Psicologia lota sala de escola pública numa sexta à noite em Diadema

O estudante Thales Silva, 16 anos, se inscreveu no Quero na Escola pedindo “Psicologia” porque está no último ano do Ensino Médio e esta é uma das carreiras que ele pensa em seguir. Além dele, 34 colegas – a maioria dos quais nem frequenta as aulas às sextas à noite – resolveram participar do bate-papo com a psicóloga Stefanny Bauman, que se voluntariou para palestrar e os encontrou na última sexta, 17 de fevereiro.

O estudante acabou dando um passo para trás na escolha do futuro profissional, mas ficou satisfeito. “Adorei, ela foi super esclarecedora. Nota 10. Mas vou seguir o conselho dela e decidir com tempo, sem pressa”.

Outros alunos aproveitaram assuntos gerais que envolvem a área. Ao falar dos casos que levam à terapia e de observações do comportamento humano, Stefanny acabou ajudando jovens e professores. “Tem hora que as pessoas não estão preparadas para ouvir. Tem vezes que algo é claro pra você, mas você não vai ajudar a outra pessoa simplesmente falando. Tem que haver uma preparação”, comentou sobre como ajudar amigos e parentes.

Stefanny também falou sobre trabalhar emoções e não responder por exemplo a todo comportamento diferente do seu na vida e nas redes sociais. “Não é uma fala sua que vai fazer a pessoa mudar de ideia. Então, pense se realmente é válido”.

A coordenadora Verônica do Nascimento, participou ativamente. “Normalmente, sexta à noite, a maioria dos alunos não vem. Esta semana avisamos da palestra e tivemos sala cheia. A escola ganha muito com estas participações que nos tiram da rotina.

Qualquer estudante de escola pública pode se inscrever no Quero na Escola e dizer o que gostaria de ter a mais na sua escola:

Veja um pouco de como foi no vídeo:

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15 cursos de universidades brasileiras para fazer online e de graça

Por Sabrina Coutinho

Você sabia que muitas universidades – brasileiras e estrangeiras – disponibilizam cursos online gratuitos? Sem filtro por nota no Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) ou qualquer processo seletivo, é possível conhecer melhor carreiras e aprender com cursos completos e vídeos dos mesmos professores que atuam em instituições renomadas.

EdX, por exemplo, é uma parceria entre o MIT e a Harvard, duas das universidades mais disputadas dos Estados Unidos, e reúne mais de 950 cursos das maiores universidades do mundo. Já o Coursera tem mais de 2 mil cursos disponíveis, oferecidos por faculdades de 29 países. O Veduca, plataforma brasileira no mesmo estilo, também reúne alguns cursos de grandes faculdades do país.

Nós do Quero na Escola facilitamos encontros pessoais nas escola. Queremos que os estudantes tenham acesso a mais pessoas além de mais conhecimento (peça aqui o que você gostaria de aprender além do currículo na sua escola). Neste começo de ano, no entanto, achamos fundamental reforçar que, se você não conseguiu o que queria no Sisu, isso está longe de ser o fim do mundo. Pelo contrário, o conhecimento pode ser adquirido de muitas formas.

Selecionamos alguns desses cursos – oferecidos em português e gratuitos – para você experimentar:

