Jovens partem de trabalhos escolares para criar projetos úteis na prática

Por Luciana Alvarez

Em vez de se focar em produções puramente acadêmicas, alguns estudantes de ensino médio optam por aplicar os conhecimentos em situações reais e ir além do que é exigido pelos professores. O resultado traz benefícios para a comunidade e promove aprendizados mais significativos para o próprio jovem. O Quero na Escola ouviu a história de três jovens que foram protagonistas em suas trajetórias escolares. Inspire-se e, se precisar de uma ajuda, chama aqui.

Educação ambiental na prática

Ex-aluna da Escola Estadual Prof. Adail Malmegrim Gonçalves, Larissa Hillary da Silva Correia, hoje com 17 anos, sempre gostou de se envolver com questões ambientais. Ela participava de um projeto de educação ambiental da Ufscar (Universidade Federal São Carlos) chamado Trilhas. Quando na escola precisou fazer um trabalho sobre o Cerrado, acionou seus contatos da universidade para ir além do que o professor havia pedido. “Isso foi no 1º ano. Peguei emprestado com o pessoal da Ufscar insetos, animais empalhados, folhas e sementes para expor na escola”, diz. O material que ela conseguiu chegou até mesmo às famílias, numa exposição dos trabalhos de ciências. “Teve um dia que a escola foi aberta e foi toda a comunidade poder conhecer. A escola encheu”, lembra.

Dois anos depois, no 3º ano, o professor de Biologia propôs um trabalho prático sobre meio ambiente e ela, mais uma vez, aproveitou a oportunidade para fazer algo concreto – e foi assim que sua escola ganhou uma horta. “A escola que propôs o projeto, mas nós (os alunos) fomos tomando conta. Dividimos a classe em três grupos e montamos uma horta, uma composteira e uma cisterna”, conta Larissa.

O projeto acabou por envolver a escola toda, que se mobilizou para conseguir sementes, por exemplo. “Foi um trabalho que valeu nota, o professor avaliou cada grupo e o trabalho de cada um. Mas isso nem importa tanto, porque saímos da escola, visitamos ONGs para aprender. Todo mundo adorou”, garante.

Estudantes foram visitar ONG e acabaram criando aplicativo pra adoção

Informática aplicada a um problema real

Vinícius Molina, 18 anos, concluiu o ensino médio no ano passado pela Etec Polivalente de Americana e hoje cursa a faculdade de Jogos Digitais, mas ele continua a se reunir com o antigo grupo da escola técnica de ensino médio para aperfeiçoar um trabalho que já foi entregue e teve nota. O TCC do grupo foi um software para melhorar os processos do Centro de Controle de Zoonoses de Americana, interior de São Paulo, e ajudar na adoção. “Tudo começou com uma família de gatos abandonados. Fomos investigar, visitamos a instituição e vimos que eles estavam lotados de animais, que ninguém adotava”, conta Vinícius.

Embora o produto tenha sido entregue, o grupo quer melhorar o sistema. “Perfeito nunca fica, mas queremos deixar o melhor possível, para que possa funcionar por muitos anos”, diz o estudante. Além de ajudar a instituição, a iniciativa mudou a forma como os jovens encaram o conhecimento técnico e científico. “Aprendemos sobre como funciona o mundo, um caminho para propor soluções, algo que vai além do que se aprendem nas matérias da escola. Aprendemos como podemos ser cidadãos”, afirma.

Eventos abrem porta para o futuro

Assim como Vinícius, Stephane Santos, 18 anos, também fazia ensino técnico junto com o médio. Como seu curso na  Etec Profª Drª Doroti Quiomi Kanashiro Toyohara era na área de eventos, decidiu participar ativamente da organização de todos os eventos da escola, das tradicionais festas juninas ao festival de primavera, passando por jornadas de coleta de lixo eletrônico. “Eram as oportunidades de colocar em prática tudo aquilo que eu já tinha visto na teoria. Quando você realiza, o aprendizado fica bem mais interessante, porque engloba tudo”, afirma. Muitos professores usavam a participação nesses eventos para dar nota, embora a participação não fosse uma obrigatoriedade. “Alguns colegas preferiam fazer trabalhos teóricos, mas eu sempre preferi a prática”, relata.

Stefane terminou o ensino médio em 2017 e agora se prepara para fazer faculdade nos Estados Unidos, com uma bolsa. Em setembro ela começa um curso de negócios na Universidade Minerva, na Califórnia. “Tenho certeza que todas essas atividades durante o ensino médio contaram bastante para eu ser aprovada na seleção”, diz. Segundo ela, durante as entrevistas de seleção, ela foi bastante questionada sobre iniciativas que teve para melhorar o mundo.

O Quero na Escola é uma plataforma que ouve os pedidos de aprendizagem dos estudantes que vão além do currículo obrigatório. Se você é estudante e gostaria de pedir ajuda para fazer algo em sua escola, conte com a gente! Inscreva-se

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