Atividades em resposta a pedidos de professores batem recorde

O número de professores dispostos a criar espaços de colaboração em suas escolas e de pessoas interessadas em participar da educação pública cresceu muito no Quero na Escola Especial Professor, nosso projeto em parceria com a Fundação SM. A pedido dos educadores, foram realizadas 48 atividades em 38 escolas, de 18 cidades, de seis Estados do Brasil. Houve formação tanto para os mestres quanto para seus alunos, palestras, apresentações culturais, aprendizados e intervenções artísticas.

Depoimento de professora de São Bernardo do Campo

Participaram 382 professores e 3.342 estudantes em atividades promovidas por 61 voluntários. A cidade de São Paulo foi a mais movimentada com ações em 14 escolas. Ainda em São Paulo houve atividade em Mogi das Cruzes, Guarulhos, Osasco, Jundiaí, Diadema, Hortolândia, São Bernardo do Campo, Cotia, Santo André e Serra Negra.

Minas Gerais recebeu atividades em Esmeraldas e Bom Sucesso (que recebeu voluntárias vindas do Paraná, conforme a gente contou aqui). No Rio de Janeiro, teve uma atividade motivacional em Magé e duas diferentes para o tema “uso da ciência para redução das desigualidades”, em Nova Iguaçu.

Retorno da voluntária em Magé

No Nordeste a participação foi em Salvador, Bahia, com uma aula sobre Cyberbullying, para estudantes. No Norte, em Belém do Pará, uma voluntária atendeu a professora que queria uma oficina de produção audiovisual para seus alunos. No Centro-Oeste, em Goiânia, Goiás, uma psicóloga foi ensinar técnicas de relaxamento ao grupo de professores.

“O mais forte do Quero na Escola Especial Professor é o respeito ao trabalho da escola e os laços criados com diferentes setores da sociedade civil. Fortalecer e respeitar são palavras mágicas dentro da escola e o Quero na Escola pratica o tempo inteiro”, comenta a Diretora da Fundação SM, Pilar Lacerda.

Esta foi a terceira edição do programa em que os educadores dizem que pessoa gostariam de receber na escola para colaborar com um projeto ou ensinar algo aos professores ou aos alunos. No primeiro ano, em 2016, foram realizadas 13 atividades e, no ano passado, 27.

Mais detalhes e fotos das primeiras atividades podem ser conferidos aqui e aqui. Outro texto fala de uma das ações sobre Comunicação Não Violenta e um sobre valorização da cultura afrodescendente em duas atividades diferentes em Guarulhos.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Anúncios

Amor por livros leva voluntárias do Paraná a Minas Gerais

Ao ver pedido de professora mineira para a criação de um espaço para leitura em sua escola, empresária do Paraná viajou mais de 800 kms para ajudar

Por Luciana Alvarez

Professora de português há 20 anos, Maria Ilza Melo se esforça diariamente para envolver seus alunos, fazer com que eles aprendam o máximo. “Sou funcionária pública e estou a serviço do meu cargo. Gosto de desafios, dou sempre o melhor de mim”. Foi por isso que ela pediu recentemente transferência para a escola estadual Antônio Carlos de Carvalho, em Bom Sucesso, Minas Gerais, uma unidade mais afastada do centro e num bairro mais pobre. “Quando cheguei na escola senti que precisava resgatar a autoestima dos alunos, dar a eles a esperança de alçar voos maiores”, conta. Para isso, teve a ideia de fazer um projeto que uniria sua paixão pela literatura com a revitalização de um espaço da escola. “A escola tem uma amoreira sete-copas linda, num espaço vazio, pouco usado. Transformar aquele lugar numa área de leitura iria valorizar a escola e a literatura. Meu objetivo logo ficou claro, mas não sabia como fazer, por onde começar”, conta.

