Um encontro para discutir feminismo e representatividade LGBT na escola

Quando uma cantada ou uma paquera passa a ser assédio?”, “Qual é a definição de abuso e o que fazer se isso acontecer comigo?”, “O que é estereótipo de gênero?”, “Existe uma ‘cultura do estupro’?”, “. Essas foram algumas das dúvidas levantadas por estudantes do Ensino Médio do Colégio Estadual Missionário Mário Way, da zona oeste do Rio de Janeiro, na última sexta-feira, durante uma palestra de três representantes do coletivo feminista Não me Kahlo.

feminismo_rio2Bruna Rangel, graduada em Direito e pós graduanda em Sociologia e Cultura, Thaysa Malaquias, arquiteta, e Bruna de Lara, estudante de Jornalismo, foram voluntariamente à escola conversar com cerca de 100 alunos depois que um estudante pediu uma palestra sobre Feminismo e Representatividade LGBT, no site do Quero na Escola. O projeto fez a ponte entre a escola e o coletivo e realizou o evento.

As três optaram por fugir do formato convencional de palestra, no qual o convidado expõe um tema e no final, quase sempre com pouco tempo, a plateia faz perguntas. A proposta foi fazer um encontro e projetar na tela alguns assuntos para estimular os estudantes a fazerem perguntas, tirarem suas dúvidas e se expressarem.

As voluntárias explicaram que estereótipos de gênero são condutas e comportamentos culturalmente relacionados a um determinado gênero, e construídos socialmente (em casa, nas escolas, nas universidades) como se fossem “naturais”, como, por exemplo, brinquedo ou atividade para meninos e para meninas. “O que é reservado a uma postura ativa é [culturalmente] relacionado ao gênero masculino e a postura passiva é [culturalmente] relacionada ao gênero feminino. É esperado que ele seja o provedor, o líder, o racional, enquanto de nós [mulheres] é esperado emoção, irracionalidade. Tudo isso é estereótipo de gênero”, explicou Thaysa.

feminismo_rio5Um aluno questionou se não haveria papéis pré-definidos para homens e mulheres, como, por exemplo, quando acontece um problema elétrico na casa, é esperado que o homem vá consertar. Ao que Thaysa respondeu: “Certamente você está falando isso com base na sua vivência, na sua família, mas nem todas famílias são assim. Minha mãe é divorciada, então sempre que precisava consertar algo lá em casa era a gente que resolvia”.

As integrantes do coletivo falaram também sobre a cultura machista que não permite que a mulher seja dona do próprio corpo, que sexualiza os seios, permitindo que sejam expostos no Carnaval, mas proibidos na praia, nas ruas, e até alvo de censura na hora da amamentação em público, sobre homofobia, abuso sexual, assédio, estupro e os direitos da população LGBT.

Debate importante

Alunos, voluntárias e educadores acharam fundamental debater na escola assuntos que estão sendo abordados diariamente nas ruas e nas redes sociais. “Achei muito bom a gente poder se expressar e debater. Mostra que a escola não é aquela coisa monótona e chata. A turma do LGBT sofre muito preconceito, eles não são aceitos de fato. Há muitas mortes por causa da homofobia, então é muito importante discutir sobre isso”, disse a aluna Thaís Tavares. “Eu gostei, achei proveitoso, consegui extrair umas coisas. É bom para amadurecer a mente, porque daqui a alguns meses vamos deixar a escola”, destacou Lucas dos Santos Nascimento.

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Moisés Gomes, autor do pedido no site que motivou o encontro, contou que gostaria de ter feito um debate deste tipo na escola há alguns anos e viu no Quero na Escola uma oportunidade. “É maravilhoso ver todo mundo participando. A ideia é debater para que as pessoas possam construir uma opinião.”

Para a diretora Nivia Simm, a discussão contribui para a maturidade dos alunos e a diversidade de pensamento. O professor Vitor Gouveia, que apresentou o Quero na Escola para a turma em março, destacou que o evento foi importante para os alunos se expressarem sobre os assuntos, que raramente são abordados em sala de aula.

As voluntárias também acharam o evento enriquecedor e se surpreenderam com o nível de argumentação e familiaridade que os alunos tinham com os temas. “Saí do ensino médio há três anos e já vejo diferença entre a minha turma e a deles. Na minha escola o debate era raso, havia apenas uma ou duas meninas que discutiam feminismo. A forma como eles falaram, se sentindo à vontade, isso não acontecia na minha escola. Acho importante que o debate não pare aí. Esses estudantes vão voltar para a sala de aula e vão se retrair novamente. Quando outro debate como esse vai acontecer de novo? Tem que ser um trabalho contínuo”, opinou Bruna de Lara.

feminismo_rio4O Colégio Estadual Missionário Mario Way tem vários outros temas pedidos no site. Para ajudar, basta se inscrever como voluntário.

Qualquer estudante de escola pública pode se cadastrar no Quero na Escola! O que você quer aprender além da grade curricular?

 

 

Assista aqui trechos do encontro:

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