Grafiteira voluntária e estudantes dão nova cara a muros de escola

No sábado, 24, a designer Adriene da Silva Oliveira acordou mais cedo do que costuma levantar durante a semana para sair de Jacareí, onde mora, e estar às 8h na Escola Helio Augusto de Souza, em São José dos Campos. Levou latas de grafite, uma máscara e desenhos possíveis. Foi recebida pela diretora e um grupo de alunos que incluía Cecília Panzeri Rodrigues, estudante de 13 anos que pediu aula de grafite no Quero na Escola.

“Sentamos rapidinho e debatemos sobre alguns desenhos, foi super legal porque deram ótimas ideias. Eu lançava o básico e eles arrematavam”, conta a artista que pratica desde 2007. Uma bola de basquete, por exemplo, ganhou um anel de saturno. Uma maça foi pintada como se fosse o mundo.

Cecília (esq) e amiga posam para a voluntária ao lado da peça de xadrez

Cecília deu uma ideia que ainda não estava nos esboços: uma peça de xadrez, jogo que pratica dentro e fora da escola. “Ela fez o desenho na parede, a gente pintou e desenhou mais algumas partes”, relata feliz de ter mais esta ideia atendida.

A aula incluiu noções básicas do spray sobre manter a pressão e a distância e também como praticar fora dos muros. “Eu falei pra eles que faço algum desenho no papel todo dia, dali vai saindo a firmeza”, explica Adriene, dica que Cecília afirma que vai incorporar no cotidiano.

A diretora, Regina Oliveira, também ficou muito feliz com a participação e combinou com a voluntária de retornar, já que outros estudantes também gostariam de participar. “Como diretora e moradora do bairro onde a escola está situada, senti que foi um ganho muito grande para os nossos alunos, ainda mais sendo um pedido de uma aluna que se sentiu importante. Eles pensam que pedido de adolescente nunca é aceito, se sentem rejeitados e ela, a Cecília, adorou ter seu pedido aceito.”

Qualquer estudante de escola pública pode dizer o que mais gostaria de aprender no Quero na Escola e interessados em ajudar podem se cadastrar para dar uma aula.
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Estudantes organizam dia de reflexão sobre feminismo em escola

Por Natália Sierpinski 

Um jornal, várias atividades com parceiros e um dia de portas abertas à comunidade. Tudo isso foi organizado pelos alunos e professores da Escola Estadual Américo de Moura, em Jardim Avelino, São Paulo. Depois de a abertura ser feita com uma apresentação musical dos alunos, a primeira atividade do dia foi o debate sobre gênero e violência contra a mulher com a participação da Coordenadoria de Políticas para a Mulher da Prefeitura de São Paulo e da voluntária do Quero na Escola Lizandra Magon de Almeida, responsável pela editora Pólen.

“Gostei muito de ter ido e de ver os professores e alunos envolvidos. Acho que essas iniciativas do Quero na Escola são sempre incríveis para todo mundo que participa porque a gente também aprende muito”, comentou a jornalista e editora. Pela Coordenadoria de Políticas para a Mulher do governo municipal estavam a coordenadora Hannah Maruci Aflalo e a estagiária Amanda Sadalla.

Alguns pontos levantaram debate, como as várias formas de violência contra a mulher que existem e a conscientização de que são crimes, como por exemplo o vazamento de fotos íntimas pela internet e pelo WhatsApp. Elas também relacionaram esses comportamentos e estereótipos machistas e sexistas com a nossa cultura.

Weilton Moraes, 16 anos, aluno do ensino médio da escola e membro do clube de jornalismo, participou da produção da segunda edição do jornal da escola. Dedicada ao feminismo, esta edição abordou algumas mulheres que marcaram a história, como a Princesa Isabel e Lili Elbe, além de conter uma matéria sobre Pabllo Vittar e outra sobre o conceito de feminismo. O aluno apontou que a terceira edição do jornal vai ser sobre o evento deste dia. “Sabemos só básico deste tema e acho muito importante elas trazerem [a conversa] para a escola”, afirmou.

Além dessa atividade, a escola também teve uma exposição sobre mulheres importantes na história, duas apresentações de teatro que abordaram a temática da violência contra a mulher e o assédio, além de atividades promovidas por grupos parceiros, que ofereceram aulas de dança, artesanato e serviços de beleza como manicure e maquiagem.