Pedido feito no Quero na Escola Especial Professor

Quando era criança, Lilian Camargo não tinha livros em casa. Nem sequer material escolar. “Comecei a trabalhar com 12 anos para poder comprar cadernos e livros da escola. E foi por causa de um teatro de uma aula de história que me apaixonei pela escrita”, recorda-se. Mas pela necessidade de trabalhar, os livros foram deixados de lado por longos anos. “Voltei a estudar depois de muito tempo. Comecei Direito, mas quando meu filho nasceu, percebi que meu lugar era na pedagogia”, diz. Foi então que resgatou seu envolvimento com a escrita e a admiração pelos professores. “Tive mestres maravilhosos, que me mostraram novos caminhos muito além das questões acadêmicas”. Lilian hoje tem uma empresa na área de TI, mas dedica-se também a um projeto de promoção de leitura e escrita, chamado Linhas – e está lançando seu primeiro livro infantil. “Tenho a esperança de que um dia todas as escolas do Brasil terão boas bibliotecas – e que todas as crianças vão ler”.

As linhas dos destinos de Maria Ilza e Lilian se cruzaram em outubro, mês do professor. Maria Ilza cadastrou seu pedido no site do Quero na Escola – Especial Professor, projeto em parceria com a Fundação SM. Ao ler o pedido, Lilian soube que daria um jeito de ajudar. “Acompanho sempre os pedidos no Quero na Escola. Na história do meu livro, a vovó Mel tem uma casinha de madeira, embaixo de uma árvore, onde ela todos os dias reúne as crianças para contar histórias. Quando li que uma professora queria transformar um espaço embaixo de uma árvore numa área de leitura, meu coração amoleceu. Falei pra mim mesma: tenho que ir para lá”.

Lilian encomendou a um marceneiro de Minas a confecção de uma casinha de madeira para ficar sob a árvore. Também mobilizou o grafiteiro João Lucas Teixeira, que voluntariamente fez uma obra no muro próximo à árvore. “O trabalho não é só meu. Tem uma professora que já tem um projeto de leitura, uma comunidade escolar super envolvida. Fui dar uma forcinha”, diz Lilian, para quem a visita à escola Antônio Carlos foi emocionante. “A escola inteira se preparou para nos receber. A diretora fez um poema! Chorei várias vezes aquele dia”. E ela já tem planos de voltar.

Na escola de Bom Sucesso, o trabalho está só começando. “Os alunos ficaram muito empolgados com o grafite, em ver como se faz. Queremos agora organizar uma oficina, para que nossos próprios alunos complementem os desenhos em toda a extensão do muro”, conta Maria Ilza. A casinha de madeira também vai receber uma pintura especial para resistir à chuva e, assim, durar muitos anos. “Vai ser nosso ponto de encontro para aulas de leitura, declamações de poesias, apresentações de teatro”, planeja a professora. “Com essa ajuda, avançamos uns dez passos. E vamos seguir em frente”.

A ideia é que os alunos da Antônio Carlos se interessem pela escrita e produzam um livro coletivamente, tornando-se parte de uma comunidade de jovens escritores de todo o país, que começa a ser organizada por Lilian. “É um projeto de longo prazo. Queremos ver nossos alunos crescendo, sendo protagonistas de suas histórias”, afirma Maria Ilza.

Para Lilian, a intenção é ver alunos de vários estados do Brasil escrevendo seus livros. “Tenho contato de uma escola no Pará que está interessada, mas ainda preciso de patrocínio para ir até lá”, conta. Ano passado, Lilian também participou do Quero na Escola, arrecadando livros para uma escola de Castro, no Paraná. “Visitei o local recentemente e vi que toda a comunidade está se interessando pela leitura. Estou fazendo mais um esforço de arrecadação de livros, agora com o foco em obras para adolescentes”.

A voluntária diz que ela ganha e aprende muito em cada uma das ações que realiza. “Sinto que estou participando de algo muito maior. Ao me juntar a esses, ficamos todos mais fortes”, afirma.