Escola parceira do Quero na Escola se destaca por protagonismo dos estudantes

Por Natália Sierpinski

A Escola Estadual Luciane do Espírito Santo, que fica em Lajeado, extrema zona leste de São Paulo, foi a escola com mais atividades recorrentes do Quero na Escola em 2018. A maioria das ações foram realizadas durante os períodos de aulas das disciplinas eletivas, que ocorrem por ser uma unidade que faz parte do Programa de Ensino Integral (PEI). Fomos acompanhar as apresentações que encerraram esse processo no fim do ano e trazemos relatos para ajudar com ideias e inspirações.

Cada projeto estava em uma sala de aula diferente, ficando a critério dos alunos e dos convidados escolherem quais conhecer, na ordem que achassem mais relevantes. Os projetos de eletivas abarcaram diversos temas: gênero e feminismo, história em quadrinhos, corpo humano e primeiros socorros, turismo, arquitetura e engenharia, universo e astronomia, reciclagem, nutrição, educação física, entre outros. Além das salas temáticas, também houve apresentações musicais, uma peça baseada no programa Chaves, por conta dos trabalhos de Turismo e um show com luz negra feito pelo grupo que trabalhou Física.

Ao chegar nas salas, os estudantes responsáveis apresentavam algo sobre ela. Havia falas, dinâmicas, perguntas interativas e várias formas de mediações que foram criadas pelos próprios estudantes para passar adiante os conteúdos que eles haviam aprendido ao longo do ano. As eletivas fazem parte do projeto da escola que visa o protagonismo estudantil e o projeto de vida dos alunos, em que eles são desafiados a pensarem em quais conhecimentos e temas são relevantes para complementar o seu aprendizado. A escola também conta com um grêmio estudantil ativo, alunos líderes de sala e um grupo de 15 alunos acolhedores, que apresentam a instituição para as pessoas novas e fazem integração e acolhimento a outras escolas do entorno.

O evento também realizou uma homenagem a patronesse da escola. Luciane do Espírito Santo foi professora de educação infantil que dedicava sua prática principalmente para os estudantes que apresentavam mais dificuldade de aprendizado, tornando-se um exemplo e sendo muito admirada enquanto profissional. Ela faleceu em 2003, decorrente a um câncer e o nome da escola é uma homenagem ao trabalho que realizou no bairro. A diretora da escola, Cacilda de Souza Lima, falou da importância dos estudantes conhecerem a história de sua escola e sua trajetória. Também em 2018, foi feito um vídeo pelos estudantes sobre esse processo de escolha da patronesse da escola que pode ser conferido aqui.

Durante o ano passado, voluntários do Quero na Escola realizaram nesta unidade atividades sobre Projeto de Vida, Engenharia Civil, Turismo, Recursos Humanos, Engenharia Ambiental, Psicologia, Jornalismo, Medicina Veterinária, Fotografia, Orientação Vocacional, Publicidade e ainda uma palestra sobre descarte correto de pilhas e baterias. Para 2019 já temos novas ações agendadas e também pedidos que aguardam a inscrição de voluntários, como é o caso de Arquitetura e Depressão e Ansiedade.

E você, estudante, se sentiu inspirado a mudar a sua escola? nos mande um pedido por aqui! E para quem se inspirou a ser voluntário encontre um pedido próximo a você e sobre um tema do seu repertório aqui

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

Anúncios

Sexualidade e gênero pautam participação no interior da Paraíba

Por Marcela Riccomini

“Sexualidade e gênero” era a resposta de um estudante de  Cajazeiras, no interior da Paraíba, à pergunta do Quero na Escola sobre qual assunto gostaria de ter abordado na escola. A quase 500 quilômetros dali, outro estudante, este universitário, produziu um documentário sobre a cena Queer. Resultado: uma viagem de seis horas, a apresentação de um documentário e um debate.

O estudante de Educomunicação pela Universidade Federal de Campina Grande, Rodrigo Sousa viajou a noite toda até a Escola Técnica de Saúde de Cajazeiras para conversar com os alunos. Ele conta que percebeu no pedido uma oportunidade de levar seu trabalho. “O intuito do doc era fazer a Educomunicação funcionar, com uma intervenção social.” disse.

