Demanda por combate à depressão cresce nas escolas

quero na escola, reprodução apenas para divulgação do projeto

Depressão, ansiedade, suicídio: um trio de palavras que a gente não gostaria de ver associado à juventude. Mas, infelizmente, são questões cada vez mais inescapáveis para as escolas. Em pesquisa divulgada hoje pelo Porvir, 64% dos estudantes disseram que gostariam de contar com psicólogos na sua vida escolar. No Quero na Escola, o tema não para de crescer. Como já dissemos no ano passado, realizamos ações com voluntários, mas reforçamos a demanda de alunos e educadores para que haja profissionais regularmente nas escolas.

Em 2019, foram nove ações realizadas em escolas públicas a partir de pedidos de estudantes sobre depressão. No mês passado, durante o Especial Professor, outras quatro ocorreram por chamados dos educadores. Em uma delas, a professora de Psicologia na Faculdade de Educação da USP, Katia Cristina Silva Forli Bautheney foi a escola estadual Jorge Luis Borges, de São Paulo, e falou com mais de 300 alunos sobre o tema, a pedido da professora Joselene Rodrigues. “Já conversamos sobre meios de prolongarmos nossa parceria” comentou Kátia, apontando a necessidade de pensar em ações a médio e longo prazo sobre esse tema.

voluntário quero na escola
Para falar do assunto, voluntário visitou escola por dois meses para criar relação com jovens

Em Valinhos, interior paulista, a professora Elisa Santos, da escola municipal  Governador André Franco Montoro, conta que pediu ajuda com este tema porque tem muitos alunos com crise de ansiedade, síndrome do pânico e outras questões pra as quais falta formação dos educadores. O estudante de psicologia João Paulo Sampaio
atendeu ao pedido com duas atividades e visitas semanais por dois meses para estabelecer uma relação com os jovens. “A forma como foi feita a atividade, em um lugar aberto fora da sala de aula, e a relação que estabeleci ajudou para que participassem e colocassem suas opiniões”, avalia.

Os alunos também mantém o tema entre os mais importantes. “A empatia é importante. Não sabemos o que se passa na vida das pessoas e devemos ajudar”, comentou Rayra Alves Lopes Gonçalves, ao inscrever o tema para a escola estadual Odair Martiniano da Silva Mandela, onde estuda, em São Paulo. A voluntária neste caso, foi a estudante de Turismo Giulia Ximenes, que compartilho experiências próprias.

Em Ferraz de Vasconcelos, grande São Paulo, o tema foi atendido duas vezes este ano na escola estadual Carlindos Reis. Na mais recente, Thais de Sena Giovanini, voluntária social certificada em vários projetos de cuidado e respeito a vida e diagnosticada com depressão há anos que compartilhou saberes do tema com turmas de vários horáraios. A estudante autora do pedido, Nathalia Aguiar Da Silva, resume a urgência. “Depressão é sério e pode causar mortes.”

O Quero na Escola atende a demanda de estudantes de escolas públicas por conhecimentos além do currículo obrigatório com a participação de voluntários. Inscreva-se

Atividades estimulam estudantes a cuidar do nosso planeta

wwf quero na escola

Por conta dos protestos no Chile, a Conferência do Clima das Nações Unidas foi transferida para a Espanha, mas na zona leste de São Paulo uma simulação de estudantes foi mantida. Os alunos de uma escola estadual de Lajeado representaram governo, indústrias e ONGs de seis países e buscaram formas de lidar com a crise climática. A ação foi uma das cinco realizadas pelo Quero na Escola em parceria com o WWF-Brasil para ajudar estudantes a refletir sobre o futuro do planeta.

construção de terrário escola pública
Crianças constroem terrário

Todas as atividades foram feitas em escolas da rede pública e inspiradas no documentário Nosso Planeta, produzido pelo WWF e disponível na Netflix. A primeira, foi a que atendeu mais alunos: 300 crianças de 7 a 10 anos na Escola Municipal de Ensino Fundamental Ary Gomes, na zona norte da capital paulista. 