Raquel de Oliveira Alves, 34 anos, é professora de Língua Portuguesa da escola Américo de Moura e participou de todo o processo de organização do dia de atividades. “Nós organizamos de acordo com o currículo. Isto é muito importante dentro de uma escola de tempo integral: como os alunos ficam aqui o dia inteiro, todo evento tem que ser pertinente com o que eles fazem”, comentou, lembrando que aproveitaram o Mês das Mulheres também para exposições, sarau e teatro.

Matheus, 15 anos, apontou que todos da escola se mobilizaram para a organização do evento. “Teve uma coletividade muito grande. E, na minha opinião, foi uma coisa muito bem elaborada, por ser um primeiro evento no primeiro ano da escola como de ensino integral”.

Matheus também é líder de sala e “acolhedor da escola”, um termo usado para os alunos responsáveis por receber os colegas o ano todo. A escolha dos alunos que vão ser acolhedores é feita a partir dos que se voluntariam. O intuito do acolhedor é não apenas apresentar a estrutura da escola mas também sua pedagogia, Matheus completou que falar sobre a escola é mostrar que “não é uma coisa chata”. Segundo ele, os acolhedores indicam que são nove aulas dinâmicas. “A gente mostra muito os nossos quatro pilares da educação que é o aprender a ser, aprender a conhecer, aprender a fazer e apenas ser. A gente mostra vídeos falando sobre a gente ser o protagonista. Todos os acolhedores são, na minha opinião, grandes protagonistas.”

Os líderes de sala, por sua vez, possuem uma grande voz na escola e de fato representam os colegas, levando projetos dos alunos para a direção, por exemplo. São feitos momentos de diálogo, com debate e votação democráticos para serem decididos os pontos que os líderes de sala irão abordar.

A voluntária Lizandra se surpreendeu com a dinâmica da escola e sua pedagogia: “Adorei conhecer o projeto, que é inovador e pode ser uma forma bacana de escola mais pra frente. Você percebe que alunos e professores estavam ali super ligados e dispostos.”

A autonomia e protagonismo dos alunos e uma integração entre a escola e a comunidade vão ao encontro do Quero na Escola, como comentou Matheus. “É um projeto que eu achei muito fantástico porque isso mostra que tudo está interligado dentro da educação. Se encaixa com a escola e trás o público de fora, todo mundo se une e faz um grande projeto como hoje”, comemorou.

E você gostaria de pensar em uma ação interligada entre a sociedade e a escola? O Quero na Escola é uma plataforma que ouve os pedidos de aprendizagem dos estudantes que vão além do currículo obrigatório. Se você é estudante e gostaria de pedir ajuda para fazer algo em sua escola, conte com a gente! Inscreva-se

Jovens cheios de talento precisam de ajuda com teatro e canto em Manaus

Uma das coisas mais legais de ouvir os estudantes no Quero na Escola é descobrir iniciativas que já acontecem nas escolas e com as quais dá para contribuir. É o caso dos pedidos por Teatro e Canto na Escola Estadual Aldeia do Conhecimento Ruth Prestes Gonçalves, em Manaus, no Amazonas.

Atuação da turma em 2017

O estudante João Victor Feitosa, 17 anos, conta que a escola tem auditório, praça de convivência e um evento cultural no segundo semestre para o qual os estudantes se preparam  o ano todo. Em 2017, a turma dele apresentou uma adaptação de Auto da Barca do Inferno, para a qual ensaiaram e investiram em figurino. “A gente fez tudo da nossa cabeça, seria maravilhoso se tivesse alguém que tem a técnica e pudesse nos ajudar”, explica. Quem quiser ajudar, basta se inscrever aqui, que vamos organizar.

O mesmo evento também conta com apresentações musicais. “Tem muita gente que gosta de cantar e aí é que a gente não tem nenhuma ajuda mesmo. Eu nem conheço alguém que pudesse nos ensinar”, comenta.

Como amostra do talento, João fez um cover de Liability, da jovem cantora neozelandeza Lorde, confere abaixo:

Quer ajudar a desenvolver as atividades e talentos nesta escola? Inscreva-se aqui ou compartilhe com os amigos que possam ajudar.

Jovens partem de trabalhos escolares para criar projetos úteis na prática

Por Luciana Alvarez

Em vez de se focar em produções puramente acadêmicas, alguns estudantes de ensino médio optam por aplicar os conhecimentos em situações reais e ir além do que é exigido pelos professores. O resultado traz benefícios para a comunidade e promove aprendizados mais significativos para o próprio jovem. O Quero na Escola ouviu a história de três jovens que foram protagonistas em suas trajetórias escolares. Inspire-se e, se precisar de uma ajuda, chama aqui.

