cada imagem.

A escola Chico Falconi, de São Paulo (SP), recebeu dois voluntários para fazer ações de fotografia. Luiza Matravolgvi Damião, formada em audiovisual, fez uma ação para os docentes. “Foi ótimo! Vários professores participaram, eles estavam super interessados e participativos. Alguns levaram suas próprias câmeras para a gente trabalhar o uso dos equipamentos que têm”, comentou.

Mauricio Virgulino Silva, fotógrafo, arte-educador e educomunicador, fez uma atividade voltada aos estudantes. Primeiro ele apresentou conceitos sobre luz e fotografia e, depois, levou os alunos ao pátio para um exercício prático. A escola possui dois projetos voltados a fotografia, Papo Reto e Quebrada Maps. Maurício se informou sobre ambos antes de ir para a escola, para alinhar os seus conhecimentos com as necessidades e interesses dos estudantes.  

O Especial Professor contou ainda com a participação da voluntária Helena Málaga, formada em Rádio e TV, que foi dois dias até a escola Pedro Nava, em São Paulo (SP),  para falar sobre a história do audiovisual e cortes de cena. Ela promoveu exercícios práticos, colocando os alunos para filmarem a área externa da escola com o celular. “Fizemos uma prática de observação do local de onde eles estavam, visando a apropriação do espaço da escola”, disse. 

Também de São Paulo (SP), a diretora Katia Cavalcante de Moura Vicente, da escola estadual Eugenio Zerbini, pediu para aprender mais sobre o uso das tecnologias na educação. A voluntária Marcia Padilha, mestre em História Social e autora do projeto Criamundi, falou sobre a importância do professor ser também autor de conteúdos e aproveitou o que os docentes já sabiam sobre aplicativos para ampliar o entendimento deles a respeito das tecnologias. “Percebi que as coisas fizeram sentido para eles, por isso acho que tivemos uma troca muito boa. Gostei da abertura da escola, de ver os professores buscando uma formação”, afirmou. 

 

A cidade de Guarulhos, que sempre está presente no Quero na Escola, também recebeu formações destas temáticas. A especialista em gamificação e professora universitária Pá Falcão atendeu ao pedido da professora Taysa Soares Bensone, da escola estadual Zilda Graça Martins de Oliveira. Pá Falcão fez uma formação para professores sobre Metodologia Indutiva e Jogos em Sala de Aula. “Um dos professores da escola já está trabalhando com jogos e ficou bem interessado. Para outros educadores, talvez tenha sido a primeira vez que viram essa abordagem, mas acho que a atividade plantou uma semente  – e isso que é o legal”, contou. 

Na escola estudual Ary Jorge Zeitune, a pedido da professora Rosimeire Ramos Alvares, o voluntário Flávio da Costa Gonçalves promoveu um oficina sobre metodologias ativas. “Foi tudo excelente: a participação dos alunos, a didática, a expectativa”, disse Rosimeire. 

Mogi das Cruzes teve atividade de robótica. João Carlos e Diego Vergaças, dois voluntários que já participaram do projeto anteriormente, apresentaram um conteúdo básico sobre assunto e propuseram um desafio prático aos professores e alunos de Educação de Jovens e Adultos: construir um robô que fizesse um desenho sozinho. A missão foi cumprida e, no final do encontro, houve um debate sobre a importância do trabalho colaborativo. 

No interior de São Paulo, o Quero na Escola promoveu uma ação sobre a relação entre o espaço sideral e a ficção científica. O pedido tinha sido feito no Especial Professor de 2018, mas na época não apareceu nenhum voluntário. Este ano, o professor Flávio Dias da Silva, da escola estadual Padre Alberto Vellone, de Conchal, refez o pedido e foi atendido por Kauê Gonçalves Grecco, entusiasta do tanto de Física quanto de ficção científica. “O mais importante foi a sensação de complemento. Eu tinha trabalhado isso em sala de aula e a visita valorizou e ampliou. Ele tinha mais conhecimentos e motivou muito os alunos com as demonstrações”, comentou o professor.