Os pequenos participaram de um jogo em que respondiam questões sobre a natureza e depois construíram terrários para pensar sobre os cuidados com os biomas e o nosso papel na conservação dos recursos naturais. “A melhor parte foi conversar com as crianças”, comenta a estudante de Biologia, Nielsi Vieira, que conheceu o Quero na Escola quando cadastrou suas demandas durante o Ensino Médio e, desta vez, participou como oficineira. “No quiz, muitos tinham respostas na ponta da língua. É lindo ver como são capazes de entender tudo que ensinamos.”

conferência global do clima
Em simulação, jovens negociam acordos

A simulação da Conferência Global do Clima foi a segunda ação e se dividiu em dois dias na Escola Estadual Luciane do Espírito Santo, em Lajeado, extrema zona leste. A mestre em Gestão para a Sustentabilidade, Cintya Feitosa, conduziu o grupo com informações sobre como funciona o evento, além de explicar interesses e as posições históricas de seis países sobre o assunto:  Alemanha, Estados Unidos, Brasil, China, Nigéria e Fiji. No primeiro dia, cada grupo conversou internamente com suas organizações da sociedade civil, governantes e empresários e, no segundo, cerca de cem estudantes buscaram acordos entre eles. 

Julia da Silva, aluna do 1º ano, era uma governadora de Fiji. “Não sabia nada sobre o país. Agora, não só sei que é uma ilha rica em minérios e turismo, como me ajudou a perceber o papel de todos, países e pessoas, para preservação do mundo. Não existe um planeta B, precisamos cuidar deste”, conta. Outro estudante de 1º ano, Marco Antonio Rodrigues, que foi um dos encarregados de negociar pela China, defendeu o uso de energia eólica e solar. “O Brasil, se continuar como está, pode mudar totalmente em algumas décadas, desde com cidades submersas, até perdendo sua natureza, precisamos mudar o quanto antes.” Na conferência simulada da escola, todos os países chegaram a um acordo de compartilhamento de informações para evitar desastres ambientais.

simulação escola pública
Estudo de desastres ambientais

Três destes desastres foram o tema de outra atividade para 70 jovens na Etec Belém, também na zona leste. Sob orientação do biólogo Valdir Lamim, mestre em Ecologia e doutor em Educação, os estudantes analisaram as queimadas na Amazônia, o rompimento da barragem de Brumadinho e o petróleo que irrompe nas praias brasileiras. Depois, acompanharam o tema pelo noticiário por quinze dias e voltaram a se reunir para simular uma audiência pública. “Foi muito interessante perceber novos lados das tragédias e que sempre há responsáveis. Faz a gente pensar sobre as nossas pequenas ações que podem ajudar a conservar a natureza”, comentou a aluna Letícia de Souza e Souza.

cepam usp
Alunos relacionam questões globais e locais do clima

Na zona oeste, 57 estudantes do Cepam – USP, que fica dentro da Cidade Universitária, também tiveram uma aula com Valdir. Os jovens que cursam o Ensino Médio junto com o técnico em Serviços Jurídicos ou Gestão Pública analisaram questões globais a partir de exemplos muito próximos, correlacionando o micro e o macro e produziram apresentações ou vídeos curtos com os aprendizados.

Fechando as ações presenciais, os formandos da Escola Municipal Mario Marques de Oliveira, no Jardim Ângela, zona sul, receberam o educador e permacultor Jaison Lara, articulador da Casa Ecoativa e da Permaperifa. Com ele, os jovens aprenderam sobre iniciativas e também práticas como montar uma cisterna e a fazer minhocários – inclusive o que ficou para a escola. 

minhocário escola
Estudantes e professor observam minhocário.

Na conversa, foi destacado o exemplo das comunidades periféricas, indígenas e quilombolas para conservação da natureza. “70% de tudo que a gente come é produzido pela agricultura familiar. O agronegócio, como o nome diz, é um negócio: produz mais ração e combustível do que alimento”, comentou. 

As atividades presenciais contaram com apoio do professor Diego Vergaças e da estudante de Educomunicação Rafaela Taborda, autora das imagens que ilustram este texto.

Além das ações presenciais, atividades online estão ocorrendo com as escolas interessadas em acompanhar com seus alunos. Ainda há três encontros para ocorrer e interessados podem deixar o contato neste formulário aqui.

O Quero na Escola recebe demanda de estudantes de escolas públicas por assuntos que gostariam de aprender além do currículo obrigatório. As demandas são compartilhadas e, após a inscrição de voluntários para ajudar, buscamos agendar as atividades dentro das próprias escolas. 