  1. Origens da vida no contexto cósmico, com professores e pesquisadores do Instituto de Astronomia da USP
  2. Introdução à ciência da computação com Python – parte 1, com Fábio Kon, do Instituto de Matemática e Estatística da USP
  3. Pluralidades em Português Brasileiro, com cinco professoras e pesquisadoras da Unicamp
  4. Como criar um aplicativo para iPhone, com professores do Instituto de Biologia da Unicamp
  5. Introdução ao Controle de Sistemas, com professores do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)
  6. Capitalismo consciente, com Priscila Claro, do Insper
  7. Liderança, gestão de pessoas e do conhecimento para inovação, com Joel Souza Dutra, da Faculdade de Economia e Administração da USP
  8. Gestão de projetos, com Marly Monteiro de Carvalho e Daniel Amaral, da Escola Politécnica da USP
  9. Finanças pessoais e investimentos em ações, com André Massaro, da BM&FBOVESPA
  10. Fundamentos de administração, com Hélio Janny Teixeira, da Faculdade de Economia e Administração da USP
  11. Medicina do sono, com Lívia Leite Góes Gitaí, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas
  12. Engenharia econômica, com Erik Rego, da Escola Politécnica da USP
  13. Gestão da inovação, com Mario Sergio Salerno, da Escola Politécnica da USP
  14. Instrumentos de política e sistemas de gestão ambiental, com Marcelo Montaño, da Escola de Engenharia de São Carlos da USP
  15. Produção mais Limpa (P+L) e Ecologia Industrial, com Sergio Almeida Pacca, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo

Pensava em outro tema? Que tal pedir para alguém falar um pouco sobre isso na sua escola? Se você é estudante da rede pública de qualquer estado do Brasil, é só entrar no www.queronaescola.com.br e pedir o que quiser. Alguém pode ir pessoalmente ajudar a você e seus colegas.

O que ouvimos mediando gênios na Campus Party

Por Cinthia Rodrigues, coordenadora do Quero na Escola

Um dia um asteróide próximo do Planeta Terra vai ser batizado de Luiz Fernando da Silva Borges. Sabem quem é? Um estudante de 18 anos do Mato Grosso do Sul que já coleciona 50 prêmios pelas pesquisas que faz em engenharia biomédica. A convite do grupo Mentoring Young Talents Brazil (MYTB), mediei na 10ª edição da Campus Party uma mesa em que ele e outros quatro jovens gênios falaram de como se aprende – o que foi bom de ouvir – e da distância entre isso e o que veem ocorrer nas escolas – e isso foi triste.

Os cinco se destacam em áreas diferentes (veja perfis abaixo), mas estavam ávidos para falar de Educação. Foram eles e a fundadora do MYBT, Angelita Drunkenmolle, que sugeriram e fizeram campanha pelo painel “Educação: inovar ou revolucionar”. Para eles, é preciso aumentar a expectativa sobre o estudante, incentivar a autonomia do jovem e ajudá-lo a encontrar a forma singular de aprender de cada um.

“A revolução que precisa acontecer é a que coloca o estudante como protagonista e não mais passivo. Ele tem condições de descobrir. Não aprendendo o que a dona hipotenusa foi fazer com os catetos, mas derivando o teorema de Pitágoras”, comentou Luiz.

Para ele, o problema é que somos mais recompensados pelo sucesso em reproduzir do que pela busca de avanços, mesmo que resulte em fracasso. “A gente tem a tal da classificação dos cientistas por quantidade de artigos publicados. Não interessa se o artigo é reprodução ou divisão de uma pesquisa maior. Quantos queriam fazer pesquisa e viraram escravos do professor?”  

Gabriel Santos, que aos 16 anos é embaixador do programa Educação Livre, com chancela da Unesco, já foi reprovado na escola por falta, enquanto investia em campeonatos mundiais de robótica. “Quando descobri que podia aprender sozinho, a escola passou a ser a pior coisa da minha vida. Pra que vou até lá se posso aprender no youtube?”, contou, acrescentando que não achou a resposta até hoje.

“O jovem de 14 a 17 anos tem um perfil que se resume a passar no Enem. Depois chega lá, não era o que ele esperava. Será dele a culpa?”, comenta. “A escola não ensina pra gente como o cérebro funciona. É complicado falar em um sistema porque o Brasil é grande e muito diferente. Então, acho que o ensino tem de ser personalizado.”