Em Valinhos, a jornalista e editora-chefe do G1, Lana Torres Silva, foi à escola municipal governador Franco Montoro ajudar a criar um jornal digital escolar. Ela atendeu ao chamado da professora Elisa Santos, que elogiou não apenas a ação, mas também o projeto Quero na Escola Especial Professor como um todo. “A iniciativa é maravilhosa e precisamos muito dela. Acredito que o projeto vem para colaborar com a nossa prática pedagógica”, disse a educadora.  

O Especial Professor, a parceria entre o Quero na Escola e a Fundação SM, este ano em sua quarta edição, teve um total de 70 ações em 42 escolas de 6 estados do país.

A escola pública é ruim?

Em junho o historiador Thiago Rocha esteve na escola estadual Professor Roberto Alves dos Santos, em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, para atender a uma demanda de estudantes no Quero na Escola sobre política. Os estudantes dos segundos e terceiros anos do ensino médio o receberam para conversar sobre a diferença entre debate e diálogo e sobre a atuação dos políticos em cada poder: Legislativo, Executivo e Judiciário. O estopim da atividade foi uma pergunta: a escola pública é ruim?

Muitos braços se levantaram alegando que já escutaram sobre a suposta ineficiência da escola pública e depois mais tantos para dizer que concordavam com a afirmação, incluindo educadores. Thiago teve toda sua formação em escolas públicas de Santo André, também na região metropolitana de São Paulo, e sabe bem o problema de autoestima enfrentado quando socialmente acredita-se que os melhores empregos, faculdades e oportunidades não são para você. Ao contar sua história de vida, disse que o lugar de todos eles é onde quiserem, seguindo as metas que traçarem e buscando oportunidades.

A coordenadora pedagógica da escola, Cinthia Cardoso, considerou de grande importância uma conversa que motivasse os alunos e mostrasse que suas escolhas de hoje implicarão diretamente no futuro. Para os adolescentes foi representativo receber “um deles” que estudou na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), chegou a representar estudantes brasileiros em Oxford e hoje em dia atua na política. Um aluno resumiu ao fazer uma pergunta e acrescentar que o voluntário era “da família”, exemplificando o grau de identificação.

Se você é estudante de escola pública, de qualquer lugar do país, eis uma oportunidade: diga o que mais você gostaria de aprender dentro da sua própria escola, além do currículo no queronaescola.com.br Nós buscaremos voluntários para falar com você, como foi o caso do Thiago.
E você que gostaria de visitar uma escola, veja se há demandas que pode atender em queronaescola.com.br/pedidos

Como aproveitar a instância de participação democrática dos estudantes

Por Marcela Riccomini

Os grêmios estudantis ajudam estudantes a exercer a democracia, debater deveres e lutar pelos direitos. Estas agremiações sempre foram parceiras do Quero na Escola, na interlocução com a gestão escolar para agendamento das atividades do projeto ou até para inscrever pedidos por colaboração de maneira representativa. Este ano a parceria ganhou uma mão dupla: recebemos pedidos e realizamos atividades sobre como potencializar os grêmios.

Foi o caso do pedido da aluna Giovanna Almeida, da Escola Estadual Doutor Joaquim Silvado, em São Paulo. Ela estava concorrendo em uma das chapas para o grêmio e viu no Quero na Escola uma oportunidade de ampliar suas propostas. O estudante de Gestão de Políticas Públicas na Universidade de São Paulo (USP) Guilherme Lamana se voluntariou para atender, com a experiência de quem foi presidente do grêmio estudantil da Etec Albert Einstein, também em São Paulo, há 4 anos.

Entre a campanha e a ida de Guilherme, as eleições do grêmio ocorreram e a chapa da Giovanna acabou não sendo eleita. Mas isso não impediu que ela aproveitasse a reunião que foi agendada com o grupo eleito, já que o grêmio está ali para ser feito por todos os alunos, eleitos e não eleitos.

Durante a conversa, Guilherme repassou a legislação que envolve os grêmios, os meios de formalizá-lo e o que espera-se dele. Para exemplificar a força do movimento estudantil, trouxe exemplos da história desde MMDC (Sigla de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, estudantes mortos durante a revolução constitucionalista de 1932) até as ocupações de escolas públicas em 2015 e 2016, quando ele já estava no movimento estudantil e pôde viver toda movimentação de protestos.