Muito além de giz e lousa

No Quero na Escola Especial Professor 2019, nossa parceria com a Fundação SM, os educadores mostraram que têm interesses e necessidades que vão muito além de lousa e giz. Além dos diversos assuntos já mostrados aqui relacionados a artes, saúde e outros aprendizados, houve pedidos sobre comunicação, metodologias ativas, tecnologias, fotografia, jogos, edição de vídeo, jornal  escolar, robótica e até por “ficção científica e o espaço sideral”.

Entre estes, o tema campeão foi fotografia, que teve três atividades realizadas em duas escolas diferentes. Os professores da Centro de Educação Infantil Paulo Cesar Fontelles de Lima, de São Paulo (SP), queriam melhorar seus registros em imagens e receberam duas visitas da jornalista Cristiane Ribeiro Machado. No primeiro dia, a voluntária apresentou conteúdos teóricos sobre luz, composição e enquadramento. No segundo, aproveitou fotos tiradas pelos docentes para discutir as possibilidades de aperfeiçoamento de cada imagem.

A escola Chico Falconi, de São Paulo (SP), recebeu dois voluntários para fazer ações de fotografia. Luiza Matravolgvi Damião, formada em audiovisual, fez uma ação para os docentes. “Foi ótimo! Vários professores participaram, eles estavam super interessados e participativos. Alguns levaram suas próprias câmeras para a gente trabalhar o uso dos equipamentos que têm”, comentou.

Mauricio Virgulino Silva, fotógrafo, arte-educador e educomunicador, fez uma atividade voltada aos estudantes. Primeiro ele apresentou conceitos sobre luz e fotografia e, depois, levou os alunos ao pátio para um exercício prático. A escola possui dois projetos voltados a fotografia, Papo Reto e Quebrada Maps. Maurício se informou sobre ambos antes de ir para a escola, para alinhar os seus conhecimentos com as necessidades e interesses dos estudantes.  

O Especial Professor contou ainda com a participação da voluntária Helena Málaga, formada em Rádio e TV, que foi dois dias até a escola Pedro Nava, em São Paulo (SP),  para falar sobre a história do audiovisual e cortes de cena. Ela promoveu exercícios práticos, colocando os alunos para filmarem a área externa da escola com o celular. “Fizemos uma prática de observação do local de onde eles estavam, visando a apropriação do espaço da escola”, disse. 

Também de São Paulo (SP), a diretora Katia Cavalcante de Moura Vicente, da escola estadual Eugenio Zerbini, pediu para aprender mais sobre o uso das tecnologias na educação. A voluntária Marcia Padilha, mestre em História Social e autora do projeto Criamundi, falou sobre a importância do professor ser também autor de conteúdos e aproveitou o que os docentes já sabiam sobre aplicativos para ampliar o entendimento deles a respeito das tecnologias. “Percebi que as coisas fizeram sentido para eles, por isso acho que tivemos uma troca muito boa. Gostei da abertura da escola, de ver os professores buscando uma formação”, afirmou. 

 

A cidade de Guarulhos, que sempre está presente no Quero na Escola, também recebeu formações destas temáticas. A especialista em gamificação e professora universitária Pá Falcão atendeu ao pedido da professora Taysa Soares Bensone, da escola estadual Zilda Graça Martins de Oliveira. Pá Falcão fez uma formação para professores sobre Metodologia Indutiva e Jogos em Sala de Aula. “Um dos professores da escola já está trabalhando com jogos e ficou bem interessado. Para outros educadores, talvez tenha sido a primeira vez que viram essa abordagem, mas acho que a atividade plantou uma semente  – e isso que é o legal”, contou. 

Na escola estudual Ary Jorge Zeitune, a pedido da professora Rosimeire Ramos Alvares, o voluntário Flávio da Costa Gonçalves promoveu um oficina sobre metodologias ativas. “Foi tudo excelente: a participação dos alunos, a didática, a expectativa”, disse Rosimeire. 

