Sexualidade e gênero pautam participação no interior da Paraíba

Por Marcela Riccomini

“Sexualidade e gênero” era a resposta de um estudante de  Cajazeiras, no interior da Paraíba, à pergunta do Quero na Escola sobre qual assunto gostaria de ter abordado na escola. A quase 500 quilômetros dali, outro estudante, este universitário, produziu um documentário sobre a cena Queer. Resultado: uma viagem de seis horas, a apresentação de um documentário e um debate.

O estudante de Educomunicação pela Universidade Federal de Campina Grande, Rodrigo Sousa viajou a noite toda até a Escola Técnica de Saúde de Cajazeiras para conversar com os alunos. Ele conta que percebeu no pedido uma oportunidade de levar seu trabalho. “O intuito do doc era fazer a Educomunicação funcionar, com uma intervenção social.” disse.

A atividade atendeu as três salas de ensino médio, abordou inicialmente um diálogo a respeito do tema. Conheceram melhor os conceitos envolvendo gênero e sexualidade, como a sigla LGBTQ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e queer) e depois assistiram a obra juntos.

O encontro, em setembro, ajudou na aceitação do documentário no Congresso  Nacional de Educação em outubro. O educomunicador percebeu que haviam dúvidas e interesses diferentes dos alunos conforme as suas idades, e cada apresentação teve suas individualidades por conta do direcionamento dos alunos.  

A turma  do aluno Roberto Ribeiro, que fez o pedido no Quero na Escola, foi a que lidou com o assunto com mais propriedade. O estudante diz que fez pedido por ser “fundamental para jovens de minha escola terem uma bagagem mais ampla a respeito de um aspecto tão importante do ser humano que é a sexualidade, em conjunto com ideias de gênero que foram difundidas de forma tão desigual pela sociedade patriarcal, a fim de sermos membros de um mundo igualitário”.

O voluntário se surpreendeu que, apesar de ser uma Escola Técnica de Saúde, não haviam cursos de saúde integrado ao ensino médio. Ele tinha desenvolvido um debate sobre atendimento à pessoas LGBT`s na área da saúde e, mesmo os alunos não estudando o assunto, quiseram conversar sobre o tema.

O estudante considerou a atividade importante pra ele e os colegas. “O contato com o conceito e depoimentos sobre o queer nos trouxe um esclarecimento de algo que não conhecíamos muito bem. Foi um momento também de estímulo de respeito mútuo e aproximação entre estudantes”, contou. A experiência  também foi aprovada pela gestão da escola que aceitou receber um voluntário para debater sexualidade e gênero em tempos em que se discute a pertinência ou não de falar de sexualidade na escola.

Gostaria de debater algum assunto importante na sua escola? Peça pra gente pelo queronaescola.com.br

 

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