No segundo momento, o universitário dividiu as possíveis propostas e como implementá-las na escola. Falou sobre quatro possíveis áreas de atuação: comunicação, esporte, didáticas e entretenimento. A escola estadual Doutor Joaquim Silvado tem duas professoras responsáveis pelo grêmio, Angélica Santos e Gabrielle Napoleão. Segundo elas, todos gostaram e houve bastante troca de informações.

No começo de abril, no Rio de Janeiro, também havia ocorrido uma conversa sobre a importância do grêmio e da educação pública de qualidade no Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Brizolão 309 Zuzu Angel, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Além disso estamos com vários pedidos de novos voluntários para este assunto em diferentes cidades de todo o Brasil (veja aqui todos).

Se você é um destes estudantes ou também precisa de ajuda. Aqui vão algumas dicas: 

  • A eleição é só o início. Quem ganhou agora vai trabalhar para por em prática as propostas e esta é a parte mais difícil. Quem perdeu também pode e deve ajudar em tudo e, se for o caso, fazer uma oposição e participar ativamente. Viver uma democracia em que oponentes possam trabalhar pelo que buscam em comum é talvez o maior aprendizado a se buscar.
  • Tente fazer um estatuto por assembléia geral, com voz ativa dos estudantes.
  • Crie propostas viáveis, divulgue-as e debata com transparência.
  • Tenha uma relação próxima com a direção da escola, mostre cooperação e comprometimento, assim suas propostas são de fato executadas.
  • Procure conhecer mais e mais dos seus direitos assim poderá lutar pelos mesmos.
  • Saiba seus deveres e cumpra com os combinados.
  • Ninguém sabe tudo nem consegue fazer tudo sozinho, busque colaboração dentro e fora da escola, conte com o Quero na Escola para levar colaboração em assuntos específicos (pode ser para uma oficina de Quadrinhos, uma montagem de exposição ou uma palestra sobre o que vocês acharem importante, inscreva-se aqui)

A voluntária que foi a cinco escolas só este ano

Por Natália Sierpinski

Quem acompanhou o Quero na Escola em 2018 provavelmente já conhece a Deise Ruiz. Profissionalmente ela é psicóloga, especializada em Neuropsicologia e mestranda em Psiquiatria e Psicologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), como nossa voluntária conversa com estudantes sobre Psicologia, Bullying, Cyberbullying e outros temas ligados à sua área. 

Só este ano, ela esteve em cinco escolas em que estudantes pediram algo em que ela pudesse ajudar. Para o ano que vem, já está inscrita em outras. Não só isso: ela acompanha as publicações nas redes sociais, às vezes indica alguém que imagina que possa querer se envolver, outras vezes compartilha em sua página. Pelo Quero na Escola, já esteve em Lajeado, na zona leste da capital paulista, Lapa, na zona oeste, Ipiranga na Zona Sul e em duas escolas de Guarulhos. E de lá carrega os jovens virtualmente.

Além de deixar materiais que produziu na escola, para que as discussões e debates possam continuar, também se conecta por telefone ou redes sociais com os que mais se aproximam. “Tem estudante que me manda mensagem meses depois”, nos contou uma vez. E não só estudantes.

Em uma das atividades, ela atendia a um pedido do Quero na Escola Especial Professor, na Escola Estadual Alcântara Machado.  A coordenadora Francisca de Assis Carvalho, a elogiou com assertiva na linguagem usada com os alunos. “Ele falaram que adoraram e saíram com vários temas que gostariam que fossem abordados na escola relacionados a atividade, como Depressão e Orientação Vocacional”.

“Participei de palestra de uma voluntária cadastrada e achei ótima essa iniciativa.  Fazer-se conhecer, mostrar horizontes, abrir janelas para aguçar a curiosidade dos alunos,” contou. Nós que agradecemos pela iniciativa, horizontes ampliados e janelas abertas.

Quer ser voluntário? Veja se há algum pedido na nossa página sobre o assunto que você quer falar! 

