Estudante de Astronomia mostra imensidão do universo a alunos de escola pública no Jardim Irene, em SP

Na manhã da última sexta-feira (9), cerca de 30 alunos do terceiro ano da Escola Estadual Professor Ronaldo Garibaldi Peretti, no Jardim Irene, em São Paulo (SP), desceram os degraus do prédio e foram até a sala de vídeo para uma aula especial. O professor, que pisava ali pela primeira vez, era apenas alguns anos mais velho do que eles. E o tema era daqueles que fascinam a humanidade há muito, muito tempo: astronomia.

A primeira atividade do Quero na Escola na Ronaldo Garibaldi Peretti aconteceu graças ao aluno Adkuesley Ferreira Silva, 17 anos, que descobriu o projeto navegando no Facebook. Muito interessado por planetas, estrelas e galáxias, ele queria confirmar o desejo de seguir carreira de astrônomo e fez seu cadastro no site, mas sem grandes esperanças. “Achei que não fosse dar certo ou que fosse demorar”, afirmou.

No entanto, não levou muito tempo para que aparecesse um voluntário: Gabriel Lanzillotta, 20 anos, estudante de Astronomia da Universidade de São Paulo (USP), que foi do Alto do Ipiranga até o Jardim Irene conversar com Adkuesley [à esquerda na foto, de camiseta azul] e seus colegas.

A apresentação super informativa preparada por Gabriel incluía tanto imagens espetaculares quanto gifs e animações que divertiram os alunos. Em tom informal, ele buscou mostrar a imensidão do universo e as infinitas possibilidades de estudos e descobertas. “A astronomia é uma experiência de humildade”, disse. “Você vê o todo, e se vê muito pequeno.”

IMG_4497

Gabriel respondeu questões gerais, como o que é astronomia e o que ela estuda, e outras mais específicas. O que é um buraco negro? Por que o homem coloca satélites no espaço? Do que são feitos os anéis de Saturno?

Sentado à plateia, Adkuesley respondeu várias questões corretamente. “Eu pesquiso sobre o tema, leio algumas coisas”, contou o aluno, que aprovou a experiência com o Quero na Escola. “Adorei a palestra e agora estou com ainda mais vontade de fazer faculdade de Astronomia.”

Quando parte da turma já voltava para a sala de aula, Adkuesley aproveitou para conversar mais um pouquinho com Gabriel e tirar dúvidas sobre o vestibular e o conteúdo do curso, que exige bastante conhecimento de matemática e física. Além disso, dominar a língua inglesa facilita o acesso às informações e pesquisas de outros países.

O voluntário também avaliou a experiência como bastante positiva. “Foi interessante e surpreendente, tanto na recepção que me deram quanto no interesse que tinham”, avaliou.

Assim como Adkuesley, outros estudantes podem levar aulas diferentes para as escolas públicas nas quais estudam. É só acessar www.queronaescola.com.br e se cadastrar!

 

 

 

Professora de espanhol fala sobre a importância do idioma e dá dicas de como aprender sem fazer curso

¿Me entendéis? Quem quer que eu continue falando espanhol?”, perguntou Irene Reis Santos à turma da Escola José Cândido, no bairro da Pompeia, em São Paulo, depois de se apresentar como voluntária. Ela visitou a escola após pedido feito no Quero na Escola e falou na língua estrangeira sob olhares atentos dos estudantes.

O pedido por uma introdução ao idioma foi da aluna Safyra Campos Rego, estudante do 9º ano: “Minha tia falava um pouco de espanhol e eu gostava muito de ouvir. E também em algumas séries, eu era apaixonada por Violetta (personagem de novela argentina, famosa no Brasil entre 2012 e 2015)”, conta a aluna.

Os estudantes seguiram acompanhando boa parte da apresentação ouvindo a professora falar espanhol. Uma forma de Irene mostrar a eles que não é tão difícil assim aprender, para nós que somos brasileiros: “Eu comecei o encontro em espanhol e vocês entenderam, né? Se fosse em alemão, aí a coisa já seria mais difícil”, diz ela.

fotocapa.png

Irene é professora de espanhol, já morou na Espanha, é a representante no Brasil do CIPI – Consejo Independiente de Protección de la Infancia e faz mestrado no Uruguai. Para a atividade, procurou trazer não só o ensino da língua, mas também falar sobre a importância de se falar o idioma – o 2º mais falado no mundo -, por conta das empresas espanholas ou latino-americanas que valorizam profissionais que sabem o idioma e falou das diferenças culturais entre povos hispanohablantes.

A professora indicou sites, aplicativos, dicionários online e deixou à disposição seu próprio perfil do Facebook para ajudar que os estudantes busquem saber mais sobre a língua e se desenvolvam. “Todo dia tem que dar um estímulo para seu cérebro. É muito fácil ver e ouvir coisas em espanhol no YouTube ou configurar o videogame em outra língua”, foram algumas de suas dicas.

A experiência foi aprovada por Ana Maria Assunção, coordenadora da escola, que acompanhou a aula da primeira turma: “É interessante porque às vezes o estudante nem tinha pensado em aprender aquela língua e, quando vê alguém falando, percebe que consegue entender, pode se interessar mais, ver que é possível”.

Logo as dúvidas dos estudantes começaram a aparecer: “Meu primo falou uma coisa engraçada. Que pelado em espanhol é careca, é verdade?” ou “Por que no espanhol tem ponto de interrogação no começo e no fim da pergunta?”. Irene respondeu cada uma das questões e desmistificou algumas ideias sobre o aprendizado de línguas estrangeiras.

Na turma do 9º ano as dúvidas giraram mais em torno dos acentos diferentes e modos de pronúncia do Espanhol. “A produção de som do português é mais difícil que a do espanhol”, disse ela, fazendo alguns exercícios sonoros com os alunos para mostrar as diferenças na hora de falar as vogais em cada idioma. 

irene2.png
Irene propondo alguns exercícios sonoros para os estudantes do 9º ano

Entre os estudantes que estavam experimentando os sons e palabras do espanhol, uma aluna se destaca: já faz curso de Espanhol há mais de um ano. “O meu pai estudou na UNILA (Universidade Federal da Integração Latino-Americana, em Foz do Iguaçu) e ele estuda pra caramba. Ele tem todo aquele conhecimento hispânico. Depois disso, nós viajamos para a Argentina, eu tinha 10 ou 9 anos e me interessei bastante”, contou Cristel Masterson. “Depois nós achamos um curso gratuito em um CEU perto daqui e eu estou estudando”.

Cristel reforçou um pedido que fez há algum tempo e que, inclusive, estampa a página inicial de nosso site: aulas de jazz. Já Safyra está aguardando voluntários para um pedido de outra língua ainda mais ousada: o Coreano.

Veja todos os pedidos da Escola José Candido em sua página do Quero na Escola. Quem sabe você não pode ajudar em algum?