Mogi das Cruzes teve atividade de robótica. João Carlos e Diego Vergaças, dois voluntários que já participaram do projeto anteriormente, apresentaram um conteúdo básico sobre assunto e propuseram um desafio prático aos professores e alunos de Educação de Jovens e Adultos: construir um robô que fizesse um desenho sozinho. A missão foi cumprida e, no final do encontro, houve um debate sobre a importância do trabalho colaborativo. 

No interior de São Paulo, o Quero na Escola promoveu uma ação sobre a relação entre o espaço sideral e a ficção científica. O pedido tinha sido feito no Especial Professor de 2018, mas na época não apareceu nenhum voluntário. Este ano, o professor Flávio Dias da Silva, da escola estadual Padre Alberto Vellone, de Conchal, refez o pedido e foi atendido por Kauê Gonçalves Grecco, entusiasta do tanto de Física quanto de ficção científica. “O mais importante foi a sensação de complemento. Eu tinha trabalhado isso em sala de aula e a visita valorizou e ampliou. Ele tinha mais conhecimentos e motivou muito os alunos com as demonstrações”, comentou o professor.

Em Valinhos, a jornalista e editora-chefe do G1, Lana Torres Silva, foi à escola municipal governador Franco Montoro ajudar a criar um jornal digital escolar. Ela atendeu ao chamado da professora Elisa Santos, que elogiou não apenas a ação, mas também o projeto Quero na Escola Especial Professor como um todo. “A iniciativa é maravilhosa e precisamos muito dela. Acredito que o projeto vem para colaborar com a nossa prática pedagógica”, disse a educadora.  

O Especial Professor, a parceria entre o Quero na Escola e a Fundação SM, este ano em sua quarta edição, teve um total de 70 ações em 42 escolas de 6 estados do país.

Quero na Escola Especial Professor termina com novo recorde de participação

O mês dos professores foi repleto de voluntários presentes nas escolas públicas. O Quero na Escola Especial Professor, nossa parceria com a Fundação SM em que recebemos pedidos dos educadores por colaboração terminou com recorde de participação. Nesta 4ª edição, 70 atividades foram realizadas em 16 municípios de seis estados do País. Ao todo, 42 escolas foram contempladas. Em 2018, foram 48 atividades.

O Estado de São Paulo concentrou a maior parte das ações nas cidades de Valinhos, São Paulo, Guarulhos, Mogi Mirim, Osasco, Conchal, Mogi das Cruzes, São Bernardo do Campo e Junqueirópolis. No estado do Rio de Janeiro passamos por Duque de Caxias, Niterói e Rio de Janeiro. A atividade de Pernambuco foi em Recife, nossa intervenção em Santa Catarina foi em Florianópolis, na Bahia foi em Salvador e, no Paraná, em Almirante Tamandaré. 

Ao ouvirmos o que os educadores queriam aprender, ou que conteúdo gostariam de apresentar para os seus alunos a partir de novos parceiros, recebemos demandas por diversas expressões artísticas, assuntos urgentes como depressão, sexualidade e racismo, atividades mão-na-massa como horta e robótica e muitos pedidos inéditos. Dentre eles, foram atendidos pela primeira vez os educação no trânsito e criação de podcast e exercícios de fonoaudiologia, por exemplo.

Algumas ações se prolongaram por diferentes encontros e outras prometem continuar pelo restante do ano ou mesmo dar início a parcerias locais que podem continuar em outros anos letivos. Já retratamos em outros textos e imagens por aqui atividades com foco em emoções, corpo e filosofiaXadrez, Contação de Histórias e Comunicação não-violenta.  Além da vivência para professores e alunos, algumas ações deixam marcas que alcançarão não só os atuais como futuros alunos, como foi o caso da pintura do alfabeto em libras no muro de uma escola de Florianópolis.

Os professores querem uma sociedade participativa e ciente do seu papel fundamental na educação. Prova disso, são os mais de 260 pedidos recebidos neste ano. Nossa missão com o Quero na Escola Especial Professor é ouvir os educadores, construir pontes, trazer diálogo e inovar o cotidiano escolar. Esperamos que os presentes tenham levado aos educadores uma mensagem clara de que há sim muita gente que sabe o valor e a importância da escola pública.

Seguimos juntos no restante do ano com o Quero na Escola, em que são os estudantes os autores de demandas por aprendizados além da grade curricular.

Este slideshow necessita de JavaScript.