Uma aula de jiu jtsu com afeto e um policial como educador voluntário

“Eu sou faixa preta de Jiu-jitsu e estou concluindo o bacharelado em educação física neste ano”. Foi com esta descrição inicial que Alexandre Felix se cadastrou no Quero na Escola para atender ao pedido por Artes Marciais dos estudantes da Escola Estadual Residencial Jardim Bambi, em Guarulhos, Grande São Paulo. Depois, contou que tinha também um curso de defesa pessoal para mulheres. E já na roda de conversa surgiram características marcantes: o voluntário é também policial investigador e, antes de falar em luta, falou de respeito e afeto.

Roda de conversa sobre corpo, respeito e defesa

“Para a maioria foi um primeiro contato com artes marciais e todos adoraram”, resumiu a estudante Hilmara Fernandes, que costuma levantar pedidos e ajudar a organizar atividades na escola. “O pessoal curtiu a parte de movimento, especialmente porque estamos sem aula de educação física, por conta da reforma na quadra, mas acho que da mesma forma foi muito interessante o papo ele”, opinou a coordenadora pedagógica Sonia Andrade, lembrando as falas sobre defesa e luta, mas também as lutas do dia-a-dia e a importância da união e da defesa uns dos outros.

“Venho trabalhando em projetos de defesa pessoal e consciência corporal. Fizemos uma adaptação [para a escola] e fico à disposição para voltar mais vezes”, comentou o lutador, policial, voluntário e formando em Educação Física. “Foi uma troca, a molecada é sensacional. Incrível fazer da escola um espaço de afeto e troca”, concluiu.

E você, estudante, quer aprender o que além do currículo obrigatório? Faça sua inscrição no Quero na Escola e convide a sociedade a participar.

Estudantes de Guarulhos conhecem profissões diversas após pedidos no Quero na Escola

Nos dias 23 e 24 de março, a rotina da Escola Estadual Residencial Jardim Bambi foi um pouco diferente. Ao invés de voltar para suas classes depois do intervalo, os alunos do 3º ano do Ensino Médio se juntaram para ouvir profissionais de duas áreas bem diferentes: Gastronomia e Fotografia. Os temas foram pedidos no Quero na Escola pela aluna Hilmara Fernandes, representante do Grêmio Estudantil, que fez uma pesquisa entre os interesses dos estudantes.

Conhecendo cozinhas pelo mundo

Para contar mais sobre a profissão dos cozinheiros profissionais, Joseane Marques contou sua história nesse meio: desde sua adolescência – quando já amava cozinhar – passando pelo curso técnico em Hotelaria, a graduação em Gastronomia e suas experiências profissionais no Brasil e no mundo.

Seus relatos sobre suas vivências em cozinhas de outros países deixaram os alunos bem curiosos. Ela deixou claro que a profissão envolve trabalho duro, muitas vezes em fins de semana e feriados e baixos salários no início da carreira. “Em muitos lugares que fui trabalhar não tinha salário, eram estágios pela experiência mesmo”, ela contou.

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Joseane (à esquerda) com a equipe de um dos restaurantes em que trabalhou na Suécia

E por falar em remuneração, Joseane indicou o caráter elitista da profissão, que tem poucos e caros cursos de graduação de qualidade – mas incentivou que os estudantes buscassem cursos de extensão gratuitos e programas de bolsa. Um desses projetos, é o Gastromotiva, que oferece cursos de capacitação na área para jovens de baixa renda.

Outro ponto ressaltado por ela foi a questão da responsabilidade do profissional da Gastronomia em representar seu país ou a instituição que estuda. “Se eu for para outro país e fizer um trabalho meia-boca posso estar comprometendo outros que vierem depois de mim, vão pensar que os brasileiros em geral são maus profissionais”, explicou ela.

Mais que uma palestra sobre comida, o principal tema da palestra foi a cultura. Mesmo no Brasil, Joseane segue encarando choques culturais: atualmente está trabalhando em um projeto com refugiados árabes. A cozinheira também fez questão de valorizar a culinária brasileira: “A experiência internacional é importante para o currículo, mas tem muitos ingredientes brasileiros que você não encontra fora daqui, nossa culinária é muito rica e diversa e nós precisamos valorizar isso”.

Fotografia além do óbvio

Assim como a Joseane, a paixão da Gabriele Diola por fotografia e audiovisual começou na juventude, aos 16 anos. Hoje ela é formada no Técnico em Processos Fotográficos pelo SENAC e cursa Produção Audiovisual, e resolveu dividir um pouco dessas experiências com os estudantes.

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Gabriele focou sua apresentação na fotografia criativa e reforçou que um dos desafios desse campo é justamente o esforço para criar coisas diferentes. Passou também a ideia de que uma foto é capaz de contar uma história, que vai além de algo meramente técnico. E ela finalizou deixando um desafio para os estudantes: compartilhar com ela. pelas redes sociais, alguma foto de autoria própria que represente uma história e saia do comum.

“Minha relação com a fotografia vai além de trabalho, é um meio de expressão. Hoje, cultivo um canal no YouTube e um Instagram onde compartilho com as pessoas o mundo da forma que vejo e capturo. O que me move dentro da fotografia e do audiovisual é inspirar os outros e ser inspirada”, ela conta. E da atividade, saiu motivada: “A experiência foi incrível, eu fui super bem recebida pela escola e pelos alunos, a palestra foi super bacana e todo mundo interagiu muito. Me pediram pra voltar e eu quero voltar mais vezes!”

Mais pedidos e profissões por vir

Depois dessas atividades, os estudantes da escola demonstraram interesse por outras áreas: Direito, Psicologia, Medicina, Veterinária… E fizeram seus novos pedidos no Quero na Escola. Um médico já se inscreveu para conversar com os estudantes sobre essa profissão.

E outro pedido chamou nossa atenção: Artes Marciais. Como a quadra da escola está em reforma, já faz tempo que a escola não tem aulas de Educação Física e esse esporte seria uma forma de driblar esse problema, utilizando outro espaço. Estamos em busca de praticantes dessas lutas para fazer isso acontecer e movimentar mais um pouco o cotidiano por lá.

Quer ser voluntário realizando uma atividade nessa escola, veja todos os pedidos deles aqui e se inscreva.
É aluno de escola pública e quer atividades assim em sua escola? É só pedir no site: www.queronaescola.com.br.

Texto e acompanhamento: Sabrina Coutinho