Yolanda Rodrigues, 22 anos, fez parte da faculdade de Ciência e Tecnologia na França e compara os sistemas. “Desde o ensino médio, eles lá fora são muito acostumados a estudar sozinhos. Aqui o professor fala exatamente o que é pra estudar e se não cair na prova, tem aluno que até cobra”, lamenta. Ela conta que ela própria tem dificuldade em fazer prova, apesar do sucesso em diferentes áreas. “Eu não consigo copiar de livro. Então a gente podia ter mais uso prático, pegar problemas reais e resolver”.

Para Maria Vitória Valoto, 16 anos, todos estes problemas devem ser resolvidos pelo governo e pelos próprios estudantes. Aos 15 anos, ela desenvolveu uma cápsula contra intolerância à lactose e hoje faz pesquisa em laboratório de ponta.  “Vamos ouvir o estudante porque é pra gente a escola. Não é para eles. E acho que não adianta só reclamar, ‘ah, minha escola está em greve, ah, o sistema no Brasil’ e ficar no Netflix. A gente não pode esperar a mudança, é o nosso papel também levar a mudança”.

Quem deu algumas dicas sobre como gostar de aprender foi João Victor Chaves da Silva, 20 anos, fundador da Empreenda Junto (que transmitiu o painel ao vivo pelo Facebook, assista aqui). “Hoje estou muito conectado a áreas de Machine Learning e adaptar o processo de aprendizado. Por mais que seja algo novo, gosto muito porque é o que quero fazer. Ao mesmo tempo tenho que estudar coisas que sinceramente odeio, como finanças, mas sei que preciso. Então tem duas coisas que a gente aprende: o que você gosta e o que você estuda porque tem um objetivo. Sempre mantenha em mente o seu objetivo e reveze entre o que gosta e o que precisa”, aconselhou. 

A palestra que teria inicialmente 45 minutos, acabou se estendendo por mais de duas horas e vários estudantes da plateia participaram. E queriam participar mais ainda. Mais uma evidência de que até os estudantes mais brilhantes podem melhorar sua relação com a própria escola com autonomia.

Quer chamar alguém para promover uma atividade diferente dentro da sua escola pública? queronaescola.com.br

Quem são:

Da esquerda para a direita: João Vitor, Luiz, Angelita, Cinthia, Gabriel, Yolanda e Maria Vitória
Da esquerda para a direita: João Vitor, Luiz, Angelita, Cinthia, Gabriel, Yolanda e Maria Vitória
  • João Vitor Chaves da Silva, 20 anos, é técnico em eletrotécnica e automação industrial pelo Cefet de Minas Gerais, fundador da Empreenda Junto e pessoa mais jovem do mundo a receber o título de Teacher of New Venture and Leadership pelo MIT Global Enterpreneurship Bootcamp.

  • Luiz Fernando da Silva Borges vem desenvolvendo tecnologias na área de engenharia biomédica: construindo um equipamento que torna mais barato exames laboratoriais baseados em DNA; um novo método para controle de próteses robóticas de braço com sensação tátil e um método para fazer pessoas em coma se comunicarem. Com 18 anos, detêm mais de 50 prêmios e títulos, sendo apontado para a International Astronomical Union (IAU), por meio do MIT Lincoln Laboratory, para ter um asteróide próximo do Planeta Terra batizado com seu nome.

  • João Gabriel Santos, 16 anos, faz experiências com robótica desde os 12 anos, é fundador do Makerspace Sesi RJ e embaixador do Educação Livre, programa chancelado pela Unesco.

  • Maria Vitória Valoto, 16 anos, criou cápsulas com a enzima lactase de baixo custo e com diferente aplicação para quem sofre de intolerância à lactose e ganhou 21 prêmios sendo a primeira brasileira e única representante da América Latina a estar na Google Science Fair, uma feira organizada pela Google Education.

  • Yolanda Rodrigues, 22 anos, graduada em Ciências e Tecnologia com ênfase em Engenharia dos Materiais pela Universidade Federal do  Rio Grande do Norte, que fez Graduação Sanduíche no INSA de Strasbourg, na França.