A atividade atendeu as três salas de ensino médio, abordou inicialmente um diálogo a respeito do tema. Conheceram melhor os conceitos envolvendo gênero e sexualidade, como a sigla LGBTQ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e queer) e depois assistiram a obra juntos.

O encontro, em setembro, ajudou na aceitação do documentário no Congresso  Nacional de Educação em outubro. O educomunicador percebeu que haviam dúvidas e interesses diferentes dos alunos conforme as suas idades, e cada apresentação teve suas individualidades por conta do direcionamento dos alunos.  

A turma  do aluno Roberto Ribeiro, que fez o pedido no Quero na Escola, foi a que lidou com o assunto com mais propriedade. O estudante diz que fez pedido por ser “fundamental para jovens de minha escola terem uma bagagem mais ampla a respeito de um aspecto tão importante do ser humano que é a sexualidade, em conjunto com ideias de gênero que foram difundidas de forma tão desigual pela sociedade patriarcal, a fim de sermos membros de um mundo igualitário”.

O voluntário se surpreendeu que, apesar de ser uma Escola Técnica de Saúde, não haviam cursos de saúde integrado ao ensino médio. Ele tinha desenvolvido um debate sobre atendimento à pessoas LGBT`s na área da saúde e, mesmo os alunos não estudando o assunto, quiseram conversar sobre o tema.

O estudante considerou a atividade importante pra ele e os colegas. “O contato com o conceito e depoimentos sobre o queer nos trouxe um esclarecimento de algo que não conhecíamos muito bem. Foi um momento também de estímulo de respeito mútuo e aproximação entre estudantes”, contou. A experiência  também foi aprovada pela gestão da escola que aceitou receber um voluntário para debater sexualidade e gênero em tempos em que se discute a pertinência ou não de falar de sexualidade na escola.

Gostaria de debater algum assunto importante na sua escola? Peça pra gente pelo queronaescola.com.br

 

Alunos aprendem a fazer as suas próprias histórias em quadrinhos

Por Natália Sierpinski

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Marina Melander Coutinho, no Jardim Regis, zona sul de São Paulo teve seu primeiro pedido atendido pelo Quero na Escola para uma atividade sobre histórias em quadrinhos. O pedido havia sido feito por um estudante que saiu da escola, mas a gestão pediu para aproveitar o tema com alunos do 2º ano, no fim do ciclo da alfabetização. Eles aprenderam os principais elementos da linguagem dos quadrinhos e fizeram suas próprias histórias.

O voluntário Victor Zanellato já realiza oficinas de histórias em quadrinhos em escolas e bibliotecas públicas e estava em busca de uma nova escola onde pudesse atuar, quando viu o tema no Quero na Escola. “Tenho meu projeto e vou para as escolas tentar levar as minhas oficinas, mas é muito difícil ter esse tipo de contato com a maioria das escolas” relatou o arte educador que também possui trabalhos como roteirista.

O foco da atividade foi sobre a linguagem das histórias em quadrinhos: os tipos de balões de fala, como é feita a leitura dos quadros, os significados das cores para a construção da narrativa e a como a expressão dos personagens contribuía para a história. Os alunos receberam recortes com personagens da Turma da Mônica, para não se preocupar em desenhar. 

Segundo Victor, os alunos se empenharam para produzir a história no final. Para ele, valeu a pena as quase 3 horas gastas para ir e depois mais 3 horas para voltar da escola em pleno auge do caos logístico em São Paulo, por conta da greve dos caminhoneiros. “Me trataram como se eu fosse professor deles há muito tempo.”

A professora deles de fato, Juliana Neves Fernandes, acompanhou boa parte da atividade e achou muito inspiradora: “As orientações dele serviram como um pêndulo de reforços positivos para almejar ideias futuras” comentou. Para ela, foi aberta uma nova possibilidade a ser trabalhada: o uso dos quadrinhos na sala de aula.

E olha que Juliana está perto dos livros. Ela é a professora responsável pela sala de leitura da escola. A educadora espera que, além de contribuir para aumentar o repertórios dos alunos e colaborar para se apropriarem desses elementos da linguagem, os estudantes se interessam mais pela leitura e escrita. “Consequentemente podem se identificar com um ou mais gêneros literários, tornando-se assim um leitor criativo e, quem sabe, um futuro escritor.” 

Quer levar uma atividade para sua escola? Inscreva-se! Quer ser voluntário, veja se há algum assunto com o qual você possa ajudar aqui.