A voluntária que foi a cinco escolas só este ano

Por Natália Sierpinski

Quem acompanhou o Quero na Escola em 2018 provavelmente já conhece a Deise Ruiz. Profissionalmente ela é psicóloga, especializada em Neuropsicologia e mestranda em Psiquiatria e Psicologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), como nossa voluntária conversa com estudantes sobre Psicologia, Bullying, Cyberbullying e outros temas ligados à sua área. 

Só este ano, ela esteve em cinco escolas em que estudantes pediram algo em que ela pudesse ajudar. Para o ano que vem, já está inscrita em outras. Não só isso: ela acompanha as publicações nas redes sociais, às vezes indica alguém que imagina que possa querer se envolver, outras vezes compartilha em sua página. Pelo Quero na Escola, já esteve em Lajeado, na zona leste da capital paulista, Lapa, na zona oeste, Ipiranga na Zona Sul e em duas escolas de Guarulhos. E de lá carrega os jovens virtualmente.

Além de deixar materiais que produziu na escola, para que as discussões e debates possam continuar, também se conecta por telefone ou redes sociais com os que mais se aproximam. “Tem estudante que me manda mensagem meses depois”, nos contou uma vez. E não só estudantes.

Em uma das atividades, ela atendia a um pedido do Quero na Escola Especial Professor, na Escola Estadual Alcântara Machado.  A coordenadora Francisca de Assis Carvalho, a elogiou com assertiva na linguagem usada com os alunos. “Ele falaram que adoraram e saíram com vários temas que gostariam que fossem abordados na escola relacionados a atividade, como Depressão e Orientação Vocacional”.

“Participei de palestra de uma voluntária cadastrada e achei ótima essa iniciativa.  Fazer-se conhecer, mostrar horizontes, abrir janelas para aguçar a curiosidade dos alunos,” contou. Nós que agradecemos pela iniciativa, horizontes ampliados e janelas abertas.

Quer ser voluntário? Veja se há algum pedido na nossa página sobre o assunto que você quer falar! 

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Sexualidade e gênero pautam participação no interior da Paraíba

Por Marcela Riccomini

“Sexualidade e gênero” era a resposta de um estudante de  Cajazeiras, no interior da Paraíba, à pergunta do Quero na Escola sobre qual assunto gostaria de ter abordado na escola. A quase 500 quilômetros dali, outro estudante, este universitário, produziu um documentário sobre a cena Queer. Resultado: uma viagem de seis horas, a apresentação de um documentário e um debate.

O estudante de Educomunicação pela Universidade Federal de Campina Grande, Rodrigo Sousa viajou a noite toda até a Escola Técnica de Saúde de Cajazeiras para conversar com os alunos. Ele conta que percebeu no pedido uma oportunidade de levar seu trabalho. “O intuito do doc era fazer a Educomunicação funcionar, com uma intervenção social.” disse.

A atividade atendeu as três salas de ensino médio, abordou inicialmente um diálogo a respeito do tema. Conheceram melhor os conceitos envolvendo gênero e sexualidade, como a sigla LGBTQ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e queer) e depois assistiram a obra juntos.

O encontro, em setembro, ajudou na aceitação do documentário no Congresso  Nacional de Educação em outubro. O educomunicador percebeu que haviam dúvidas e interesses diferentes dos alunos conforme as suas idades, e cada apresentação teve suas individualidades por conta do direcionamento dos alunos.  

A turma  do aluno Roberto Ribeiro, que fez o pedido no Quero na Escola, foi a que lidou com o assunto com mais propriedade. O estudante diz que fez pedido por ser “fundamental para jovens de minha escola terem uma bagagem mais ampla a respeito de um aspecto tão importante do ser humano que é a sexualidade, em conjunto com ideias de gênero que foram difundidas de forma tão desigual pela sociedade patriarcal, a fim de sermos membros de um mundo igualitário”.

O voluntário se surpreendeu que, apesar de ser uma Escola Técnica de Saúde, não haviam cursos de saúde integrado ao ensino médio. Ele tinha desenvolvido um debate sobre atendimento à pessoas LGBT`s na área da saúde e, mesmo os alunos não estudando o assunto, quiseram conversar sobre o tema.

O estudante considerou a atividade importante pra ele e os colegas. “O contato com o conceito e depoimentos sobre o queer nos trouxe um esclarecimento de algo que não conhecíamos muito bem. Foi um momento também de estímulo de respeito mútuo e aproximação entre estudantes”, contou. A experiência  também foi aprovada pela gestão da escola que aceitou receber um voluntário para debater sexualidade e gênero em tempos em que se discute a pertinência ou não de falar de sexualidade na escola.

Gostaria de debater algum assunto importante na sua escola? Peça pra gente pelo queronaescola.com.br