Atividades em resposta a pedidos de professores batem recorde

O número de professores dispostos a criar espaços de colaboração em suas escolas e de pessoas interessadas em participar da educação pública cresceu muito no Quero na Escola Especial Professor, nosso projeto em parceria com a Fundação SM. A pedido dos educadores, foram realizadas 48 atividades em 38 escolas, de 18 cidades, de seis Estados do Brasil. Houve formação tanto para os mestres quanto para seus alunos, palestras, apresentações culturais, aprendizados e intervenções artísticas.

Depoimento de professora de São Bernardo do Campo

Participaram 382 professores e 3.342 estudantes em atividades promovidas por 61 voluntários. A cidade de São Paulo foi a mais movimentada com ações em 14 escolas. Ainda em São Paulo houve atividade em Mogi das Cruzes, Guarulhos, Osasco, Jundiaí, Diadema, Hortolândia, São Bernardo do Campo, Cotia, Santo André e Serra Negra.

Minas Gerais recebeu atividades em Esmeraldas e Bom Sucesso (que recebeu voluntárias vindas do Paraná, conforme a gente contou aqui). No Rio de Janeiro, teve uma atividade motivacional em Magé e duas diferentes para o tema “uso da ciência para redução das desigualidades”, em Nova Iguaçu.

Retorno da voluntária em Magé

No Nordeste a participação foi em Salvador, Bahia, com uma aula sobre Cyberbullying, para estudantes. No Norte, em Belém do Pará, uma voluntária atendeu a professora que queria uma oficina de produção audiovisual para seus alunos. No Centro-Oeste, em Goiânia, Goiás, uma psicóloga foi ensinar técnicas de relaxamento ao grupo de professores.

“O mais forte do Quero na Escola Especial Professor é o respeito ao trabalho da escola e os laços criados com diferentes setores da sociedade civil. Fortalecer e respeitar são palavras mágicas dentro da escola e o Quero na Escola pratica o tempo inteiro”, comenta a Diretora da Fundação SM, Pilar Lacerda.

Esta foi a terceira edição do programa em que os educadores dizem que pessoa gostariam de receber na escola para colaborar com um projeto ou ensinar algo aos professores ou aos alunos. No primeiro ano, em 2016, foram realizadas 13 atividades e, no ano passado, 27.

Mais detalhes e fotos das primeiras atividades podem ser conferidos aqui e aqui. Outro texto fala de uma das ações sobre Comunicação Não Violenta e um sobre valorização da cultura afrodescendente em duas atividades diferentes em Guarulhos.

 

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Vídeo

Ator é voluntário em aulas de teatro semanais em escola de SP

Desde março, duas turmas de 9º ano da Escola Estadual José Monteiro Boanova têm aulas de teatro opcional todas as quartas-feiras. As oficinas são ministradas pelo ator, diretor e professor de teatro, Fernando Pernambuco, que se voluntariou via Quero na Escola.

Em uma das aulas deste mês, Fernando fez dois exercícios de interpretação com os jovens. Em um deles, deveriam interpretar uma ação feita por um dos colegas e improvisar um personagem para compor a cena. Em outro, escreveu na lousa uma frase grafitada no muro da própria escola, para que debatessem e criassem uma cena que a interpretasse. Assista:

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Fernando em conversa com a segunda turma para explicar um dos exercícios

Jovens partem de trabalhos escolares para criar projetos úteis na prática

Por Luciana Alvarez

Em vez de se focar em produções puramente acadêmicas, alguns estudantes de ensino médio optam por aplicar os conhecimentos em situações reais e ir além do que é exigido pelos professores. O resultado traz benefícios para a comunidade e promove aprendizados mais significativos para o próprio jovem. O Quero na Escola ouviu a história de três jovens que foram protagonistas em suas trajetórias escolares. Inspire-se e, se precisar de uma ajuda, chama aqui.

