Atividades estimulam estudantes a cuidar do nosso planeta

wwf quero na escola

Por conta dos protestos no Chile, a Conferência do Clima das Nações Unidas foi transferida para a Espanha, mas na zona leste de São Paulo uma simulação de estudantes foi mantida. Os alunos de uma escola estadual de Lajeado representaram governo, indústrias e ONGs de seis países e buscaram formas de lidar com a crise climática. A ação foi uma das cinco realizadas pelo Quero na Escola em parceria com o WWF-Brasil para ajudar estudantes a refletir sobre o futuro do planeta.

construção de terrário escola pública
Crianças constroem terrário

Todas as atividades foram feitas em escolas da rede pública e inspiradas no documentário Nosso Planeta, produzido pelo WWF e disponível na Netflix. A primeira, foi a que atendeu mais alunos: 300 crianças de 7 a 10 anos na Escola Municipal de Ensino Fundamental Ary Gomes, na zona norte da capital paulista. 

Os pequenos participaram de um jogo em que respondiam questões sobre a natureza e depois construíram terrários para pensar sobre os cuidados com os biomas e o nosso papel na conservação dos recursos naturais. “A melhor parte foi conversar com as crianças”, comenta a estudante de Biologia, Nielsi Vieira, que conheceu o Quero na Escola quando cadastrou suas demandas durante o Ensino Médio e, desta vez, participou como oficineira. “No quiz, muitos tinham respostas na ponta da língua. É lindo ver como são capazes de entender tudo que ensinamos.”

conferência global do clima
Em simulação, jovens negociam acordos

A simulação da Conferência Global do Clima foi a segunda ação e se dividiu em dois dias na Escola Estadual Luciane do Espírito Santo, em Lajeado, extrema zona leste. A mestre em Gestão para a Sustentabilidade, Cintya Feitosa, conduziu o grupo com informações sobre como funciona o evento, além de explicar interesses e as posições históricas de seis países sobre o assunto:  Alemanha, Estados Unidos, Brasil, China, Nigéria e Fiji. No primeiro dia, cada grupo conversou internamente com suas organizações da sociedade civil, governantes e empresários e, no segundo, cerca de cem estudantes buscaram acordos entre eles. 

Julia da Silva, aluna do 1º ano, era uma governadora de Fiji. “Não sabia nada sobre o país. Agora, não só sei que é uma ilha rica em minérios e turismo, como me ajudou a perceber o papel de todos, países e pessoas, para preservação do mundo. Não existe um planeta B, precisamos cuidar deste”, conta. Outro estudante de 1º ano, Marco Antonio Rodrigues, que foi um dos encarregados de negociar pela China, defendeu o uso de energia eólica e solar. “O Brasil, se continuar como está, pode mudar totalmente em algumas décadas, desde com cidades submersas, até perdendo sua natureza, precisamos mudar o quanto antes.” Na conferência simulada da escola, todos os países chegaram a um acordo de compartilhamento de informações para evitar desastres ambientais.

simulação escola pública
Estudo de desastres ambientais

Três destes desastres foram o tema de outra atividade para 70 jovens na Etec Belém, também na zona leste. Sob orientação do biólogo Valdir Lamim, mestre em Ecologia e doutor em Educação, os estudantes analisaram as queimadas na Amazônia, o rompimento da barragem de Brumadinho e o petróleo que irrompe nas praias brasileiras. Depois, acompanharam o tema pelo noticiário por quinze dias e voltaram a se reunir para simular uma audiência pública. “Foi muito interessante perceber novos lados das tragédias e que sempre há responsáveis. Faz a gente pensar sobre as nossas pequenas ações que podem ajudar a conservar a natureza”, comentou a aluna Letícia de Souza e Souza.

cepam usp
Alunos relacionam questões globais e locais do clima

Na zona oeste, 57 estudantes do Cepam – USP, que fica dentro da Cidade Universitária, também tiveram uma aula com Valdir. Os jovens que cursam o Ensino Médio junto com o técnico em Serviços Jurídicos ou Gestão Pública analisaram questões globais a partir de exemplos muito próximos, correlacionando o micro e o macro e produziram apresentações ou vídeos curtos com os aprendizados.

Fechando as ações presenciais, os formandos da Escola Municipal Mario Marques de Oliveira, no Jardim Ângela, zona sul, receberam o educador e permacultor Jaison Lara, articulador da Casa Ecoativa e da Permaperifa. Com ele, os jovens aprenderam sobre iniciativas e também práticas como montar uma cisterna e a fazer minhocários – inclusive o que ficou para a escola. 

minhocário escola
Estudantes e professor observam minhocário.

Na conversa, foi destacado o exemplo das comunidades periféricas, indígenas e quilombolas para conservação da natureza. “70% de tudo que a gente come é produzido pela agricultura familiar. O agronegócio, como o nome diz, é um negócio: produz mais ração e combustível do que alimento”, comentou. 

As atividades presenciais contaram com apoio do professor Diego Vergaças e da estudante de Educomunicação Rafaela Taborda, autora das imagens que ilustram este texto.

Além das ações presenciais, atividades online estão ocorrendo com as escolas interessadas em acompanhar com seus alunos. Ainda há três encontros para ocorrer e interessados podem deixar o contato neste formulário aqui.

O Quero na Escola recebe demanda de estudantes de escolas públicas por assuntos que gostariam de aprender além do currículo obrigatório. As demandas são compartilhadas e, após a inscrição de voluntários para ajudar, buscamos agendar as atividades dentro das próprias escolas.