Estudantes organizam dia de reflexão sobre feminismo em escola

Por Natália Sierpinski 

Um jornal, várias atividades com parceiros e um dia de portas abertas à comunidade. Tudo isso foi organizado pelos alunos e professores da Escola Estadual Américo de Moura, em Jardim Avelino, São Paulo. Depois de a abertura ser feita com uma apresentação musical dos alunos, a primeira atividade do dia foi o debate sobre gênero e violência contra a mulher com a participação da Coordenadoria de Políticas para a Mulher da Prefeitura de São Paulo e da voluntária do Quero na Escola Lizandra Magon de Almeida, responsável pela editora Pólen.

“Gostei muito de ter ido e de ver os professores e alunos envolvidos. Acho que essas iniciativas do Quero na Escola são sempre incríveis para todo mundo que participa porque a gente também aprende muito”, comentou a jornalista e editora. Pela Coordenadoria de Políticas para a Mulher do governo municipal estavam a coordenadora Hannah Maruci Aflalo e a estagiária Amanda Sadalla.

Alguns pontos levantaram debate, como as várias formas de violência contra a mulher que existem e a conscientização de que são crimes, como por exemplo o vazamento de fotos íntimas pela internet e pelo WhatsApp. Elas também relacionaram esses comportamentos e estereótipos machistas e sexistas com a nossa cultura.

Weilton Moraes, 16 anos, aluno do ensino médio da escola e membro do clube de jornalismo, participou da produção da segunda edição do jornal da escola. Dedicada ao feminismo, esta edição abordou algumas mulheres que marcaram a história, como a Princesa Isabel e Lili Elbe, além de conter uma matéria sobre Pabllo Vittar e outra sobre o conceito de feminismo. O aluno apontou que a terceira edição do jornal vai ser sobre o evento deste dia. “Sabemos só básico deste tema e acho muito importante elas trazerem [a conversa] para a escola”, afirmou.

Além dessa atividade, a escola também teve uma exposição sobre mulheres importantes na história, duas apresentações de teatro que abordaram a temática da violência contra a mulher e o assédio, além de atividades promovidas por grupos parceiros, que ofereceram aulas de dança, artesanato e serviços de beleza como manicure e maquiagem.

Raquel de Oliveira Alves, 34 anos, é professora de Língua Portuguesa da escola Américo de Moura e participou de todo o processo de organização do dia de atividades. “Nós organizamos de acordo com o currículo. Isto é muito importante dentro de uma escola de tempo integral: como os alunos ficam aqui o dia inteiro, todo evento tem que ser pertinente com o que eles fazem”, comentou, lembrando que aproveitaram o Mês das Mulheres também para exposições, sarau e teatro.

Matheus, 15 anos, apontou que todos da escola se mobilizaram para a organização do evento. “Teve uma coletividade muito grande. E, na minha opinião, foi uma coisa muito bem elaborada, por ser um primeiro evento no primeiro ano da escola como de ensino integral”.

Matheus também é líder de sala e “acolhedor da escola”, um termo usado para os alunos responsáveis por receber os colegas o ano todo. A escolha dos alunos que vão ser acolhedores é feita a partir dos que se voluntariam. O intuito do acolhedor é não apenas apresentar a estrutura da escola mas também sua pedagogia, Matheus completou que falar sobre a escola é mostrar que “não é uma coisa chata”. Segundo ele, os acolhedores indicam que são nove aulas dinâmicas. “A gente mostra muito os nossos quatro pilares da educação que é o aprender a ser, aprender a conhecer, aprender a fazer e apenas ser. A gente mostra vídeos falando sobre a gente ser o protagonista. Todos os acolhedores são, na minha opinião, grandes protagonistas.”

Os líderes de sala, por sua vez, possuem uma grande voz na escola e de fato representam os colegas, levando projetos dos alunos para a direção, por exemplo. São feitos momentos de diálogo, com debate e votação democráticos para serem decididos os pontos que os líderes de sala irão abordar.

A voluntária Lizandra se surpreendeu com a dinâmica da escola e sua pedagogia: “Adorei conhecer o projeto, que é inovador e pode ser uma forma bacana de escola mais pra frente. Você percebe que alunos e professores estavam ali super ligados e dispostos.”

A autonomia e protagonismo dos alunos e uma integração entre a escola e a comunidade vão ao encontro do Quero na Escola, como comentou Matheus. “É um projeto que eu achei muito fantástico porque isso mostra que tudo está interligado dentro da educação. Se encaixa com a escola e trás o público de fora, todo mundo se une e faz um grande projeto como hoje”, comemorou.

E você gostaria de pensar em uma ação interligada entre a sociedade e a escola? O Quero na Escola é uma plataforma que ouve os pedidos de aprendizagem dos estudantes que vão além do currículo obrigatório. Se você é estudante e gostaria de pedir ajuda para fazer algo em sua escola, conte com a gente! Inscreva-se

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