Oficina de desenho termina com exposição de talentos e perspectivas

Por Laís do Valle Corrêa, jornalista voluntária em Belém, com colaboração de Natália Sierpinski

Uma exposição de ilustrações que mostram não apenas o talento, mas também para onde olham e com o que sonham os estudantes, fechou o ano letivo da escola estadual Benjamin Constant, em Belém do Pará. Os desenhos são resultado de seis encontros com uma voluntária atendendo a pedido de uma jovem no Quero na Escola.

A estudante Anne Zanini, 16 anos, se inscreveu querendo aprender “técnicas de desenho”, pois se interessava em escolher Arquitetura como sua futura profissão. A arquiteta Anne Uptom, 24 anos, ela mesma ex-estudante de escola pública, se motivou a atender. Propôs ensinar perspectiva interna e externa, utilizando ponto de fuga, mas também incentivá-los a refletir sobre o que gostam em seu bairro.

Foi o suficiente para abrir as portas para aprender mais sobre desenho e ampliar  conhecimentos também sobre a cidade de Belém, sua mobilidade urbana e a importância da escola estar situada em um bairro com relevância histórica. Ao todo, de 15 alunos passaram pelas oficinas, dos quais 5 expuseram seus trabalhos finais.

Em maioria, eles já gostavam de desenhar, mas admitiram não saber muito, e por isso se interessaram. Assim aconteceu com Victor Vieira, 18, que, ao saber das oficinas, pensou “parece legal.‘Vamo’ lá!”. Para ele, aprender essa técnica foi mais fácil do que esperava, e assim ele conseguiu fazer o que antes não conseguia.

Para Jhonata Lourenço, 17, as oficinas significaram ampliação dos conhecimentos sobre desenho. Antes, ele desenhava apenas personagem e agora conseguia desenhar paisagens. Com sua ilustração, ele quis expressar uma área urbana tranquila. Segundo ele, “às vezes é complicado admirar a paisagem”, pois sempre as pessoas estão muito ocupadas.

Parecida foi a intenção da Gabrielle Cortinhas, 16, para quem Anne Uptom ensinou a técnica do esfumaçado, para aplicar a seu desenho, com um grande olho ao centro, representando o olhar voltado ao urbano, e pouco para a natureza. Para ela, que se diz “não muito boa com as palavras”, o desenho foi uma forma de colocar pra fora aquilo que ela pensa sobre o comportamento da sociedade. Até mesmo Allany Suieny, 17, que foi “praticamente obrigada” pelos amigos, gostou da oficina e vai começar a tentar desenhar mais.

As oficinas começaram em maio e atravessaram uma greve e uma reforma do prédio. E, mesmo em ambiente escolar, essa foi uma oportunidade de ter contato com o desenho, pois a disciplina de Artes é aplicada somente até o 1º ano do Ensino Médio e, de acordo com os alunos, não continha aulas práticas.

A Diretora da escola, Márcia Cristina Miranda Lopes, relata ter se alegrado com o retorno positivo do projeto, pois percebia os alunos bastante envolvidos. Para ela, o projeto soube vencer esse período delicado da escola, e foi muito importante para relaxar um pouco da tensão do vestibular e explorar novos conhecimentos e habilidades.

Para a arquiteta voluntária, o envolvimento com o projeto foi um “sair da zona de conforto”, já que ela teve de falar com um grupo com interesses distintos, preparar materiais e mesmo acordar mais cedo – algumas aulas começaram às 7h. “Acredito que foi uma relação além dos papéis e do lápis.”  

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