Educação ambiental na prática

Ex-aluna da Escola Estadual Prof. Adail Malmegrim Gonçalves, Larissa Hillary da Silva Correia, hoje com 17 anos, sempre gostou de se envolver com questões ambientais. Ela participava de um projeto de educação ambiental da Ufscar (Universidade Federal São Carlos) chamado Trilhas. Quando na escola precisou fazer um trabalho sobre o Cerrado, acionou seus contatos da universidade para ir além do que o professor havia pedido. “Isso foi no 1º ano. Peguei emprestado com o pessoal da Ufscar insetos, animais empalhados, folhas e sementes para expor na escola”, diz. O material que ela conseguiu chegou até mesmo às famílias, numa exposição dos trabalhos de ciências. “Teve um dia que a escola foi aberta e foi toda a comunidade poder conhecer. A escola encheu”, lembra.

Dois anos depois, no 3º ano, o professor de Biologia propôs um trabalho prático sobre meio ambiente e ela, mais uma vez, aproveitou a oportunidade para fazer algo concreto – e foi assim que sua escola ganhou uma horta. “A escola que propôs o projeto, mas nós (os alunos) fomos tomando conta. Dividimos a classe em três grupos e montamos uma horta, uma composteira e uma cisterna”, conta Larissa.

O projeto acabou por envolver a escola toda, que se mobilizou para conseguir sementes, por exemplo. “Foi um trabalho que valeu nota, o professor avaliou cada grupo e o trabalho de cada um. Mas isso nem importa tanto, porque saímos da escola, visitamos ONGs para aprender. Todo mundo adorou”, garante.

Estudantes foram visitar ONG e acabaram criando aplicativo pra adoção

Informática aplicada a um problema real

Vinícius Molina, 18 anos, concluiu o ensino médio no ano passado pela Etec Polivalente de Americana e hoje cursa a faculdade de Jogos Digitais, mas ele continua a se reunir com o antigo grupo da escola técnica de ensino médio para aperfeiçoar um trabalho que já foi entregue e teve nota. O TCC do grupo foi um software para melhorar os processos do Centro de Controle de Zoonoses de Americana, interior de São Paulo, e ajudar na adoção. “Tudo começou com uma família de gatos abandonados. Fomos investigar, visitamos a instituição e vimos que eles estavam lotados de animais, que ninguém adotava”, conta Vinícius.

Embora o produto tenha sido entregue, o grupo quer melhorar o sistema. “Perfeito nunca fica, mas queremos deixar o melhor possível, para que possa funcionar por muitos anos”, diz o estudante. Além de ajudar a instituição, a iniciativa mudou a forma como os jovens encaram o conhecimento técnico e científico. “Aprendemos sobre como funciona o mundo, um caminho para propor soluções, algo que vai além do que se aprendem nas matérias da escola. Aprendemos como podemos ser cidadãos”, afirma.

Eventos abrem porta para o futuro

Assim como Vinícius, Stephane Santos, 18 anos, também fazia ensino técnico junto com o médio. Como seu curso na  Etec Profª Drª Doroti Quiomi Kanashiro Toyohara era na área de eventos, decidiu participar ativamente da organização de todos os eventos da escola, das tradicionais festas juninas ao festival de primavera, passando por jornadas de coleta de lixo eletrônico. “Eram as oportunidades de colocar em prática tudo aquilo que eu já tinha visto na teoria. Quando você realiza, o aprendizado fica bem mais interessante, porque engloba tudo”, afirma. Muitos professores usavam a participação nesses eventos para dar nota, embora a participação não fosse uma obrigatoriedade. “Alguns colegas preferiam fazer trabalhos teóricos, mas eu sempre preferi a prática”, relata.

Stefane terminou o ensino médio em 2017 e agora se prepara para fazer faculdade nos Estados Unidos, com uma bolsa. Em setembro ela começa um curso de negócios na Universidade Minerva, na Califórnia. “Tenho certeza que todas essas atividades durante o ensino médio contaram bastante para eu ser aprovada na seleção”, diz. Segundo ela, durante as entrevistas de seleção, ela foi bastante questionada sobre iniciativas que teve para melhorar o mundo.

O Quero na Escola é uma plataforma que ouve os pedidos de aprendizagem dos estudantes que vão além do currículo obrigatório. Se você é estudante e gostaria de pedir ajuda para fazer algo em sua escola, conte com a gente! Inscreva-se