Educação ambiental na prática

Ex-aluna da Escola Estadual Prof. Adail Malmegrim Gonçalves, Larissa Hillary da Silva Correia, hoje com 17 anos, sempre gostou de se envolver com questões ambientais. Ela participava de um projeto de educação ambiental da Ufscar (Universidade Federal São Carlos) chamado Trilhas. Quando na escola precisou fazer um trabalho sobre o Cerrado, acionou seus contatos da universidade para ir além do que o professor havia pedido. “Isso foi no 1º ano. Peguei emprestado com o pessoal da Ufscar insetos, animais empalhados, folhas e sementes para expor na escola”, diz. O material que ela conseguiu chegou até mesmo às famílias, numa exposição dos trabalhos de ciências. “Teve um dia que a escola foi aberta e foi toda a comunidade poder conhecer. A escola encheu”, lembra.

Dois anos depois, no 3º ano, o professor de Biologia propôs um trabalho prático sobre meio ambiente e ela, mais uma vez, aproveitou a oportunidade para fazer algo concreto – e foi assim que sua escola ganhou uma horta. “A escola que propôs o projeto, mas nós (os alunos) fomos tomando conta. Dividimos a classe em três grupos e montamos uma horta, uma composteira e uma cisterna”, conta Larissa.

O projeto acabou por envolver a escola toda, que se mobilizou para conseguir sementes, por exemplo. “Foi um trabalho que valeu nota, o professor avaliou cada grupo e o trabalho de cada um. Mas isso nem importa tanto, porque saímos da escola, visitamos ONGs para aprender. Todo mundo adorou”, garante.

Estudantes foram visitar ONG e acabaram criando aplicativo pra adoção

Informática aplicada a um problema real

Vinícius Molina, 18 anos, concluiu o ensino médio no ano passado pela Etec Polivalente de Americana e hoje cursa a faculdade de Jogos Digitais, mas ele continua a se reunir com o antigo grupo da escola técnica de ensino médio para aperfeiçoar um trabalho que já foi entregue e teve nota. O TCC do grupo foi um software para melhorar os processos do Centro de Controle de Zoonoses de Americana, interior de São Paulo, e ajudar na adoção. “Tudo começou com uma família de gatos abandonados. Fomos investigar, visitamos a instituição e vimos que eles estavam lotados de animais, que ninguém adotava”, conta Vinícius.

Embora o produto tenha sido entregue, o grupo quer melhorar o sistema. “Perfeito nunca fica, mas queremos deixar o melhor possível, para que possa funcionar por muitos anos”, diz o estudante. Além de ajudar a instituição, a iniciativa mudou a forma como os jovens encaram o conhecimento técnico e científico. “Aprendemos sobre como funciona o mundo, um caminho para propor soluções, algo que vai além do que se aprendem nas matérias da escola. Aprendemos como podemos ser cidadãos”, afirma.

Eventos abrem porta para o futuro

Assim como Vinícius, Stephane Santos, 18 anos, também fazia ensino técnico junto com o médio. Como seu curso na  Etec Profª Drª Doroti Quiomi Kanashiro Toyohara era na área de eventos, decidiu participar ativamente da organização de todos os eventos da escola, das tradicionais festas juninas ao festival de primavera, passando por jornadas de coleta de lixo eletrônico. “Eram as oportunidades de colocar em prática tudo aquilo que eu já tinha visto na teoria. Quando você realiza, o aprendizado fica bem mais interessante, porque engloba tudo”, afirma. Muitos professores usavam a participação nesses eventos para dar nota, embora a participação não fosse uma obrigatoriedade. “Alguns colegas preferiam fazer trabalhos teóricos, mas eu sempre preferi a prática”, relata.

Stefane terminou o ensino médio em 2017 e agora se prepara para fazer faculdade nos Estados Unidos, com uma bolsa. Em setembro ela começa um curso de negócios na Universidade Minerva, na Califórnia. “Tenho certeza que todas essas atividades durante o ensino médio contaram bastante para eu ser aprovada na seleção”, diz. Segundo ela, durante as entrevistas de seleção, ela foi bastante questionada sobre iniciativas que teve para melhorar o mundo.

O Quero na Escola é uma plataforma que ouve os pedidos de aprendizagem dos estudantes que vão além do currículo obrigatório. Se você é estudante e gostaria de pedir ajuda para fazer algo em sua escola, conte com a gente! Inscreva-se