Meninas pra cá, meninos para lá, mas não é baile. É opressão

“Não se nasce mulher: torna-se”. A famosa frase de Simone de Beauvoir guiou uma atividade de feminismo solicitada por uma aluna na Escola Estadual Anecondes Alves Ferreira, em Diadema, e guiada por Luana Alves e Ana Carolina, do Coletivo Juntas. Os estudantes se reuniram em grupos para conversar sobre o que entendiam dela e exemplificar como essa afirmação se aplicava em algum momento de suas vidas. No mesmo dia, outra atividade ilustrou a diferença de gênero de forma bem visual e didática.

Na hora de compartilhar as reflexões e histórias, uma das estudantes contou sobre como precisou se “tornar mulher” muito cedo após a morte de sua mãe e a prisão de seu pai, associando a expressão ao fato de ter amadurecido e assumido diversas responsabilidades com apenas 14 anos. Outra aluna contou da experiência em sua casa, onde ouve da avó paterna que ela, sua mãe e as irmãs deveriam fazer todo o trabalho doméstico – mesmo que a mãe trabalhe fora.

Luana chamou atenção para o quanto os relatos eram parecidos entre si, descrevendo situações muito similares, mesmo em casas e situações diferentes. Foram poucas as falas que destoaram do padrão, como a da aluna que afirmou estar noiva e dividir todas as tarefas de casa com seu companheiro.

Um jeito simples de mostrar as diferenças

Antes disso, Luana quis mostrar como se davam essas desigualdades com uma simples dinâmica. “Vou fazer algumas perguntas para vocês. Se a resposta à pergunta for sim, vocês dão uma passo para a direita. Se for não, um passo para esquerda”, anunciou Luana, e seguiu com perguntas como: Já me falaram para não sair de casa com determinada roupa para não parecer vulgar; Já me falaram para não beijar muitas pessoas para não ganhar fama; Já lavava louça e limpava a casa antes dos 10 anos… entre outras.

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Sala já se dividindo “naturalmente” entre meninos e meninas durante a atividade.

Depois da dinâmica a sala ficou assim, como mostra a foto: meninas de uma lado, meninos do outro, sendo que nenhuma pergunta falava diretamente sobre gênero. Foi a partir dessa provocação que Luana começou a contar mais sobre a luta feminista desde as sufragistas, que reivindicaram o direito da mulher ao voto, principalmente no Reino Unido e nos Estados Unidos, passando pelas ideias de Simone de Beauvoir, que aprofundaram os objetivos do feminismo para além dos direitos políticos, até as lutas atuais, mais ligadas a recortes de orientação sexual, raça e classe social.

Existe exagero no feminismo?

Quando as voluntárias abriram para as últimas considerações e perguntas, Naieslei Lancaster introduziu um tema muito abordado ultimamente: os posicionamentos considerados como exagerados de algumas feministas. E deu o exemplo  de não se depilar.

A isso, Luana respondeu com sua opinião pessoal: “Para mim é questão de escolha, se a pessoa não estiver prejudicando outra, eu não me importo com o que ela está fazendo com seu corpo”. E respondeu de forma parecida a um professor que acompanhou parte da atividade, quando ele perguntou sua opinião sobre “o excesso de feminismo nos relacionamentos”: “Vejo feminismo como liberdade, e não consigo imaginar algo como excesso de liberdade”.

Escola recordista do Quero na Escola

Sabia que a Escola Anecondes Alves Ferreira foi a que mais recebeu voluntários do Quero na Escola? Isso por conta do engajamento dos estudantes – Aderson, Naieslei e Thales e, agora, a Gabrielly – que seguem pedindo temas variados; e também devido à parceria da gestão, principalmente com a coordenadora Verônica Nascimento, sempre aberta e ágil na organização das atividades. Ela é tão parceira que até estreou em nosso vídeo institucional.

Veja a página da escola no site para ver se consegue atender algum desses pedidos.

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Um domingo de oficina, bate-papo e arte em grafite em escola de Severínea

A aula do dia 9 de abril na Escola Municipal Esmeralda Duarte da Silva, em Severínea, interior de São Paulo teve tema único: grafite. O grafiteiro voluntário Edson Ramos dividiu a atividade em três momentos: começou de manhã, com uma aula prática para a turma da Tainara Costa Silva, aluna que fez o pedido no Quero na Escola, seguiu à tarde, quando ele bateu um papo com um grupo maior sobre a prática e as técnicas do grafite, e encerrou produzindo uma bela arte em um dos muros do pátio.

Para esse domingo de atividades ser realizado, foi necessário um esforço conjunto: depois de conectar o pedido da Tainara com o grafiteiro, quem tocou tudo foi a Graziele Chianpesan, mãe da Tainara e professora de Artes da escola. Ela conseguiu as tintas e o Edson Ramos saiu de São José do Rio Preto, cidade a cerca de 60 quilômetros de Severínia, para dedicar seu dia à escola.

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Depois de ajudar os estudantes a dar novas cores à fachada da escola, foi hora de Edson falar com os quase cinquenta estudantes interessados em saber mais sobre seu trabalho e ver de perto sua arte. Para o voluntário, a atividade foi gratificante: “Foi muito legal levar o grafite para a escola e ver o interesse dos alunos”, ele conta. “Temos que parabenizar a professora Graziele, que também vem fazendo um trabalho muito legal na escola com artes. Sempre digo: a arte vai salvar o mundo!”.

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Arte do Edson que ficou de presente para a escola

E os estudantes dessa escola querem mais: já fizeram pedidos de Astronomia e Veterinária! Pode ajudar? Veja os pedidos na página da escola.

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Xenofobia é abordada em escola com mais da metade de alunos imigrantes

Os levantamentos mais recentes mostram que mais de 50% dos estudantes da Escola Estadual Padre Anchieta são imigrantes, principalmente bolivianos. Situada no bairro do Brás, na capital paulista, a escola convive todos os dias com um problema que cresceu nos últimos tempos com o aumento da imigração para o Brasil: a Xenofobia.

Victor Gonzales Linares, tradutor peruano, topou o desafio de conversar com uma turma da escola sobre a questão. Sem fugir da sua área de atuação, ele focou a conversa na literatura. Victor é um dos fundadores do projeto Ecos Latinos, que pretende aproximar do Brasil a literatura latino-americana produzida no Peru, Paraguai, Equador e na Bolívia, atrás de Oficinas Literárias e Saraus Artísticos-poéticos.

A Padre Anchieta já havia recebido atividades de Homofobia e Feminismo. Para ver todos os pedidos de lá, clique aqui e nos ajude a encontrar voluntários.

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